quarta-feira, 7 de março de 2012

... SÃO OS "ECONOMISTAS"....ESTÚPIDOS!!!?


Ando farto de economistas, comentários de economia, programas de economia e jornais de economia.


Houve um tempo em que acreditava que o objectivo da economia era dar um bom contributo para melhorar as condições de trabalho, organizar a produção para responder às necessidades da humanidade, redistribuir a riqueza e gerir as actividades humanas no sentido de nos libertar para o lazer, a cultura, o voluntariado, a cidadania, a qualidade de vida…


Claro que essa crença foi uma mera ingenuidade de juventude, confundindo economia com o que tinha aprendido nas áreas de geografia humana e da sociologia. Cheguei mesmo a ponderar a hipótese de ter seguido estudos naquela área.


Cedo me apercebi que aquele não era o destino da economia. Apesar de algumas excepções, apercebi-me que só se dedicava à economia quem queria enriquecer rapidamente, conseguir um bom salário, especular na bolsa, acender a um “tacho” na administração de uma grande empresa ou de um banco, fazer carreira política e garantir, para si e para os seus uma reforma dourada.


Tudo bem . Cada um segue o destino que escolhe.


Tudo bem até ao momento que essas opções começam a colidir com o interesse, o bem-estar e os direitos da maior parte dos cidadãos.


Por isso abomino cada vez mais essa disciplina e os seus mentores, porque, onde devia haver rigor científico, comparando, interpretando e analisando dados estatísticos diversos, essa gente resume as suas intervenções à manipulação de dados macro-estruturais, apresentados em papelinhos coloridos frente a câmaras de televisão para melhor enganar o “Zé papalvo”.


Onde devia haver debate e apresentação de alternativas há uma preocupação em defender um modelo único de desenvolvimento, baseado em discutíveis, e raramente cumpridas previsões.


Onde devia haver uma visão humana do trabalho e da produção, existe a mera defesa de interesses financeiros e especulativos.


Tratando as pessoas como números, e não como pessoas, só trazem ao de cima toda a desumanidade e falta de ética social da disciplina.Se fossem professores só ensinavam e se preocupavam com "bons" alunos, se fossem médicos só atendiam os doentes de carteira recheada, se fossem cirurgiões apenas operavam,como sugeriu uma "eminente" economista, os menores de 70 anos e que dessem garantia de êxito!!!


Claro que não incluo todos os economistas nesse grupo dominante. Mesmo com visões e posicionamentos políticos diferentes, existem economistas que ainda pensam pela sua cabeça, cada vez mais raros, mas fundamentais para a disciplina manter ainda alguma credibilidade:Bagão Félix, Eugénio Rosa, José Reis, Octávio Teixeira e poucos mais.


Paul Krugman, que esteve recentemente em Portugal, criticou fortemente os economistas, afirmando ser para si doloroso “constatar o fracasso da profissão”. Mas o mesmo Paul Krugman não se coibiu de tecer opiniões desastrosas como essa de ser “necessário” reduzir os salários em Portugal.


Esse guru de uma certa esquerda bem pensante, talvez influenciado pelo tipo de público que o acolheu, acabou por resvalar para o mesmo discurso rasteiro, não sabemos se por ter sido mal informado sobre a degradante realidade salarial de Portugal, se por  basear a sua opinião nos salários escandalosos de que gozam muitos dos que estavam na assistência. Krugman devia ser mais claro. 


Pessoalmente também acho que há em Portugal quem receba salários escandalosamente altos, mas não é o que se passa com a maioria esmagadora dos assalariados.


Tenho por mim que um salário médio  de 1500 euros é o mínimo para se viver em Portugal com alguma decência, que um salário inferior a 700 euros é roubo e que um salário acima de 5 mil euros é escândalo...


Por estas e por outras é que considero que os economistas e as suas teorias, mais do que contribuíram para solucionar e encontrar saídas humanamente comportáveis para ultrapassar esta crise, fazem cada vez mais parte do próprio problema.

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