Os dias que rolam, numa visão plural, pessoal e parcial de um mundo em rápida mutação. À esquerda, provocador e politicamente incorrecto, mas aberto à diversidade...as Pedras Rolam...
Pesquisar neste blogue
quinta-feira, 17 de março de 2016
quarta-feira, 16 de março de 2016
terça-feira, 15 de março de 2016
Recordando um grande actor de cinema, Nicolau Breyner
Nicolau Breyner é uma daquelas figuras que fazem parte do nosso imaginário colectivo, goste-se mais ou menos do seu trabalho, e por isso serão imortais para toda uma geração como a minha.
Pessoalmente não o apreciava muito como comediante, embora seja por isso que ele é mais conhecido.
Claro que era uma actor competente e convincente, mas nunca foi inovador ou muito criativo na comédia.
Teve contudo um papel importante no lançamento de grandes actores e contribui muito para o desenvolvimento da produção nacional na televisão e no cinema.
Foi como director de actores e como actor dramático que mais evidenciou as suas qualidades humanas e artísticas.
Foi um dos principais responsáveis pela primeira telenovela portuguesa, "Vila Faia", estreada em 1982.
Embora tenha sido a televisão a contribuir para sua fama, foi no cinema que mais se destacaram as suas qualidades.
Foi actor de quase todos os realizadores portugueses dos últimos 50 anos.
Ao todo entrou em 49 filmes, tendo-se iniciado no cinema em 1961 no filme"Raça" de Augusto Fraga.
No ano seguinte fez parte do elenco de um dos mais importantes filmes portugueses, "Dom Roberto" de José Ernesto de Sousa.
Entre os filmes mais importantes onde participou destacam-se "O Rei das Berlengas"(1978) de Artur Semedo, "A Vida é Bela" (1982) de Luís Galvão Teles, "Crónica dos Bons Malandros"(1984) de Fernando Lopes, "Inferno"(1999) de Joaquim Leitão, "Os Imortais" (2003) de António Pedro de Vasconcelos ou "Comboio Nocturno para Lisboa" de Bell August.
Em 2013 realizou o filme "7 Pecados Mortais", um êxito de bilheteira.
O último filme em que participou foi "Virado do Avesso" de Edgar Pêra, em 2014.
Era primo da poetisa Sophia de Mello Breyner Andersen.
Nicolau Breyner será sempre recordado como um dos grandes actores portugueses do palco e da tela.
Em baixo reproduzimos uma das suas últimas entrevistas dadas ao programa "Alta Definção" da Sic, no final do ano passado.
Etiquetas:
cinema,
Cinema português,
Nicolau Breyner,
televisão
FOI HÁ 40 ANOS . Quando a população de uma pequena aldeia do Oeste, Ferrel, impediu o maior desastre ecológico em Portugal
Foi no dia 15 de Março de 1976 que a população de Ferrel, uma pequena aldeia do concelho de Peniche,veio para a rua manifestar-se para impedir aquele que teria sido o maior desastre ecológico para a região e para o país, a construção de uma Central Nuclear.
O jornal Público,num artigo de Carlos Cipriano recorda AQUI essa luta e as suas consequências.
Acidentes posteriores, como o de Chernobil dez anos depois ou, mais recentemente, o de Fukushima, no Japão, há cinco anos atrás, demostraram a justeza daquela luta.
Infelizmente Portugal está rodeado por centrais nucleares espanholas,uma delas, a de Almaraz, junto ao Tejo, está a entrar numa situação, no mínimo, preocupante, já tendo esgotado o seu tempo útil de vida e sendo motivo crescente de preocupação, como recordava recentemente um dos pioneiros da luta ecológica em Portugal, António Eloy ("Nuclear, evocação e futuro").
Hoje muitos sentem na pele que os ecologistas,que durante muito tempo, e, infelizmente ainda hoje, foram encarados por certos políticos e comentadores como uns" chatos lunáticos", têm cada vez mais razão e a sua luta é cada vez mais urgente para a salvação do planeta e da humanidade .
Bem haja o povo do Ferral que nos livrou do "mal".
