terça-feira, 20 de outubro de 2015

DESENTERRAR O PREC



Não deixa de ser irónico que os mesmos que, nos últimos anos, andaram a apregoar pelos “setes ventos” (vulgo comunicação social de “referência”), o “fim da História” ou “o mundo que mudou” para justificar todas as malfeitorias do "austeritarismo" neoliberal contra os direitos sociais e contra os a legitimidade democrática validada em urna pelos cidadãos europeus, que, somada, um pouco por toda a Europa, nem sempre através das melhores escolhas, recusa a “TINA” ( “não há alternativa” em inglês, outra das falácias dessa gente…), sejam aqueles que, agora, desenterram histórias passadas ou o “horror” do PREC (“Processo Revolucionário em Curso”, uma referência aos idos de 1974-1975 em Portugal, do pós 25 de Abril à consolidação da democracia).

Também não deixa de ser curioso que muitos desses “comentadores”, os que eram vivos na altura,  estavam então do lado mais negativo do tal PREC , ora fomentando, apoiando ou participando nas acções terroristas da extrema–direita (que teve no ELP e no MDLP o expoente máximo), ora  como activos participantes  na extrema-esquerda maoista ( que considerava o PCP “social-fascista”, “revisionista” e “burguês” e se aliaram muitas vezes aos partidos de direita para o combater).

A actual situação de diálogo à esquerda, mesmo que não venha, como penso que não vai,  a resultar num governo estável, e não sirva para travar a constituição de um governo de direita, que foi, apesar de tudo, o que foi legitimado em urnas, teve pelo menos o mérito de desmascarar a retórica primária de muitos comentadores, políticos e professores universitários.


O verniz  engravatado de muita dessa gente tem vindo, assim, a estalar no mais primário argumentário anticomunista que se pensava há muito morto e enterrado.

Afinal, para eles, o "mundo mudou", mas o  muro de Berlim ainda não caiu e a história só terminou no capítulo que mais lhes convém...
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