terça-feira, 9 de maio de 2017

Macron : O regresso da decência à política?


Conforme já aqui revelei, por mais de uma ocasião, sou bastante céptico em relação a Macron e àquilo que ele representa.

Contudo, ao longo da última semana, conheci algumas “estórias” ligadas a Macron que têm contribuído par, sem entusiasmo nem muita esperança, acreditar que ele pode ser o político certo na França e na Europa destes dias.

Primeiro foi a história contada por Varoufakis, o antigo ministro das finanças da Grécia, miseravelmente humilhado pelos figurões de Bruxelas, e que terá encontrado em Macron, então ministro da economia de França, um compreensivo e isolado aliado, atitude que terá custado, ao agora eleito presidente francês, o seu “despedimento” do executivo de Hollande, por pressão de Merkel e do seu tenebroso ministro das Finanças.

Depois a história familiar do próprio Macron, revelando a fibra de um homem romântico e apaixonado, enfrentando todas as convenções.

Finalmente o seu ousado apelo aos cientistas norte-americanos, maltratados pelo ignorantão Trump, para virem viver para França, onde ele lhes prometeu condições para o seu trabalho de investigação sobre as alterações climatéricas.

Se a tudo isto juntarmos a coragem demonstrada na forma como desmascarou a retórica neo-fascista de Le Pen, enfrentando-a num debate que tinha sido recusado noutras ocasiões pela cobardia ou preconceito de outro políticos, estas pequenas “estórias” são reveladoras de um homem decente.

Nos dias que correm, se essa decência e coragem se revelar na sua futura acção como Presidente da França, talvez a Europa tenha encontrado finalmente alguém que possa servir de modelo a uma Europa desorientada e maltratada pelo politburo de Bruxelas.

Neste caso subscrevo o título e o conteúdo da crónica de hoje de João Miguel Tavares: “Não quero messias. Bastam-se políticos decentes”.

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