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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Quero o meu dinheiro de volta...




O debate sobre a possível extinção do ADSE trouxe à baila, em sua defesa por parte dos comentadores do costume, toda a raiva anti funcionário público, que eles se têm encarregado de tornar os judeus do século XXI.

Que é “um privilégio”, que não garante a igualdade de tratamento em relação aos privados e o blá, blá,blá habitual.

Esqueceram-se apenas de alguns “pormenores”, revelando assim toda a sua ignorância e má-fé. 

Em primeiro lugar, todos os funcionários públicos e pensionistas da CGA descontam mensalmente 1,5% do seu ordenado para essa instituição.

Em segundo lugar, esse desconto é automático e nunca se pode fugir a ele.

Em terceiro lugar, se o valor a descontar tem vindo a aumentar, os benefícios têm vindo a ser reduzidos.

Em quarto lugar, muitos funcionários descontam há décadas para esse serviço e, a ser extinto, devem ser indemnizados por esse pagamento, tendo em conta a sua capitalização ao longo de décadas (se as regras são estas para o sector financeiro, penso que o serão igualmente para os cidadãos que “emprestam” dinheiro ao Estado).

Em quinto lugar, os funcionários mais velhos e os pensionistas que têm direito a um serviço que pagam, se este vier a ser extinto, não vão ter acesso a um outro “seguro” de saúde, dado que os privados põem limites à idade dos seus clientes.

Posso ainda dar o exemplo do meu caso pessoal. Aqui em casa aquilo que pagamos num anos para o ADSE é equivalente ao que pagamos por ano para um seguro privado, que nos dá muito mais garantias e cobre muitos mais riscos do que aqueles que são cobertos hoje pela ADSE.

Devo ainda dizer que, foi graças ao facto de ser utente da ADSE que ainda estou hoje vivo, pois pude antecipar uma operação que teria sido mais tardia e, eventualmente, com um resultado diferente, se estivesse à espera de vez para a fazer . Claro que este último argumento, vai ao encontro do que essa  gente defende, pois o objectivo é reduzir as pensões e os gastos com a saúde através da morte rápida dos portugueses velhos e doentes, pois estes “gastam” dinheiro ao Estado e o Estado, segundo a ideologia dos mesmos, apenas serve para garantir os “compromissos” com o sector financeiro e não tem de garantir qualquer compromisso assumido para com os seus cidadãos.

E já agora, como funcionário público, será bom recordar que estes são os únicos com impostos em dia e os únicos que pagam os seus impostos em proporção real com os seus rendimentos, sem beneficiarem de  qualquer dedução fiscal para uso de consumíveis da sua actividade.

Os funcionários públicos não podem fugir com o seu dinheiro para os paraísos fiscais, nem podem atrasar-se no pagamento dos seus compromissos fiscais, nem beneficiam que qualquer perdão fiscal.

E, já agora, se os funcionários públicos têm em média salários mais altos do que os trabalhadores do privado, diferença que mesmo assim ainda está por provar, tal se deve porque o estado tem ao seu serviço gente mais qualificada e, também, por desmérito dos empresários privados que pagam mal aos seus “colaboradores”, como agora chamam aos trabalhadores.

Esses tipos deviam também saber distinguir entre os funcionários públicos que de facto prestam serviço aos cidadãos e que ocuparam essas funções por concurso público transparente e objectivo, daqueles, que já são muitos, que entraram para a administração pública por cunha, para agradar à clientela partidária.

Misturar tudo no mesmo saco, como o fazem certos comentadores e políticos, é desonesto e demagógico.

É caso para dizer que…quero o meu dinheiro de volta!

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