segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Cimeira de Paris – Entre as boas intenções e o cinismo das elites político/económico/financeiras.



Parece que desta vez, finalmente, os líderes políticos mundiais reconheceram a gravidade das alterações climatéricas e, pelo menos por agora, se uniram para tomar medidas que evitem a anunciada e quase irreversível catástrofe climatérica.

Todos assinaram o documento final e todos prometeram tomar medidas drásticas para reduzir a emissão de combustíveis fósseis e os substituírem por energias renováveis e limpas.

Mas o optimismo acaba aqui.

Em primeiro lugar, o documento só será ratificado em…2020…

Depois, nada garante que, pelo menos num dos maiores poluidores do mundo, os Estados Unidos, uma hipotética vitória de um candidato republicano não possa reverter todo o processo, já que todos os candidatos desse partido, que controla o congresso e o senado, revelam-se da mais confrangedora ignorância sobre o assunto, todos defendendo o lobbie das grandes industrias petrolíferas.

Mexer a sério nos grandes interesses poluidores do mundo, a industria do petróleo, a industria de armamento, a industria automóvel , a industria das madeiras e mineiras, e a industria de criação de gado, todas controladas pelo poder financeiro mundial, provocaria um grande abano no tipo de sociedade e de economia que “paga” o estilo de vida dos políticos, economistas, gestores  e banqueiros , os mesmos que podem aplicar os acordos.

A defesa do ambiente não se compadece, por exemplo , com o modelo de sociedade consumista que guia o objectivo de vida da maior parte das populações do mundo, cujos valores são propagandeados todos os dias na publicidade, nos meios de comunicação de massa, na cultura popular e que fazem parte do “modelo ocidental” que é vendido aos países “emergentes”.

Por último, a defesa do ambiente implica uma mais activa intervenção dos Estados contra os grandes interesses privados e em defesa das leis ambientais, o que implica uma inversão total da ideologia neoliberal dominante entre as mesmas elites politicas, económicas e financeira que estiveram por detrás da realização da Conferência de Paris.

Neste caso, é ver para crer, mas o problema é que, o tempo de inverter a situação está a esgotar-se…
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