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terça-feira, 29 de setembro de 2009

O Respigo da Semana - Onde se vai encostar Sócrates? (Teresa Villaverde)

Ontem os jornais encheram-se de dezenas de comentários de politólogos, comentadores, jornalistas, sociólogos, economistas… Mas eis que , no meio da espuma de comentários mais ou menos óbvios, politicamente correctos e baseados mais em convicções políticas pessoais do que na verdadeira realidade, surge uma lufada de ar fresco no comentário de alguém pouco habituado a estas lides, a cineasta Teresa Villaverde.
Num comentário lúcido e límpido, aponta o rei nu que mais ninguém vê.
Foi a sua crónica que escolhemos para “respigar”.


ONDE SE VAI ENCOSTAR SÓCRATES?

Comentário de  Teresa Villaverde, cineasta (Público, 28 de Setembro de 2009).





Quase tudo o que é absoluto mete medo.

O que aconteceu nestas eleições, eu acho, é positivo para o país. Só já numa democracia muito evoluída, ou [com] partidos muitíssimo educados, é que uma maioria absoluta seria tolerável, desejável acho que não o seria nunca.

A abstenção foi enorme, as pessoas participam muito pouco, e as maiorias afastam as pessoas. E as maiorias geram corrupção, a norte, sul, este, oeste. É triste, mas é assim.

Não sei o que vai acontecer agora. Espero que estes resultados encostem o partido socialista mais à esquerda e não mais à direita. Penso que com a actual direcção do PS ninguém pode saber neste momento onde se vai encostar José Sócrates.

Fazem-me confusão estes partidos tão dependentes de um líder.

Eu elegeria como primeira coisa a fazer o debate, a luta imediata contra a corrupção. Importantíssimo o exemplo do Estado, os gestores das grandes empresas têm que ter as mãos limpas, os dos bancos.

Os professores têm que ganhar mais para terem vidas mais dignas, para poderem viajar, comprar livros, para nunca pararem de aprender e poderem transmitir os seus conhecimentos.

Sem o entusiasmo das pessoas, não há país que avance. Sem arte e sem cultura os países são tristes e não produzem nada. Sem a solidariedade para com os mais velhos e os mais pobres, somos todos uns canalhas.

Um país de canalhas é um país que não vale nada.

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