quinta-feira, 30 de abril de 2009

1º de Maio Sempre!

1º de Maio de 2009

1º de maio de 1974

O 1º de Maio de Abel Manta (1974):

Para todos, um Primeiro de Maio em Grande e em Festa.

Centenários - 16 - O Rio Vizela e Rio Ave


Na Ilustração Portuguesa de 5 de Abril de 1909 publicava-se uma extensa reportagem sobre o Rio Ave, e os seus afluentes, com destaque para o rio Vizela, num texto da autoria de Alfredo Guimarães e com “clichés” de Gaspar Ferreira.
Refere a reportagem a importância da presença “antiquíssima” dos moleiros nas margens desse rio.
O moleiro era reconhecido por ter “uma família com costumes differentes da dos lavradores de que é visinho; e o seu trabalho isola-se por completo dos trabalhos agrícolas que o cercam”.
Descreve depois “uma colónia de moleiros”, em Brito, “que se distingue facilmente pela cor ruiva das suissas, pelas sardas ameladas das faces, pela escolha do vestuário claro, quasi sempre cor de mel.
Depois vai descrevendo o percurso daquele rio minhoto, com os seus afluentes, recantos, locais e paisagens.
É a reportagem fotográfica que acompanha essa extensa descrição que hoje divulgamos.

Centenários - 16 - O Rio Vizela e Rio Ave

Rio Ave, represa junto às Taipas

Rio Vizela, entre Vizela e Lordelo


Rio Vizela, entre Negreiros e Caniços

Rio Vizela, entre Caniços e Riba-Ave.


Rio Vizela, junto a Lordelo

Centenários - 16 - O Rio Ave

Rio Ave, junto a Vizela

Fábrica de Papel de Vizela, junto ao rio Vizela, afluente do Ave.
Ponte metálica do caminho-de-ferro, em Caniços, junto a Vizela


Rio Ave no "lugar do Paraíso", Caldas de Taipas


Azenha, entee Caniços e Riba-Ave


quarta-feira, 29 de abril de 2009

Temos um Blogue Novo - VEDROGRAFIAS

A história, nomeadamente a história local torriense, passa a estar presente no nosso novo blogue, VEDROGRAFIAS (http://vedrografias2.blogspot.com ).
Lá divulgamos documentos, apontamentos, efemérides, notícias, estudos, esboços, que fomos recolhendo ao longo dos anos, abordando principalmente a História Local da região de Torres Vedras.
Visite-nos.

David Byrne - Criatividade Contagiante


Pela segunda vez, com um intervalo de mais de dez anos, voltei a assistir a um espectáculo musical de David Byrne no Coliseu de Lisboa, ontem à noite.
Entre os dois, apenas em comum a energia contagiante de Byrne, sempre capaz de nos surpreender com a sua criatividade, a encenação teatral do palco, sempre simples mas eficaz e reforçando a sua originalidade , desta vez acompanhada por um grupo de três bailarinos e um grupo coral.
A forma como dançam e tocam remetem-me para ambiente urbanos e irónicos.
Aliás, dei por mima pensar que, o som dos Talking Heads sempre me fizeram imaginar a cidade de Nova Iorque e todo o seu cosmopolitismo.
Neste espectáculo foi evocada a longa colaboração de Byrne com Brian Eno, passando por aqui os sons do último trabalho em conjunto, “Everything thath happensnwill hapen today”, integralmente disponível no site do musico (http://www.davidbyrne.com/), no qual se pode aceder a um curioso blog de Byrne, com relatos de viagem, reflexões e fotografias.
A fotografia é, aliás, uma das áreas onde este escocês, nascido em 14 de Maio de 1952, mais revela a sua originalidade, criatividade e ironia
Foi com o regresso aos álbuns iniciais dos Talking Heads , “Fear of Music” (1979) e “Remain in Light(1980), principalmente com os temas “Heaven” e “Once in a life time” que Byrne levou o público ao delírio, um público muito hetrógeneo, do “avô ao neto”.
Por três vezes o cinquentão Byrne teve de regressar ao palco e por três vezes fez abanar o Coliseu.
Sem grandes aparatos tecnológicos, num palco dominado pelo branco, os sentidos estiveram todos concentrados na força criativa de Byrne.
Na memória fica, não só um dos melhores espectáculos de musica pop do ano, mas também um dos melhores de sempre, dos que por cá têm passado.

A Arte do Cineclubismo - 15 - (C.C.do Porto)

