Os dias que rolam, numa visão plural, pessoal e parcial de um mundo em rápida mutação. À esquerda, provocador e politicamente incorrecto, mas aberto à diversidade...as Pedras Rolam...
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Para essa já paguei...

O Público on-line de hoje divulga os dados de uma sondagem europeia, segundo a qual a maior parte das “pessoas acreditam que os seus governos gastam mal mais de metade do dinheiro que os contribuintes pagam em impostos”.
Quem anda por cá há muitos anos e sempre pagou atempadamente os seus impostos, não é apanhado de surpresa pelos resultados dessa sondagem realizada em 22 países europeus.
Em Portugal a situação é agravada pela fuga aos impostos e pela corrupção e compadrio políticos.
Quando a carga fiscal portuguesa já é superior à da média dos cidadãos europeus, nomeadamente à dos países nórdicos, geralmente apontados como exemplo da existência de uma pesada carga fiscal, não deixa de ser surpreendente que um serviçal da OCDE tenha vindo a Portugal defender o aumento de mais impostos.
Por mim, até não me importava de pagar mais impostos se soubesse que eles eram utilizados para garantir reformas e serviços sociais decentes, meios de transporte públicos rápidos e eficientes, com a saúde e a educação garantida para todos.
Infelizmente todos nós começamos a perceber para onde vão os nossos impostos: para pagar as mordomias dos órgãos de gestão de institutos, empresas e fundações públicas, que servem apenas para empregar a clientela política do centrão, para as negociatas com empresas privadas da construção civil e com escritórios de advogados e para ajudar a banca em dificuldade com a situação que a própria criou.
Talvez seja tempo dos cidadãos europeus, em especial os portugueses, dizerem, alto e a bom som…BASTA!
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
No Bicentenário da Batalha do Buçaco
"A BATALHA DO BUÇACO
"Antes de romper o dia, tinham os franceses constituído cinco colunas de ataque. Três destas pertenciam ao 6.° corpo, e eram pessoalmente comandadas pelo marechal Ney.
Formavam elas a direita dos atacantes, opondo-se por conseguinte à esquerda dos aliados. Tinham por objectivo o convento, e deviam avançar pela estrada que de Mortágua se dirigia, para, aquele. Atacavam, pois, a esquerda e o centro.
As outras duas colunas foram destacadas do segundo corpo, o do comando de Reynier. Formavam à esquerda do exército atacante, e tinham por objectivo avançar contra a direita dos defensores, vindo pela estrada que conduzia de Mortágua a Santo António do Cântaro.
A cavalaria ficou inutilizada, porque o terreno não permitia intervir na acção. Postou-se na retaguarda ao. centro da linha atacante.
Formavam as tropas francesas num terreno pedregoso o qual descia em declive muito áspero para uma garganta imensa que as separava da montanha de Alcoba. Esta era alta e escarpada desse lado, como temos dito.
Os defensores, dominando inteiramente o campo dos atacantes, distinguiam todos os movimentos, que eles operavam, ao passo que estes apenas viam os postos avançados, que ficavam a meia encosta, entre o convento e a garganta, de tal modo profunda. nesse ponto, diz Marbot, que a vista desarmada podia a custo descobrir nela o movimento das tropas desfilando; e essa espécie de abismo era tão apertado, que as balas dos carabineiros ingleses alcançavam de um lado a outro.
«Podia considerar-se, portanto, essa ravina, prossegue Marbot, como um fosso enorme cavado pela natureza, para servir de primeiro resguardo ás fortificações naturais, consistindo estas em rochedos imensos cortados a pique, quase por toda a parte, em forma de muralha.
«A isto acrescente-se que à nossa artilharia metida em péssimos caminhos e obrigada atirar de baixo para cima, só podia prestar insignificante serviço, e que a infantaria tinha de lutar não só contra uma infinidade de obstáculos e contra uma subida das mais rudes que se possa imaginar; mas ainda contra os melhores atiradores da Europa, porque, até essa época, as tropas inglesas eram as únicas que estavam perfeitamente exercitadas no tiro das armas portáteis; desse modo o seu fogo era infinitamente superior ao dos infantes das outras nações.
«Embora pareça que as regras de combater devam ser semelhantes em todas as nações civilizadas, variam contudo infinitamente, mesmo quando as circunstâncias são idênticas.
Assim, quando os franceses tem que defender uma posição, depois de -terem guarnecido de atiradores a frente e, os flancos, coroam ostensivamente as alturas com o grosso das suas tropas e as reservas, o que tem o grave inconveniente de fazer conhecer aos inimigos o ponto vulnerável da nossa linha.
«O método empregado pelos ingleses em caso análogo parece-me infinitamente preferível, como a experiência o demonstrou muitas vezes nas guerras da Península. Efectivamente, depois de terem, da mesma maneira que nós, guarnecido de atiradores à frente da posição, colocam as suas principais forças de maneira a subtrai-las à vista, tendo-as em todo o caso, bastante próximas do ponto capital da posição para elas poderem cair rapidamente sobre os inimigos se eles conseguirem aproximar-se; este ataque, feito de improviso sobre assaltantes que, depois. de terem sofrido numerosas perdas, se crêem já vencedores, é bem sucedido quase sempre. Tivemos disto uma triste experiência na batalha do Buçaco».
Pertenceu à divisão Merle, do segundo corpo, romper o ataque. Com ela vinha o 31 de ligeiros. Dirigiu-se esta força contra a serra, direita a Santo António do Cântaro. Sustentava-a a brigada do general Foy, da segunda divisão, e a artilharia, impossibilitada de fazer fogo sobre os aliados que a dominavam.
A reserva era formada pela cavalaria do segundo corpo, igualmente manietada também, e pela divisão Houdelet.
A força atacante trepou arrojadamente pela encosta da serra, estimulada a natural ardência pela braveza do declive, ao primeiro aspecto, inexpugnável, e galgando até ao cimo dela, aí encontrou a terceira divisão anglo-lusa, do comando de Picton, com o ,regimento português de infantaria 8, postado na sua vanguarda. Era tal o impulso que a coluna francesa trazia, tal o denodo com que avançava, que conseguiu levar a divisão e o regimento diante de si, desordenando-lhes num momento as fileiras cerradas.
Estava a serra coberta de nevoeiro espesso, uma cerração completa que a coroava e revestia, não podendo os aliados, por esse motivo, ver a aproximação dos assaltantes, nem estes, a verdadeira temeridade da sua empresa, senão por cada dificuldade pessoalmente vencida. Assim ganharam os franceses a crista do monte e tiveram o gozo momentâneo de sentir as colunas dos aliados retrocederem ante o vigor do ataque.
Nisto, duas bocas de fogo, por ordem de Wellington, começam de improviso a metralhar-lhes os flancos; pela frente recebe-os uma fuzilaria viva. Apesar disso avançam, cedendo os nossos. Inclina-se a vitória para o seu lado, anunciam-na em gritaria estimulando-se mais e mais, e ei-los que, cheios de jubilo, se reputam já senhores da brecha natural, por onde as colunas que os seguem hão-de, dentro em breve, entrar na posição inimiga, e alastrar-se por todo o planalto.
