segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O “caso” dos SMS’s da CGD ou o “trumpismo à portuguesa”


O caso do “diz que disse” à volta dos “famosos” SMS’s trocados entre Centeno e Domingues, raia já o nível mais indecoroso do “debate” político nacional.
Tudo começou quando um “comentadeiro”, militante e ex-líder de um partido da direita, conselheiro de Estado da presidência, gestor de várias coisas, de plantão semanal numa televisão privada, lançou a bomba, ao falar na existência de uma lei feita à medida de António Domingues para este aceitar liderar a CGD.
Agora é outro conhecido “comentadeiro” político, também pertencendo a um partido da direita, gestor de várias coisas e, também conselheiro de Estado do PR, que é membro executivo de um banco privado e amigo do tal Domingues que foi convidado para dirigir um banco público, que botou a “boca no trombone” e serviu de “cabeça de turco” para o dito “gestor” se limpar da porcaria que fez, para fazer chegar ao Presidente da República o conteúdo dos mesmos sms’s.
Um outro “jornalista”/”comentadeiro”/”humorista”, assumidamente de direita, quando ainda se mantinha de pé a possibilidade de Domingues ficar a liderar a CGD, argumentava, em defesa deste, contra os que criticavam o regime de exclusividade que este tinha exigido, quer em termos salariais, quer em termos de se escapar aos deveres de gestor público, que este era um assunto menor face à grande competência do gestor e que era melhor não fazerem ondas porque Domingues era uma mais valia para o banco.
Agora, o mesmo “jornalista”/”comentadeiro”/”humorista”, que na última semana usou e abusou de todo o espaço público ao seu dispor para só falar deste tema, até à exaustão, que vem argumentar a favor da  “importância” da divulgação dos famosos “sms’s, pois o parlamento tem o “direiro de escrutínio e vigilância” .
Ou seja, o mesmo parlamento que não tinha direito de se interrogar sobre a exigência que Domingos fez de um salário  “em linha com o mercado”  e  da “dispensa de apresentação de património”, porque isso era do “domínio do privado”, já tem o direito de aceder a sms’s privados!!!!
O que se devia estar a investigar neste caso era o  porquê de  tanta insistência por parte de Domingues e dos gestores que convidou para a caixa em procurarem esconder do Tribunal Constitucional o seu património, o porquê de quereram beneficiar de um regime de exclusividade salarial em relação aos restantes funcionários públicos ( a quem também se pode aplicar o argumento de ter salários “em linha com o mercado”) e, por último, qual é o "famoso" escritório de advogados que faz servicinhos para o Estado, criando leis à medida dos seus clientes ( e já agora, quem são os sócios e administradores do dito escritório).
O resto, como a questão dos sms’s, é puro “trumpismo à portuguesa”…
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