terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Mais um aniversário


Comemorei há dias mais um aniversário.

A idade comemorada já não permite, a não ser com uma boa dose de humor negro, que alguém me deseje “que vivas outros tantos”…

Quanto muito, olham para mim e para a minha idade e contentam-se em desejar “que para o ano cá estejas”.

Conta-nos Afonso Cruz, na edição de 1 de Fevereiro do Jornal de Letras, numa crónica intitulada “Era uma voz”, sobre a avó do cronista que viveu até ao 99 anos, que um menino com cinco anos , “disse certa vez que não queria chegar aos 99 anos” porque se ficasse “assim tão velho”, corria o risco de…morrer.

Pois é, eu cheguei a uma idade em que esse risco começa a aumentar.

Por mim, e depois de escapar à morte algumas vezes, contento-me se chegar aos 70… e o que vier a mais é ganho, desde que me movimente e pense de forma independente…

Por coincidência, no próprio dia do meu aniversário, o suplemento do jornal Público, Ípsilon, publicava uma entrevista com Paul Auster, que acabou de comemorar o seu 70º aniversário, mais velho do que eu 9 anos e 7 dias. Interrogado sobre o facto de ter chegado a essa idade, e nunca ter esperado viver tanto e sobre os pensamentos que lhe passavam pela cabeça sobre esse facto, Auster respondeu que tinha “pensamentos contraditórios. Parte de mim acha que não aconteceu nada, é só mais outro dia na minha vida. E outra parte pensa: “70 anos!” Isso era ser extremamente velho. Mas agora as pessoas de 70 nos não parecem ser tão velhas como quando era criança. Ocorre-me uma frase de um amigo, o poeta George Oppen, que morreu há muito: “Que coisa estranha aconteceu a este rapazinho”. Sinto-me dessa maneira. Mas basicamente estou feliz por estar vivo, por estar aqui, e a minha saúde parece estar bem. A menos que um autocarro passe por cima de mim, acho que ainda posso ter alguns anos à minha frente”.

…Pois é…com alguns dias de atraso aqui agradeço a todos os que se lembraram do meu aniversário…e que para o ano cá estejamos de volta…
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