Depois do 25 de Abril a liberdade chegou igualmente ao cinema.
Perseguida pela Censura , em Portugal, por razões óbvias, a cinematografia soviética conheceu um renovado interesse por parte da programação cineclubista após o 25 de Abril.
Um dos cineastas “malditos” da censura portuguesa (mas, sabe-se hoje, também da censura soviética e stalinista) foi Siérguiei Eisenstein, nascido em Riga em 23 de Abril de 1898.
Uma das suas obras mais emblemáticas, mas também uma das mais perseguidas, foi “O Couraçado de Potiômkine”, rodado em Odessa em 1925, e que retrata o motim a bordo daquele couraçado em 1905.
A seguir ao 25 de Abril quase todos os cineclubes “disputavam” entre si a possibilidade desse filme histórico.
Contudo, revelador de um tipo de vigilância diferente em relação aos cineclubes do “continente”, daquela que era exercida sobre os cineclubes “ultramarinos”, recordo-me de ter visto o boletim de um cineclube, não me recordo se angolano ou se moçambicano, onde se anunciava a exibição daquele filme clássico, isto ainda antes do 25 de Abril.
Pessoalmente, lembro-me da exibição do “Couraçado…” no Cineclube de Torres Vedras, numa sessão com uma cópia de 16 mm, na sala do Clube Artístico e Comercial, apinhada de público, na noite de … 27 de Setembro de 1974.
No final dessa sessão, logo aí os líderes políticos locais do MDP-CDE, do PSD, do PS, do PCP e muitos independentes, mobilizaram as brigadas para vigiar, ao longo da madrugada, as estradas do concelho, para travar a manifestação da chamada “maioria silenciosa”, convocada para Lisboa no dia seguinte, o “célebre” 28 de Setembro de 1974.
Os duas belas imagens que hoje divulgamos foram reproduzidas a partir de duas sessões do Cineclube do Porto, a primeira datada de 2 e 3 de Fevereiro de 1975, referente à exibição do “Couraçado…”, a segunda, anunciando a exibição de “Alexandre Newski”, programada para 6 e 7 de Abril de 1975.

A Arte do Cineclubismo - 15 - (C.C.do Porto)


terça-feira, 28 de abril de 2009

Ordens do Dia de Beresford (2) - Abril de 1809

(Beresford, numa gravura da Biblioteca Nacional de Lisboa)


Os acontecimentos no Norte , relacionados com a 2ª Invasão, foram relatados numa das primeiras Ordens do Dia (OD) desse mês de Abril de 1809:
“O Marechal dá parte ao Exercito, que o inimigo tendo-se apoderado de Braga, avançou com cautela, e de vagar contra a Cidade do Porto, encontrando pelo caminho pouca resistência, pois que a insubordinação do Povo tornou inútil o seu próprio valor, e o esforço dos seus Officiaes para retardar, e impedir a sua approximação; no dia 26 [de Março]o inimigo chegou ás visinhanças do Porto; a 27 tentou alguns ataques vivos, que forão repellidos pela intrepidez da Tropa. O mesmo aconteceo no dia 28; mas a 29 pela desconfiança, que se introduzio entre o Povo, e a Tropa, augmentando a anarquia, e confusão, que são sempre o seu resultado, frustrarão-se todas as tentativas dos Officiaes, tanto Portuguezes, como Inglezes, para dirigir as operações da grande força que estava na Cidade, e o inimigo entrou com pouca perda. Assim se acha agora o inimigo de posse da Cidade do Porto”.
A insubordinação geral que se viveu no Porto, devido ao facto de o “inimigo” ter “conseguido, debaixo da apparencia do Patriotismo, espalhar entre o Povo e os seus Partidistas”, fazer “nascer a desconfiança, e desunião”, foi apontada como a principal causa daquela cidade, defendida por 24 mil homens e 200 peças, ter caído nas mãos de “hum inimigo de pouco mais da metade” daquele número. (OD de 2 de Abril)
Em grande parte devido ao que se passou no Porto, revela-se, em muitas das OD desse mês de Abril de 1809, a preocupação do novo comandante com o combate à indisciplina e à insubordinações
A primeira Ordem do Dia de Abril de 1809 regista uma insubordinação de um Batalhão de Granadeiros, dos regimentos nº 1 e nº13, “hum procedimento, que elle [Beresford] não esperava encontrar entre as Tropas Portuguezas, o qual se viesse a ser mais universal, tornaria infallivelmente o Reino huma preza fácil ao inimigo”, esperando, pelo contrário, “que mais depressa” voltassem “as suas armas contra o inimigo commum, do que contra authoridade dos seus Officiaes”.
Estando o mesmo marechal “convencido, que o dito Batalhão não vio as consequências do delicto que commetteo,” mandou “castigar rigorosamente os authores” ordenando ao Tenente General António José de Miranda Henriques que tomasse as diligências necessárias para levar “os cabeças, e principaes motores deste motim” a Conselho de Guerra, executando-se, de imediato, o castigo às ditas companhias de não poderem “andar (…) para a retaguarda do Exercito”, considerando-os indignos de se reunirem aos seus Regimentos respectivos, e de terem a mínima esperança de serem conduzidos contra o inimigo; e elle bem sabe, que este he o maior castigo, que elle póde dar a Granadeiro, e Soldados Portuguezes” (OD de 1 de Abril de 1809).
