terça-feira, 28 de março de 2017

Contra as "troikas" a o Politburo de Bruxelas, Eu, EUROPEU me confesso


A minha cultura, as minhas memórias, os meus valores e as minhas convicções são todas “europeístas”.

Nasci num país que ligou a Europa ao mundo, nem sempre pelas melhores razões e raramente da forma mais humana.

Nasci num país e fui criado num regime que copiou os tiques e os métodos de uma ideologia que nasceu na Europa, o fascismo  ( como nasceram na Europa o anarquismo, o liberalismo, a democracia, o comunismo, a social-democracia...).

Nasci num país e fui criado num regime que, na minha juventude, era ainda a última encarnação de uma atitude europeia face a outros povos, uma regime colonialista que sonhava com a preservação de um Império.

Nasci num país que tinha como religião oficial o cristianismo e onde a Igreja, para o bem e para o mal, tinha um poder imenso sobre os valores incutidos e o quotidiano de todo um povo.

Nasci e vivi num  país outro que lutou pelo ideal democrático e liberal ou partilhou ideologias alternativas ao Estado Novo, todas, para o bem e par o mal, criadas e fomentadas no espaço Europeu.

Muito da cultura que me incutiram na infância e na juventude, ora como modelo, ora com contraponto a esse modelo, foi toda ela uma cultura europeia ou “ocidental”, na musica, na literatura, no cinema, na banda-desenhada, nas artes plásticas…
 
Por isso não alinhei na euforia provinciana à volta da adesão a um dos modos possíveis de ser Europeu, pertencer à então CEE, como aconteceu em 1986.

Na altura existiam outros organismos parecidos, a EFTA, mais a norte e dominada pela Grã-Bretanha, e da qual o Estado Novo salazarista tinha sido um estado fundador e o COMECON, o equivalente económico nos estados do leste da Europa, ditaduras ditas “democracias populares”, lideradas pela União Soviética.

Curiosamente a EFTA ainda existe, formado apenas por 4 países, mas que são os países mais prósperos da Europa, a Noruega, a Islândia, a Suiça e o  Liechtenstein.

Para mim sempre pertencemos, para o bem e para o mal, à história, cultura e sociedade Europeias, um conjunto mais vasto e abrangente e culturalmente mais diverso e rico do que a actual União Europeia.

Por isso também não embarco na actual confusão reinante de rotular toda e qualquer crítica à deriva anti-democrática e anti-social reinante nas decisões tomadas pelas instituições “europeias”, como sendo “populismo” ou “eurocepticismo”.

Criticar o modelo “austeritário” imposto pelo politburo de Bruxelas, criticar a falta de democracia reinante nas instituições europeias, ou criticar as desigualdades crescentes provocadas pela forma como o “euro” foi implementado,  não é ser “euroceptico” ou “populista”, mas é, pelo contrário, alertar para os verdadeiros perigos que um projecto, com uma origem generosa de defesa na abertura de  fronteiras, no combate às  desigualdades sociais e na garantia de direitos sociais humanos e políticos, está a correr às mãos da actual elite que a dirige, cativada pelo corrupto poder financeiro.

De facto, é essa mesma deriva “austeritária” e “financista” que leva a fenómenos como o “Brexit” e está a gerar e a dar força ao verdadeiro populismo, que tem um nome que muitos temem pronunciar: neo-fascismo.

Criticar e encontrar alternativas a essa deriva da União Europeia, protagonizada por instituições burocratizadas  e reféns do poder financeiro,   e pelas suas actuais elites coniventes com  esse poder, é a única maneira de salvar um projecto que tem potencialidades para melhorar a vida dos cidadãos europeus e para se tornar uma verdadeira alternativa que, como o fez noutras alturas, combine a democracia e a liberdade com o combate às desigualdades sociais e a manutenção de direitos sociais, universais e humanistas.

Continuar na deriva actual, isso sim é condenar o projecto europeu à sua destruição e abrir caminho às derivas “populistas” xenófobas e neo-fascistas, fazendo a Europa regressar às suas guerras fratricidas de sempre.

Por isso, parem de me chamar “populista” e “eurocéptico” cada vez que defender uma Europa mais justa e humana, ou criticar a deriva “austeritária” imposta pelo “politburo” de Bruxelas.

Ser Europeu é defender a democracia, a liberdade, a justiça social e os direitos socias.

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