quarta-feira, 3 de maio de 2017

Infelizmente, desta vez, votar Macron é mesmo a única alternativa


Há momentos em que é preciso dar dois (ou uns dez, neste caso…) passos atrás para não perder tudo.
E o tudo, neste caso, é a liberdade, a democracia, a tolerância e a paz.
Pior que Macron como alternativa à fascista Le Pen seria Fillon….
Como a candidata da FN ontem “recordou”, plagiando-o, as diferenças entre Le Pen e Fillon não eram assim tantas e, neste caso, o voto em branco e a abstenção eram mais que legítimos.
Não é agora, apesar de tudo, o caso de Macron.
Macron é um oportunista, como Blair, é o homem dos interesses financeiros, como quase todos os actuais líderes europeus, é o defensor do pior do “europeísmo” (austeridade, destruição do Estado Social e dos direitos socias, desrespeito pelos trabalhadores, desvalorização dos salários e das pensões para poder beneficiar o corrupto sistema financeiro …), mas só ele pode adiar o avanço da extrema-direita francesa que conduziria a Europa para o abismo e para a intolerância.
Claro que, à esquerda, custa a engolir contribuir para eleger como presidente um oportunista como Macron, que pretende fazer em França aquilo contra o qual essa mesma esquerda tem combatido nos últimos anos e seguir as políticas antidemocráticas do politburo de Bruxelas que têm conduzido a Europa contra os seus cidadãos..
Mas a alternativa é bem pior.
A esquerda, aliás, tem culpas na situação a que se chegou em França. Os programas de Melanchon e Hamon eram iguais, mas o sectarismo prevaleceu e concorreram separados. Ambos tiveram mais votos do que Macron e, se juntarmos os votos de mais dois candidatos menos conhecidos que defendiam o mesmo, a segunda volta estava a gora a ser disputada entre um candidato de esquerda e Macron…
Mas também não podemos esquecer a responsabilidade da direita que, adoptando muita da retórica securitária, nacionalista e xenófoba de Le Pen, com o objectivo de a “enfraquecer”, legitimaram o discurso intolerante da fascista.
Nem esquecer a responsabilidade do “centro” “europeísta”, agora ridiculamente metamorfoseada em “antifascista”, quando o único “europeísmo” que têm oferecido é o da austeridade e o das “reformas estruturais” que visam apenas beneficiar o poder financeiro e a destruição dos direitos socias. Esqueceram-se que os Direitos Humanos incluem, em igualdade de circunstâncias, os chamados direitos “formais” (democracia e liberdade) e os direitos socias (igualdade, solidariedade, justiça social) , legitimando assim o discurso contra os “direitos” e contra o “politicamente correcto” que estão por detrás da retórica fascista de Le Pen.
Por isso, a única maneira de legitimar o combate às futuras políticas antissociais de Macron é vota nele contra o fascismo e, depois, retomar o combate por uma Europa mais solidária, tolerante, menos desigual, mais democrática e social, o verdadeiro europeísmo.

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