sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Hoje no Parlamento : O momento "Oliveira da Figueira" de Passos Coelho


O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje no debate quinzenal no parlamento que não recebeu qualquer valor da Tecnoforma enquanto foi deputado, até 1999, e que só colaborou com esta empresa após o ano de 2001.

“Passos Coelho acrescentou que fez parte de uma organização não-governamental (ONG), o Centro Português para a Cooperação, em conjunto com administradores da Tecnoforma, desenvolvendo atividades no seu entender compatíveis com as funções de deputado em exclusividade e admitiu que tenha, nesse âmbito, apresentado despesas de representação - não precisando entre que datas” (in I on-line).

Nunca me escapou, ao ouvir Passos Coelho, o estilo “pintarolas”, “chicoesperto” , “Oliveira de Figueira”, ou como lhe queiram chamar, como, com o ar mais sério deste mundo, tal virgem ofendida, se defende das críticas ou defende as ideias mais incríveis ou disparatadas.

Hoje Passos Coelho esmerou-se no Parlamento.

Começou por querer dar um ar de político desprendido dos bens terrenos, repetindo várias vezes que “apenas” aceitou um subsidio de reintegração a que tinha direito ( no “irrisório” valor de uns milhares de euros), recusando uma subvenção vitalícia.

Esqueceu-se o “pintarolas” que, quer pela idade, quer pelo tempo que tinha de “serviço” parlamentar, mesmo perante os escandalosos privilégios de que beneficiavam então os deputados, não podia NUNCA ter usufruído desse direito, ou se tivesse esse direito tinha de optar entre o subsidio de reintegração e a subvenção vitalícia, conforme bem lhe recordou Jerónimo de Sousa.

Também ficámos a saber que “apenas” recebeu uns dinheirinhos (nunca referiu o seu valor) como despesa de representação dos seus serviços numa  ONG (!!!!), chamada Centro Português para a Cooperação (CPC), não tendo recebido qualquer valor da Tecnofarma.

Pois!!! Só que organizações como a CPC são um expediente de chicos espertos (para usar os termos da líder do BE), como Passos Coelho, para serem remunerado eufemisticamente com “despesas de representação”, de forma indirecta pela Tecnofarma, que era quem controlava essa ONG. Ou seja, um estratagema para se receber desta empresa sem ser necessário declarar ao fisco nem incorrer na ilegalidade, uma prática muito comum à época nas relações pouco claras entre políticos e negócios.

Não deixa de ser estranho que Passos Coelho se recuse a levantar o sigilo bancário para se conhecer o valor dessas “despesas de representação”. Como disse António José Seguro, é necessário que se saiba o valor dessas despesas , a sua origem e o seu resultado nas actividades da CPC. Ou, como se costuma dizer, quem não deve não teme.

Estamos fartos do estilo "pintarolas" e  da "chico espertice" de  políticos como Passos “Oliveira da Figueira” Coelho, que enxameiam  a política portuguesa nos últimos anos, produto predilecto do "cavaquismo". Basta!!!

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