sábado, 12 de dezembro de 2009

Rostos da Tragédia Climatérica (3)

Ontem fiquei a perceber como funciona a lógica dos cépticos defensores das “verdades” do “ClimaGate”.

No Programa da SIC-Notícias, “O Expresso da Meia-Noite”, apareceu um obscuro “engenheiro reformado”, cheio de “sabedoria” , “conhecimentos”, e arrogancia, dizendo-se herdeiro do pensamento científico de um Galileu ou de um Einstein, acusando todos os que acreditam que as mudanças climatéricas são potenciadas pelo homem como “aldrabões”, “ignorantes” e “anti-científicos”.
Com os modos de um Medina Carreira, mostrou uns gráficos rascunhados por si, sem indicar as fontes, para “provar” que a temperatura afinal estava a diminuir e o gelo dos pólos afinal, em vez de estar a desaparecer, estava em expansão.
Para ele tudo não passa de uma grande aldrabice vinculada por tenebrosos pseudo -cientistas, que controlam as universidades e as revistas científicas para inventarem “essa” história das mudanças climatéricas provocada pelo Co2, tudo, segundo ele, provado nos tais e-mails que estão na base do “ClimaGate”.
Aliás, as únicas fontes por si apontadas para sustentar as suas teses eram esses mesmos e-mails. Que exemplar atitude “científica”!
Não deixou ser curioso de observara que, por parte dos que defendiam a existência de alterações climatéricas dramáticas existia, apesar de tudo, uma dose de dúvidas sobre os valores previstos para essa mudança, atitude contrária ao dito engenheiro, que, considerando-se o único “cientista” ali presente, não tinha nem um pingo de dúvida sobre a sua tese.


Fiquei esclarecido sobre os tais “cépticos”.


Indiferentes a essa polémica, muitos já sofreram os efeitos da situação climatérica, e o seu testemunho vale muito mais do que centenas de livros “científicos”, como se revela na já citada reportagem fotográfica do El País, denominada “A Mudança Climatérica na Primeira Pessoa”, da autoria da jornalista Mathias Braschler e da fotógrafa Monika Fischer, e que aqui continuamos a divulgar.



 “O PIOR É A RAPIDEZ DA MUDANÇA”
Christian Kaufmann é um pastor Suiço, de 48 ano. Cresceu numa cabana junto ao imponente glaciar Grindewald. Nos últimos vinte anos esse glaciar retrocedeu a um ritmo muito rápido: “Isto não é natural. Das outras vezes o processo de mudança climatérico foi mais lento. Não se podia perceber numa geração. A flora e a fauna podiam adaptar-se. Isto é o Pior. A rapidez”.



“NO ANO PASSADO PERDEMOS TUDO”
Azizul Islam é um jornaleiro de Gabura, no Bangladesh. O dique que protegia a ilha de Gabura do mar rompeu-se várias vezes por causa das fortes tempestades dos últimos anos. De todas as vezes, os agricultores reconstroem os diques á mão: “No ano passado perdemos tudo quando ele se rompeu. As nossas árvores e as nossas casas. Perdemos tudo. De cada vez que o reconstruímos temos de construir um dique maior”.



“A MINHA CASA ESTÁ A DERRETER-SE”.
A Russa Konusheva Luiza Arkadievna, de 54 anos vive sob a ameaça de que a capa de gelo subterrânea sobre a qual construiu a sua casa se derreta: “Desde há treze anos aparecem grandes charcos à sua volta. A minha casa tem rachas e está-se a derreter. Penso que o gelo já começou a derreter-se”.



“TEMOS DE FAZER ALGUMA COISA PARA SALVAR A COSTA”
Marcello Plati, de 33 anos, é salva-vidas na praia italiana de Metaponto. A praia tem vindo a sofrer de rápida erosão devido ao aumento de violentas tempestades: “Temos de enfrentar uma situação climatérica que está sempre a mudar e temos de fazer alguma coisa para evitar a erosão da costa. Se não o fizermos ver-nos-emos com grandes dificuldades no futuro. A situação atingiu o limite em Dezembro do anos passado quando a água inundou o complexo turístico onde trabalho”.



 “ANTES CHOVIA DURANTE QUATRO MESES, AGORA SÓ CHOVE EM DOIS”
Hassin Abakar Khorai, de 71 anos, é agricultor no Chade. Em muitos sítios desse país a diminuição da precipitação está a causar graves problemas. Os agricultores não podem cultivar os seus campos e isso provoca a falta de alimentos. A maioria dos vizinhos de Hassin tiveram que abandonar as suas aldeias por causa da seca: “No passado a estação das chuvas durava de Junho a Setembro. Agora só chove em Julho e Agosto. Já não temos água suficiente”.

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