Em 6 de Abril , tendo conhecimento de que muitos oficiais, “e outros indivíduos Militares” estavam separados “dos seus Corpos”, determinou “que elles se recolhão”, mandando prender “todos aquelles, que não cumprirem immediatamente esta Ordem”, anulando as licenças que tinham sido “concedidas a Officiaes inferiores, e Soldados”.
Par combater o absentismo dos militares, ordenou ainda a que todos os cirurgiões que passassem “Certidão de moléstia a qualquer individuo Militar, que não for verdadeiro”, fossem metidos “em Conselho de Guerra”.
Em 9 de Abril lamentava-se o Marechal de, com “ a maior mágoa” ter sabido “que alguns Corpos seduzidos por traidores, que existem ou entre elles, ou entre o Povo, se tem insubordinado, a ponto de abandonarem os Póstos, cuja defesa se lhes tenha confiado”, facto que não devia ficar impune.
Em alocução às tropas no Quartel de Tomar, nessa mesma data, aquele marechal alertava para o facto de, “ultimamente os Soldados” se meterem “ a julgar da capacidade dos seus Officiaes”, escolhendo “os que querem para Commandante”, actos que considerava “hum grande crime, e hum daquelles meios, de que se servem os Francezes para introduzir a insubordinação, e a desordem no Exercito, e paralyzar o valor das Tropas deste Reino” (OD de 9 de Abril).
Alterar velhos hábitos dos soldados portugueses foi outra das preocupações de Beresford.
Mandou alterar o “modo actual de trazer as armas ao hombro”, o qual, “além de muito incommodo ao Soldado, impede a união das filas, que tão essencialmente concorre para a força da Linha.
Daí em diante devia proceder-se do seguinte modo: a “mão esquerda no péga no couce da arma, o dedo pollegar por diante da chapa, o braço esquerdo estendido ao longo da coixa, quando se puder, sem constrangimento, a ponta do couce da arma avançado hum pouco para diante da coixa, o cano bem na frente, e a vareta bem no encaixe do hombro”.
Ordenava-se ainda que o soldado “em todas as suas posições deve estar sem sujeição, pois que a liberdade do corpo, e dos membros he muito essencial para hum movimento regular, e continuado” (OD de 31 de Março).
Também se alterou a situação dos Corpos de Artilharia, que costumavam usar espingardas, facto que só servia “pelo seu pezo de incommodo aos Artilheiros, e de” impedimento a “ que elles sirvão a Artilharia com presteza, quando ao mesmo tempo há falta de espingardas”.
Ordenou-se, por isso, que a partir de então, os Artilheiros não usassem outra arma, a não ser “huma Pistola, que trarão em cinto, e de espada, armas que se destinão tão simplesmente para defensa pessoal, porque a força dos Artilheiros consiste nas peças, das quaes elles não se devem nunca affastar”(OD de 6 de Abril 1809).
Noutra Ordem, defendia-se que era“da maior consequência, que os cartuxos, que se entregáo aos Soldados, sejão guardados com o maior cuidado, para serem empregues contra o Inimigo”, obrigando-se a elaboração de um registo da distribuição dos mesmos, onde se registassem os “que faltarem a cada homem para o número que se lhe entregou, os quaes serão pagos pelas pessoas, cuja negligencia foi causa da dita perda” (OD de 18 de Abril).
Defendia-se igualmente que, nunca “o Soldado deve abandonar a sua Espingarda”, mandando “castigar como cobarde todo aquelle, que depois de se ter achado em qualquer acção, se apresentar desarmado ao seu Regimento, salvo se provar que foi gravemente ferido, ou que cahio em poder do Inimigo” (OD, 22 Abril).
Na OD de 19 de Abril determina-se “que não se conceda licença aos Soldados para trabalharem, como era costume, pois que além de terem actualmente hum soldo avultado (…) convém que elles não se affastem tempo algum da disciplina”, revelando-se assim um velho hábito dos soldados, muitos de origem camponesa, abandonarem o serviço militar por ocasião das tarefas agrícolas (19 de Abril).
Considerando “conveniente, que o calçado assim para a sua conservação, como para a commodidade do Soldado em todos os seus movimentos, principalmente nas marchas, ande sujeito ao pé quanto seja possível, sem com tudo causar incommodo, recommenda que todos sejão obrigados a ligar as orelhas dos sapatos com corrêas”, a OD de 21 Abril revelava a falta de hábito, por parte dos soldados, em usarem calçado.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Vital Moreira: ainda bem que avisa!

