quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A "Europa" já "Era"!!


Durante a primeira metade do ano findo gerou-se grande expectativa em torno das eleições alemãs.

Ele era que “depois das eleições Merkel mudaria a política de austeridade”, que a “construção do projecto europeu voltaria a estar no centro das preocupações da Alemanha”…blá, blá blá blá, blá…

Depois foi o que se viu, Merkel quase ganhou com maioria absoluta e continuou na senda do mesmo discurso “austeritário” e vingativo para como os “inferiores” do sul.

Mas como tinha de se aliar aos “social-democratas” para formar governo, lá vieram os optimistas do costume….

Ele era que agora Merkel seria obrigada a recuar e a interessar-se novamente pelos princípios solidários e sociais que estiveram na origem da construção europeia…

Ele era que o tenebroso ministro das finanças Schäuble tinha os dias contados….

Mas….”surpresa” das “surpresas”, foram os “social-democratas” que se vergaram ao ditames da Merkel e o tenebroso Schäuble manteve-se ainda com mais força e poder e , nalguns casos, o discurso dos “social-democratas” revelou-se ainda mais radicalmente anti europeu (naquilo que o projecto europeu deve ao social e ao sentido igualitário e solidário) do que a própria srª Merkel…

François Hollande veio ontem colocar o último prego no caixão que transporta o sonho do projecto Europeu.

Sobrava ainda alguma esperança na França de Hollande…mas ao longo do tempo o “socialista” francês foi-se revelando mais uma fraude, entre as muitas que a “social-democracia” europeia transporta no seu historial recente (Blair, Schroder, Sócrates…) e ontem encerrou finalmente qualquer veleidade de uma França capaz de romper com a arrogância alemã e de repensar o projecto europeu, numa perspectiva cultural, social e solidária. Pelo contrário, entregou-se de vez à Chantagem do poder financeiro que tem vindo a minar o projecto europeu.

Aquela Europa que assentava na superioridade moral das suas democracias solidárias, defensoras dos seus cidadãos, na construção de um Estado Social forte e coeso, no principio da subsidiariedade entre as diversas regiões, combatendo as desigualdades, rendeu-se de vez à ganância financeira, ao ditame dos poderosos, ao esmagamento e empobrecimento dos mais fracos, à velha Europa das nações onde mandam os mais fortes, como a Alemanha.

É óbvio que, se a União Europeia sobreviver, vai ser à custa do sacrifício dos países do sul, já que, para a a Alemanha, o seu "espaço vital" está a leste.

A agonia do projecto Europeu pode durar anos ou décadas, mas a partir de agora ela já é definitiva.

As próximas eleições europeias vão dar inicio à irreversibilidade da decadência desse projecto, que neste momento já é um “não-projecto”.

A abstenção vai ser histórica e os cidadãos que se derem ao trabalho de ir votar vão fazê-lo para darem poder aos projectos radicalmente mais antieuropeus, principalmente os da extrema-direita xenófoba.

Chegou a hora de os políticos com visão começarem a discutir, não o pós-troika, mas o pós-europa e Portugal tem um importante  património histórico do que é sobreviver sem “Europa”.

Agora que o projecto Europeu já era, quem estiver interessado em defender de facto os interesse dos cidadãos portugueses deve começar a olhar para a nossa vocação atlântica, se possível em parceria com a Espanha e ligando-se aos povos do Mediterrâneo.

Continuar a apostar num projecto sem futuro à vista, é comprometer a nossa sobrevivência como país e o bem-estar dos cidadãos aos ditames do austeritarismo europeu.

É a hora de fazer escolhas.

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