Acode Wellington, mandando contra eles dois regimentos ingleses e o regimento português, recobrado já do primeiro assombro. Thomas Picton é quem os dirige, superiormente. Calam baionetas e atiram-se para a frente impetuosos. As colunas dos franceses fraquejam por sua vez, sem contudo deixarem de disputar palmo a palmo o campo. Resvalam para a vertente, onde os homens mal se firmam no terreno que lhes foge sob os pés; os do alto sentem o proveito da posição dominante que os favorece, e não estão resolvidos a ceder; os, outros, rasgados os peitos pelas baionetas e varados à queima-roupa, caem e sucumbem, como que arrastados para um abismo, pelo declive que os engole, formando com os corpos palpitantes, socalcos onde, os que avançam de novo, conseguem por um momento apoiar-se. Mas os que chegam, nem tempo têm para desfechar as armas, ante a coroa de fogo que os saúda, e a muralha viva que os repele. Dura a luta uma hora quase, e os assaltantes, batidos, recuando sempre, convictos por fim de que são inúteis quantos esforços façam, acabam por não insistir na sua baldada temeridade, e por abandonar o terreno, deixando-o profusamente juncado de mortos.
Mas não retiram ainda em debandada. A cinquenta passos, fazem de novo frente aos seus perseguidores. Com uma bravura verdadeiramente desesperada, mas inútil, rompem outra vez o fogo a que os nossos respondem, sustentando com firmeza o seu posto. Bem mais de mil dos assaltantes pagam com a vida o extraordinário arrojo. As tropas inglesas e as nossas chegam a descer a encosta até meio, fuzilando os repelidos com descargas sucessivas, que eles não retribuem já, de tal modo a sua posição é inferior e o seu ânimo se sente abalado.
Então os oficiais, dizimados também pela fuzilaria incansável que os vem acossando pela montanha abaixo logram a custo dispersar as suas tropas em atiradores, fazendo-os seguir isolados pelas ribanceiras e pelas quebras do terreno, sob o chuveiro de balas que do alto desce. Assim conseguem chegar à falda do monte, os que não ficaram dormindo, pelos declives dele, o eterno sono.
O general Graindorge, dois coronéis e oitenta oficiais doutras patentes, além de mais de mil soldados, foram o primeiro tributo que à bravura e a audácia francesas tiveram de pagar nesta avançada inglória.
Diz, Marbot, e diz bem, que depois de tal revés, a prudência ordenava que se não mandassem, de novo, tropas enfraquecidas por numerosas perdas contra inimigos ensoberbecidos pelo êxito e continuando a manter-se nas mesmas posições. O general Reynier, porém, não o entendeu assim, e ordenou ás brigadas Foy e Sarrut que voltassem à carga, sendo esse novo ataque permitido por Massena, testemunha fria e impassível de semelhante loucura.
Uma hora de esforços inauditos durou a segunda escalada do monte, sem desta vez conseguirem atingir-lhe a crista, pois antes disso viram despenhar-se do alto dele a avalancha de fogo, que inutilizou todos os esforços e malogrou o ataque. Repetiu-se o morticínio em número igual ao do assalto anterior, sendo o general Foy um dos feridos de mais gravidade.
Este segundo ataque foi ainda feito contra a frente da mesma terceira divisão, do comando de Picton, apenas um pouco mais longe, sobre a sua direita. Desta vez, porém, a coluna foi repelida por um regimento inglês, e pela brigada portuguesa composta dos regimentos 9 e 21, e comandada pelo coronel Champalimaud. Este valoroso chefe recebeu um grave ferimento, e foi tirado do campo de batalha, semi-morto.
Logo que as forças de Picton se encontraram. empenhadas no combate, o general Leith fez habilmente um movimento lateral sobre a esquerda, apoiando-as, e contribuindo para a derrota dos franceses, pelo papel que fez desempenhar a três dos seus batalhões. 0 general Hill, também, por sua parte conduziu tropas frescas ao ponto atacado, ao passo que Reynier, privado de reservas e de artilharia, via-se sem recursos para continuar a avançada, e tinha as suas colunas completamente desfeitas.
Passava-se isto na esquerda do exército francês, não sendo, nesse meio tempo, mais favorável a sorte ao corpo de Ney, que lhe formava a direita.
Massena tinha resolvido que o ataque fosse simultâneo, em todos os pontos, e ainda ás sete horas da manhã renovara, nesse sentido, as suas ordens. As colunas de Reynier avançaram, como vimos; mas as tropas de Ney apenas começaram a mover-se ás oito e meia.
Desculpou-se o marechal, posteriormente, alegando como motivo da sua demora e das suas hesitações, a enormíssima dificuldade que a posição oferecia à investida nesse ponto. Com efeito, se a serra era escabrosa e empinada na encosta que as tropas de Reynier tiveram de galgar, mais áspera e difícil, sem nenhuma comparação, era a parte da vertente designada para o ataque, ás forças de Ney.
Como quer, que fosse, os franceses tinham acabado do cometer uma falta irremediável, empenhando o segundo corpo na acção, antes do sexto estar em circunstanciais de operar simultaneamente com ele. Nova falta, maior ainda se é possível, é a que o marechal Ney acaba também de cometer, não dando unidade nem simultaneidade ao movimento atacante das divisões Loison, Marchand e Mermet.
No alto da serra; junto ao convento, estava, como dissemos, a divisão ligeira de Crawfurd e a primeira brigada portuguesa, de Pack. Era a posição dominante, e dela penetravam as vistas nos pontos mais baixos e recônditos do vale fronteiro. Subir por ali era empresa temerária e quase louca. Ousasse, porém, o inimigo tentá-la. Crawfurd tinha tomado as mais hábeis disposições para recebe-lo.
Nas ondulações da chapada, que ficava entre ele e o convento, postara, ocultos por elas, dois regimentos ingleses.
À retaguarda destes, coisa de um quarto de milha, em terreno mais alto, e mais perto do convento, colocara a brigada alemã, já por nós mencionada. Confiara-lhe, a ela sozinha, a defesa dessa parte da, posição. Eram estes os seus apoios da retaguarda.
Na frente. das ondulações onde a infantaria se abrigava, havia quebras profundas no solo, rasgando de alto a baixo toda a encosta, e dominando a respectiva subida. Por elas se distribuiu, na crista da serra, como se fossem canhoneiras naturais, a artilharia da divisão. Toda, a frente da montanha era ocupada por atiradores e por dois batalhões de caçadores em ordem dispersa.
Mal rompera o dia, e não se via nada, com o espesso nevoeiro, a que nos referimos já; ouviam-se apenas, tiros de espingarda, vindos de baixo, do vale profundo, subindo a encosta, avançando. Tudo a postos, tudo à espera do imprevisto quase, do desconhecido. Longe, afastada, para, a direita, trovejava a artilharia. 0 que iria passar-se? 0 que se estava passando?