Numa entrevista emitida, domingo, no Rádio Clube, e publicada, no mesmo dia, no “Correio da Manhã” , mas da qual já se conhecia o mais importante do seu conteúdo desde 24 de Abril, por divulgação do “Público”, Vital Moreira afirmou que, caso o PS não obtenha maioria absoluta nas próximas legislativas, correrá o risco de ser “derrubado à primeira circunstância” e “terá que ir apresentar a Belém a sua demissão”.
Acrescentava ainda esse candidato que, com um governo minoritário, a estabilidade vai “ao ar”, devendo por isso o PS pedir maioria absoluta ao eleitorado, para ter estabilidade durante quatro anos para tomar medidas “mesmo que transitoriamente essas medidas não sejam simpáticas”.
Tais afirmações revelam, quanto a mim, três coisas:
Primeiro, Vital Moreira contradiz a sua candidatura, ao colocar no centro das atenções a política nacional, ainda por cima falando de outro acto eleitoral diferente, em vez de se centrar, como garantiu, nas questões europeias. Pelos vistos Paulo Rangel conseguiu confundir o candidato “socialista”.
Segundo, tais afirmações roçam a chantagem política, mostrando a incapacidade dos actuais dirigentes do PS em aceitar negociar com outros partidos a constituição de um governo minoritário. Revela igualmente, pela sua parte, um grande descrédito no regime democrático.
Não percebeu Vital Moreira que, se muitos dos portugueses que contribuíram para a primeira maioria absoluta do PS se recusam hoje voltar a dá-la, isso se deve à falta de diálogo e à atitude arrogante e autoritária que este governo assumiu nestes quatro anos?
Terceiro, ficamos a saber que este governo precisa de outra maioria absoluta para tomar mais medidas que “não sejam simpáticas”. Não lhes chegou quatro anos para tomar tais medidas? Ainda vamos ter mais do mesmo?.
Ainda bem que avisa. Assim ficamos a saber que quem votar no PS, ou é masoquista, ou é fanático pelo autoritarismo de Sócrates.

