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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A máscara no Carnaval de Torres - 3





A máscara no Carnaval de Torres - 2





A máscara no Carnaval

O uso de máscaras é um dos elementos mais característicos do Carnaval. As máscaras tradicionais eram feitas de vários materiais, tais como a madeira, o couro, a lata, a cortiça, o cartão, materiais recentemente substituídos pelo plástico ou pela fibra de vidro.
Contudo, um mascarado não se esgota no disfarce do rosto, antes completa-se com um traje, mais ou menos adequado.
A notícia mais antiga sobre o uso de máscaras carnavalescas em Portugal data de um alvará de 20 de agosto de 1649, que proibia ”andar a pé pelas ruas, embuçado, com chapéu ou sem ele e assistir com bioco nas igrejas”. Diz-se que esse costume seria mais antigo, pois rezam as crónicas que D. JoãoII teria comparecido ao casamento do filho mascarado.Com a Inquisição, usar máscaras tornou-se uma heresia e atirou muita gente para a fogueira. Só nos finais do séc. XVIII as máscaras voltaram a fazer a sua aparição, principalmente nos majestosos bailes da corte absolutista de D. João V.
Uma das mais famosas máscaras do carnaval português foi o “Xéxé", surgido em Lisboa, após a vitória liberal, cuja máscara ridicularizava os miguelistas, também conhecido por “peralta”, ”salsa” ou “pisa-flores”, o “xéxé” envergava, invariavelmente, uma casaca de muitas cores, sapato de fivela, cabeleira de estopa, punhos de renda e um imenso chapéu bicorne com uma inscrição mais ou menos obscena. Usava, além disto, um bastão rematado por um chavelho, uma faca enorme e uma luneta”.

A máscara no Carnaval de Torres - 1





domingo, 15 de fevereiro de 2009

Torres-García e Vieira da Silva


Por pouco perdia a exposição “A Intuição e a Estrutura de Torres-García a Viera da Silva, 1929-1949” que esteve até hoje no Museu Berardo, pois só ontem, dia 14, a consegui visitar.
Esta exposição colocou em confronto dois dos mais importantes pintores influenciados pelo vanguardismo parisiense da primeira metade do Século e que nutriam uma grande admiração pelos trabalhos respectivos.
Vieira da Silva e o uruguaio Torres-García nunca se conheceram pessoalmente, mas trocaram correspondência sobre os trabalhos que ambos desenvolveram, onde se cruzam influências do cubismo, do abstraccionismo geométrico e do expressionismo abstracto, e, em menor grau do surrealismo, embora cada uma apresente marcas individuais muito próprias.
Uma das características comuns de ambos os pintores foi a independência face às várias correntes vanguardistas da época, aproveitando os caminhos que elas apontavam, mas sem perder a originalidade das suas propostas pictóricas.
Outra característica comum foi a temática dos espaços urbanos e a manutenção de elementos figurativos entre os abstractos.
Vieira da Silva (1908-1992) e Torres-García (1874-1949) pertenciam a gerações diferentes, sendo este mais velho do que ela 34 anos. Vieira da Silva descrevia o mundo de Torres-García como “um mundo severo e alegre; um mundo onde eu entrei em 1929 e onde ainda hoje continuo a morar”.
Nesta exposição tivemos a possibilidade de conhecer muitas obras de Vieira da Silva que estão em França, nomeadamente no Centro Pompidou.
Esta foi a terceira grande exposição de Vieira da Silva que pude visitar, e de cada vez saio extasiado pela criatividade da artista a quem Salazar recusou a nacionalidade portuguesa.
A primeira grande exposição vi-a em Pontevedra, há vários anos, numa das muitas viagens que fiz à Galiza. Incluía essa exposição os seus quadros de maiores dimensões e a maior parte deles, propriedade dos irmãos Brito, nunca os voltei a ver expostos.
A segunda foi no Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva, uma das mais completas sobre a pintora portuguesa, num dos meus museus preferidos de Lisboa.
Cada vez que visitamos a obra de Vieira da Silva é um mundo sempre renovado que se abre à nossa frente.
Ficamos a aguardar a próxima exposição retrospectiva.