Decorreu mais de uma hora. No entanto, ia-se desfazendo a neblina, perante o sol, que subia,. Estava limpo, quase, o planalto, e o nevoeiro como que descia o dorso negro da serra, em rolos, indo pousar nas profundezas do vale, para se demorar ali. Era matagosa a ladeira, escavada, e coberta de moitas, Por entre estas, cobrindo-se à cautela, agarrando-se aos penhascos; rasgando-se nos espinhos, começaram então a ver-se as três divisões, lentamente, subindo. Na frente delas, isolados, os atiradores, à vontade, e em grande numero.
A divisão Marchand, dentro em pouco, arranca-se das quebradas e dos matagais e atira consigo à estrada, marchando rápida, disposta a tornear a posição pela direita. A divisão Loison continua a avançar em frente, pronta para o ataque directo e peito a peito. A divisão Mermet deixou-se ficar constituindo a reserva da força atacante.
Então da divisão Loison, destaca-se para diante uma brigada, a do comando do general Simon, incumbida do assalto. Filas inteiras são derrubadas pela fuzilaria dos atiradores de Crawfurd e pela metralha da artilharia. Avança ainda a brigada de Ferey e o vigésimo de linha; a metralha varre-os; dos nossos caçadores nenhum tiro é perdido.
Os que escapam vão avançando sempre, galgam os rochedos escarpados, alcançam as cristas da serra, e caem a braços sobre a artilharia, conseguindo apoderar-se de três peças. O general Simon tem o queixo partido por uma bala e cai prisioneiro, agarrado a uma das bocas de fogo acabadas de tomar.
Crawfurd não tivera impaciências; esperara a ocasião oportuna. À frente de 2.000 ingleses e de um batalhão português do terceiro regimento, dispara sobre os franceses três descargas à queima-roupa, mata-lhes ou fere-lhes quase todos os oficiais superiores, lança no meio deles a confusão e a morte, e traz diante de si, nas pontas das suas baionetas, pela serra abaixo, aquelas massas desordenadas, fazendo nelas mortandade enorme.
Vendo isto, a divisão Marchand, que se encaminhava pela estrada, levando o fito em tornear a direita de Crawfurd, reconhece que é uma imprudência continuar marchando em corpo cerrado.
Divide-se, portanto, em fracções, que mutuamente se apoiam, e assim dividida prossegue no seu objecto. Crawfurd, reconhecendo-lhe o intento, manda sustentar a sua direita pela sexta brigada portuguesa de reserva, formada por caçadores 2 e infantaria 7 e 19, e comandada pelo brigadeiro Colman.
A brigada toma posição, e espera o atacante. Mal se vêem assomando na encosta as primeiras avançadas francesas, é imediatamente destacado contra elas, e encarregado de repeli-las, um dos batalhões portugueses, do 19 de infantaria, sob o cominando do tenente-coronel Mac Bean.
O batalhão carrega à baioneta, com tal intrepidez e vigor, que os assaltantes não podem aguentar-lhe a carga, e vêm de tropel pela encosta abaixo, trazer a desordem e o pânico ao resto da divisão.
Soldados aguerridos e vitoriosos, de Iena, de Wagram. e de Friedland soltavam imprecações e mordiam-se de desespero e de vergonha. Queriam tentar de novo o ataque, queriam voltar a combater. Pesava-lhes a vida debaixo daquela afronta, e invejavam a sorte dos companheiros, mortos, abraçados ás suas armas, estendidos por aqueles montes.
Tudo era inútil; o desastre era completo, a derrota formal e não havia remédio para ela. De encontro àquelas muralhas naturais, àqueles penhascos inacessíveis, acabava de despedaçar-se o prestígio da França, a glória de Napoleão.
Ali estavam, confusos, aniquilados, impotentes, reduzidos ao silencio e à inacção, os maiores generais e marechais do império, confrangidos diante dos restos desordenados das suas tropas, eles que tantas vezes as tinham conduzido à vitória, e que naquele dia funesto apenas souberam levai-as a uma derrota miserável, a uma vergonha, a uma humilhação, piores do que a morte.
Cinco mil soldados franceses, dentre quantos tinham visto despontar o sol daquela manhã, não o viram já dardejando os raios do meio-dia. Estavam ali, a quinhentas léguas da pátria, mordendo o chão sagrado do povo heróico, que contra eles se defendia. Duzentos e cinquenta oficiais, entre mortos, feridos e prisioneiros, perdia a França naquela jornada calamitosa para as suas armas e para a sua política.
Em torno de Massena reinava o silêncio das sepulturas; nenhuma voz ousava ser a primeira a quebra-lo; os pensamentos de cada um eram de chumbo; dentro das almas coava incomportável tristeza; tudo estava perdido.
Os mortos eram os mais felizes. Lá estava entre eles, um dos primeiros atravessados pelas balas, o general Graindorge, do exército de Reynier. O coronel Monnier, do 31 de ligeiros, que chegou a levar o seu regimento à crista da montanha, morrendo crivado de golpes, à frente das tropas que conduzia. O coronel Bechaud, do 66 de linha, partido ao meio por urna bomba, o coronel Amy do sexto de ligeiros, a quem foi decepada a cabeça por uma bala de artilharia. O coronel Berlier, morto também. Depois desses, os generais Merle, Maucune e Foy perigosamente feridos; o general Simon, ferido e prisioneiro. Feridos igualmente os coronéis Merle e Desgraviers, e treze chefes de batalhão, alguns dos quais morreram depois, dos seus ferimentos.
De soldados não falemos. Quinhentos homens perdeu o 69, do comando do coronel Fririon, dentre os mil e quinhentos de que se compunha, exposto durante oito horas pelos fraguedos da montanha, ao fogo dos atiradores inimigos.
O tiroteio prolongou-se até à noite, estando os aliados em segurança relativa, atrás das escarpas pedregosas, e das dobras de terreno, que pela encosta abaixo os abrigavam e protegiam. Os soldados franceses, cheios de exaltação, abandonados por assim dizer, respondiam do vale, de seu moto próprio, ao fogo mortífero. Não havia quem lhes desse uma ordem, quem mandasse calar aquele fogo inútil, quem os tirasse dali.
Se a bravura dos aliados era grande, não era menor a dos atacantes, nem a sua teimosia menos deliberada.
Era já ao cair da tarde, e uma companhia francesa ousava ainda, com incrível audácia, alojar-se numa aldeia, que ficava a meio tiro de espingarda da divisão ligeira. Intimada a retirar-se, negou-se a fazê-lo, e dispunha-se a fortificar-se na posição escolhida. Então, Crawfurd, num acesso de verdadeiro furor, mandou assestar doze peças contra o lugarejo, e durante meia hora fez chover balas sobre a posição onde tinham ousado estabelecer-se aqueles arrojados contendores.
Depois de haver tributado ao capitão francês tão insigne honra, diz Napier, o general inglês recuperou finalmente o seu sangue frio e mandou descer da montanha uma companhia do 43 de linha, que varreu a aldeia, dos seus já raros ocupantes, em poucos minutos.
No meio, porém, destas cenas de carnificina, surge a contrastar com elas um episódio quase romanesco e verdadeiramente tocante.