BD - 30 anos do Rei Minimus - 8 - 2ª série - 1985






domingo, 26 de abril de 2009

Cumprir o ... 26 de Abril...


O essencial do 25 de Abril foi cumprido com êxito:
A DEMOCRACIA, associada à liberdade, foi o resultado imediato desse dia: acabar com a censura, extinguir a PIDE, libertar os presos políticos, permitir o regresso dos exilados, legalizar os partidos e convocar eleições livres.
Há quem defenda que, para haver “apenas” democracia, não seria necessária uma revolução, e, mais tarde ou mais cedo, ela seria “outorgada” pelo regime, que, tal como em Espanha, se reformaria por dentro.
Quem isso defende, revela um grande desconhecimento da História.
Entre 1945 e 1974, foram várias as ocasiões em que o regime, se o quisesse, podia enveredar pela reforma do sistema. Teve oportunidades, teve gente com vontade para o fazer, mas o resultado foi o que se viu: vejam o que aconteceu aos dirigentes do MUD, a Humberto Delgado, aos “liberais” do marcelismo...
Por sua vez a Espanha, que não tinha o problema colonial, só enveredou pela reforma, já depois de o PREC ter acabado em Portugal, tendo as elites dirigente do regime franquista, após a morte do “caudillo”, democratizado o regime, em parte devido à acção do monarca escolhido para dirigir o país, em parte por recearem um PREC espanhol, em parte por estarem frescos os horrores de uma guerra civil, e em parte, porque não dizê-lo, porque a elite franquista era mais inteligente que a elite salazarista.
Só por estupidez, ignorância ou má fé, se pode comparar o que não é comparável.
A DESCOLONIZAÇÃO foi a razão imediata para a acção dos militares: acabou-se com a guerra, deu-se a independência às colónias, manteve-se a ligação cultural com os países que resultaram dessa atitude.
Os horrores que algumas das novas nações de língua portuguesa conheceram após a independência devem-se à imaturidade das suas elites dirigentes, ao envolvimento das grandes potências de então e ao próprio drama endémico do continente africano, já não falando dos erros dos colonialistas.
Se tivesse havido vontade de fazer alguma coisa pelos povos africanos (e timorense), tinha-se feito aí pelos finais dos anos 50, início da década de 60. A atitude do Estado Novo, em relação ao “federalismo” preconizado por políticos e militares mais “liberais”, ligados ao regime, impediu um processo de transição pacífico. Quando se dá o 25 de Abril já era tarde demais para uma saída diferente.
O DESENVOLVIMENTO, ficou consagrado no combate aos grupos económicos que tinham florescido à sombra da ditadura, que também era uma ditadura económica e social, no acesso à educação, à saúde, à liberdade sindical, aos direitos sociais (reforma, subsidio de desemprego e de férias, direito ao descanso e ao lazer). As estatísticas aí estão para o comprovar.
Se continuamos na cauda da Europa em muitos indicadores, não é ao 25 de Abril que o devemos, mas exactamente ao desvirtuar de muitas das dinâmicas económicas e sociais levadas a cabo nos primeiros anos de democracia, permitindo o regresso de práticas económicas e sociais do antigo regime, como o desrespeito pelo trabalho, a aposta nos salários baixos, a valorização social na especulação financeira e do consumo, que têm vindo a agravar, nos últimos anos, a desigualdade social, a perde de direitos sociais, o empobrecimento generalizado.


O que falta cumprir não é, pois, o 25 de Abril, mas, parafraseando Eduardo Lourenço, o 26 de Abril:
É necessário Democratizar, os próprios partidos políticos.
A política tem de deixar de ser uma “profissão” ou uma “carreira”, para se transformar numa actividade cívica, na qual os cidadãos sintam vontade de participar activamente.
A democracia e a política precisam de uma “revolução ética” .
Para isso a Justiça tem de funcionar, as leis têm de ser claras, os inocentes devem ser inocentados de forma clara, sem ambiguidades processuais, e os criminosos e corruptos devem ser condenados, sejam eles poderosos ministros ou ex-ministros ou “simples” autarcas.
Só assim se pode restaurar a confiança perdida, nos últimos tempos, entre os cidadãos e a política democrática.
É necessário Descolonizar as nossas relações com os novos países de língua portuguesa, olhando para eles sem complexos, apoiando o seu desenvolvimento, fomentando as suas relações com a Europa, mas, igualmente sem complexos, denunciar, olhos nos olhos, os políticos criminosos e corruptos dalguns desses países.
Deixemos de ver a nossa relação com esses povos irmãos como um mero e lucrativo “negócio”, mas como um fraterno e prometedor relacionamento histórico-cultural.
E, de uma vez por todas, assumamos a prioridade no relacionamento cultural, político e económico com essas jovens nações, em paralelo com a importância que tem para nós a integração europeia.
É necessário, também Desenvolver o nosso país, combatendo as desigualdades, valorizando a educação a cultura e o património, experimentando novas formas de relacionamento entre empresas e trabalhadores, combatendo o enriquecimento ilícito e especulativo, apostando em soluções ambientais no desenvolvimento energético, industrial e agrícola.
É preciso aproveitar este momento de crise para questionarmos o tipo de desenvolvimento dos últimos anos, que assentou, quase exclusivamente nas obras públicas e na especulação financeira, e na litoralização à custa da desertificação do interior.
É preciso criar alternativas à macrocefalia “lisboeta- portista”, pondo em andamento uma verdadeira regionalização, cuja falta tem vindo a destruir, económica, cultural e socialmente o resto do país.
Acima de tudo, é preciso não desistir de Portugal.
Os “capitães” cumpriram o 25 de Abril. Cabe-nos a nós fazer cumprir “o dia seguinte” !