Recordando o Holocausto

Completa hoje cem anos de vida a holandesa Miep Gies.
Para a maior parte das pessoas este nome talvez não diga nada.
Mas ela foi uma das mulheres mais corajosa do século XX, ao ajudar Anne Frank, esta sim conhecida, e a sua família no esconderijo onde estes se refugiaram em Amesterdão, durante a ocupação nazi.
Já passaram muitos anos desde que li os diários de Anne Frank. Nestes tempos de revisionismo histórico, é urgente a sua releitura. Em Israel também devia ser lido, para que a história não se repita, desta vez com os palestinianos com vítimas.
Conforme se lê na notícia que o Público dedica ao evento, àqueles que negam o Holocausto Miep Gies respondeu apenas que, a “4 de Agosto de 1944, às nove da manhã, encontrei uma jovem e forte menina de 15 anos, Anne Frank. A coisa que vi a seguir foi o seu nome numa lista alemã numa carruagem de gado para Auschwitz” .

A Democracia que Dita que Dura...

Confesso que, inicialmente, até senti alguma admiração pelo homem, pela coragem com que enfrentou o poder norte-americano na América Latina e por ter iniciado, por via democrática, uma profunda transformação política nesse sub-continente que o levou a uma progressiva independência face ao neo-colonialismo a que o vizinho do norte o submeteu ao longo de quase dois séculos.
Contudo, o excesso de populismo e alguns desvarios da sua actuação política recente, levaram-me a um crescente afastamento dessa figura incontornável da América Latina dos nossos dias que é Hugo Chávez.
O povo Venezuelano vota hoje, em referendo, a possibilidade desse dirigente se perpetuar no poder por tempo indeterminado.
Mesmo que esta decisão venha a ser legitimada nas urnas, coloca em causa uma das mais velhas democracias daquele continente, mostrando, mais uma vez, que nem tudo o que é decidido por voto democrático é legítimo.
Continuo sem perceber o apego ao poder de certas personagens. Para mim a política não devia ser uma carreira, mas um serviço limitado no tempo.
Por coincidência, por cá, hoje é dia de outra figura que está a transformar a democracia numa caricatura, José Sócrates, ser reconduzido, sem opositores internos, na liderança do PS, num escrutínio à norte-coreana.
Tristes tempos para a democracia!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Noite de Tindersticks

Nesta Noite de Sexta-feira 13, dominou a magia dos 7 Tindersticks.
A voz inconfudivelmente misteriosa de Stuart Steples, navega numa órbita entre a força irreverente de Nick Cave e a poesia amargo e doce de Leonard Cohen.
Procurem mais em www.tindersticks.co.uk.

Assim se vê a razão dos "professorzecos"

Num inquérito sobre o grau de confiança que os europeus depositam nas mais variadas profissões, o “European Trust Brand 2009” (http://www.rdtrustedbrands.com/trusted-brands/results/tables/community.shtml), cujos resultados foram hoje divulgados na imprensa, 78% dos inquiridos em Portugal têm uma opinião favorável em relação aos seus professores.
À sua frente estão os Bombeiros (93% de opiniões favoráveis), os Pilotos de Aviação (92%), os Farmacêuticos (90%), os Enfermeiros (87%), os Médicos (84%), e os Agricultores (79%).
A seguir aos professores, mas ainda com opinião favorável, estão os Polícias (63%) e os Meteorologistas (59%).
No lado oposto desta tabela, com uma opinião maioritariamente desfavorável, estão os Sacerdotes (merecem a confiança de 49% dos portugueses), os Jornalistas ( apenas apoiados por 34% dos inquiridos), os Juízes (33%), os Advogados (23%), os Sindicalistas (16%), os futebolistas (14%), os Vendedores de Automóveis (9%) e os Políticos (1%).
Com a excepção dos sindicalistas, não deixa de ser relevante que algumas das actividades que têm sido mais maltratada por jornalistas comentadores e pelos políticos que nos governam, são aquelas que mais confiança merecem dos portugueses.
O caso dos professores é sintomático. Após quase quatro anos de uma verdadeira “campanha negra” contra a sua profissão, confirma-se aquilo que outros inquéritos do mesmo tipo, feitos nos últimos anos, revelam : continua a ser uma das profissões na qual os portugueses mais confiam. Vão ser preciso mais quatro anos de “socratismo” e de “mariadelurdesrodriguismo” para alterar essa situação.
Valendo estes inquéritos o que valem, estou com curiosidade de ler os comentários dos jornalistas Fernando Madrinha,  Miguel Sousa Tavares e Emídio Rangel, bem como do advogado José Miguel Judice, sobre este o assunto.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Homenagem a Darwin