O criado de quarto do general Simon é informado que seu amo, gravemente ferido, está, além disso, prisioneiro de guerra no alto da Alcoba. Resolve partir, a encontrar-se com ele, para lhe prestar os serviços da sua dedicação naquele horrível momento. Aproxima-se das linhas inglesas e é recebido a tiro. Vai desarmado, gesticula, implora, ninguém compreende o que esse homem quer, o que intenta dizer. Redobra o fogo sobre ele, e apenas por milagre nenhuma bala lhe acerta. Vendo que toda a teima em avançar, só pôde trazer-lhe como consequência inevitável a morte, assim repelido, resolve-se a retroceder, e recolhe-se finalmente aos postos franceses.
Aí, o pobre homem, verdadeiramente dedicado a seu amo, chora, lamenta-se, por lhe não ser dado cumprir o seu dever. Ouve-o uma esbelta vivandeira do 26 de linha, rapariga de dezassete anos, desembaraçada e formosa. O 26 de linha pertencia à brigada de Simon; ela, porém, só conhecia o general, de nome.
Pega na pequena bagagem, que o criado de quarto do general trazia para a levar a seu amo, coloca-a em cima do burro da cantina, e pondo este a andar adiante dela, diz apenas: «Vamos a ver se os ingleses se atrevem a matar uma mulher!. . . »
E sem dar ouvidos a nenhuma observação, ela aí vai a caminho, ladeira acima, sossegada, indiferente, sublime de coragem, avançando tranquilamente por entre os atiradores dos dois partidos!
O fogo é suspenso, de parte a parte, como por encanto; abrem-lhe passagem amigos e inimigos, e o tiroteio só continua, quando ela está efectivamente a salvo e fora do alcance dos tiros.
Na crista do monte, ao entrar no campo dos aliados, é saudada por estes e galhardamente recebida. Mandam-na acompanhar junto da barraca onde o general Simon jaz dolorosamente ferido. Levam-na à presença dele, a quem ela conta com simplicidade o que se passou, o modo como conseguiu estar ali. Trata-o, pensa-lhe os ferimentos o melhor que pôde, demora-se ao serviço dele os dias precisos, até que o criado do general veio rendê-la e, então, recusando toda e qualquer recompensa, monta de novo o seu burrinho, atravessa outra vez o exército inimigo já em marcha sobre Lisboa, e consegue juntar-se ao seu regimento, sem ter sido alvo do mais ligeiro insulto.
É um refrigério da alma este episódio humano e pacífico, no meio das aflitivas cenas de carnagem de que foram testemunhas as bravezas inóspitas daquelas duras penedias.
Caíu a noite. Antes disso, numa pequena trégua, andaram juntos, em confraternidade, defensores e atacantes, uns e outros procurando, levantando do campo, tentando arrancar ainda à morte os seus feridos. A noite, diz Marbot, foi horrível. No quartel-general ninguém dormiu. Contavam-se os mortos, calculavam-se as perdas, remordia nos espíritos o pungir das irremediáveis imprevidências, via-se o presente desgraçado, o futuro destruído. Não havia, porém, recriminações ainda. Ninguém ousava fazê-las; cada um aceitava humilde, silencioso, o quinhão que lhe tocava na responsabilidade enorme. Ali estavam juntos, em grupo, olhos postos no chão, abatidos pelo inesperado desastre, os marechais, os generais do império. O «Filho querido da vitória» fora abandonado de todo pela deusa sua mãe. Ali estava a um canto, mirrado, perplexo, vencido do Buçaco, aquele que ainda homem era o vencedor de Wagram!
Começam a despontar do nascente os alvores do novo dia. Traz a manhã, como de véspera, um sudário cândido de neblinas. Nisto, os ecos da Alcoba são despertados pelos clangores das trombetas, pelo rufar dos tambores, e logo em seguida as bandas marciais inglesas e portuguesas, soam estrepitosamente por aqueles recôncavos, tocando urna alvorada de alegrias. Desfilam os regimentos, galopam os esquadrões, roda a pesada artilharia. Atroam os ares, urras e vivas.
É Wellington, que se mostra ás tropas vencedoras, que passa o seu exército em revista. Os raios do sol matinal, acabado de nascer, arrancam faíscas de luz, ás pontas das lanças e das baionetas, rubras ainda de sangue inimigo.
Lá em baixo, no vale profundo, amortalhado em nevoeiro, jaz silencioso e lúgubre o exército francês vencido".
Fonte:
Fernandes Costa,
Memórias de um Ajudante de Campo, Crónica Pitoresca da Terceira Invasão Francesa Tomo I,
Lisboa, M. Gomes, Editor («Biblioteca Militar Ilustrada, vol.III»), 1896, pp.239-253.
domingo, 26 de setembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
O amigo espanhol de Sócrates em apuros...
Zapatero até é um pouco mais civilizado e socialista do que Sócrates, mas deixou-se levar na febre do PEC e agora está em apuros.
A IGREJA espanhola colocou-se ao lado dos trabalhadores e dos desfavorecidos desta crise, dando o seu apoio à GREVE GERAL e às manifestações convocadas para Espanha para a próxima semana,para protestar contra os devastadores efeitos sociais desta crise provocada pela finança internacional, protegida pelos poderes europeus.
Ver a notícia AQUI.
A IGREJA espanhola colocou-se ao lado dos trabalhadores e dos desfavorecidos desta crise, dando o seu apoio à GREVE GERAL e às manifestações convocadas para Espanha para a próxima semana,para protestar contra os devastadores efeitos sociais desta crise provocada pela finança internacional, protegida pelos poderes europeus.
Ver a notícia AQUI.
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Obviamente...demitam-se!
(Foto de Miguel Manso/Público)
A vida política portuguesa está transformada numa interminável telenovela, representada por maus actores e com um argumento manhoso, reproduzido até à exaustão nos horários de maior audiência pelos canais generalistas.
Depois do capítulo da revisão constitucional, eis-nos chegados ao capítulo do “orçamento”.
A chantagem exercida pelo governo de Sócrates para com a oposição é intolerável num estado democrático, tanto mais intolerável quanto este governo ainda não percebeu que perdeu a maioria absoluta porque os portugueses se fartaram de maiorias absolutas e exigem negociações entre os nosso políticos.
Se não sabem governar em democracia…obviamente…demitam-se!
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Os "Bons" exemplos vêm de "cima"...
Segundo o "El Mundo", a União Europeia paga aos ex-comissários, durante três anos, 96 mil euros , para os "ajudar" à reintegração....
Um "bom" exemplo dado pelos senhores do PEC....
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"Estado Social"?Não...é antes "O Estado a que isto chegou"...
(Fonte: Blogue FERROADAS)
Segundo um estudo do professor João Cantiga Esteves, e ontem divulgado no “i”, existem em Portugal 356 institutos públicos, 343 empresas municipais e regionais, 639 fundações, 87 parcerias público-privadas, representando, estas, um investimento de 48 mil milhões de euros…, 5094 entidades ligadas à administração local que usam dinheiros públicos, existindo um total de 13740 entidades financiadas pelo Estado português…
O mesmo jornal revela ainda que, em média, cada empresa pública tem 88 chefias, ascendendo os salários mais elevados dessas mesmas chefias a uma média de 6400 euros mensais…
Seria demagógico não reconhecer que algumas dessas empresas, fundações e institutos desempenham funções importantes e que alguns dos cargos de chefia são de grande responsabilidade técnica.