Etiquetas:
António Eloy,
Ecologia,
energia nuclear,
Ferrel,
Peniche
segunda-feira, 14 de março de 2016
Recordando a Historiadora Maria de Fátima Patriarca
Maria de Fátima Patriarca faleceu a semana passada.
Era uma das mais importantes e inovadoras historiadoras portuguesas,
muito ligada ao estudo dos movimentos operários em Portugal, devendo-se a ela o
mais importante trabalho de investigação sobre a chamada revolta da Marinha Grande de 18 de
Janeiro de 1834.
Uma sua excelente evocação feita pelo jornal Público pode ser lida AQUI.
Conhecida pelo seu rigor no tratamento das fontes documentais, apenas publicou dois livros, apesar do seu vasto trabalho de
investigação, cujos resultados se encontram espalhados em artigos publicados em
revistas da especialidade, principalmente na revista “Análise Social”.
Em baixo transcrevemos o texto que, em sua homenagem, foi publicada no
site “Portal Anarquista".
“FÁTIMA PATRIARCA: MORREU A AUTORA DE UM DOS LIVROS MAIS COMPLETOS
SOBRE O 18 DE JANEIRO DE 1934
“Morreu a historiadora Fátima Patriarca, um nome incontornável na
história do movimento sindical durante a 1ª República e o Estado Novo. É da sua
autoria um dos livros mais completos e rigorosos sobre o 18 de Janeiro de 1934
“Sindicatos contra Salazar – A revolta do 18 de Janeiro de 1934”, onde a autora
desmistifica o chamado soviete da Marinha Grande (que nunca aconteceu) e
integra os vários levantamentos e greves que aconteceram nesse dia num
movimento mais geral, separando o trigo do joio e a propaganda dos factos
reais. A sua morte representa uma perda grande para a historiografia do movimento
operário.
“Historiadora e socióloga, autora de referência na análise social do
país sob o Estado Novo e do movimento operário e sindical em Portugal, Maria de
Fátima Patriarca (Couço, 1944-Lisboa, 2016) morreu na madrugada desta
sexta-feira devido a complicações cardíacas. Investigadora do Instituto de
Ciências Sociais desde 1992, publicou alguns dos estudos fundamentais acerca do
século XX português tal como o salazarismo e a resistência ao salazarismo o
configuraram. Os dois volumes de A Questão Social no Salazarismo(Imprensa
Nacional Casa da Moeda, 1995), e Sindicatos contra Salazar. A revolta do 18 de
Janeiro de 1934 (Imprensa de Ciências Sociais, 2000) são disso exemplo.
“Diplomada pelo Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa em 1967,
licenciou-se em Sociologia no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da
Empresa em 1990 e fez as suas provas de investigadora no ICS sob a orientação
de Sedas Nunes, com a dissertação Processo de implantação e lógica e dinâmica
de funcionamento do Corporativismo em Portugal – os primeiros anos do
Salazarismo e com a prova complementar Sindicatos e luta social no regime corporativo
– dos anos 50 a 1974.
“Também no ICS, criou em 1979, com Maria Filomena Mónica, o Arquivo
Histórico das Classes Trabalhadoras, do qual foi responsável científica entre
1999 e 2005. Foi ainda membro do Conselho de Redacção da revista Análise Social
e da Imprensa de Ciências Sociais sob a direcção de António Barreto.
“Actualmente, informa a página do ICS, prosseguia o seu projecto
pessoal sobre Sindicatos e lutas sociais nos últimos anos do Regime Corporativo
e participava no projecto de Manuel de Lucena sobre a descolonização e também
no de António Matos Ferreira e Maria Lúcia de Brito Moura sobre as relações
entre o Estado e a Igreja em Portugal”.
quinta-feira, 10 de março de 2016
O Primeiro Dia sem Cavaco
Este é o primeiro dia sem Cavaco, motivo de regozijo para quem, como
eu, acha que, primeiro como governante, depois como presidente, Cavaco Silva
contribuiu para conduzir o país ao beco sem saída em que nos encontramos.
