quarta-feira, 29 de março de 2017

“Brexit” ou “Eurexit”?



A Grã-Bretanha assume hoje a sua saída da União Europeia, um processo que ainda vai demorar cerca de dois anos a concretizar-se plenamente.

Embora todas as análises considerem que vai ser a Grã-Bretanha a sofrer as piores consequências pela decisão, nada garante que assim seja.

Os países mais desenvolvidos da Europa estão fora da União Europeia, com são o caso da Noruega e da Suiça.

Por sua vez o único país que conseguiu ultrapassar a crise financeira e resolve-la de forma adequada e a favor dos cidadãos foi outro país que está fora da União Europeia (EU), como foi o caso da Islândia (que, aliás, desistiu do processo de adesão à União Europeia).

Por isso não é liquido que, a médio prazo, a Grã-Bretanha não venha a beneficiar da sua saída da EU.

Aliás, penso que é esta hipótese que mais preocupa os burocratas do Politburo de Bruxelas, pois uma Grã-Bretanha que a prazo venha a crescer e a melhorar as suas condições socias e económicas seria um “mau exemplo” para os burocratas de Bruxelas e podia entusiasmar outros países, sujeitos ao garrote “austeritário” de Bruxelas, a rebelarem-se a exigirem, ou um novo rumo para a Europa ou a saída da organização.

É essa preocupação que justifica a atitude de alguns desses burocratas, procurando hostilizar os britânicos e tornar a separação uma separação altamente litigiosa e conflituosa, dificultando ao máximo a saída, pois precisa que esse acto sirva de exemplo a qualquer tentativa de rebeldia no seio da EU.

Claro que os motivos que levaram a Grã-Bretanha a sair não são bons motivos, mas, se o resultado for o contrário do que é vaticinado por comentadores e políticos fiéis à ortodoxia de Bruxelas, o “Brexit” pode transformar-se, a prazo, num “Eurexit”.
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