sábado, 25 de abril de 2009

O MEU 25 De ABRIL

(Cartaz de Vieira da Silva, alusivo ao 25 de Abril)

O MEU 25 DE ABRIL

Quando fui acordado pelo meu pai, às 8.30 da manhã daquele dia 25 de Abril, estava longe de imaginar o impacto que esse acontecimento acabou por ter na vida da minha geração, então a sair da adolescência e a entrar na idade adulta.
Para um então jovem idealista, com dezoito anos acabados de fazer, pareciam-se abrir todas as portas para o possível e o impossível.
Eu era então um privilegiado, pois estava minimamente alertado para os problemas políticos, sociais e culturais com que o país se debatia, por ser filho de um ex-preso político, homem da oposição e activista cultural atento, que em casa falava de muita coisa que nos despertava, a mim e ao meu irmão, para o mundo que nos rodeava, ao contrário do que acontecia com a maior parte dos meus colegas de escola, cuja formação e informação eram limitadas por uma educação escolar anti-democrática e uma férrea censura.
Poucos meses antes do 25 de Abril tinha iniciado a minha actividade cívica, quer no campo da política quer no campo da cultura.
Tinha assistido aos primeiros comícios políticos em 1973, por ocasião da campanha eleitoral para as eleições parlamentares desse ano, e pude assistir à falta de liberdade que então existia, com os comícios da oposição interrompidos pelas “autoridades”, ou cercados pela polícia de choque.
Envolvi-me então em reuniões políticas clandestinas, ligadas ao MDP-CDE, muitas delas em casa do Francisco Manuel Fernandes, tendo sido escolhido, juntamente com o Hélio e o Porfírio, para fazer parte da direcção de uma comissão clandestina dos alunos do Liceu de T. Vedras. Pela primeira vez viveu-se nessa escola alguma agitação política, com distribuição clandestina de comunicados, pinturas nas paredes, interrogatórios a alunos por parte da direcção da escola e a presença habitual da PIDE (então chamada de DGS).
Por essa ocasião fui convidado a entrar para o PCP, convite que não aceitei por me afirmar adepto da social-democracia e considerar que aquele partido ainda não se tinha libertado do autoritarismo stalinista, mas aceitei colaborar na distribuição da sua propaganda política, já que era o único partido a fazer frente, de forma organizada, à ditadura, e por considerar que apoiaria todos os partidos e movimentos que se organizassem para lutar contra o regime. Esta posição que então tomei pode ser confirmada por uma das pessoas acima referidas.
Em termos culturais, dirigia então um “fanzine” de banda desenhada, o “Impulso”, dos primeiros editados em Portugal, citado nas principais histórias da B. D. portuguesa, de cuja redacção faziam parte, de entre os que eu me lembro, o Antero Valério, o Joaquim Esteves, o Carlos Ferreira, o Calisto, o José Eduardo (“Zico”), o meu irmão Mário Luís, o João Nogueira (“Janeca”) e o Mário Rui Hipólito.
Em Janeiro de 1974 fui eleito para a direcção do Cine-Clube, dirigido pelo Emílio Gomes e da qual faziam parte o José Travanca, o Aurelindo Ceia, o Celestino Pereira, o José Alfredo Saraiva, o António da Palma e a Ana Damião, presidindo à Assembleia Geral o António José Bernardes, secundado pela Cecília Travanca e por Luís Pio, pertencendo ao Conselho Fiscal, o Joaquim Rodrigues, o Mário Rui Hipólito e o José Augusto Gomes.
Se recordo esses nomes, faço-o porque o seu envolvimento nesses projectos acarretava então alguns riscos pessoais, tanto mais que se vivia um período de forte inovação e renovação cultural, visto com desconfiança pelo poder ditatorial de então, a braços com uma grave crise de sobrevivência. Nomeadamente a direcção do cine-clube apresentava-se com um programa de actividades que, a não ter havido 25 de Abril, se confrontaria, mais tarde ou mais cedo, com as autoridades, repetindo-se provavelmente uma situação idêntica àquela que essa associação viveu nos anos 60, com o afastamento compulsivo e prisão de alguns dos seus dirigentes associativos.
Sobre o dia 25 de Abril, tendo ficado dele uma memória pessoal bem viva, possuo um valioso auxiliar de memória num rascunho que esbocei na altura a lápis, onde registei o que fiz entre os dias 25 e 30 de Abril de 1974.
Acordado pelo meu pai de manhã, a alegria que se viveu então em família e entre amigos foi indescritível, eivada contudo por algum temor em relação ao desenrolar dos acontecimentos, não se sabendo muito bem quem estava por detrás do golpe militar. Havia o receio que os “ultras” pudessem estar por detrás de tudo.
Esse dia vivi-o entre a minha casa, onde ouvi e gravei alguns comunicados emitidos na rádio, o liceu, que encerrou à tarde, e a casa do Mário Rui Hipólito, aqui na companhia do Jacinto Leandro, que foi, anos depois, presidente da Câmara de T. Vedras, eleito pelo PS.
Na noite desse dia realizou-se um improvisado comício de esclarecimento do MDP-CDE no Largo da Graça.
A grande manifestação de alegria e de apoio aos militares teve lugar na tarde do dia seguinte, com uma grande manifestação que percorreu as ruas de Torres Vedras, tendo eu nessa noite, indo para Peniche assistir à libertação dos presos políticos, que só se concretizou na madrugada do dia 27.
Na tarde deste dia, três dos presos libertados foram recebidos em festa no Largo da Graça. Nesse mesmo dia uma força do MFA veio a Torres Vedras para ocupar as instalações da Legião Portuguesa, no edifício onde veio a funcionar a Creche do Povo (ao lado do Teatro-Cine), prender o “chefe” local da PIDE e desarmar a GNR.
A 28 de Abril realizou-se na sede do CAC uma reunião aberta à população onde foi escolhida uma comissão para dirigir provisoriamente os destinos do município.
A 29 de Abril eu e os meus colegas do “Impulso” redigimos um manifesto intitulado “Por uma nova Banda Desenhada” enviado a toda a imprensa nacional, que o publicou.
Com a data de 26 de Abril foi cedida ao Cine-clube, pela Fundação Gulbenkian, uma máquina de projectar de 16 mm que permitiu a esta associação conhecer então uma intensa actividade nas zonas rurais do concelho.
Politicamente, aderi em Junho ao Partido Socialista, tendo sido fundador local da Juventude desse partido, sendo também eleito para a primeira associação de estudantes do Liceu.
Cedo me desiludi com a vida partidária, tendo passado a apoiar esporadicamente candidaturas e projectos políticos, sem nunca me comprometer como militante, acreditando mais na acção fora dos partidos e no direito à diferença.
Foi nesse espírito que me envolvi nas candidaturas presidenciais de Otelo Saraiva de Carvalho, Lurdes Pintasilgo e Jorge Sampaio, que me candidatei em eleições municipais pelos GDUP’s e pela CDU, ou que votei recentemente em Manuel Alegre, ou voto, desde que surgiu, no Bloco de Esquerda, nas eleições nacionais e europeias, e na CDU, nas autárquicas.
Mais do que na vida política, tenho-me envolvido com mais entusiasmo na vida cultural, recordando aqui projectos como o “Área”, que esteve na origem da Cooperativa de Comunicação e Cultura, as rádios locais, tendo participado nalgumas das primeiras emissões piratas, na Rádio Estremadura e na Rádio Oeste, e fazendo parte de algumas associações culturais, como a Associação de Defesa do Património.
Participei activamente em vários projectos jornalisticos, tendo começado pelo “Oeste Democrático”, continuado no já mencionado “Área”, e acabando no “Zona Oeste”. Tenho além disso colaborado activamente em muitos jornais e revistas, com destaque para o “Badaladas” e “Frente Oeste”.
Os meus interesses actuais estão mais virados para a investigação histórica, nomeadamente sobre o concelho de Torres Vedras, sendo autor e co-autor de alguns livros publicados sobre a sua história.
Sem a liberdade trazida pelo 25 de Abril estou convencido que muitos daqueles projectos não teriam sido possíveis, e toda a vida das pessoas da minha geração teria sido bem mais difícil, pois, a prolongar-se o regime por muito mais tempo, não nos teríamos escapado ao envolvimento na guerra colonial, com as consequências conhecidas.
Não deixa contudo de ser paradoxal que, quando se comemora o 35º aniversário dessa data, Portugal esteja envolvido numa grave crise internacional, e seja governado pelo mais retrógrados, autoritário e anti-social governo do pós-25 de Abril.
Para se completar o espírito do 25 de Abril falta ainda caminhar muito na via da educação, da cultura, da defesa do ambiente e do aprofundamento da participação cívica da população, que não se pode esgotar nos partidos políticos e no dia das eleições.
Pesem todos os erros, abusos e dificuldades, o 25 de Abril valeu a pena, e ficará na minha memória como um grande dia da minha vida, só comparável com o dia do nascimento da minha filha.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O respigo da semana - 6 - Moedas Duarte

