quarta-feira, 2 de julho de 2014

O DIA DE SOPHIA:

A propósito da passagem do 10º aniversário de Sophia e da sua trasladação para o panteão nacional , que pode ser acompanhada na edição especial da ANTENA 1, aqui recordamos e reproduzimos alguns documentos que a recordam, como o dossier  a ela dedicado pela Biblioteca Nacional, uma pouco conhecida entrevista concedida a uma televisão francesa em 1988.

Reproduzimos também aqui o seu poema Pátria, uma dos mais belos sobre o país que tanto amou:

PátriaPor um país de pedra e vento duro 
Por um país de luz perfeita e clara 
Pelo negro da terra e pelo branco do muro 

Pelos rostos de silêncio e de paciência 
Que a miséria longamente desenhou 
Rente aos ossos com toda a exactidão 
Dum longo relatório irrecusável 

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento 

E pela limpidez das tão amadas 
Palavras sempre ditas com paixão 
Pela cor e pelo peso das palavras 
Pelo concreto silêncio limpo das palavras 
Donde se erguem as coisas nomeadas 
Pela nudez das palavras deslumbradas 

- Pedra   rio   vento   casa 
Pranto   dia   canto   alento 
Espaço   raiz   e água 
Ó minha pátria e meu centro 

Me dói a lua me soluça o mar 
E o exílio se inscreve em pleno tempo 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto'
Por último, aqui deixamos um dos seus poemas mais conhecidos, cantado por Francisco Fanhais:

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