...Em Busca de Darwin.


O bicentenário do nascimento de Charles Darwin que se comemora hoje, inspira-me, a mim que não sou da área das ditas ciências naturais, algumas reflexões .
A sua imensa curiosidade pelo mundo que o rodeava, é um dos primeiros temas para reflectir. Sem curiosidade e sem paixão pelo que se investiga, duvido muito que, por muitos cursos que se frequentem ou diplomas que se coleccionem, se consiga passar da mediania. As nossas escolas e o nosso ensino, aliás, são construídas para a mediania ou mesmo para nivelar pela mediocridade, como parece ser o caso actual.
A situação não seria muito diferente no tempo de Darwin, pois este não passou de um aluno medíocre, um pouco à imagem do que aconteceu, um século depois, com esse vulto do pensamento científico do Século XX, Albert Einstein.
A escola, ontem como hoje, não está preparada para aguçar a curiosidade de quem saia da norma.
A organização dos horários, dos programas, dos exames, a valorização das médias estatísticas e dos ranckings ou a panaceia tecnológica do discurso oficial sobre o ensino, apelam para tudo, menos para o desenvolvimento do espírito crítico e criativo ou da curiosidade científica. Darwin não sobreviveria no actual sistema de ensino.
Recordo-mo de, nos primeiros anos de liceu, visitar os campos das redondezas para recolher plantas nas aulas de Ciências do professor Semedo Touco ou visitar os monumentos do concelho, durante as aulas de Religião e Moral do Padre Joaquim, eu que nem era crente. A estes passeios, muito fiquei a dever o gosto pela natureza e pelo património. Contudo estes casos eram excepção.
Hoje, qualquer professor que queira sair com os seus alunos do espaço de uma sala de aula para uma visita de estudo, sujeita-se a uma imensidão de trabalhos, desde a reorganização do seu horário, ao preenchimento de um sem fim de relatórios e autorizações e, no final, à má-criação generalizada dos alunos que revelam, na maior parte dos casos, uma grande falta de curiosidade pelo conhecimento, ou por algo que vá para além do seu telemóvel ou do “futebolês” .
Qual seria o jovem cientista dos nossos dias que se proporia a fazer uma volta ao mundo durante cinco anos, sujeitando-se às mais duras condições de sobrevivência, como o fez Darwin em 1836, com 22 anos, a bordo do navio da Real Marinha Britânica HMS Beagle?
E quem seria o jovem cientista que, sem se preocupar com o êxito fácil imediato e mediático, se submeteria a esperar quase mais vinte anos para publicar a sua obra fundamental e desafiar os dogmas estabelecidos?
É esse espírito de aventura, de curiosidade e de paixão permanente pelo conhecimento que é, quanto a mim, o grande exemplo da vida de Darwin.
Continuemos a buscar o Darwin que há em nós.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A Igreja, o PS, e o casamento gay

