quinta-feira, 4 de março de 2010

EM GREVE

Ainda a anunciada greve da função pública não tinha começado e já comentadores costumeiros vinham a terreno tentar desacreditar essa luta.

Podemos discutir a pertinência e a justiça de uma greve, mas não deixa de ser estranho a repetição do tipo de argumentos daqueles que são contra essa forma de luta.

Começam quase sempre por ressalvar que a greve é um direito, para logo de seguida usarem os argumentos mais estapafúrdios contra a mesma.

“Que a greve é uma forma ultrapassada e datada dos anos 70 do século passado”.

Gostava só de saber que tipo de luta alternativa propõem: ocupar o lugar de trabalho? Fazer greve de zelo? Sequestrar os administradores e os patrões? Incendiar carros? (ponham os olhos em França ou na Grécia).

Seria bom que essa gente tivesse consciência que, apesar de tudo, a greve é a única forma de luta não violenta que é possível e legítima em democracia.

Tentar queimá-la junto da opinião pública é convidar à radicalização da luta sindical.

O outro argumento é o de que essa forma de luta está ultrapassada e datada. Mas, quanto a mim, o tipo de modelo económico e social que defendem para os trabalhadores está bem mais ultrapassado, pois assenta em modelos do século… XIX.

Por último vem o argumento da “crise”. Seria bom que explicassem quem a provocou e se estes foram minimamente penalizados. Não se pode continuar a pedir sacrifícios sempre aos mesmos e manter os responsáveis por ela fora desses sacrifícios.

Que exemplo é que pode dar um governo que, em média, viu aumentadas em 13% as despesas de representação? Ou que exemplo pode dar o mesmo governo quando leva uma comitiva de dezenas de empresários numa visita de Estado, com tudo pago pelos nossos impostos? (não bastava um representante das associações empresariais e um Ministro da Economia?) Que exemplo podem dar uma série de empresários, banqueiros , ex-ministros das finanças, quando passam impunes pela crise, sem abdicarem muitos deles de reformas e prémios chorudos, continuando a defender o congelamento ou redução dos parcos salários dos outros?

Deixem os trabalhadores da função pública fazer a sua greve em paz e talvez evitem surpresas desagradáveis no futuro.

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