Como Primeiro-Ministro muito contribui para destruir a produção nacional, a agricultura, a
industria e as pescas, em troca de uma ilusória abastança à custa de fundos
estruturais europeus, usados nas negociatas financeiras do próprio e dos amigos
e na construção de uma idéia de desenvolvimento alicerçada num vago “capitalismo
popular”, em obras faraônicas e num consumo desenfreado.
Depois, como Presidente, quando nos apresentaram a conta do desvario,
portou-se como um autêntico líder de quadrilha, apoiando o governo anterior no
assalto aos direitos e ao bolso dos portugueses para salvar ao amigos da
finanças e das negociatas.
Já aqui escrevemos várias vezes porque achamos que Cavaco Silva foi opior presidente da República da nossa história, e porque é que o cavaquismo foio pior que podia ter acontecido à democracia portuguesa e aos portugueses em
geral.
O cavaquismo e os seus estragos vão perdurar ainda por muito tempo, até
porque deixou muitos fiéis seguidores, na politica, na comunicação social e no
mundo das negociatas, mas ontem foi um dia de esperança.
Pelo menos temos a garantia que Cavaco Silva já não vai voltar a fazer
estragos.
Em sua “homenagem” aqui deixamos uma “quadra popular”, baseada numa “música”
dos santos populares:
O CAVACO JÁ SE ACABOU.
O COELHO ESTÁ-SE A ACABAR
PAULO PORTAS, PAULO PORTAS, PAULO PORTAS
ENTRA NO SUBMARINO
P’RA NÂO MAIS VOLTARES…
Etiquetas:
Anti-Cavaquismo,
Cartoon,
Cavaco Silva,
cavaquismo,
Presidencia da República
terça-feira, 8 de março de 2016
segunda-feira, 7 de março de 2016
Porque é que o novo emprego de Maria Luís Albuquerque é eticamente repugnante.
A comunicação social designa o novo emprego de Maria Luis Albuquerque como “polémico”.
Se houvesse coragem e independência nessa mesma comunicação social para designar as coisas pelos
nomes, devia intitular a atitude da ex-ministra como “eticamente repugnante”.
A atitude da ex-ministra das finanças é eticamente repugnante porque
ela é uma ex-ministra das finanças, cargo que ocupava até há três meses atrás,
que passou cerca de três anos a lidar com a alta finança, a banca e a dívida e
agora aceita um emprego numa empresa financeira que está ligada à alta finança,
à banca e à dívida e que teve actividade relacionada com decisões tomadas pela
ex-ministra enquanto exerceu o cargo.
A atitude da ex-ministra é eticamente repugnante porque, a mesma, agora
como deputada, e exercendo este cargo em exclusividade (foi esta a notícia que
ouvi), aceita agora um cargo fora do parlamento, onde vai receber quase o
dobro daquilo que recebe como deputada, acumulando os dois vencimentos .
A atitude da ex-ministra de Passos Coelho é eticamente repugnante por
tratar-se de alguém que, junto de instituições europeias e na execução das
políticas que praticou enquanto ministra das finanças, sempre defendeu e
praticou a austeridade fundada nos cortes salariais e nas pensões, na critica ao
aumento do salário mínimo, na defesa do aumento das horas de trabalho, com o
argumento de os portugueses andarem a
viver “acima das suas possibilidades”, e que agora vai receber um ordenado de cerca
de cinco mil euros mensais, para trabalhar apenas 2 a 4 dias por mês, trabalho
que vai ser mais passeio pago a Londres que trabalho.
Tudo isto cheira a pagamento de favores, tendo em conta a forma mafiosa
como funciona a maior parte das agências e instituições financeiras europeias,
pelo que se exige uma rigorosa investigação sobre a ligação entre as decisões que tomou enquanto ministra das
finanças e a actividade da empresa para onde ela agora vai “trabalhar”.
Morreu o maestro austriaco Nikolaus Harnoncourt
Morreu no passado sábado, aos 86 anos, o maestro
austríaco Nokolaus Harnoncourt, um dos mais importantes chefes de
orquestra da actualidade.
