quarta-feira, 28 de maio de 2014

Afinal quem ganhou as eleições? ...ou quando "Judas" entra na política...ou será Shakespeare?


Parece que a nossa classe política rapidamente se esqueceu do significado das eleições de domingo e, ajudada por uma comunicação social sedenta de “sangue”, voltou para o seu mundinho de intriguinhas rasteiras, longe da “populaça”.

Só assim se percebe o silêncio do Presidente da República, as afirmações demenciais do primeiro-ministro e a euforia do líder do PS.

Em democracia ganha quem…fica à frente, nem que seja por um voto…e quem ganhou foi o PS….venceu….mas não convenceu.

Parece que Coelho ficou contente com o resultado, apenas porque a fraca prestação do partido vencedor disfarçou  a abada da coligação governamental.

Se o PS, o partido de facto vencedor, apenas convenceu pouco mais de 10%  eleitorado, o PSD nem essa percentagem conseguiu convencer .

Essa abada seria mais visível se abstenção fosse menos.

Assim, até às legislativas, o PSD pode viver na ilusão de que até teve um resultado positivo, mesmo que mais de 90 dos eleitores se tivesse recusado a votar nos candidatos do governo…

Claro que, mais uma vez, a abstenção faz o jogo dos partidos responsáveis pela crise, pois permite que se obtenha uma vitória com pouco mais de 10  % dos eleitores e que o governo fique “perto” do principal partido da oposição, dando-lhe argumentos para continuar com a sua política de austeridade…afinal as pessoas “não estão assim tão descontentes” com as medidas do governo.
A indiferença geral em relação à democracia vai dando argumentos aos que defendem mais austeridade e mais autoritarismo e  desrespeito pela Constituição.

Pessoalmente não conheço outro modo de, em democracia, alterar a situação a não ser votando.
As pessoas estão descontentes como os políticos? Então mexam-se e actuem, nos sindicatos, dentro dos partidos, assinando petições, manifestando-se e…votando.

E não se podem queixar de falta de alternativas. Da esquerda radical, à extrema-direita, nestas eleições houve gosto para tudo, até para os meros partidos de protesto ou de causas. E há ainda a possibilidade do voto em branco.

Mas, voltando à questão inicial, assim que se conheceram os resultados, sendo notório que o PS não se conseguiu deslocar suficientemente da aliança governamental, a comunicação social, principalmente a televisiva que, aliás, prestou um mau serviço no próprio dia, ao substituir o jornalismo independente e o comentário de especialistas pelo debate esmagadoramente dominado por comentadores-militantes  dos partidos do “arco do poder”, sem o mínimo de respeito por uma opinião plural e independente, lançou-se na caça “às bruxas”, ou seja, na caça a António José Seguro…

Não deixa de ser curioso que António José Seguro, desde que lidera o partido, venceu todas as eleições a que concorreu, mesmo que não tenha sido de uma forma esmagadora. A razão para não obter vitórias esmagadoras deve-se, por um lado, à grande influência da propaganda governamental-austeritária junto da comunicação social (lei-se..televisão!), por outro à lembrança do que foi o governo de José Sócrates.

Contudo, Seguro foi, dentro do PS, dos poucos que, de forma inequívoca e coerente, enfrentou José Sócrates, ao contrário de António Costa, que andou sempre na corda bamba do “Nim” em relação a Sócrates.

Alguém comentava num fórum radiofónico que, se Costa age desta forma traiçoeira em relação a um amigo, Seguro, o que é que ele fará em relação aos cidadãos que pretende governar.
De facto na política não existem amigos nem lealdade. Esta forma de actuar é de facto um mau começo para a caminhada de Costa par o poder.

Claro que as intensões de Costa não apanham de surpresa que segue os seus comentário na televisão, sempre numa posição cautelosa e esguia, não se comprometendo com a defesa de posições firmes de condenação das medidas governamentais .

Além disso é bom não esquecer que, desde há muito, Costa é o homem de confiança, dentro do PS, da “máfia” do Clube Bilderberg (que aliás se vai reunir semi-secretamente no próximo dia 1 de Junho). Recorde-se já agora que o homem de confiança no PSD do grupo secreto que decide a política mundial é Rui Rio…

E já agora, alguém conhece as ideias de Costa para mudar a situação do país? Como é que vai enfrentar a Europa austeritária? Como pretende combater o desemprego jovem e de longa duração? Que propostas tem para baixar os impostos? Como vai combater o aumento da desigualdade? como vai respeitar os direitos laborais e a Constituição? Que ideias tem para combater a política de salários baixos? Como pretende combater a influência do poder financeiro?...

Costa pode garantir o poder, de forma mais rápida que Seguro, mas …o que interessa para o comum dos cidadãos o poder pelo poder?... só se for  os “boys” do PS.

Ao contrário de Seguro, Costa é um bom demagogo, com uma boa presença televisiva, bem aparentado, mas resta saber se não passa de mais um produto publicitário impingido pela televisão.

É bom recordar que, aqui há uns anos, um responsável por uma televisão se gabava de conseguir, através desse órgão de comunicação, “vender” políticos como vendia sabonetes.

Já tivemos a experiência de dois políticos “vendidos” pela imagem televisiva que vendiam: Santana Lopes e José Sócrates….arriscamo-nos agora a que nos venda mais um…

O que está em causa não são as pessoas. São as politicas. Enquanto as pessoas não se capacitarem disto o país continua entregue aos “pipis” do costume que só velam pelos seus interesses pessoais e pelo dos “amigos”  e a democracia aproxima-se perigosamente do seu colapso….

Quem se deve estar a rir com isto tudo devem ser Paulo Portas, Passos Coelho, Cavaco Silva e Durão Barroso…

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