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sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

O Fim do "Inimigo Público"

 

A desculpa é a de sempre. Dificuldades económicas, novas prioridades, alterações editoriais...

Enfim...o blá! blá" do costume par justificar o silenciar de vozes incómodas, irreverentes e independentes.

Porque será que, em Portugal, quando chega o aperto financeiro, muitas vezes mera desculpa para uma censura disfarçada, é sempre o elo mais fraco da cultura, da criatividade e da inovação que tem de ser descartado?

De facto, durante 18 anos, o "Inimigo Público", suplemento humorístico do Público, incomodou muita gente.

A desculpa das dificuldades financeiras para acabar com o suplemento das 6ªas feiras, não convence.

Se o problema é finaceiro, talvez pudessem começar por cortar no excesso opinativo, algum mera propaganda política ou obedecendo a agendas de carreirismo pessoal.

O humor em Portugal tem sido sempre incómodo para todos os poderes.

Noutros tempos, em condições mais difícies, enfrentando uma censura real, e não a actual censura disfarçada, recordamo-nos da coragem editorial do "Diário de Lisboa", com a edição de "A Mosca", um dos mais criativos suplementos humoristicos.

Mas esse era um tempo, apesar da censura e da PIDE, em que existia um jornalismo feito por jornalistas e onde o trabalho destes era respeitado e influente na linha editorials, ao contrário dos nossos dias em que os jornalistas se têm de submeter a editores que, muitas vezes, são meros  mercenários ao serviço do poder económico ou político.

Ficam as boas recordações das leituras do "Inimigo Público" ao longo dos últimos 18 anos.

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