Para o bem e para o mal, a Igreja Portuguesa e o PCP têm muita coisa em comum.
Ambas as instituições são fundamentais na sociedade portuguesa, pois são as únicas que defendem sincera e consequentemente os pobres e desvalidos da nossa sociedade de consumo e as únicas que respeitam quem trabalha.
São as únicas que em Portugal, de forma coerente, criticam o capitalismo selvagem e neo-liberal que desgraça este país.
Contudo, embora a Igreja Portuguesa tenha conhecido, nos últimos anos, uma significativa evolução no seu discurso social e político, tanto a Igreja como o PCP enfermam do mesmo defeito. Continuam agarrados a velhos dogmas que a história se encarregou de enterrar.
Vem isto a propósito da mais recente manifestação da hierarquia da Igreja em relação à proposta de casamentos homossexuais.
Estamos de acordo que a proposta do PS é pura propaganda eleitoral, puro oportunismo político, eivado até de um certo cinismo.
Diz a Igreja, e com razão, que esta proposta visa apenas desviar a atenção de outros problemas mais importantes para o país.Mas da forma como o está a fazer acaba por contribuir para desviar mesmo a atenção do essencial.
Não devia ser a Igreja a primeira a dar o exemplo, tomando posição sobre os verdadeiros problemas que interessam à sociedade, tais como as discriminações de todo o tipo, a selvajaria capitalista e neo-liberal ou a defesa do nosso ambiente e da do nosso património?
E já agora, sobre a pretensa superioridade moral do casamento tradicional, a própria Igreja deve saber o que se passa em termos de violência conjugal, de violência sobre menores ou de abandono das suas responsabilidades em relação à educação dos seus filhos, por parte de muitas "famílias tradicionais".
A única satisfação de toda esta situação é ver o PS ainda mais desorientado, agora que tem pela frente mais uma "inimigo".

o respigo da semana - 1

A partir desta semana damos início a uma nova secção neste blog, dedicada à divulgação semanal daquele que consideramos o melhor texto da semana.

O texto que seleccionámos esta semana é da autoria do jornalista Mário Crespo e foi publicado no Jornal de Notícias.

Agradeço à minha amiga Gulhermina Pacheco que me chamou a atenção para o mesmo:




Está bem... façamos de conta


Jornal de Notícias , 2009-02-09



"Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos".

"murais" de Torres Vedras





"murais" de Torres Vedras






segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Calma!...é só campanha eleitoral!


Porque será que todas as propostas feitas por José Sócrates, de algum tempo a esta parte, me soam tanto a falso?
Esta de “obrigar” os “ricos” a pagar a crise, através de alterações nas deduções do IRS, para além de cheirar a mofo, parece puro oportunismo eleitoralista.
Em primeiro lugar, como se tem visto noutras estapafúrdias propostas “esquerdistas” que Sócrates vai fazendo nos últimos tempos, a montanha vai parir um rato, até porque o efeito de qualquer medida neste sentido só terá repercussões lá para meados de 2011.
Depois, porque desconfio da noção de “riqueza” deste governo, sempre baseado em discutíveis estudos encomendados a conhecidos peritos à OCDE. Foi assim que, manipulando estatísticas, andaram a lançar à opinião pública a ideia de que os professores portugueses eram os mais bem pagos da Europa !!!
Quando as médias salariais indicadas por vários profissionais liberais, como a dos advogados, pouco ultrapassam o nível da indigência, comparativamente como os “altos” salários dos médicos, professores e quadros técnicos da função pública, está-se mesmo a ver quem são os “ricos” de José Sócrates.
Se houvesse de facto alguma vontade de moralizar o fisco, bastava permitir que todos os contribuintes pudessem deduzir no IRS uma percentagem do IVA que cada cidadão paga durante o ano, desde aquele que é pago no depósito de gasolina, àquele que é pago ao canalizador ou ao advogado.
Então talvez houvesse alguma justiça, se impedisse a fuga ao fisco e se pudesse ter a dimensão real de quem é a classe média e de quem são os ricos.
Assim, com a seriedade que vai faltando pelos lados de quem nos governa, talvez uma medida como a preconizada por José Sócrates fizesse algum sentido.
Não sendo assim, é caso para afirmar… para esse peditório já dei!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Um Partido quase de "esquerda", quase "moderno", quase "não radical"

