terça-feira, 13 de junho de 2017

O espanto de alguns Jornalistas/comentadores perante o nosso mundo "imprevisivel".


Espanta-me que jornalistas/comentadores (ou vice-versa…) , informados e esclarecidos, alguns com uma longa experiência de vida, se espantem com a imprevisibilidade do momento presente que resultou das políticas “austeritárias” da última década.

Espanta-me que muitos desses jornalistas/comentadores, grandes entusiastas das políticas de “ajustamento” e das “reformas estruturais”, se espantem com a imprevisibilidade das opções políticas e eleitorais dos cidadãos europeus e norte-americanos confrontados com o resultado dessas mesmas políticas.

Espanta-me ainda que os mesmos jornalistas/comentadores, confundam o legitimo desejo dos cidadãos por políticas mais justas, do ponto de vista social, em defesa dos direitos socias consignados na já velhinha, mas pouco cumprida, Cartas dos Direitos Humanos ou em documentos da própria União Europeia, seja confundido com o “populismo” da extrema-direita, pondo no mesmo saco Le Pen e Melanchón, Trump e Sanders, Farage e Corbyn…

Para esses jornalistas/comentadores a defesa dos direitos socias, da dignidade no trabalho, da melhoria das condições de vida das populações, de um Estado Social que garanta uma educação, um sistema de saúde, uma habitação condigna para todos os cidadãos, de combate às desigualdades económicas e socias, é tudo metido no mesmo saco do “radicalismo”, do “extremismo”, do “populismo”, do “conservadorismo”.

Para esses jornalistas/comentadores a defesa de um simples programa social-democrata é sinónimo de “passado” e “anti-globalização”….enfim…”populismo”!!!!

Bastava lerem ou estudarem a história dos anos 10, 20 e 30 do século passado para não se sentirem tão espantados perante a “imprevisível” realidade actual.

Como acredito que até leram, e como não acredito que esses jornalistas/comentadores exprimam as suas opiniões por ignorância, então só posso atribuir tais opiniões ou a  má-fé e  preconceito ideológico, ou à sua  dependência profissional e  financeira de quem controla os órgão de informação, que é o mesmo poder financeiro que tem beneficiado com as  políticas de “ajustamento” e as “reformas estruturais” que eles tanto defendem e  que têm conduzido a Europa e os Estados Unidos à actual situação de “imprevisibilidade” que tanto os atormenta.

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