O maestro austríaco tinha anunciado em dezembro a retirada
profissional devido a problemas de saúde.
Segundo revelam as agências internacionais, Thomas Angyan,
diretor da famosa sala de concertos Musikverein de Viena, da qual o maestro
Harnoncourt era membro de honra, expressão a consternação do mundo da música.
"Uma era chegou ao fim", lamentou. "Nunca
esperei que entre a sua retirada do mundo dos concertos e a sua morte houvesse
um período tão curto", disse à APA. "Ele era o original do seu
original (...) Devemos continuar o legado musical que nos deixa",
adiantou.
Segundo a notícia publicada no Jornal de Notícias on-line,“O
conde Nikolaus de la Fontaine und d'Harnoncourt-Unverzagt nasceu em Berlim em
1929, mas passou a sua infância na cidade austríaca de Graz, onde muito anos
depois criou o festival Styriate, que se realiza anualmente.
“Foi violoncelista da Sinfónica de Viena e professor de
Interpretação na Universidade Mozarteum de Salzburgo.
“O Concentus Musicus Wien, criado por Harnoncourt quando
tocava violoncelo naquela orquestra, dedicou-se à interpretação de música
barroca europeia em instrumentos de época e a partir de numerosos projetos de
investigação, ajudando a revolucionar a interpretação desta música.
“Como maestro trabalhou com os principais solistas e
orquestras europeias e o seu trabalho discográfico abarca óperas, oratórios e
obras sinfónicas dos séculos XVIII e XIX”.
Em baixo reproduzimos uma sessão dedicada a jovens músicos dirigida
por Harnoncourt:
Etiquetas:
musica,
Musica Clássica,
Nokolaus Harnoncourt
sexta-feira, 4 de março de 2016
O "Alentejo" disparatado de Raposo e o direito ao disparate
Por aquilo que ouvi e li sobre o polémico livro de Henrique Raposo dedicado ao "Alentejo",até encontrei algum conteúdo com interesse para reflexão, sendo uma visão interessante sobre a história de vida da sua família de origem.
Contudo, ao querer generalizar a sua má e triste experiência familiar a todo o Alentejo e ao sul do país, Raposo resvala para o mais ignorante preconceito e para a ofensa mais abjecta a todo uma população.
Como amigo e familiar de alentejanos, tendo visitado várias vezes e várias zonas do Alentejo, nunca encontrei a caricaturada figura de alentejano descrita por Raposo.
Quanto muito, aquilo que Raposo descreve como tipico dos alentejanos pode ser tipico de meios rurais mais "atrasados" ou marginalizados, económica, cultural e socialmente, de norte a sul do país, ou mesmo noutros países (nem o interior mais "atrasado" dos Estados Unidos fugiria a esse retrato forçado).
A questão do tratamento dado às mulheres, das violações silenciosas, dos suicídios, dos silêncios e das desconfianças, podemos encontrá-la em qualquer meio mais "ruralizado" ou economica, cultural e socialmente decadente ( a cinematografia e a literatura estão cheios desses retratos).
Por isso, como é tipico de Raposo e da generalidade dos cronistas feitos à pressa que pululam na imprensa dita de referência, ele usa e abusa de boas idéias para generalizar o seu preconceito social, politico e cultural.
Raposo, com cujos escritos não perco muito do meu precioso tempo a ler, tem todo o direito de exibir os seus preconceitos e as suas atoardas e beneficiar da atenção mediática, e por isso repudio as ameças que têm sido feitas contra a sua "obra".
Vivemos num país livre, mesmo livre para se exibir todo o tipo de disparates que se quiser.
A NOTÍCIA QUE NÃO ABRIU OS NOTICIÁRIOS DE ONTEM...MAS DEVIA TER ABERTO, SE TIVESSEMOS UM JORNALISMO TELEVISIVO DECENTE!!! : Inês levou a gota de luz, uma garrafa que ilumina, para aldeias na Guiné
Inês Rodrigues venceu o Prémio Terre De Femmes, com um projecto que levou para África a melhoria das condições de vida das suas populações.
