quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Atitude Ignóbil


O tratamento dado pela comunicação social e pela oposição de direita à Ministra da Administração Interna foi ignóbil.

Se existem responsáveis pela tragédia que o país viveu nos últimos meses, Constança Urbano de Sousa, que terá as suas responsabilidades políticas, não é a pessoa com mais responsabilidades pelo desordenamento regional e florestal que conduziu o país à catástrofe.

Claro que, no jogo de aparências em que se transformou a politica nacional, era preciso encontrar bodes expiatórios para desviar a atenção dos verdadeiros responsáveis pela decadência da nossa floresta e pela desertificação do nosso país.

Claro que , depois de se ter repetido a tragédia de há quatro meses e depois da intervenção do Presidente da República, tornou-se obvio que a manutenção da actual equipa do Ministério da Administração Interna estava condenada a prazo e este parece ter sido o momento certo para isso acontecer, dias depois de nova tragédia e em vésperas do conselho de ministros extraordinário previsto para a próxima 6ª feira.

Quanto a nós esta demissão deve ser uma oportunidade para chamar a funções membros da Comissão Técnica Independente que analisou a causa dos fogos, apresentando propostas, que devem ser postas em prática.

Agora que a voracidade da oposição e da comunicação social por um bode expiatório teve consequências, abre-se caminho para se exigir que se vá mais longe na responsabilização pela situação, cortando-se a eito, de alto a baixo e ao longo do tempo:

- os incendiários devem ser punidos exemplarmente e as suas motivações devem ser investigadas, ao mesmo tempo que se deve englobar esse crime no âmbito de crime de  “terrorismo “, agravando as mesmas penas;

-a irresponsabilidade cívica dos que deixam as terras ao abandono, não limpam aquilo que lhes pertence, acumulam lixo de todo o tipo junto de anexos e casas, fazem queimadas ilegais, deve ser agravada penalmente;

- a incompetência que algumas autoridades locais (freguesias e municípios) demonstraram em fiscalizar aqueles actos criminosos, na denuncia daquelas situações junto das autoridades e na responsabilidade que têm na autorização de construções urbanas , industrias e rurais sem atentarem na segurança dos seus habitantes, devem ser fortemente denunciadas e investigadas, com consequências penais e politicas  pesadas;

- a incompetência dos ministérios da administração interna, da agricultura e da justiça ao longo dos últimos 30 anos, responsáveis por enxamearem com “boys” incompetentes as instituições responsáveis pela prevenção e combate aos incêndios e pelo ordenamento do território e da sua floresta, deve ser investigada e denunciada publicamente, com pesadas consequências penais e politicas ( e aqui ninguém se pode ficar a rir, não é srº Asssunção Cristas??);

- os responsáveis pelos cortes cegos (os “troikistas”) que levaram à extinção dos governos civis, ao encerramento de serviços essenciais que contribuíram para acelerar a desertificação e empobrecimento do interior, à extinção se serviços essenciais a nível da prevenção, vigilância e combate aos incêndios na nossa floresta, devem ser igualmente conhecidos publicamente e devem responder criminalmente e politicamente pela consequência dos seus actos.

Quem abriu a caixa de Pandora, deve agora aceitar as consequências de uma “caça às bruxas” que afaste de vez da responsabilidade politica, económica e da social todos os responsáveis pelo nosso desordenamento florestal e regional que conduziu o país ao desastre.

Quem usou métodos ignóbeis para acusar uma ministra deve estra preparado para receber como ricochete o mesmo tratamento, principalmente se não tem as mãos limpas nem é isento de responsabilidades neste processo todo, como acontece com muitos dos detractores da ministra agora demitida.




2 comentários:

Carlos A. A. Neves disse...

Absolutamente de acordo!!!

mverissimo disse...

Todos os politicos que passaram pelos governos nos ultimos 40 anos têm a total responsabilidade destas tragedias. Todos contribuiram para o desordenamente do território e desertificação do país.