quarta-feira, 7 de março de 2018

Sou da Geração Tv ..mas pouco!



Comemora-se hoje o 61º aniversário do inicio das emissões regulares de televisão em Portugal.

Tendo nascido pouco mais de um ano antes dessa data, posso dizer que faço parte da “geração tv”, já que, sempre me lembro da existência desse meio de comunicação.

Contudo, considero-me mais “filho da rádio” do que da televisão, pois, até meados da década de 70 as emissões de televisão só se iniciavam no final da tarde, e, durante todo o dia, a nossa companhia era a rádio.

Enquanto criança, lá em casa não nos deixavam ver televisão depois das 10 da noite, a não ser em dias especiais, nos dias do festival da canção, das grandes finais do futebol ou em emissões históricas, como a da chegada do homem à Lua.

Inicialmente lembro-me de ver pela primeira vez televisão nos cafés locais, nomeadamente no “Sagres”, que ficava na Avenida, a seguir ao “Napoleão”, onde a família se deslocava regularmente nas tardes de Domingo.

Mais tarde via televisão na casa dos meus avós, também aos domingos, único dia da semana em que a televisão abria à tarde, entre a programação infantil e cinematográfica, tudo, recorde-se, a preto e branco, situação que durou até 1980, também num dia 7 de Março.

Depois, finalmente, os meus pais lá compraram uma televisão para casa, então um investimento vultoso, pago a prestações.

Então, sem preocupações cronológicas, lembro-me dos filmes de Joselito, dos clássicos do cinema português, do Feiticeiro se Oz ( a preto e branco, claro), dos desenhos animados da Disney, do Perna Longa, do Bip.Bip…, de programas como o ZIP ZIP, dos concursos televisivos, num dos quis a minha mãe foi uma das concorrentes, tendo ficado em segundo lugar (chamava-se, que me lembre, “Grande Poeta é o Povo” e era apresentado por Artur Agostinho), dos grandes jogos do futebol europeu,  do mundial de 1966, dos Jogos Olímpicos (os de Tóquio em 1966 são os primeiros de que me lembro), das “conversas em família” de Marcelo Caetano, das sempre emocionantes edições em directo da missão Apolo, dos grande funerais de figuras publicas, como o de Salazar, dos Festivais da Canção e das emissões (em diferido) dos Óscares.
Apesar de tudo, as minhas memórias desses tempos são mais radiofónicas do que televisivas, como aconteceu com o 25 de Abril.

Enfim, nasci com a televisão, mas a minha memória partilho-as com outros meios de comunicação como a rádio, as revistas, ou os jornais.

Hoje a televisão é cada vez mais ruido do que (in)formação, com a honrosa excepção dos canais públicos.

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