Hoje escolhemos para esta secção um texto de Joaquim Moedas Duarte, publicado no seu blog Ao Rodar do Tempo (http://aorodardotempo.blogspot.com/), no passado dia 21, muito actual e acutilante, sobre o significado do 25 de Abril.
Intitulado "Valeu A pena? - Carta a um jovem da geração traída", teve como mote um poema de Luís Filipe Cristovão, autor de outro blog com interesse, "O homem que queria ser luis filipe cristovão" (http://luisfilipecristovao.blogspot.com/).
A resposta deste último completa o sentido do texto do Moedas, por isso também o incluimos neste post:

"Carta a um jovem da geração traída*

"Pego no teu livro, meu caro Luís, e sinto a boca seca apesar da leitura silenciosa que faço dos teus versos: “Sou apenas mais um daqueles / de quem se poderá dizer /que pertencem / a uma geração traída.”
"Vi-te crescer por entre os nossos comícios e sessões de esclarecimento, as eleições primeiras para essa novidade absoluta que eram as autarquias nas mãos do povo ou as intermináveis reuniões das comissões de moradores.
"Tínhamos a ilusão de construir um mundo novo sobre as ruínas de um Estado Velho que nos empurrara para o beco do «orgulhosamente sós» da guerra colonial, esse absurdo histórico. "Provavelmente não nos preocupámos muito contigo, ocupados que estávamos em te garantir a herança de um país bem diferente, radicalmente melhor, onde tu fosses, finalmente, feliz!
"Mas, trinta e cinco anos depois, leio o teu profundo desencanto:«E aqui onde me encontro, / onde nos encontramos, / eu e a minha geração, / sabemos agora que tudo isso valeu nada / porque sentimos / exactamente / as mesmas dores / as mesmas balas / mas em forma de / desemprego / salário mínimo nacional / emprego desqualificado / & etc e tal.»
"Procuro consolar-te com a LIBERDADE em que vives, que nós não tínhamos antes daquele ano de 1974. E recebo em pleno rosto o teu desabafo, irónico e tão doloroso:«Fizeram-nos infelizes / ou felizes sem razão / fizeram-nos fanáticos da bola / ignorantes da filosofia / sem partido / sem religião / sem entrada / e / sem saída profissional. / Agora casamo-nos / e divorciamo-nos/ rapidamente. // Tudo é uma questão / de margem de lucro.»
"Deixa-me que te diga, meu jovem Luís: nós não traímos a tua geração! Naqueles anos 74/75, acreditámos ingenuamente num futuro melhor para nós e para ti. Não sabíamos ainda que os exércitos marcham à velocidade dos mais lentos ou dos mais manhosos e calculistas.
"Os capitães que partiram as grades não quiseram parecer interesseiros e entregaram as chaves aos velhos carcereiros. E agora, que é de novo madrugada e o calendário diz que passam 35 anos depois daquele memorável 25, vemos passar na rua um jaime general enquanto todos os salgueiros maias vivem em presídios bolorentos.
"Os chefes desta república bebem, outra vez, o sangue fresco da manada e o povo, desiludido, deixou de gritar que “jamais será vencido”.Sim, Luís, ainda há quem acredite que o 25 de Abril valeu a pena. Mas muitos limitam-se a verificar que ganharam a liberdade mas perderam a segurança – trucidados pela eterna oposição entre esses dois pólos da vida humana!
"Agora, que se faz tarde para mim, quero acreditar em ti e na tua geração. Que vocês não vão ficar aí parados a gemer queixumes. Que têm uma palavra a dizer, uma carta a jogar, um país a refazer. Eu sei que não são fáceis as madrugadas redentoras.
"Mas ainda acredito, ainda acredito. Porque sem esperança a História é uma engrenagem sem sentido.
"* A partir do livro A Cabeça de Fernando Pessoa, de Luís Filipe Cristóvão. O autor nasceu em 1979. Edição Ardósia, S/L, 2009.

"Luís Filipe Cristóvão disse...
"não me caberá a mim justificar o meu próprio texto, bem o sei.
"mas julgo que haverá algo a acrescentar.
" como bem perceberá, estou longe de considerar que o 25 de abril não valeu a pena. muito menos que a minha geração seja a única geração que se possa sentir traída. nada disso. acho até que o texto, apesar de algumas referências temporais (quase todas aos anos 80), tem dados com que muita gente se identificará. a traição sentida não é pela promessa da liberdade, não pode ser. "a traição é pela promessa de conhecimento, de evolução, de camaradagem, tudo coisas que nunca foram cumpridas.
"talvez, mais do que colar este texto ao 25 de abril, me pareça que faz sentido colá-lo à nossa entrada para a união europeia (coisa que também vejo, historicamente, como inevitável).
"no entanto não posso calar que aquilo que nos foi prometido sucessivamente, e principalmente pelos senhores Cavaco Silva e Mário Soares (e por todos aqueles que com eles estiveram nos diferentes momentos da história), não se cumpriu. não se cumpriu mesmo! e tanto mais doloroso isto pode ser, que Cavaco Silva beneficiou de maiorias e votações de toda a direita, tal como Mário Soares chegou a ter largas votações e apoios em todos os partidos da esquerda.
"agora, vitimização, não. uma geração, mesmo que traída, nunca é vítima. as vítimas são aqueles que acreditaram e deixaram de acreditar.
"a nós, deram-nos a possibilidade de sermos, talvez, a geração mais cínica da história de portugal.
"e talvez, por isso mesmo, continuemos a lutar. um texto como este (até pela repercussão que tem aqui) é uma boa forma de não baixar a guarda.um abraço, professor."
(23-04-2009 14:07 )