Além disso, sendo um projecto que melhora as condições de vida dos mais pobres de entre os pobres do mundo, é barato, simples e ecológico.
No meio do lixo informtivo, político e financeiro, que domina a nossa informação, para além do lixo do futebol e do lixo das agências de rating, é sempre reconfortável e esperançoso ler notícias destas.
Pena é que a informação televisiva, aquela que mais impacto tem junto das pessoas, se tenha "esquecido" desta notícia...é que agora só lhes interessam as más notícias...
Etiquetas:
Ambiente,
Ciência,
Comunicação Social,
Inês Rodrigues,
Jornalismo
quinta-feira, 3 de março de 2016
Morreu Noémia Delgado, a cineasta de Máscaras
Noémia Delgado foi uma das mais importantes realizadoras portuguesas e uma das pioneiras do cinema documental.
"Máscaras" de 1976 é talvez a sua obra mais conhecida e pode ser vista integralmente em baixo, graças à sua edição na net por iniciativa da Cinemateca Nacional:
Morreu Noémia Delgado, a cineasta de Máscaras(clicar para ler).
Etiquetas:
cinema,
Cinema Documental,
Noémia Delgado
Vasco Pulido Valente Versus Rui Ramos - o "mestre" desanca no "discípulo" ..
Vasco Pulido Valente, um dos mais inteligente e informados cronistas da má língua e da boçalidade nacional, endeusado por uma miríade de seguidores, a maior parte destes ao nível da mais abjecta mediocridade e/ou desonestidade intelectual, escolheu a sua última cronica no Público, que pode ser lida AQUI , para desancar num dos seus mais fiéis e competentes discípulos, o historiador Rui Ramos.
Como dizia uma professora minha no ISCTE, que o conhecia bem, Vasco Pulido Valente, "às vezes" consegue ser brilhante e esta crónica é um desses casos raros, no meio do lixo bem escrito a que nos tem habituado nos últimos tempos.
Vasco Pulido Valente é , aliás, um caso estranho de popularidade entre jornalistas, comentadores e historiadores que têm como único objectivo imitá-lo o melhor possível.Por mim, sempre preferi o original ao imitador...
Como historiador, Vasco Pulido Valente vive da reciclagem daquilo que escreveu pelas décadas de 60 e 70, em artigos de jornais e revistas, estudos que para a época eram de facto inovadores, mas hoje estão muito datados e ultrapassados, artigos transformados, décadas depois, aumentando o tamanho da letra e acrescentando uma ou outra nota, em êxitos de livraria, como se fosse algo de novo, aproveitando a sua fama mediática, só possível em países onde "quem tem um olho é rei".
Como professor, não conheço ninguém que tenha sido seu aluno, nem se existiu alguma cadeira dirigida por si. Durante dois anos cruzei-me diárimente, várias vezes ao dia,com o gabinete que ele tinha no ICS e, ao contrário de outros professores/investigadores desse Instituto, nem uma vez me cruzei com ele ou sequer vi afixada uma pauta ou anunciada uma disciplina por si leccionada. Posso estar a ser injusto, mas foi com esta realidade que me confrontei nesses dois anos.
Para além de uma obscura e rápida passagem por uma secretaria da àrea da cultura, resta então a áurea crida à volta das suas crónicas de mal-dizer, roçando muitas vezes a mais reles boçalidade do ataque pessoal, embora, ao contrário de outros que lhe procuram imitar o estilo, o faça com um estilo e uma elegância de escrita muito peculiar e original.
Rui Ramos, um dos mais bem informados historiadores da nossa história contemporânea, segue o estilo de Pulido Valente, na forma cirúrgica como utiliza os factos e as fontes para lhes retirar o efeito ideologicamente desejado (veja-se a forma brilhante como, numa sua síntese sobre a história portuguesa do século XX, transformou o Estado Novo num quase oásis de "liberalismo", em contraste como o "terrorismo" da Primeira República e do PREC pós 25 de Abril).
