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quinta-feira, 28 de maio de 2020

COVID-19 – Outra Maneira de Olhar Para os Números (8ª Semana).




Analisamos hoje mais uma vez  a evolução da mortalidade do COVID-19 ao longo da última semana, a que decorreu entre o dia 21 de Maio e o dia  28 de Maio, com base nos dados hoje publicados no site da Organização Mundial de Saúde.

Continuamos a analisar um grupo de 35 de países, que servem de base para melhor comparar a situação mundial.

(Podem clicar AQUI para melhor comparar com a situação anterior e poderem ligar aos post’s anteriores).

Começamos pelos dados em bruto referentes ao total da mortalidade registada até esta data (pode haver desfasamento de um ou dois dias):

TOTAL DE MORTOS POR COVID-19 em todo o MUNDO – 351 866 mortos;

Estados Unidos – 98 119;
Reino Unido – 37 048;
Itália – 32 955;
Espanha – 29 035;
França – 28 477;
Brasil – 24 512;
Bélgica – 9 344;
Alemanha – 8 349;
Irão – 7 508;
Canadá – 6 671
Holanda – 5 856;
China – 4 645;
Turquia – 4 397;
Suécia – 4 125;
Índia – 4 337;
Rússia – 3 968;

MÉDIA MUNDIAL POR PAÍS – 1 804; 

Suíça – 1 647;
Irlanda – 1 615;

PORTUGAL – 1 342;

Japão – 867;
Áustria –  643 ;
Dinamarca – 563;
África do Sul – 552;
República Checa – 317;
Finlândia – 312;
Israel – 281;
Coreia do Sul – 269;
Noruega – 235;
Grécia – 173;
Austrália – 103;
Cuba – 82;
Singapura – 23;
Nova Zelândia – 22;
Islândia – 10;
Palestina – 5.

Os casos mais preocupantes são os de países com um número acima da média mundial, sendo significativo a grave situação, não só dos países mais conhecidos, mas também de países como a Alemanha, a Holanda e a Suécia, até há algum tempo apontados como “exemplo” a seguir.

Em relação à semana anterior, a única alteração na “classificação” foi a Espanha ter ultrapassado a França.

A situação de Portugal é das menos más.

Claro que esses dados não mostram a verdadeira dimensão da tragédia, pois há que ter em conta a relação desses números com a dimensão geográfica e demográfica de cada país.

Por exemplo, se somarmos os números de todos os países da União Europeias, ultrapassam os números dos Estados Unidos, com uma dimensão geográfica e demográfica idêntica ao conjunto desses países europeus.

Por isso é necessário recorrer a outras formas de analisar esses números, como se pode observar nos quadros seguintes.

Começamos por mostrar o crescimento percentual de mortes registadas ao longo desta semana, podendo observar os países onde esse crescimento é maior, mais rápido e mais preocupantes e aqueles que registam um maior abrandamento :

África do Sul – um aumento de mortalidade de 38,34% em relação aos números registados na semana anterior (contudo, neste caso, a base de partida é um número muito baixo;
Brasil – 36,39;
Rússia – 33,51%;
Índia – 31,30%;
Palestina – 25 % (contudo parte de uma base ínfima, de…4 mortos para…5!!);
Japão – 12,74;
Canadá – 12,02;
Suécia – 10,20%;

“Velocidade” média MUNDIAL – 9,33% (10,87% na semana anterior);

Estados Unidos – 8, 77%;

PORTUGAL – 7, 61% (7,21% na semana anterior);

República Checa – 4,96%;
Grécia – 4,84%;
Reino Unido – 4,83%;
Nova Zelândia – 4,76%;
Turquia – 4,71%;
Singapura – 4,54%;
Espanha – 4,52%;
Cuba -3,79%;
Finlândia – 3,65%;
Irlanda – 3,45%;
Alemanha – 3,20%;
Austrália – 3,00%;
Bélgica – 2,48%;
Holanda – 2,46%;
Itália – 2,44%;
Irão – 2,33%;
Dinamarca – 2,17%;
Suíça – 2,10%;
Coreia do Sul – 1,89%;
França – 1,80%;
Áustria – 1,74%;
Israel – 1,44%;
Noruega – 0,85%;
China – 0%;
Islândia – 0%;

No geral regista-se um abrandamento na velocidade de crescimento.
A esmagadora dos países tiveram uma redução na percentagem de mortos em relação ao ritmo anterior.
Apenas 9 tiveram um aumento.
Um desses países onde se registou um ligeiro aumento percentual, em relação à semana anterior,  foi Portugal
O Brasil continua a ser o caso mais grave.
Os Estados Unidos deixaram de estar entre os países que tiveram um crescimento da mortalidade em relação à média de crescimento mundial.
Houve várias mudanças de posição entre os países com um crescimento inferior a 5% de mortos numa semana. Entre estes o caso pior foi o da República Checa que se aproximou dessa percentagem.
Pode-se dizer que uma percentagem de crescimento da mortalidade inferior a 5% parece representar um surto controlado e abaixo de 2% um surto praticamente terminado, sendo significativo que a França tenha entrado esta semana nesse grupo.

É também significativo que nesta lista de 35 países existam 2 que não registaram mortos por COVID-19 na última semana (embora na passada semana fossem 4).

