segunda-feira, 24 de julho de 2017

A “correiodamanhãzação” da imprensa de “referência”.


Os títulos da “Expresso”, ao estilo do “Correio da Manhã”, mas para gente “culta” e “séria”, já não me espantam.

São a sua imagem de marca de há muitos anos para cá e foram um dos motivos, como um dia expliquei AQUi, que me levaram a deixar de comprar um semanário que eu segui desde o seu primeiro número.

Contudo este fim-de-semana foi longe de mais.

Confesso que ao ler este titulo, pensei que o “Expresso”  tinha encontrado dezenas ou mesmo centenas de mortos que não tinham sido declarados, aliás em linha como muitas das “fake news” que circulam nas “redes sociais” e que, ao que parece, estão na moda e já servem de “fonte” a esse jornal.

Afinal a discussão anda à volta de …uma (UMA!!!!!) presumível morte de “diferença”.

Que o “Expresso” tenha aderido ao estilo das “feke news” já é grave, mas que ande a explorar a tragédia de Pedrogão Grande da forma como o fez, raia já a indignidade e uma grande falta de respeito pelas vítimas dessa tragédia.

Mas o fim-de-semana não se ficou por este caso.

Outros jornal de referência, o jornal Público, enveredou pelo mesmo estilo, pela forma como, ontem, deu destaque , de uma forma que raia a pura manipulação, a uma carta, aliás bastante bem escrita e onde se apontam preocupações legítimas, mas da qual aquele mesmo jornal descontextualiza uma passagem, para tentar forçar, nessa carta, um ataque à “geringonça”.



No título lê-se: “O Estado Falhou. A Nação não existiu”, com a intensão que, numa leitura apressada, se lei nas entrelinhas: “A Ministra da Administração Interna Falhou.A Geringonça não existiu”, porque toda a gente identifica, neste momento, essa ministra e este governo com o Estado e as suas falhas.

Depois, para explorar o estilo “Correio da Manhã”  de dramatizar situações, acrescenta, “a carta de uma mãe que perdeu um fillho…”.

Que o Público, outro jornal que compro todos os dias desde o seu primeiro número, ande a viver um período de desorientação editorial, alinhando no clima generalizado das “fake news”, já não me admira.

Desde que foi colocado à frente do jornal David Dinis, que ainda recentemente assinou a meias um artigo com outro jornalista daquele jornal onde, mais de metade do artigo (sobre o debate do Estado da Nação) dava palavra aos argumentos da oposição e 1/3 era a transcrição de um comentário “independente”, publicada no facebook por Poiares Maduro, o autor de discursos de Passos Coelho, já nada me espanta.

David Dinis foi um dos mais activos comentadores televisivos da propaganda “troikista” e “alémtroikista”, que, antes de chegar à direcção do Público, “estagiou” ideologicamente no Observador.

Claro que, por enquanto, o Público ainda é ideologicamente mais equilibrado que o “Expresso”, mas começam a surgir cada vez sinais mais preocupantes sobre o futuro deste jornal de referência, com se revela pela primeira página de ontem.


O estilo “Correio da Manhã” já tinha contaminado os noticiários televisivos. Não se esperava é que começasse a contaminar alguma imprensa escrita de referência!!!

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