domingo, 17 de junho de 2012

RECORDAR RAUL NERY: Guitarrada - Lisboa Entardecer - Raul Nery e Joaquim do Vale

AS PALVRAS DE RUI VIEIRA NERY.

"Não há muito a dizer sobre o meu Pai que não seja por demais sabido de todos os que o conheceram, o admiraram e o estimaram - e foram tantos ao longo dos seus noventa e um anos de vida e mais de oitenta de carreira! Por isso mesmo a minha Irmã e eu tenhamos sido, ao longo destes dois últimos dias tão tristes, inundados de carinho, a um ponto que nunca poderíamos agradecer devidamente.

"O meu Pai era um bem-amado. Viveu sempre cercado de afecto e de admiração, e talvez por isso esteve sempre de bem com a vida, mesmo nos momentos mais difíceis dos últimos anos.

"Como músico, foi por certo um dos grandes intérpretes de sempre da guitarra portuguesa e um dos mais extraordinários acompanhadores de Fado de todos os tempos. Como engenheiro, a face menos pública da sua carreira, deixou uma imagem de competência, de dedicação e de responsabilidade. Como pessoa era um homem sereno, gentil, afável, com a cortesia natural de um grande Senhor. Como Pai era atento, carinhoso, e estava sempre presente nas nossas vidas, mesmo à distância, como o nosso melhor Amigo. E acima de tudo foi sempre um homem bom.

"Enganou por várias vezes a morte, quando ela parecia, de cada vez, inevitável, até que agora se cansou e se lhe rendeu. Talvez tivesse achado que a homenagem que lhe foi prestada no passado 10 de Junho pelo Presidente da República, em nome de todos os portugueses, era uma boa ocasião para se despedir. Depois, com aquele mesmo sorriso doce que era tão seu, deixou-se mergulhar "suavemente nessa boa noite", como dizia o poeta Dylan Thomas.

"Vai fazer-nos muita falta. Que Deus o acolha e o tenha na sua santa guarda".

Rui Vieira Nery (fonte: Facebook)

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