Contudo, a actividade da esmagadora maioria dessas empresas, fundações e institutos, além de desconhecida da maior parte do público, é irrelevante e a sua existência serve apenas para alimentar a clientela política dos partidos do ”centrão”.
Para a maior parte dessas empresas, fundações e institutos, entra-se para as chefias mais bem pagas por favores políticos e outros que se adivinha, raramente pela competência…
Se juntarmos a tudo isto as assessorias políticas, a contratação de conhecidos escritórios de advogados, a forma escandalosa como se realizam concursos público, como é hoje denunciado pelo “Público”, mais uma série de mordomias, eufemísticamente designadas por “ajudas de custo” ou por “prémios de desempenho”, percebe-se onde está o tão apregoado “Estado Social” .
Ainda hoje dois jornais diários, o Correio da Manhã e o o Diário Económico revelaram que a empresa Águas de Portugal investiu nos últimos tempos em 400 carros topo de gama que podem ser usados pelas chefias superiores e intermédias 24 horas por dia…
Perante todas estas evidências, não venham, por favor, srs. economistas, srs. comentadores, srs. “principescamente” reformados do Banco de Portugals, srs. ex-ministros das finanças, srs. políticos, continuar a fazer recair sobre a maioria de beneficiários da segurança social, desempregados, pobres e reformados, ou sobre os professores, médicos e outros funcionários públicos que foram contratados pelo Estado em concursos públicos objectivos, contribuintes, trabalhadores e empresas produtivas em geral, o ónus do deficit financeiro …
Isto não é o “Estado Social”…é, quanto muito, e parafraseando o saudoso Salgueiro Maia, “O Estado a que Isto Chegou”…
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Revolução Rodoviária
Este “dia europeu sem carros” é um dia mais simbólico que outra coisa.
A sua intenção parece-me ser mais a de nos fazer reflectir sobre assunto, objectivo que, a ser concretizado, já me parece bastante útil.
É hoje evidente, nem que seja pela situação ambiental e energética, que a mobilidade rodoviária, tal como hoje a conhecemos, tem os dias contados. O contrário seria trágico para nós e para o planeta.
Até há algumas décadas atrás, a capitação automóvel era sinónimo de “desenvolvimento”. Com as questões ambientais e energéticas que se nos colocam nas últimas duas décadas é evidente que, hoje em dia, essa capitação se tornou um símbolo de subdesenvolvimento ambiental e energético e, em consequência, também económico.
Isto é, quanto maior o número de automóveis “per capita” num país, tanto maior o seu nível de subdesenvolvimento que, se não é notado no imediato, sê-lo-á no futuro.
Infelizmente, quis o destino histórico que, no momento em que se torna impraticável manter as actuais condições rodoviárias, uma série de países, saídos de economias fechadas impostas por ditaduras férreas, com aconteceu no leste, ou saídos de economias rurais, como aconteceu em Portugal nos anos 80/90, e está a acontecer, com maior impacto global, na China, o automóvel se tenha tornado, nesses vários lugares, sinónimo de “democratização” e “desenvolvimento” , não passando, na realidade de um degradante exibicionismo do “novo-riquismo” desses povos e nações.
Só uma verdadeira revolução rodoviária poderá alterar a situação, começando por se apostar em transportes públicos mais baratos, mais rápidos e mais fiáveis, de modo a desincentivar o uso do automóvel particular.
Em Portugal, por exemplo, desinvestiu-se de forma criminosa no caminho-de-ferro e nos transportes púbicos urbanos, construindo-se auto-estradas em tudo o que é sitio, sem um projecto de longo prazo, muitas vezes apenas e para responder aos apelos da clientela política e económica.
O aumento do uso do automóvel particular foi assim incentivado, com custos financeiros incalculáveis para um país sem produção automóvel própria e sem recursos energéticos.
Aliás, não deixa de ser curioso que, no momento em que economistas, políticos e comentadores nos enchem os ouvidos com o deficit da balança comercial, nem um deles se questione sobre os custos negativos para esse deficit da importação de automóveis e de energia, fomentada por anos de políticas erradas no sector rodoviário.
Repensar as políticas rodoviárias passa por apostar no caminho-de-ferro, em transportes ambientalmente sustentáveis, e, no caso de Portugal, como ontem alertou o Presidente da República, no transporte marítimo.
Esperemos que este dia não fique pelas meras boas intenções do costume.
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terça-feira, 21 de setembro de 2010
Os "Mercados"
Parece que “os mercados” andam "nervosos".
Mas o que é isso dos “mercados”? Uma entidade abstracta, espécie de Deus, que controla lá de cima os nossos instintos consumistas e nos impõe modelos produtivos?
Os “mercados” são de pele e osso.
Se vivêssemos numa verdadeira social-democracia, os “mercados” éramos todos nós, eu, você, as pessoas que vivem à nossa volta.
Se vivêssemos numa verdadeira social-democracia (diria mesmo mais, numa verdadeira democracia…), éramos nós, através do nosso trabalho, da correcta canalização das nossas poupanças, do controle sobre o que produzimos, onde os accionistas maioritários das empresas eram os próprios trabalhadores, onde se consumia de acordo com as necessidades reais e culturais que constituíamos “o mercado” .
Infelizmente não vivemos numa social-democracia e os “mercados” são uma entidade humana, mas cobardemente sem rosto.
Os “mercados” são as tais agência de rating, que se alimentam da especulação e da miséria que as suas decisões acarretam. Cada vez que ameaçam um país, os especuladores, os mesmos que pagam para elas existirem, ganham milhões no “mercado” accionista. À custa da miséria de muitos, provocada pela situação financeira imposta por essas agências, constroem-se, do dia para a noite pequenas e grandes fortunas.
Os “mercados” são as bolsas .Nas bolsas, tal como elas existem, só ganha quem tem muito dinheiro para investir. Grande parte das fortunas feitas em bolsa não o foram à custa da produção ou do trabalho, mas da especulação mais acintosa, com lavagem de dinheiro e fuga a impostos. A “democratização” da bolsa, com a entrada dos pequenos investidores é um bluff e uma falácia.
Os “mercados” são os bancos, que, depois do desvario dos últimos anos, que levou o mundo à beira da catástrofe, estão agora aflitos para pagarem os juros dos empréstimos que contraíram, e por isso pressionam os Estados, não só a ajudá-los, com o dinheiro dos contribuintes, mas também a reduzir-lhes os impostos sobre os lucros fabulosos. Aflitos com os juros especulativos, exigem contenção orçamental para melhorar a situação dos bancos nacionais face aos piratas das agências de rating e da bolsa.