Consta que num comício do PS, realizado ontem em Coimbra, o nosso venerável primeiro definiu o PS com um partido de "esquerda, moderno e não radical".
Que o dirigente máximo desse partido tenha de vir a público reafirmar que o PS é de esquerda, é já um bom sinal da desorientação ideológica que reina por aqueles lados.
De facto, todas as sondagens indicam que o PS se mantem em vantagem, mas à custa do eleitorado de direita que, cada vez mais, se identifica com as políticas de Sócrates.
Será de esquerda um partido que toma medidas sociais gravosas contra quem trabalha, passa a vida a malhar nos sindicatos e se pavoneia de braço dado com banqueiros e patrões e adora dirigentes do futebol ?
E, já agora, o que quer dizer com ser "moderno"? Não vivemos todos na modernidade? Este é um dos adjectivos mais vazios que pode ser utilizado, revelador até de uma atitude provinciana. A não ser que se esteja a referir aos tiques "socráticos" do estafado discurso do políticamente correcto, ou à aceitação, no seu programa eleitoral, do casamento gay. Mas esta questão só pode passar por fracturante ou "moderna" num país ideológicamente atrasado. Esta questão não levante qualquer objecção, da esquerda à direita, ou mesmo à extrema-direita, na Europa "moderna" (vejam-se recentes casos de políticos assumidamente homossexuais na Holanda ou na Inglaterra). Se quisessem ser "modernos" tinham resolvido essa situação nesta legislatura.
Por último, quanto ao não radicalismo do PS, este "valor" cai pela base cada vez que discursa Augusto Santos Silva, Maria de Lurdes Rodrigues ou o próprio Sócrates... para além de revelar uma grande confusão entre ser radical, isto é, ir à raíz dos problemas, e ser extremista.
De facto a confusão reina por aqueles lados

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Centenários 3- Por encostas e ladeiras - ascensores e elevadores de Lisboa

O Ascensor da Estrela, baptizado de "maxumbombo".


Na sua edição de 8 de Fevereiro de 1909, a “Ilustração Portuguesa” publicava uma reportagem intitulada “Por Encostas e Ladeiras”, acompanhada por vários “clichés” da autoria do célebre fotógrafo português Joshua Benoliel.
No texto fazia-se o elogio dos elevadores e ascensores de Lisboa que libertaram os lisboetas, “das exhaustivas ascensões” a que, antes deles, se viam “constrangidos a realisar cada dia para ir de um ponto a outro da sua cidade de encostas, ladeiras e outeiros”.
Recordava o articulista o custo de “subir essas calçadas onde se estabeleceram os três primeiros elevadores de Lisboa: - o Lavra, a Glória e a Bica! Chegava um homem ao cimo, a maior parte das vezes em estado tão lastimoso que podia dar baixa ao hospital”.
A mesma reportagem refere a decadência deste meio de transporte provocada, quer pelo excesso de elevadores construídos (“não houve elevação da cidade que não fosse atacada por um ascensor”), quer pelo aparecimento dos “eléctricos”, razões pelas quais se previa, a prazo, “que os elevadores, os velhos amigos dos cardíacos, se vão, e por isso não podíamos deixar de dirigir-lhe uma saudosa despedida, mais commovida pelas recordações de bom tempo distante em que elles nasceram”.

Centenários 3- Por encostas e ladeiras - ascensores e elevadores de Lisboa

O ascensor da Bica

O ascensor da Estrela, com reboque.

O Elevador de Stª Justa, um dos ex-libris de Lisboa

Centenários 3- Por encostas e ladeiras - ascensores e elevadores de Lisboa

O elevador de S. Julião, ou "da Biblioteca". No ano anterior tinha servido de ponto de encontro dos conspiradores da conspiração republicana de 28 de Janeiro de 1908, contra a ditadura de João Franco e que culminou no regícidio.


