terça-feira, 22 de maio de 2012

A ALEMANHA A POR-SE A JEITO....


Parece que a Alemanha se está a por a…jeito.

Ao modo pouco edificantes como as suas lideranças ( com a srª Merkel e o seu  tenebroso ministro das finanças  [que parece inspirado no “alemão” do filme “Dr. Estranhoamor” de Kubrik] à cabeça) tem vindo a chantagear a Europa em geral e a Grécia em particular para lhes impor um modelo de austeridade que só vai gerar mais miséria e alimentar os extremismos, junta-se agora a sua imprensa “local” de “referência” como o Der Spiegel.

A Alemanha devia ser a primeira a olhar com alguma humildade para a sua história e saber a diferença entre impor o “Tratado de Versalhes” aos países em dificuldades, em vez do “Plano Marshall”.

A Alemanha e os alemães que legitimam aquele tipo de lideranças, deviam recordar-se de três ou quatro coisas, a saber:

- as suas elites financeiras e empresariais tem maioritariamente raízes na acumulação de capital conseguida com o trabalho escravo dos judeus e dos presos políticos durante o nazismo, situação que foi maioritariamente perdoada no pós guerra, em nome da solidariedade dos vencedores ocidentais para como um país totalmente destruído e que precisava dessas empresas e desses sectores financeiros para recuperar;

- pela mesma razão referida acima, à Alemanha foram perdoadas as indemnizações de guerra devidas pela destruição causada pelos seus exércitos e pelas lideranças nazis em vários países da Europa, entre os quais a  Grécia;

- em nome da solidariedade, em vez de lhe ser imposto um novo “Tratado de Versalhes”, foi-lhe proposto o Plano Marshall, em condições muito vantajosas para a recuperação económica da Alemanha ocidental;

- a Alemanha ocidental foi aceite como fundadora da CEE, permitindo-lhe recuperar o mercado perdido com a guerra e com a criação da RDA, tendo beneficiando do alargamento continuado desse mercado, sem esquecer o papel que os emigrantes oriundos do sul (Itália, Espanha, Portugal..) tiveram na recuperação da economia alemã;

- por ocasião da unificação alemã, mais uma vez, em nome da solidariedade europeia, todos os cidadãos da União Europeia tiveram de contribuir, mais ou menos directamente, para o esforço de recuperação da nova Alemanha, com contenção salarial, com aumento de impostos…;

- a criação do euro, da forma atabalhoada que levou à estagnação e à crise nos países que aderiram a essa moeda,  mais uma vez beneficiou quase exclusivamente o sector financeiro alemão.

Será que os alemães pensam que, a partir de agora, e porque ainda revelam algum crescimento numa Europa em recessão (até quando?), podem fazer o seu caminho sozinhos ou apenas com alguns aliados de circunstância? Se é isso que pensam, então talvez seja tempo para começarem olhar para leste e de se interrogarem se pretendem enfrentar isoladamente, ou com a má vontade da generalidade dos cidadãos europeus, fartos da arrogância alemã, a futura recuperação dos objectivos imperialistas russos [o recente resultado das eleições na Sér via são um forte sinal que a União Europeia está a deixar de ser atractiva para esses povos, surgindo a Rússia com alternativa…].

E já agora, pensam os alemães que as suas industrias e o seu sector financeiro vão conseguir enfrentar sozinhos, com um mercado comum europeu enfraquecido por uma mão-de-obra barata e uma taxa explosiva de desemprego, a concorrência económica agressiva e o dumping social praticado pela China, pela Índia e por outras potências “emergentes”? Acharão por acaso os líderes alemães e os seus “empregados” da Comissão Europeia que a solução para enfrentar esses novos desafios, passa por impor na Europa o “modelo social”(?) chinês ou indiano?

Em vez de andarem a ofender com a arrogância histórica do costume os países e os cidadãos que enfrentam dificuldades, muitas das quais por culpa própria, mas muitas delas provocadas pela imposição do modelo de austeridade alemão, talvez fosse tempo de a sua opinião pública se começar a interrogar sobre muitas das questões acima referidas.

Nós, os europeus não alemães, estamos cada vez mais fartos da vossa arrogância, da vossa má fé e do vosso racismo de pacotilha…

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