Para esses “mercados” funcionarem, sem que haja uma revolta generalizada sobre a ditadura económica e social por eles imposta, a maior parte da comunicação social ajuda a passar a mensagem das medidas que “os mercados” exigem, e fá-lo porque essa mesma comunicação social está nas mãos dos bancos.
Este é o círculo vicioso em que vivemos e do qual não se vislumbra saída a curto prazo.
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010
A Pobreza em Portugal
A propósito da cimeira que hoje tem início na ONU para debater o resultado dos chamados “Objectivos do Milénio”, um programa de luta contra a pobreza à escala global, recordo aqui um interessante livro recentemente editado no Porto, intitulado “O que sabemos sobre A Pobreza em Portugal?”, organizado por uma equipa de investigadores destes temas e que tem por objectivo homenagear Leonor Vasconcelos Ferreira.
Editado pela “Vida Económica”, este livro reúne “um conjunto de contributos de elevada qualidade e rigor científico sobre as questões da Pobreza e Distribuição de Rendimentos”, numa “perspectiva multidisciplinar e integrada”, que integra “os aspectos económicos, sociólogos e políticos” relacionados com esse tema.
Esta obra devia ser de leitura obrigatória para os nossos economistas, políticos e comentadores, pois questiona muitas das ideias feitas sobre o tema, e que tão bem servem a costumada demagogia dominante.
Destaco aqui o texto assinado por Manuela Silva, intitulado “Pobreza, Direitos Humanos e Democratização da Economia”, uma interessante reflexão teórica sobre o conceito de pobreza, onde se defende a relação do combate à pobreza com a defesa dos Direitos Humanos e onde, entre muitas outras ideias interessantes, se sugere um novo modelo de empresa.
Aqui transcrevo algumas das partes mais significativas desse artigo, que merecem a nossa reflexão.
SOBRE O CONCEITO DE POBREZA
“O conceito de pobreza mais frequente nos estudos académicos ou nos relatórios institucionais continua a ser a pobreza monetária, que consiste em considerar como pobres os indivíduos ou agregados familiares cujo rendimento ou despesa é inferior a um certo limiar (…). Não obstante (…) o conceito de pobreza monetária enferma de várias limitações (….). Com efeito, a um baixo nível de rendimento ou despesa idêntico correspondem situações de privação muito diferentes, no caso de uma pessoa ou agregado familiar que tenha de prover a todas as suas necessidades na base de uma economia mercantil ou outra situação em que parte das necessidades essenciais da população, como sejam a saúde, a educação, a segurança social, se encontrem cobertas pelo Estado.
“Por outro lado, não basta dispor de certo rendimento monetário para deixar de ser pobre. O reconhecimento desta realidade tem levado a adoptar um conceito de pobreza assente no grau efectivo de privação, em que a privação do rendimento é apenas um elemento de um indicador compósito que contemple os diferentes défices de satisfação relativamente a um conjunto de necessidades essenciais correspondentes ao estilo de vida corrente. Entre outros, a qualidade da habitação e a respectiva inserção no espaço urbano, a par da segurança física, do acesso à educação e qualificação profissional, do acesso a cuidados de saúde, do lazer, da participação e da inserção social”.
POBREZA E DIREITOS HUMANOS
“(…) desde o início do milénio, tem vindo a impor-se a ideia de que a pobreza involuntária constitui uma violação de direitos humanos fundamentais e, como tal, deve ser colocada na agenda política.
“(…) Podemos perguntar-nos: que valor acrescenta este enfoque ao conhecimento da pobreza e, sobretudo, às estratégias para a sua erradicação?
“Em primeiro lugar, este conceito traz para primeiro plano o valor da dignidade de toda a pessoa humana, fundamento dos direitos humanos universalmente reconhecidos, e afirma que a pobreza involuntária ofende a dignidade e põe em causa o valor da vida humana”
UMA NOVA RESPONSABILIDADES PARA AS EMPRESAS
“A ideia de que o mercado, só por si, é o garante da democracia económica presidiu ao pensamento liberal e neoliberal das últimas décadas, mas hoje não resiste à verificação empírica: as grandes desigualdades, o risco ambiental, o desemprego massivo, só para referir alguns exemplos de disfunções que o mercado não previne nem corrige (…)
“Também o conceito de empresa carece de profunda revisão. Com efeito, a empresa não é apenas um capital, mas uma realidade social complexa, que envolve múltiplas relações : entre os diferentes sujeitos que nela intervêm (trabalhadores, fornecedores, clientes, além dos detentores do capital), bem como com a sociedade onde está implantada e onde opera. Assim sendo, os gestores não devem responder apenas, como hoje sucede, perante os accionistas que os nomeiam, mas devem também assumir responsabilidades perante os demais elementos que integram a empresa.”
Ficam aqui as ideias principais desse estudo e a recomendação para uma leitura mais atenta deste texto e dos outros, igualmente estimulantes, que integram este livro fundamental.
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sábado, 18 de setembro de 2010
Nuno Cardoso Santos - Um grande nome mum país "pequenino"...
"Nuno Cardoso Santos, investigador do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, recebeu ontem na Arménia o prémio Viktor Ambartsumian".
Este prémio, partilhado com dois colegas, é considerado "o mais importante na Astrofísica depois do Nobel"(Público, 18 de Setembro de 2010, página 14, em baixo, à direita....).
Uma notícia mais detalhada pode ser encontrada nas páginas do Jornal de Notícias, AQUI.
Repescamos também AQUI uma entrevista que o cientista deu ao Diário de Notícias no ano passado.
Seria de esperar que esta notícia abrisse todos os noticiários e fizesse as primeiras páginas dos jornais de referência.
"Infelizmente" Nuno Cardoso Santos não joga futebol, não aparece na "Caras" ou é comentador residente num qualquer orgão de informação.
Assimvai este país, embrulhado nas tricas financeiras, políticas e desportivas, alheado daqueles que fazem alguma coisa para prestigiar o país....
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O Cartoon da Semana - Antero Valério vê a actuação cinematográfica da Srª Ministra...
A prósito de uma incrivel "mensagem ao professores, pais e alunos" enviada pela srª ministra da educação e que anda a circular por aí, o Antero Valério, no seu blog "Anterozóide", publicou este cartoon:
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O Respigo da Semana - Manuel Maria Carrilho e a Europa
Europa - tutela ou estratégia
por MANUEL MARIA CARRILHO
“Há momentos assim, em que se sente de um modo particularmente vivo a falta de liderança europeia. Foi o que aconteceu há dias, justamente quando o presidente da Comissão Europeia pretendia mostrar o contrário, ao fazer no Parlamento Europeu um discurso sobre o estado da União, num arriscado remake da conhecida tradição americana.
Para lá da frase dramática que fez o título dos curtos despachos das agências ("ou nadamos juntos ou afogamo-nos separadamente"), o impacto do discurso foi quase nulo, a confirmar uma generalizada indiferença perante a conhecida retórica europeia, que consiste em apresentar ideias gerais para todos os factos, acompanhadas da certeza de que nenhuma se concretizará.
