quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Eu e os maoistas.

Nasci para a realidade da política nos anos 60, no auge da então chamada “Revolução Cultural” chinesa, iniciada em 1966, com reflexo nas lutas estudantis europeias, no Maio de 68, na “Crise Académica” portuguesa de 1969 e na “Primavera de Praga” deste mesmo ano.

Contudo, só me apercebi do impacto daquela revolução entre os estudantes da minha geração depois do 25 de Abril, e devo dizer que aquilo que vi era aterrador.

Cruzei-me com os “maoístas” nas RGA’s e no movimento cineclubista. O seu sectarismo era tremendo, embora fossem hábeis no uso da retórica. Quando esta não resultava , não hesitavam no uso da violência verbal e/ou física .

Dos maoistas faço, contudo, alguma distinção, entre aqueles anteriores ao 25 de Abril, apesar de tudo mais cultos e politizados, e a massa que entrou para esses partidos a partir de 1974, geralmente politizados à pressa, com meia dúzia de frases feitas na cabeça , de uma enorme intolerância.

Foi deste segundo grupo, dominante na Faculdade de Direito de Lisboa, que saíram muitos dos nossos actuais políticos, empresários e jornalistas, defendendo, com a mesma intolerância e radicalismo, o neo-liberalismo, as “reformas”, o combate aos “privilégios”,usando para isso e com a mesma precisão, o “berro” e a “violência da escrita”.

Faço também alguma distinção entre os maoistas do MRPP e do PCP(m-l), por um lado, daqueles outros que se ligaram à UDP. Nos primeiros encontramos os mais oportunistas e carreiristas, responsáveis pela destruição, entre outros, do movimento cineclubista (aqui contaram com o auxílio dos “ferro-e-brasa” do PCP, alguns deles futuros dissidentes deste partido) e pela destruição da revista “O Tempo e o Modo”.

Hoje em dia muitos desses ex-maoistas continuam embevecidos pela “emergência” económica da China “moderna” e admiram o seu modelo sócio-económico (baseado na inexistência de direitos sócias mínimos, pela enorme “competitividade”, geradora de enormes desigualdades, e por enormes crimes ambientais…mas enfim, é tudo bom para o “negócio”), defendendo, com base no “êxito” desse modelo, a expansão do “mercado” neo-liberal à custa dos “privilégios” sociais .

Hoje que se comemora o 60º aniversário da proclamação da República Popular da China, é caso para dizer: … Maoismo nunca mais!

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