segunda-feira, 2 de novembro de 2015

José Fonseca e Costa

(foto do jornal Expresso)

A morte de José Fonseca e Costa apanhou muita gente desprevenida, mesmo os seu amigos mais chegado, como se revela pela sentida homenagem do seu amigo Miguel Esteves Cardoso que em baixo reproduzimos.

Em sua homenagem incluimos também um documentário-entrevista da autoria de, entre outros, Diana Andringa, para a RTP, editado em 1996.

“O Fonseca imortal

Por Miguel Esteves Cardoso

in Público de 2 de Novembro de 2015Ainda ontem

“Tenho a sorte de ser um dos muitos amigos a sério que o Zé Fonseca e Costa foi fazendo ao longo da vida dele.

“O Fonseca amava o mundo, à parte certas pessoas. Os ódios dele ardiam como grandes amores. Perguntava-me “como é que tu és capaz de gostar daquele gajo?” Quando eu respondia, ele, em vez de amuar ou de ficar zangado, encolhia os ombros e passava, magnânima e aristocraticamente, a outro assunto interessante.

“O Fonseca era um senhor e um rapaz e um gajo porreiro ao mesmo tempo. Sabia viver bem e fazia questão de partilhar generosamente essa sabedoria. Ensinou- me, quando eu trabalhei com ele (e eu nunca mais me esqueci) que o prazer é mais importante do que trabalhar e que trabalhar sem prazer não valia a pena. Assim era também com os dois cineastas que o deslumbravam: Welles e Antonioni.

“O Fonseca conhecia o nome de quem fazia o melhor Manhattan e a morada onde se comiam as melhores ostras. Fosse em Lisboa, Madrid, Paris, Londres, Nova Iorque, São Paulo ou Havana. E todas essas pessoas gostavam do Fonseca. Porque o Fonseca incluía-as na vida dele e apreciava-os como mereciam. O Fonseca era um prazer, um artista e um egoísta e altruista heróico. Era um ser livre. Era destemido. Não tinha medo de fazer boa figura e muito menos má.

“Até as lágrimas que me saltam dos olhos parecem felizes, só de pensar nele. Mas não poderiam ser mais tristes. Morreu o Fonseca e morrer não era coisa que ele nos fizesse.

"Nem parece teu Fonseca..."


A OBRA DE JOSÉ FONSECA E COSTA:

Argumento:
  · O Recado (1972)
  · Kilas, o Mau da Fita (1980)
  · Sem Sombra de Pecado (1983)
  · Balada da Praia dos Cães (1986)
  · A Mulher do Próximo (1988)
  · Cinco Dias, Cinco Noites (1996)
  · Viúva Rica Solteira Não Fica (2006)
  · Axilas (2016);

Assistente de Produção:
  · Um S/ Marginal (1981);

Intérprete:
  · Velhos São os Trapos (1981)
  · Jogo de Mão (1984)
  · O Resgate (1990)
  · O Assassino da Voz Meiga (1994)
  · O Judeu (1995)
  · Duplo Exílio (2001);

Montagem:
  · A Cidade (1968)
  · O Recado (1972)
  · A Mulher do Próximo (1988);

Produção:
  · Mónica - Um Diário Algarvio (1972)

Realização:
  · Clara d'Ovar em Óbidos (1965)
  · E Era o Vento… e Era o Mar - Sesimbra (1966)
  · Regresso à Terra do Sol (1967)
  · A Metafísica do Chocolate (1967)
  · Banco Comercial de Angola (1967)
  · A Cidade (1968)
  · A Pérola do Atlântico (1968)
  · The Columbus Route (1969)
  · Voar (1970)
  · O Recado (1972)
  · Golf In The Algarve (1972)
  · Mónica - Um Diário Algarvio (1972)
  · George Moustaki (1974)
  · Independência de Angola - O Governo de Transição (1977)
  · Os Demónios de Alcácer Quibir (1977)
  · Autoretratos: Ivone Silva, a Faz Tudo (1979)
  · Kilas, o Mau da Fita (1980)
  · Música, Moçambique! (1981)
  · Philirama - As Indústrias Philips em Portugal (1981)
  · Sem Sombra de Pecado (1983)
  · Balada da Praia dos Cães (1986)
  · A Mulher do Próximo (1988)
  · Os Cornos de Cronos (1990)
  · Cinco Dias, Cinco Noites (1996)
  · O Fascínio (2003)
  · Viúva Rica Solteira Não Fica (2006)
  · Axilas (2016);

Adaptação:
  · Sem Sombra de Pecado (1983);

Colaboração:
  · Independência de Angola - Os Acordos de Alvor (1977)

Diálogos:
  · O Recado (1972)
  · Sem Sombra de Pecado (1983);

Produção Executiva:
  · Música, Moçambique! (1981).

Fonte : http://www.cinept.ubi.pt/pt/pessoa/2143688866/Jos%C3%A9+Fonseca+e+Costa#sthash.KfIvwSC8.dpuf

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