terça-feira, 24 de novembro de 2015

O “terceiro-mundismo” de alguns comentadores da direita neoliberal


São legitimas as dúvidas, as desconfianças e as divergências , à esquerda e à direita, sobre a hipotética formação de um governo de “esquerda”.

Infelizmente, contudo, os termos em que essas dúvidas e desconfianças têm sido formuladas por muitos cronistas e comentadores da direita  neoliberal, roça a intolerância, o fanatismo , a boçalidade e a ignorância, distorcendo o uso de argumentos.

Já assistimos à gestação de uma novilíngua dessa direita revanchista ao longo destes últimos anos, invertendo o significado das palavras, no sentido de ajudar à sua argumentação ou de as esvaziar da sua força .

Inverteram o significado de palavras, como aconteceu como o “irrevogável”, transformaram o “reformismo” num método de “destruição criativa” dos equilíbrios sociais conquistados em democracia ,tornando-o sinónimo de “contra-revolução” neoliberal , substituíram a designação “trabalhador” por “colaborador”, para melhor desvalorizarem o factor trabalho, tudo embrulhado numa bem orquestrada e oleada campanha propagandística.

Agora vêm, mais uma vez, distorcer o significado de uma classificação,  a classificação de “terceiro-mundo”, ao considerarem que a formação de um governo de esquerda que advogue uma alternativa ao modelo “austeritário” vigente imposto pela “troika”  , apoiado em partidos que “contestam” as “regras” antidemocráticas das instituições europeias, que questionam a “bondade” do euro, que discutem  outras alternativas de relacionamento internacional que não passe em exclusivo pelo “ocidente", é uma atitude “terceiro-mundista”.

Aprendi a identificar, como características do “terceiro mundo”,  as tremendas desigualdades sociais, o desrespeito pelos mais básicos valores sociais e democráticos,  os enormes níveis de pobreza, a corrupção das sua elites, os altos níveis de desemprego, a grande desregulação do trabalho, sem direitos nem regras e pago miseravelmente.

Ora, se assistimos  nos últimos tempos  a um verdadeiro retrocesso “terceiro-mundista” foi nos países europeus, em especial nos da  zona euro, que aplicaram as regras “austeritárias” impostas por instituições não democráticas .

Esse retrocesso “terceiro-mundista” tem sido bem evidente em Portugal, onde não param de crescer as desigualdades sociais, onde o empobrecimento gerado pelo aumento do desemprego e pelos cortes em salários e nas pensões, não pára de se agravar e atingir cada vez mais camadas da população, levando o país para níveis de emigração que já ultrapassam os piores tempos da década de 60, onde os direitos sociais atiram o país para níveis verdadeiramente terceiro-mundistas.

E é contra esta deriva “terceiro-mundista” que se manifesta a esquerda europeia e a portuguesa.

Portanto, se existe alguém que está a conduzir o país para o “terceiro-mundo” é esta  direita neoliberal e revanchista,  defensora entusiástica do modelo “austeritério” , que nos tem governado estes últimos anos, na Europa e em Portugal,  com o apoio propagandístico  desses comentadores e cronistas que agora usam e abusam da classificação “terceiro-mundo”, em mais uma das suas campanhas de branqueamento político.

Enfim…comentadores do “terceiro-mundo”…


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