Existe uma outra forma de observar os dados da mortalidade, a percentagem de falecidos em relação ao total de infectados, que pode ser revelador da melhor ou da pior resposta do Sistema de Saúde de cada país, da melhor ou pior actuação das autoridades, sem esquecer ainda outros factores que podem interferir, como a capacidades imunológicas da população, hábitos, envelhecimento, clima ou genética.

Hoje, pela primeira vez incluímos a indicação dos países europeus onde a vacina da BCG é administrada à maioria da população:

França – 19,85 % de mortos em relação ao número de infectados registados;
Bélgica – 16,24;
Itália – 14,29;
Reino Unido – 13,96;
Holanda – 12,84;
Suécia – 11,97;
Espanha – 12,27;
Canadá – 7,67;
Irlanda – 6,52; BCG

Média MUNDIAL – 6,33;

Brasil – 6,26;
Grécia – 5,98; BCG
Estados Unidos – 5,91;
Irão – 5,38;
China – 5,49;
Suíça -5,36;
Japão – 5,19;
Dinamarca – 4,92;
Finlândia – 4,70;
Alemanha – 4,65;

PORTUGAL– 4,32; BCG

Cuba – 4,15;
Áustria – 3,89;
República Checa – 3,50; BCG
Índia – 2,85;
Noruega – 2,80;BCG
Turquia – 2,76;
Coreia do Sul – 2,37;
África do Sul – 2,12;
Nova Zelândia – 1,90;
Israel – 1,67;
Austrália – 1,44;
Rússia – 1,07;
Palestina – 0,82;
Islândia – 0,55;BCG
Singapura. 0,06.

Este é um dos quadros que melhor consegue aferir sobre a eficácia na resposta à crise.
Mais uma vez é muito positiva a posição de Portugal, que consegue estar melhor do que países como a Holanda e a Suécia (dois mitos com “pés de barro” e em situação muito preocupante), ou que a Grécia, a Dinamarca, a Finlândia ou a Alemanha, países geralmente apontados como “exemplares”, e pouco pior que a Áustria.

Até agora o nosso debilitado (pelas medidas da Troika e do “ir além da Troika”) Sistema Nacional de Saúde tem respondido à altura dos melhores sistemas de Saúde.
Em relação à semana anterior, o Japão desceu para o grupo de países com um situação melhor do que a média mundial, enquanto a Irlanda piorou.

Esse é, aliás, o único país com a vacina obrigatória da BCG nessa situação, já que todos os outros têm um bom desempenho na resistência à doença.
Podemos considera que os países com uma mortalidade baixo de 5% demonstram uma maior resiliência aos efeitos nefastos da infecção.

Contudo, estes números podem incorrer em erro, tendo em conta algumas falhas e algumas diferenças na forma de contabilizar os infectados ou registar os mortos por COVID-9.

Não será o caso de Portugal, também bem classificado na testagem média por habitante, e uma sociedade aberta em termos informativos.

Por isso, devemos cruzar aquela informação com o último quadro, onde se registam o números de mortos por cada 100 mil habitantes, dados que, apesar de mostrarem melhor a realidade comparada, podem ser “contaminados” pela base demográfica e pela dimensão de alguns países, disfarçando a gravidade da situação, muitas vezes concentrada apenas em certas zonas, como é o caso do Brasil.

Mesmo assim aqui deixamos esse último quadro:

Bélgica – 81,48 mortos por cada 100 mil habitantes;
Espanha – 62,12;
Reino Unido – 56,09;
Itália – 54,56;
França – 42,50;
Suécia – 40,34;
Holanda – 33,85;
Irlanda – 33,25;
Estados Unidos -29,85;
Suíça – 19,31;
Canadá – 17,54;

PORTUGAL – 13,04;

Brasil – 11,66;
Alemanha – 10,06;
Dinamarca – 9,69;
Irão – 9,13;
Áustria – 7,25;
Finlândia – 5,65;
Turquia – 5,28;

MÉDIA MUNDIAL – 4,56;

Noruega – 4,37;
Israel – 3,05;
República Checa – 2,96;
Islândia – 2,73;
Rússia – 2,70;
Grécia – 1,61;
África do Sul – 0,93;
Cuba – 0,73;
Japão – 0,68;
Coreia do Sul – 0,51;
Nova Zelândia – 0,44;
Singapura – 0,40
Austrália – 0,40;
China – 0,33;
Índia – 0,31;
Palestina – 0,10.

Este tipo de observação parece, contudo, distorcer bastante a realidade, “beneficiando” principalmente os países de grandes dimensões, devido à concentração regional dos surtos, com acontece, por exemplo, com o Brasil e a Rússia.

Neste quadro Portugal não se sai tão bem como nos anteriores, apesar de a mortalidade ser relativamente baixa, mas mantendo-se próximo de países ditos “exemplares” como a Alemanha, a Dinamarca ou a Áustria.
Em relação à semana anterior há a registar a subida da Holanda, a ultrapassar a Irlanda e a subida do Brasil em 3 lugares, enquanto a Noruega deixou de fazer parte dos países com uma média pior que a média mundial

Sem mais comentários, fiquem com os dados e tirem as vossas conclusões.

Voltaremos para a semana com nova análise dos dados.

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