Nesse mesmo dia, as agências noticiavam a chegada da China ao 5.º lugar dos investidores mundiais, saltando do 12.º em que estava em 2008, acrescentando mais este dado espectacular ao já tão impressionante palmarés de primeiro exportador mundial, segunda potência industrial, de segunda economia mundial, etc.
Reforçam-se assim os elementos que apontam para um século XXI de forte dominância asiática. A Ásia retoma, gradualmente, uma posição que - poucas vezes se lembra isto - ela já teve na história. Com efeito, há mil anos, a Ásia representava 75% do PIB mundial e no começo do século XIX ainda andava nos 60%. Foi no decurso deste século e no século XX que a decadência se acentuou, tendo o PIB chinês caído para cerca de 30% do produto mundial em 1820, e para 4,5% em 1950.
É nessa altura que a Europa se afirma e começa a sua ascensão, não tanto porque nela e na sua cultura existisse uma qualquer predisposição particular para o capitalismo mas porque ( como há já uns anos Kenneth Pomeranz explicou numa obra que se tornou um clássico na matéria, A Grande Divergência - a China, a Europa e a construção da economia mundial) as descobertas e a colonização viabilizaram uma ruptura que mudará todos os dados da economia mundial. Trabalho escravo, mão-de-obra barata decorrente dos excedentes rurais, revolução industrial, afluência torrencial de metais preciosos, crescente capacidade de investimento a prazo, tudo isto conduziu a Europa à liderança mundial.
A coincidência do discurso sobre o estado da União com as notícias do reforço do peso da China no mundo deveria, pois, fazer pensar. E pensar foi o que fizeram diversos ensaístas num recente número da revista The American Prospect, em torno da pergunta "Can Europe recover?". A resposta, apesar da diversidade de perspectiva dos autores, é tão convergente como inequívoca: não, a União Europeia não mostra actualmente ter condições para alterar o percurso do seu declínio económico e político no mundo.
As razões deste diagnóstico são sobretudo três, e nenhuma encontra resposta no discurso de J. M. Barroso sobre o estado da União. A primeira é a falta de convicção, de fé na Europa, que os últimos dados do Eurostat confirmam, com consequências que Kurt Volker vê bem ao perguntar "porque é que deveria acreditar num modelo em que os próprios europeus já não parecem acreditar?".
À falta de convicção junta-se (é a segunda razão) a falta de consenso sobre o que é, e sobretudo sobre o que deverá ser, no futuro, a União Europeia. Para lá de uma zona de comércio livre, de uma política agrícola cada vez mais contestada e dos fundos para apoio das regiões menos desenvolvidas, faltam - como sublinha W. Laqueur - políticas em áreas essenciais como a defesa, a energia, ou a investigação.
A terceira razão encontra-se no que se pode chamar o impasse estratégico. Desde que se saltou para o alargamento a 25, e depois a 27, sem uma profunda reforma das instituições, instalou-se um impasse - que se quis desvalorizar e iludir, mas que entretanto a crise tornou óbvio - entre os objectivos que a UE proclama querer atingir e os meios de que ela dispõe para o fazer.
Quem tem beneficiado com este impasse é a Alemanha, que, depois de ver reforçado o seu peso político com o Tratado de Lisboa, tem aproveitado bem a crise para colocar a Europa sob tutela, como as recentes decisões sobre o "visto prévio" aos orçamentos nacionais claramente indicam. Como Jacques Delors sintetizou bem num artigo escrito no começo do Verão, os dirigentes europeus actuaram durante a crise como bombeiros.
O que agora é preciso é que actuem como arquitectos, convergindo numa estratégia capaz de ultrapassar a erosão política e a desagregação institucional que tanto fragilizam a Europa no começo desta era asiática, que vai certamente mudar o nosso lugar na história e no mundo”.
In Diário de Notícias de 16 de Setembro de 2010
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A FORMA E A LUZ: Debate sobre o "culturalês" na Arte Contemporânea
A FORMA E A LUZ: Debate sobre o "culturalês" na Arte Contemporânea: "Começo por esclarecer que sou apenas um cidadão comum que, por acaso, obrigação e prazer, gosta de arte. Devo dizer que também não sou daque..."
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VEDROGRAFIAS: DIA 18 - Inauguração oficial do novo Mercado Munic...: "Aberto ao público no passado dia 11, o novo Mercado Municipal será inaugurado oficialmente no próximo Sábado 18 de Setembro, pelas 12 horas...."
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
A Imagem invadiu Chaves
Tendo passado este Verão por Chaves pela primeira vez, fui surpreendido com a fotos gigantes espalhadas pela bonita zona antiga dessa cidade.
Foram colocadas para evocar um dos mais prestigiados festivais de fotografia que se realiza anualmente naquela cidade, o Fest Image.
Aqui ficam as fotografias dessa interessante iniciativa que invadiu as ruas de Chaves:
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A FORMA E A LUZ: D. Afonso V e a Invenção da Glória
A FORMA E A LUZ: D. Afonso V e a Invenção da Glória: "Regressamos a este espaço com uma boa notícia. O Museu de Arte Antiga resolveu prolongar a abertura da exposição das célebres “Tapeçarias de..."
terça-feira, 14 de setembro de 2010
O FMI afasta-se das receitas europeias?
“O mercado laboral está numa situação catastrófica (…) as regras do jogo mudaram" e esta situação não se inverterá com “as velhas receitas”.
"Os desempregados sofrerão uma perda permanente nos seus rendimentos, uma redução da esperança média de vida e os resultados académicos e salariais dos seus filhos também serão afectados negativamente".
"Se não se adoptarem as políticas adequadas para fazer frente a esta tragédia, o custo económico e social será tremendo, porque estamos a falar de uma geração perdida".
Quem fez estas afirmações, não foi um “perigoso” sindicalista” ou um “radical comunista”.
Foram palavras do director geral do FMI!.
As afirmações foram proferidas este fim-de-semana durante uma conferência, a decorrer em Oslo, onde se reúnem responsáveis da OIT e do FMI, juntamente com alguns líderes políticos, para se debater a grave crise actual do mercado de trabalho.
Infelizmente, apesar dessas afirmações terem vindo do mais alto responsável da organização que, ao longo de anos, levou muitos países à miséria, tendo contribuído para a crise que se vive actualmente com as suas receitas económico-financeiras neo-liberais, o espaço a elas dedicado pela comunicação social não passou, na maior parte dos casos, das notas de rodapé.
Tais afirmações põem em causa as velhas receitas orçamentais e monetaristas adoptadas na União Europeia.
Sem um maior investimento público, sem apoios sociais, sem revisões profundas sobre as condições das reformas (adoptando um tecto máximo e incentivando-as para dar lugar às novas gerações), sem melhoria salarial, sem maior qualificação, sem maior redistribuição da riqueza e do tempo de trabalho, sem incentivos coerentes à natalidade, os piores prognósticos para o resultado desta crise cumprir-se-ão.
Na Europa, liderada por Durão Barroso, Trichet (coadjuvado por Victor Constâncio), mais aqueles dois de cujo nome nem eu nem ninguém se lembra, manobrados pela srª Merkel e pelo sr Sarkozy, com figurinhas de segundo plano como um Sócrates ou patéticas como um Berlusconi, não há grande esperança para resolver a crise, muito menos a favor de quem trabalha.
