quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

“Lisboa, Capital, República, Popular” – A propósito do 80 º aniversário de Assis Pacheco.


 
Passam hoje 80 anos sobre o nascimento de Assis Pacheco, jornalista, escritor, poeta, cronista..”e tudo!”.

Falecido em 1995, Assis Pacheco faz parte de uma geração de jornalistas que transformavam cada reportagem numa grande peça literária.

Criados na resistência à ditadura, na técnica da metáfora ou da “entrelinha”, para fugirem à “tesoura”, foram todos grandes cronistas de uma época.

Hoje a imprensa vive quase exclusivamente de comentadores e “opinion makers” ou de um jornalismo opinativo.

Metade das páginas da imprensa de referência e a maior parte do espaço de debate e informação é hoje preenchido por esse tipo de “jornalismo”, ocupado por ex-políticos, políticos na reserva ou candidatos a políticos ou, quando não o são, de serviçais, ex-serviçais ou candidatos a serviçais do mundo financeiro.

Claro que, pertencendo ou não ao “universo” acima referido, existem excepções e excelentes “cronistas”,  que nos enriquecem intelectualmente com  textos magníficos ou reflecções pensadas, fundamentadas e bem escritas, fugindo aos “chavões” do  momento : um Rui Tavares, um Pacheco Pereira, uma Alexandra Lucas Coelho, um Miguel Esteves Cardoso, um Vicente Jorge Silva, um Bagão Félix, um Ricardo Cabral, uma São José Almeida, um José Victor Malheiros, um Francisco Louçã, um Viriato Soromenho Marques, um Pedro Tadeu, um Daniel Oliveira, uma Inês Pedrosa, um Adriano Moreira, uma Irene Pimentel, uma Raquel Freira, um João Paulo Guerra, um Rui Cardoso Martins…., e pouco mais (peço desculpa por algumas omissões).

Seja como for, os temas versam   quase sempre a política, a economia e as finanças.

Talvez porque tivessem de fintar a censura, os cronistas da geração de Assis Pacheco íam mais ao encontro das pequenas história, do quotidiano, dos pequenos acontecimentos, em crónicas magistrais e cheias de humanidade.

Ao recordarmos Assis Pacheco, não podemos  deixar de nos lembrar das saborosas crónicas de outros gigantes da “crónica” ( não confundir com o “comentário” dos nossos dias), verdadeiras pérolas de literatura, dae imaginação, de riqueza de vivências únicas, tais como um José Gomes Ferreira (o “poeta”...), um Acácio Barradas, um Luis de Stau Monteiro, um José Cardoso Pires, um José Saramago, um Artur Portela Filho, um Eduardo Prado Coelho, um Norberto Lopes, um Adelino Cardoso,, um Mário Mesquita, um Jacinto Baptista, um Álvaro Guerra, um Dinis Machado ou um Luís Pacheco, sem esquecer os ainda vivos José Carlos de Vasconcelos e Manuel Alegre.

Dessa geração, hoje apena sobrevive na “crónica activa” um Baptista Bastos.

Compravam-se os jornais “Diário de Lisboa”(1921-1990), “A Capital”(1968-2005), “República” (principalmente no período entre 1972 e 1975)e “Diário Popular”(1942-1991) para ler avidamente, nalguns casos nas suas páginas literárias ou culturais, noutros no corpo do jornal, o que aqueles cronistas escreviam diáriamente.

Era assim que residia a força dessa geração., apregoada aos quatro ventos pelos ardinas de Lisboa, em tom de provocação contra o regime salazarista: “olha ó “Lisboa, Capital, República, Popular”!!!!

 

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