terça-feira, 30 de setembro de 2014

Estamos Solidários com a "Revolução dos Guarda- Chuvas" (em Hong Kong)

Um dos grandes mistérios com que os historiadores e politólogos do futuro se vão confrontar, é o de perceber o fascínio que a China e o seu modelo politico-económico-social exerceu sobre grande parte dos decisores políticos e económico-financeiros do capitalismo ocidental e das elites da União Europeia no início do século XXI.

De facto, tem sido o fascínio por esse modelo a contribuir para destruir o tecido sócio-económico do Ocidente democrático, nomeadamente o Estado Social construído na Europa ao longo do século XX.

A desculpa é o de atrair o capital dos países “emergentes”, penetrar nos seus mercados e as necessidades de um mercado  “competitivo” num “mundo globalizado”, onde o modelo chinês é cada vez mais o dominante.

Grande parte do capital desses países emergentes tem origem mais que duvidosa ( desde o oriundo de obscuros negócios de máfias locais, da corrupção dos seus líderes políticos, do “dumping social” neles praticado, da inexistência de direitos socias e até dos democráticos).

Por seu lado, as grandes empresas ocidentais, cada vez menos eticamente escrupulosas, do ponto de vista social [essa preocupação, quando a houve, durou apenas enquanto existiu a “sombra” da União Soviética….], sentem-se atraídos por esses países emergentes, com a China à cabeça, onde não existem greves nem contestação, nem preocupações ambientais, onde o trabalho sem regras e a exploração de mão-de-obra infantil foge a qualquer controle, garantindo assim lucros fabulosos a essas empresas.

Mas, num mundo capitalista sem regras, onde os políticos são meros “facilitadores” dos negócios financeiros, um dos atractivos, nunca assumido, pelo modelo Chinês passas pelo facto de estarmos num país, que para além de oferecer uma mão-de-obra barata e sem direitos, um vasto território sem o “entrave” das regras ambientais do ocidente, oferece a possibilidade de todo o tipo de negócios sem o “empecilho” do controle democrático ou da liberdade de expressão.

A China é, sem dúvida, a “melhor” síntese entre o pior do capitalismo, com o pior do comunismo, “pior” na perspectiva dos cidadãos e dos trabalhadores, porque para a ganância do grande capital financeiro internacional e das corruptas elites dirigentes do gigante asiático este é o melhor de todos os mundos.

Por isso é da mais absurda hipocrisia toda a “indignação” manifestada pelas elites políticas ocidentais em relação àquilo que se passa em Hong Kong. Uma China democrática, onde houvesse liberdade de expressão, com direitos sociais e respeitadora das preocupações ambientais era o pior de todos os pesadelos para essa gente, pois deixavam de ter desculpa para continuar a retirar direitos aos trabalhadores dos seus países e a desvalorizar o trabalho para “responder” ao “dumping social” dos “países emergentes”.


Pelo nosso lado, estamos do lado das forças democráticas da China, pois a sua vitória ´só podia fortalecer a luta dos cidadãos da Europa pelo reforço dos seus direitos socias, políticos e económicos.

(Podem ler mais sobre a "revolução dos Guarda-Chuvas" AQUI e seguir os acontecimentos em Hong Kong , em directo, AQUI)

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