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Supertramp - uma banda com futuro...
Um amigo meu, referindo-se aos Supertramp, chamava-me a atenção para o facto das musicas deste grupo, apesar do tempo passado, manterem toda a frescura de sempre.
De facto, no tempo deles, muitos da minha geração desprezavam esse grupo, juntamente como os Queen, considerados muito “comerciais”, comparativamente com grupos como os Yes, Genesis ou Pink Floyd.
Contudo, o tempo acabou por dar razão aos Supertramp. Hoje é quase intragável ouvir algumas das peças dos Yes, dos Genesis e dos Pink Floyd, mas é sempre refrescante ouvir uma canção dos Supertramp.
Foi com essa ideia que parti para a aventura de ir ouvir, aos fim destes anos todos, os Supertramp, ontem em Lisboa.
Confesso que ia algo receoso, até pela ausência de Roger Hodgson, e porque já estava escaldado com os Pink Floyd, que vi sem Roger Waters, num espectáculo decadente realizado no antigo estádio de Alvalade.
Mas a surpresa do espectáculo de ontem superou tudo o que esperava. Gabe Dixon fez esquecer Roger Hodgson, Rick Davies soube inovar os velhos temas de sempre, numa actuação deslumbrante de entrega total, onde o saxofone de John Holliwel nos colocou à beira do jazz e o baterista Bob Siebenberg, juntamente com um prometedor conjunto de jovens músicos de apoio, transformou o Atlântico numa grande pista de dança, ao estilo que já nem os U2 conseguem nos seus espectáculos recentes.
A forma como agarraram um público entusiasmado, com já não via há muito, mostra toda a frescura dos Supertramp, que não envergonham ninguém, emparceirando com a boa musica pop rock deste início do século XXI.
Um público, é preciso notar, onde se cruzavam, de forma equilibrada três gerações, os trintões, os quarentões, os cinquentões e muitos mais velhos e mais novos.
Amanhã actuam pela última vez em Portugal, no Porto.
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sábado, 11 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
O Cartoon da Semana
O humor ainda é uma das melhores formas de denunciar e pôr a nu injustiças e ideologias imbecis.
O neo-liberalismo é uma dessas ideologias imbecis que levou o mundo à beira do abismo.
Contudo há quem insista nas receitas dessa ideologia e procure desarticular o Estado Social, agravando ainda mais a crise económica e social que foi provocada pela especulação financeira que é a espinha dorsal do neo-liberalismo.
O cartoon que hoje divulgamos, retirado da edição on-line do El País, de uma série intitulada “O Fim do Estado”, explica, mais que muitas palavras, os objectivos do neo-liberalismo.
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010
A Foto da Semana - Manifestação em Paris.
Esta fotografia,da autoria de Philippe Wojazer, da Reuters, foi divulgada pelo “Liberation” e refere-se à mega manifestação que ontem teve lugar em Paris e que juntou, em várias cidades francesas, entre 1 e 3 milhões de manifestantes.
Essas manifestações foram motivadas pela anunciada passagem da idade da reforma dos 60 para os 62 anos.
Em Portugal não houve praticamente reacção à alteração da idade da reforma para os 65 anos, falando-se já por aí na sua passagem para os 67!
Tendo em conta que em França o Estado Social e as condições salariais e de trabalho tem uma importância e um nível com a qual os trabalhadores portugueses nem podem sonhar , é caso para dizer, tendo em conta a passividade nacional, que Salazar e Sócrates fizeram bem o trabalho de casa: o primeiro “amansou” e o segundo “lixou”…
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terça-feira, 7 de setembro de 2010
Os Radiohed na vanguarda da divulgação musical
Foram dos primeiros grupos alternativos a adaptar-se às novas tecnologias quando decidiram no ano passado que o seu último trabalho podia ser descarregado da internet, antes de ser editado em CD, bastando pagar o que cada um quisesse.
Agora tomaram outra iniciativa inovadora, bem reveladora das novas realidades tecnológicas.
Nos finais de Agosto de 2009 resolveram distribuir 50 câmaras de filmar digitais pelo mesmo número de fãs, para filmarem esse espectáculo, segundo 50 versões.
Desse trabalho resultou agora o video que pode ser visto AQUI.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Feliz Aniversário Sr. Primeiro Ministro....
Faz hoje 53 anos…
Quem diria que eu, um velho um pouco mais velho que você (apenas ano e meio), viria, graças a si, a detestar a geração à qual pertencemos.
É ela que está hoje no poder, aqui e, para mal de todos, também na Europa.
O oportunismo, a verborreia verbal, o pseudo-intelectualismo, a falta de civismo, o carreirismo, a incompetência, a falta de coerência e de palavra…
Tudo isso tem marcado esta geração, da qual Vª Excª é o expoente mais visível e mais poderoso neste país.
Enche-nos agora os ouvidos com o “Estado Social”, você, cuja governação, que tanto tem sido apoiada pela minha geração, está a ser marcada por realidades como o aumento de desigualdades, do desemprego, da falta de civismo, da injustiça, dos impostos sobre o factor trabalho...
Continue a passear-se com banqueiros, grandes empresários, especuladores e comentadores, mas por favor, neste dia de aniversário, pense em todos nós e, num acto de consciência profunda, comece a pensar na sua reforma política antecipada.
Quem sabe se outra geração, que não a nossa ( a sua e a minha), tenha a chave para um mundo diferente? Dê-lhes essa oportunidade para que o esqueçam rapidamente, a si e à nossa miserável geração.
…Que este dia de aniversário o ilumine…
Feliz Aniversário Sr. Primeiro-Ministro….
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...Regresso ao "Futuro"...
Estivemos um mês longe dos blogues e dos posts.
Há sempre a esperança que o mês de Agosto funcione como uma espécie de ruptura com uma dada realidade, tornando-se o Setembro uma espécie de renascimento.
Contudo o mundo não parou e, em muitas situações, continuamos a ter mais do mesmo.
Distraídos com a praia ou as viagens, os portugueses regressam agora à dura realidade de um país mais destruído pelos fogos e onde as estradas ceifaram mais algumas vidas, um país cada vez mais pobre e endividado, onde os políticos poucas férias fizeram e começaram logo a montar o circo em que a nossa vida política se tornou. Agora é a tourada do orçamento e da revisão da constituição. Tudo isto num país onde temos um Presidente que mais parece uma barata tonta.
A justiça que terminou o mês de Julho pelas ruas da amargura com as atabalhoadas decisões em relação ao Freeport e com as declarações idiotas do PGR, parece ter recuperado alguma credibilidade com as decisões no caso Casa Pia. Há contudo um sabor amargo de que a justiça só cumpriu parte do seu papel, não só porque ficou muita gente de fora, mas também porque “cheira” que as condenações decididas vão ficar sem efeito, pelo arrastar dos recursos e pelas prescrição dos crimes muito em breve.
…Enfim.. apesar de tudo,desejamos aos nossos leitores um bom” regresso ao futuro”…
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
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