sexta-feira, 16 de junho de 2017

O triste caso da Agência Europeia do Medicamento: Portugal no seu pior!!!



O clima de optimismo que se vive em Portugal desde há dois anos, parece estar agora a ser manchado pelo triste caso da escolha da sede para a Agência Europeia do Medicamento.

O clima de optimismo deve-se à conjugação de vários factores, potenciados pelo actual governo e pela situação que se vive na Europa.

Em primeiro lugar estes dois últimos anos provaram que é possível rigor financeiro sem “austeritarismo” e sem aumentar os impostos sobre os cidadãos cumpridores e que é possível fazer reformas sem usar o eufemismo das “reformas estruturais” (leia-se : “cortes nos salários e pensões” , “destruição de direitos socias”, “privatizações aos desbarato de sectores fundamentais para a economia nacional”, “resgate de bancos falidos por irresponsabilidade e corrução das suas lideranças”, “destruição do Estado Social “…).

O clima de paz social que se vive actualmente, ao qual se juntam feitos em áreas como o desporto, a arte, a cultura e a ciência, bem como as condições de segurança interna que fazem de Portugal um paraíso para o sector do Turismo, tem-se combinado com as medidas de rigor alternativas aos “austeritarismo” troikista e têm contribuído para o actual clima de optimismo.

Contudo, todo esse clima foi agora manchado pelo triste caso da Agência Europeia de Medicamentos.

Claro que concordo que existe demasiado centralismo em Lisboa, mas estou à vontade porque sempre fui um defensor acérrimo da regionalização.

Infelizmente, muito por culpa da falta de coragem de alguns políticos e da alguns “jornalistas” (com Miguel Sousa Tavares à cabeça, é bom de recordar) o debate que se fez sobre o tema e o referendo que se seguiu ficou viciado pelo clima “futebolístico” em que se transformou o debate, levando à derrota desse medida necessária e cujo adiamento, quanto a mim, é o principal responsável por graves problemas estruturais do país.

Alguns desses anti-regionalistas são os mesmos que agora criticam a localização que é defendida pelo governo para sede da agência.

Por isso não deixa de ser curiosa a forma como agora se discute a localização de uma agência europeia em Lisboa, num momento em que a sua localização em Portugal não é garantida, e está já perdida pela forma como o debate foi lançado, por uns por puro oportunismo político (temos eleições autárquicas à porta), por outros por mera irresponsabilidade política (como a bancada do PSD no parlamento europeu, seguida por outros partidos).

“Esqueceram-se” todos que a questão foi debatida há mais de um mês no Parlamento, altura em que deviam levantar a questão e que todos os partidos políticos aprovaram, por unanimidade, no passado dia 11 de Maio, a candidatura da cidade de Lisboa para sede daquela agência proposta pela bancada do PS.

Claro que tudo isto dá uma má imagem das elites políticas portuguesas e vai contribuir para a derrota da candidatura de Lisboa.

Para a actual liderança do PSD isso é o que menos interessa, pois qualquer derrota de Portugal alimenta a esperança de ela  regressar ao poder.
 

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