O Ascensor da calçada do Lavra, no Largo da Anunciada



O Ascensor da Graça, no seu ponto de partida, situado no Largo Fernandes da Fonseca

O primeiro ascensor a ser estabelecido em Lisboa,o da calçada da Glória


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Os Bonecos do Antero


O Antero Valério nasceu aqui em Torres Vedras, nos idos de 25 de Abril de 1960.Pessoalmente, tive o privilégio de privar desde os meus tempos do liceu com a sua amizade, que se mantém até hoje.Na altura, aí por volta de 1972, dirigi um dos primeiros fanzines de Banda Desenhada editados em Portugal, "O Impulso". Foi então que conheci o Antero que se tornou, desde a primeira hora, um dos membros permanentes da equipa desse fanzine.
Dos cerca de 10 membros dessa equipa ele acabou por ser o único a enveredar pelas artes visuais.
Tendo tirado o curso de Belas Artes, lecciona actualmente numa escola nos arredores de Lisboa. Artisticamente tem-se revelado na Pintura e na Banda Desenhada .
Colaborador habitual do “Barrete”, uma publicação humorística independente do Carnaval de Torres, publicada anualmente, o Antero tem participado em vários projectos editoriais, como ilustrador e gráfico.
É dele o painel de azulejos do terminal rodoviário de Torres Vedras, alusivo ao Carnaval de Torres.
Contudo, foi o seu blog “Anterozóide” que o projectou a nível nacional, graças ao humor dos cartoons aí publicados, que têm como temática a actual política educativa. Não há escola neste país que não tenha nos seus placards os bonecos do Antero.
Recentemente o Antero Valério reuniu alguns dos seu melhore bonecos no livro, por si editado, com o título “Como Se Tornar um Docentezeco” que pode ser adquirido através do seu blog ou nalgumas livrarias do país.
Reúnem -se aí algumas das sátiras mais corrosivas sobre os disparates da actual equipa do Ministério da Educação. Na brincadeira já lhe têm dito que o único defeito dos seus bonecos reside no facto de conseguir humanizar uma figura como a Ministra da Educação…
O único motivo que nos pode levar a desejar uma longa vida para esta equipa ministerial (lagarto! lagarto! lagarto!) é que continue a inspirar os bonecos do Antero.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

BD - 30 anos do Rei Minimus - 3





A Verdadeira "Campanha Negra"

A verdadeira Campanha Negra é aquela que se está a assistir de, a reboque da grave crise económico-financeira que o mundo atravessa, se procurar atacar os direitos de quem trabalha.
O discurso que se começa a generalizar, vindo dos comentadores do costume (os que, ainda não há muito tempo, defendiam a política de Bush ou, internamente, as medidas deste governo no sector da educação), procura defender a ideia de que, manter o trabalho, nos dias que correm, é uma espécie de privilégio.
Logo, justificar-se-ia o abandono do chamado “modelo social europeu” como forma de garantir o emprego. Este seria uma espécie de dádiva, pois “mais vale ter algum rendimento, mesmo sem direitos, do que viver dos subsídios estatais”.
De facto, a nível mundial, por parte dos mesmos dirigentes políticos, ideólogos e economistas que levaram o mundo à situação actual, parece que, com o pretexto da crise, provocada pelo progressivo empobrecimento da classe média e pela ganância especulativa de uns poucos, se procura justificar uma rápida descapitalização do trabalho, com o objectivo de, assentando na aceitação do trabalho precário e/ou sem direitos, se conseguir um novo relançamento da economia, com o regresso aos lucros chorudos dos últimos anos.
Com essa gente, os mesmos de sempre, a liderar a política, a opinião e a economia, este grave momento para a humanidade não chegará a bom porto, sem graves convulsões políticas e sociais.
Como se viu em Davos, essa gente, humanamente pouco recomendável, não aprendeu nada, não deixando de ser sintomático que a única medida concreta, saída desse encontro, fosse a defesa da manutenção do falhado ”comércio livre”, cuja expansão desregrada teve os graves custos que estão à vista.
O tal “comércio livre” que eles defendem, só foi possível através do dumping social que acentuou desigualdades, entre regiões e, transversalmente, no interior de cada país .
Fazem lembrar aqueles velhos e patéticos dirigentes soviéticos que continuavam a defender o indefensável, já depois do muro ter ruído.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Cem Anos de Publicidade Portuguesa - 2






Continuamos hoje a divulgar anúncios publicitários publicados na "Ilustração Portuguesa" em 1909.