quarta-feira, 7 de junho de 2017

Obviamente... Corbyn!!!


Por cá e por lá, Corbyn tem sido o bombo da festa dos comentadores do costume, os tais que se babam todos quando se recordam de Blair, um político (vai-se sabendo cada dia que passa) corrupto , que aprofundou o trabalhinho de destruição social iniciado por Thatcher na Grã-Bretanha e foi um dos “rostos do mal”  que conduziu a Europa e o Mundo à situação actual de grande instabilidade e injustiça social.

Dizem os tais que Corbayn é “passado”, é “radical” e é contra a mítica “globalização”.

Para essa gente, ser “passado” e “radical” é defender coisas tão simples como o direito à saúde, o direito à educação, o direito a uma vida digna para quem trabalha, tudo direitos humanos, consignados na Carta dos Direitos Humanos e Universais, com tanto peso como o direito a escolher quem nos governa ou ter liberdade, pois a humanidade é um todo, não uma leitura parcial, conforme as interpretações e as conveniências politicas, financeira ou ideológicas de certos comentadores.

Passado é voltar a um século XIX sem direitos socias, de profundas desigualdades socias e económicas, de uma democracia mitigada e parcial, que é o que defende essa gente.

Radical é lançar na miséria, na desesperança, na instabilidade, na guerra, é tirar um futuro digno às novas e às velhas gerações, que é o que o sistema neoliberal que está na base de tão “abalizadas” opiniões propõe.

E, já agora, o simples facto de essas opiniões serem dominantes entre o mundo dos nossos comentadores e políticos é já a prova da falta de liberdade que existe no seio da nossa comunicação social, que só consegue existir porque tem atrás de si o mesmo poder financeiro que defende com unhas e dentes e apenas admite o contraditório em minoria, para disfarçar a falta de liberdade.

E já agora, sobre a mítica “globalização”, que leva muitas vezes à frase idiota de que “o mundo mudou” (!!!!!....mas...não está sempre a mudar, desde a pré-história???....), ela sempre existiu na história da humanidade, com esse ou outro nome (“mundialização”, “colonização”, “descoberta”, “migração”…) , foi sempre o rumo da história humana, mas a sua construção e irreversibilidade não foi isenta de actos de desumanidade e de destruição . Defender a humanização da “globalização” não me parece que seja um acto de “lesa-globalização”.

A irreversibilidade da “globalização” é evidente desde que os homens existem, e lutar pela sua humanização não me parece uma atitude “conservadora”, “passadista” ou “radical”.

Claro que essa gente defende um único caminho para a globalização, o da globalização dos “mercados” e dos “capitais” do “mundo financeiro”. A globalização da democracia social, da liberdade cultural e das gentes (como se vê pelo modo como a “Europa” tem tratado o problema da emigração e dos refugiados) não cabe nessa “globalização”.

Essa idéia de globalização, defendida por essa gente, essa sim, parece-me profundamente retrógrada, conservadora, desumana e, cada vez mais, antidemocrática.

Por isso, é necessário recuperar as preocupações socias e humanistas que construíram a Europa com a qual todos sonhámos e que foi construída por “trabalhistas” e “socialistas”, antes da deriva “Blairista” ( e, já agora, por cá, … “socrática”…).

Essa Europa não é “passado” e defende-la não é “radical” e por isso lideres que rompem com a deriva neoliberal blairista são sempre bem-vindos.

Obviamente, se fossemos ingleses, votaríamos Corbayn.

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