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

“Às 5 horas e poucos minutos da tarde de 23 de Abril, ao declinar de um dia radioso de primavera, a terra portugueza, já tão experimentada por desgraças sem numero, foi violentamente abalada por uma convulsão sismica. De norte a sul do paiz, n’uma área vastíssima (…), a terra tremeu, fazendo oscillar sobre a sua crosta frágil as cidades e as villas e enchendo de teror o formigueiro humano que sobre ella se agita e vive”
Começava assim a primeira reportagem da “Ilustração Portuguesa” , publicada na sua edição de 3 de Maio de 1909, sobre o “Terramoto de Benavente”, intitulada “A Terra Treme – Terramoto do Dia 23”.
Aquele sismo dessa 6ª feira 23 de Abril de 1909 teve uma magnitude de 6, com epicentro próximo daquela localidade, matando cerca de 50 pessoas, provocando cerca de cem feridos e milhares de desalojados na região do Ribatejo
Com fotografias de Joshua Benoliel (apenas duas eram da autoria do dr. Samuel Maia), anunciava-se uma reportagem mais vasta na sua edição de 10 de Maio, quase integralmente dedicada ao tema.
O terramoto tinha arrasado várias localidades do Ribatejo, como Benavente, Samora Correia, Santo Estevão e, em menor escala, Salvaterra, registando-se alguma destruição parcial em Alhandra, em Coruche, na Azambuja, no Cartaxo e no Carregado, entre outras localidades.
Lisboa resistiu ao abalo, tendo-se registado apenas, como consequência deste acontecimento, um incêndio num prédio da rua dos Douradores.
A capa dessa edição especial de 10 de Maio era ilustrada com um “cliché” de Benoliel, mostrando a devoção da população de Benavente à imagem da “Senhora da Paz”, que sobreviveu à derrocada da Igreja daquela localidade.
É parte desse vasto espólio fotográfico editado naquelas duas edições que hoje aqui revelamos, recordando o centenário desse trágico acontecimento.

Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

Reportagem especial da Ilustração Portugueza de 10 de Maio de 1909, sobre o Terramoto de Benavente

Efeitos do terramoto em Lisboa - incêndio num prédio da Rua dos Douradores

Lisboa - incêndio na Rua dos Douradores


Ruinas da Igreja de Benavente


Destruição numa rua de Benavente

Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

"O que resta da egreja matriz de Benavente"

O Rei D.Manuel II visita Benavente, no dis a seguir ao Terramoto


" Ruinas da casa do sr. Ignacio Rebello Andrade, em Benavente"


"uma rua de Samora. Nas casas derruidas morreram Christina Alves da Fonseca e um filho de 3 annos"


"A Senhora da Paz, salva de entre os destroços da capella e removida pela população de Benavente para a praça Anselmo Xavier"


Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente


Descrição do Terramoto


“Nas torres das egrejas matrizes de Benavente e de Samora tinham soado havia pouco as cinco horas. A faina dos campos estava terminada.

"Crianças brincavam nas ruas. Mães embalavam berços.

"Subito, como um transatlântico no momento de largar, quando acordam no seu ventre profundo as trepidações resoantes das machinas e as aguas marulham á rotação poderosa das hélices, um fragor subterrâneo trespassa o solo, como o echo formidável de um desabamento gigantesco, e tudo oscilla: as arvores vergam, as casas dançam, as torres inclinam-se, as paredes estalam.

"É primeiro a sensação da queda n’um abysmo, como se a terra transformada em onda se cavasse e logo, em refluxo, se reerguesse, n’uma colossal palpitação.

"Depois, um tremor convulsivo abala-a e vareja-a, em oscillações de trampolim.

"Sobre o rugido que ascende das profundidades geológicas, um maior fragor abate.

"As casas sacodem de si as fachadas. Alluem os telhados. Desmorona-se as paredes. Uma nuvem de pó e de caliça inça o espaço como a fumarada densa de um incêndio.

"Durante quinze segundo, as povoações jogam como navios bailando n’um mar tempestuoso. E de segundo a segundo, como a simultânea salva de cem fortalezas, estrondeiam as derrocadas, interceptando o caminho aos que fogem, calando sob os seus trovões o alarido dos espavoridos animaes humanos, que vagueiam entre a poeira e as ruínas.
“Mas já agora a terra serena. Aos poucos, a poeira ascende, como um pano de theatro, descobrindo o espectáculo medonho.

"Só ainda a humanidade treme, reduzida á sua fragilidade miseranda, no espanto de haver sobrevivido, na duvida de que na vasta terra onde toda a sua obra jaz desfeita, o destino lhe permitta continuar respirando e vivendo.

"Torres de egrejas, que havia dois séculos, assentes em fundos alicerces, erguiam para as nuvens os seus cataventos de ferro, tinham-se pulverisado.

" Só o homem fragilíssimo vagueava entre as ruínas”.
(ATRAVÉS DOS ESCOMBROS DO RIBATEJO – O Terramoto de 23 de Abril, in “Ilustração Portugueza”, nº 168 de 10 de Maio de 1909)

Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

Montando o acampamento de refugiados em Benavente

Visita do Ministro das Obras Públicas e do Infante D. Afonso às zonas atingidas


Acampamento de refugiados de Salvaterra


"O barracão das machinas da Companhia das Lezírias, em Samora, depois do Terramoto


Acampamento de refugiados na Azambuja

Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

Ruinas da Igreja Paroquial de Benavente

Ruinas da Igreja Paroquial de Benavente

O Infante D. Afonso visita as ruínas de Benavente


"Uma rua de Samora na manhã seguinte ao terramoto



"Aspectos do acampamento mandado edificar pela Companhia das Lezírias em Samora"


Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

Em Samora Correia, a população procura salvar os seus haveres das ruínas.

O Infante D. Afonso percorre as "ruas" de Benavente


Acampamento de refugiados do "Terreiro de Moinhos", em Salvaterra.


Numa Rua de Samora


"Uma refeição no acampamento de Benavente"