quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Este carnaval terminou...o outro continua...

Graças à meteorologia e, principalmente, à publicidade do “Caso das Imagens Retiradas do Magalhães”, o Carnaval de Torres deste ano conheceu uma enchente que já não se via há muitos anos.
Claro que, devido à situação caricata provocada pelo Ministério Público, José Sócrates e o “Magalhães” foram os bombos da festa, isto numa cidade conhecida como o “PSQUISTÃO” do Oeste.
A história das imagens apreendidas é sobejamente conhecida do público em geral.
O que parece ter passado quase despercebido, não merecendo grandes comentários, foram as afirmações do procurador-geral da República, na sexta-feira passada, já depois de ter sido sanado o triste episódio e de terem sido repostas as imagens da polémica.
Afirmou o sr. Pinto Monteiro que “ a história não foi o que passou” e que “havia outro cartaz com foto pornográfica, que não corresponde à imagem mostrada”.
Deduz-se, da leitura destas palavras, que o sr. Procurador, ou estava mais informado do que o comum dos mortais e teve mais responsabilidades no episódio do que aquilo que se pensava, ou visou desculpar o acto da sua subordinada de Torres Vedras, com mais uma das suas afirmação enigmática a que nos tem vindo a habituar.
Se a história não foi “o que passou”, testemunhada por dezenas de pessoas no local e milhares através da comunicação social, então o que é que se passou?
E se, até a sua representante em Torres Vedras, confrontada com o cartaz em causa, revelou o embaraço e o ridículo da sua posição, onde pára a tal “foto pornográfica” referida por sua excelência?
Casos como os do carnaval de Torres, ou como o que aconteceu na feira do livro de Braga, revelam que, se as ordens não vieram de cima, pelo menos existe um clima propício à multiplicação de episódios como este e de atitudes de excesso de zelo por parte de funcionários de segundo plano, seja uma procuradora adjunta ou um chefe de posto da polícia.
Nos tempos da outra senhora, os informadores da polícia eram muitas vezes mais zelosos que os próprios agentes da PIDE.
Recordo-me de, ao investigar na Torres do Tombo as informações que chegavam à PIDE sobre a vida política de Torres Vedras, a preocupação em prestar serviço por parte dos informadores era de tal modo exagerada ou inverosímil, que eram os agentes mais experientes daquela policia política a desvalorizar tal afã em denunciar tudo e todos, por parte da bufaria local.
Ou seja, os experientes agentes daquela tenebrosa polícia revelavam mais bom senso, na forma de encarar as denuncias dos bufos, do que os actuais responsáveis do Ministério Público e da Polícia.
Já tínhamos um primeiro-ministro “Chico-esperto” (segundo a análise certeira de Marcelo Rebelo de Sousa) e um presidente do Banco de Portugal distraído com as falcatruas de alguns banqueiros e incapaz de acertar numa única previsão financeira.
Temos agora um Procurador-geral da República, mais preocupado em defender a falsa moralidade de candidatos a bufos e incapaz de perceber uma situação tão simples de esclarecer como a que se passou em Torres Vedras, do que em defender a liberdade.
É caso para nos interrogarmos, perante o exemplo da sua actuação nesse caso, qual é a credibilidade de um Ministério Público na resolução de situações bem mais complexas como é, por exemplo, o caso Freeport ?
…e o Carnaval continua ….

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