Tal como Pulido Valente, só Rui Ramos se aproxima, com habilidade e brilhantismo, daquele, no modo educado como tortura as fontes, que conhece muito bem e de forma rigorosa, para delas lhes retirar a verdade dos factos que mais lhe interessa ideologicamente.
Rui Ramos é assim um dos raros imitadores de Pulido Valente, que dele se consegue aproximar no brilhantismo da escrita, na qualidade da documentação utilizada e na vastidão cultural que emana da sua escrita.
Talvez por isso se explique o facto de Vasco Pulido Valente tentar "travar" a ascensão do "díscípulo", não vá ele ofuscar-lhe o lugar...
Etiquetas:
boçalidade,
debate,
Rui Ramos,
Vasco Pulido Valente
terça-feira, 1 de março de 2016
Passos Coelho, estaria a bombar contra a crise...(é pena que o ridículo não pague imposto...tínhamos a crise resolvida!!!)
Passos Coelho continua a passear-se pelo país, em inaugurações e colóquios, acompanhado por uma comitiva de jornalistas, como se ainda fosse primeiro-ministro ou, pior ainda, como se ainda fosse possível voltar a sê-lo.
De cada vez que abre a boca, procurando-se adaptar, de forma estereotipada, á audiência que tem pela frente, aumenta o ridículo da sua postura.
Será que não tem alguém à sua volta que tenha a coragem de o avisar?
A situação faz-me lembra, com Passos Coelho,agora como comédia, a situação que se viveu entre as figuras do regime salazarista em 1968, quando todos fingiam à volta do ditador doente que este ainda governava, quando já tinha sido substituído por Marcelo Caetano.
Quanto à forma como andou a "bombar" contra a crise, já sabemos o que ele quer dizer pelo que (des)fez nos último quatro anos em que nos governou...e já nos chegou.
Vá "bombar" para outro lado...
Passos Coelho, estaria a bombar contra a crise (clicar para ler).
Etiquetas:
Anti-Passos Coelho,
Cartoon,
falta de ética,
vergonha
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
HAJA DESCARAMENTO: "Seria Curioso demitir-me por um PEQUENO incidente" - Carlos Costa governador do Banco de Portugal
O título do Expresso deste fim-de-semana é revelador da desfaçatez e da total falta de vergonha do actual governador do Banco de Portugal.
Para o homem, os casos BES e Banif são "pequenos incidentes".
Esses "pequenos incidentes", provocados pela total incompetência (para não dizer outra coisa pior) do actual governador do BdP já custaram ao erário público milhares de milhões de euros, fora o que ainda está para vir.
Para quem tem garantida uma indemnização milionária caso seja despedido (por justa causa, com devia ser) e uma reforma milionária paga como "recompensa" pela sua incompetência, é preciso muito desplante para uma afirmação dessas.
...e certa comunicação social, como de costume, serve de "rapa fundos" à incompetência dessa gente paga principescamente !!!
Etiquetas:
Banco de Portugal,
Carlos Costa,
corrupção ética,
imprensa,
indignação,
sacanas sem lei
Óscares 2016 : DiCaprio...finalmente!!!
Óscares 2016 (clicar no site do Público para ver mais notícias sobre os óscares de 2016).
...e o tempo que levou para aqui chegar:
(Fonte : Liberation)
Etiquetas:
cinema,
Cinema de Animação,
Leonardo Di Caprio,
Óscares
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
ONTEM FOI UM DIA MAU PARA A DIREITA RADICAL NEOLIBERAL "PAFISTA" E PARA OS SEUS COMENTADORES DE SERVIÇO NA SIC NOTÍCIAS:Moody’s elogia aprovação do OE: “Elimina risco de eleições antecipadas”
Ontem foi um dia mau para a a retórica "austeritária" da direita radical neoliberal dos "pafistas".
Ontem foi também um dia mau para a retórica "anti-orçamento" dos comentadores de serviço a essa ideologia "austeritária", acoitados na comunicação social televisiva, com destaque para a SIC.
Foi azar, porque na véspera a Sic Notícias tinha tirado a noite para arrasar o "orçamento de esquerda" (com a rara excepção de António José Teixeira e Nicolau Santos, dois dos poucos comentadores de serviço nas televisões, com honestidade intelectual).
