segunda-feira, 21 de julho de 2014

Palestina, Holocausto e a "guerra dos Cartoon´s"...

Terminei recentemente a leitura de um livro terrível, intitulado “Sonderkommando”, escrito por Shlomo Venezia.

Esse livro, escrito em forma de entrevista, conduzida por Béatrice Prasquier, e com prefácio de Simone Veil, é um descrição rigorosa da vida nos campos de concentração nazis, a maior parte passada pelo entrevistado em Auschwitz.

Como membro do “sonderkommando”, isto é, do grupo de prisioneiros que cuidava de todos as actividades relacionadas com a “indústria” da morte praticada nesse campos da morte, (conduzir os prisioneiros ao extermínio, enterrar e cremar os mortos, separa os seus bens, limpar os vestígios…) e tendo sido dos poucos sobreviventes desse grupo, a sua descrição é das mais terríveis que até hoje li sobre o assunto, e já li (e  vi) muitos livros, documentos e filmes sobre o tema.

Esta livro devia ser de leitura obrigatória para toda a gente, principalmente pelos “negacionistas” ou por aqueles que procuram relativizar os crimes nazis ou compará-los com situações que não são comparáveis, quer pela frieza, quer pela organização burocrática, quer pela irracionalidade do holocausto.

O que mais dói por estes dias é a falta de respeito pelo sofrimento desses judeus, e não só, que passaram por essa terrível experiência, falta de respeito que vem de onde menos de devia esperar, do próprio governo judeu de Israel, ao usar, contra o povo palestiniano, uma crueldade tão abjecta como aquela que foi praticada pelos nazis, pesem contudo as devidas diferenças de grau.

A frieza e as justificações dadas pelo governo israelita para matar civis inocentes entre a população palestiniana deve-nos envergonhar a todos, não só aqueles, como eu, que acho que o estado de Israel tem direito a existir em paz, em pé de igualdade com um estado palestiniano, mas também aqueles que, de origem judaica, tudo deviam fazer para respeitar a memória dos seus antepassados que sofreram no holocausto.

Claro que o Hamas, não é inocente em todo este processo e que, em muitos aspectos, se comporta como um mero grupo terrorista. Mas ao actuar como actua, o governo israelita não de diferencia muito desse grupo radical. A diferença está no grau de violência, o “pequeno” terrorismo do Hamas contra o “grande”  e desproporcionado terrorismo de Estado do governo de Israel. Há contudo recordar que esse grupo radical só se expandiu porque, na sua origem, os falcões de Israel o incentivaram a crescer entre os palestinianos, como forma de fazer contraponto com a OLP  e, assim, contribuir para a divisão dos palestinianos.

Mais uma vez estamos perante o “monstro” que foge ao controle do seu “criador”.

É urgente que a carnificina seja travada, nem que seja em nome da memória dos judeus que deram a sua vida pela construção de um Estado onde pudessem viver em paz e ultrapassar um passado de perseguições violentas.

Os tempos não são para fazer humor, mas muitas vezes um bom cartoon denuncia melhor a gravidade de uma situação que muitos discursos.

É o caso do conjunto de cartoon´s que seleccionamos para denunciar a grave situação de se vive em Gaza, incluindo alguns que são de mera propaganda, de um ou outro lado.

Esperemos que esta selecção possa contribuir para uma reflexão sobre o que se passa nesse martirizado sitio.







































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