quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Os Funcionários Públicos e...os "Funcionários Públicos"...


Os funcionários públicos têm sido, no seu conjunto, alvo de uma campanha negativa que procura diabolizar o seu trabalho e lançar sobre eles todas as responsabilidades pela crise e pela situação do país.

Essa campanha, que é conduzida pelos ideólogos, comentadores e políticos neo-liberais, para justificar as malfeitorias dos últimos anos contra os sectores da educação, da saúde e da segurança social, usam argumentos onde misturam as meias-verdades, valorizam os aspectos negativos que existem em todos os sectores e lançam a confusão pondo no mesmo saco o verdadeiro funcionário público e os boys nomeado para cargos "públicos".

Confundem o verdadeiro funcionário público, aquele que de facto trabalha num daqueles sectores ou noutros essenciais aos funcionamento do Estado de Direito, que entraram por concurso público legitimo e que recebem os seus salários e descontam os seus impostos dentro dos limites de uma carreira definida, com aqueles outros que são colocados na administração pública por nomeação política ou através de concursos feitos à medida e beneficiando de privilégios, salários, ajudas de custo, que não beneficiam aqueles outros.

Estes "boys", nomeados pelos vários governos, como "gratificação" pelas suas funções políticas junto dos governantes, como secretários de Estado, subsecretários de Estado, consultores, assessores e tantos outros cargos inúteis, mas principescamente remunerados e beneficiando de verdadeiros privilégios no que respeita a ajudas de custo e pagamento de impostos já são neste momento, dentro dos ministérios e noutros serviços do Estado, alguns largos milhares.

Digo que aqueles cargos são inuteis porque sempre me fez confusão porque é que, existindo nos quadros dos vários ministérios técnicos de formação e com larga experiência profissional nas mais variadas àreas do estado e dos ministérios, cada governo que chega nomeia um enxame de assessores, secretários, consultores e funcionários vários, para já não falar no recurso às consultadorias externas, para exercerem funções que podiam perfeitamente ser exercidas por aqueles funcionários.

A única resposta é o sistema clientelar em que assenta grande parte do panorama político português, nomeadamente entre os chamados partidos do "arco do poder".

O programa "Sexta às 9" da RTP 1, um dos pouco exemplos do jornalismo de investigação que vai sobrevivendo na comunicação social, na sua última edição emitida no passado dia 16 de Outubro, denuncia mais um episódio de nomeações apressadas para a "função pública" dos "boys" do governo de Passos Coelho, nomeações essas que tiveram lugar em plena campanha eleitoral.

Quando tanto se fala em "gorduras do Estado", estas nomeações são as verdadeiras gorduras do Estado, e não os salários, as reformas ou as carreiras dos verdadeiros funcionários públicos, como o actual governo e os seus gobelzinhos do comentário político nos têm tentado vender.

Em baixo reproduzimos a última edição daquele programa, que inclui mais duas reportagens. Aquela a que nos referimos começa por volta do minuto 10 do programa: 

Sexta às 9 (clicar para ver a partir do minuto 10).

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