sexta-feira, 23 de maio de 2014

Eleições Europeias - uma decisão com muitas dúvidas:


O presidente da União Europeia, Herman von Rompeuy, tem “o carisma de um trapo velho” e a “aparência de um bancário”, “sem qualquer legitimidade para o cargo”.

Catherine Ashton é “uma inútil” que foi nomeada para o cargo de “ministra dos estrangeiros” da União Europeia “porque o marido é um dos principais financiadores do Partido Trabalhista”.

Bruxelas é governada “pelas piores pessoas que a Europa viu desde 1945”.

Quem não subscreveria por baixo estas afirmações?

O problema é que quem as proferiu foi Nigel Farange, líder da extrema-direita britânica e um dos previsíveis grandes vencedores das eleições europeias.

O problema da expansão do populismo da extrema-direita europeia é exactamente este.

Dizem a verdade, com ara respeitável, despidos das suas fardas negras, escondendo as suas verdadeiras intensões, aproveitando-se da desorientação da esquerda europeia, da traição social-democrata aos cidadãos e trabalhadores da Europa e da retórica neoliberal e neoconservadora da direita europeia que legitima o discurso dessa extrema-direita.

Um dos resultados possíveis nas próximas eleições europeias é o avanço eleitoral da extrema direita e do populismo, um pouco por todo o lado.

Ao esvaziar o parlamento europeu, único órgão democrático europeu, do seu poder, ao permitir que as grandes decisões sejam tomadas nas costas dos cidadãos europeus pela burocracia da União Europeia, com a Alemanha de Merkel a liderar, e ao se submeteram aos ditames do poder financeiro, retirando direitos sociais e reduzindo o bem-estar dos seus cidadãos, os partidos que dominam a Europa abrem caminho para a demagogia de extrema-direita.

A grande incógnita vai ser, assim, saber até onde vai o crescimento da extrema-direita e até onde vão ser penalizados os governos da “austeridade”.

Por cá esta é a grande sondagem onde se vai medir se o conformismo  da abstenção terá mais peso que a penalização dos partidos do “arco da dívida” com um aumento de votação à esquerda.

Pessoalmente estive inicialmente inclinado para me abster pela primeira vez, já que o Parlamento Europeu não passa de um mero verbo de encher, como expliquei AQUI .

Mas neste momento, e sendo provável que a abstenção não venha a chegar aos 65%, tornando-se assim irrelevante para fazer soar as campainhas de alarme dos burocratas europeus,  seria muito grave que os partidos do governo saíssem vencedores ou fossem derrotados por pouco.

O PS não me merece grande confiança, já que foi responsáveis pelo descalabro financeiro do país, com José Sócrates, de quem não de demarcou, e abriu as portas a muitas das medidas anti-sociais deste governo.

É por isso importante que os partidos à esquerda do PS ganhem fôlego nestas eleições, nomeadamente a CDU, o BE ou o Livre.

Seria também interessante que algum pequeno partido, como o PAN ou o Partido da Terra, conseguissem eleger um deputado.

Tudo, menos uma vitória da aliança PSD/CDS ou uma vitória expressiva do PS.

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