Claro que este "orçamento" não é o que idealizo para este país, tem fragilidades e imperfeições, mas, em parte, essas fragilidades, imperfeições e contradições devem-se mais às exigências de Bruxelas e da ideologia "pafista" que por lá domina ( e que por lá andou a envenenar o ambiente, como se sabe agora) do que à vontade da maioria governamental.
Claro também que, para mim, as agências de rating não me merecem qualquer credibilidade ou respeito, são organizações mafiosas que sobrevivem á custa da especulação criminosa do mundo financeiro.
Mas para o mundo "pafista", esta notícia tem o mesmo peso e provoca o mesmo abalo nas suas convicções "austeritárias" que causaria uma advertência de Hitler a um comandante das SS, que fosse criticado por tratar mal um judeu...
Moody’s elogia aprovação do OE: “Elimina risco de eleições antecipadas”(clicar para ler).
Etiquetas:
agências de rating,
Anti-Passos Coelho,
Austeridade,
corrupção ética,
orçamento
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Miguel Relvas, , Passos Coelho, Carlos Costa, Dias Loureiro, José Luís Arnaut, Francisco Nogueira Pinto, BPN, Efisa, Tecnofarma...e o que mais se verá...mas está "tudo legal!!!"
Passos Coelho anda por aí a passear-se, comportando-se como virgem ofendida e como se ainda fosse primeiro-ministro(Portas, por sua vez, procura não dar muito nas vistas, desde que no outro dia, de relance, foi divulgada uma notícia sobre o seu envolvimento nos obscuros negócios dos "Panduro"...).
O insuspeito comentador de direita João Miguel Tavares, na crónica, que transcrevemos em baixo, vem recordar as ligações suspeitas de Passos Coelho com o mundo das negociatas, a propósito do caso (mais um) do banco (??) Efisa, com ligações ao amigo ( e mentor) de sempre de Coelho, o "insuspeito" Miguel Relvas.
João Miguel Tavares veste a pele de jornalista e mostra como esse caso é mais que suspeito e merece que se esteja atento ao seu desenvolvimento:
"Miguel Relvas, o Efisa e a selva
Por JOÃO MIGUEL TAVARES , in Público de 16/02/2016 .
“Pedro Passos Coelho foi entrevistado no fim-de-semana [13 de Fevereiro]
pelo Jornal de Notícias, e quando questionado acerca da venda do banco Efisa a
uma sociedade com ligações a Miguel Relvas, respondeu: “Isso é um não-assunto.”
Ora, se o ex-primeiro-ministro considera o tema um “não-assunto”, eu considero
meu dever esclarecer-lhe porque é que o Efisa não só é um assunto, como é um
assunto muito feio.
“Nos últimos dois anos, o Estado, através da Parparticipadas –
sociedade anónima criada em 2010 para gerir o processo de reprivatização do BPN
–, injectou 90 milhões de euros no Efisa. A última injecção, de 12,5 milhões,
foi feita em Janeiro, antes da venda do antigo banco de investimento do BPN à
Pivot SGPS. Essa venda terá sido realizada por um valor a rondar os 38 milhões
de euros. Segundo o Tribunal de Contas, o preço do BPN para os contribuintes já
vai em 2,7 mil milhões, estimando-se que o buraco possa derrapar até aos 5,5
mil milhões.
“O Efisa, como explicou ao Diário Económico o fundador e accionista da
Pivot Ricardo Santos Silva, possui um trunfo precioso numa época em que se
tornou bem mais difícil criar bancos: “uma licença bancária universal, que abre
muitas oportunidades”. Oh, se abre – e quando cheira a oportunidades, logo
surge Miguel Relvas e o seu oportuno nariz.
“Já depois de acordada a venda do Efisa, os jornais deram conta da
entrada no capital da Pivot de um pequeno grupo de accionistas, entre os quais
Relvas. Miguel Relvas, destacado ex-ministro do Estado, surge a fazer negócios
com o Estado, para a compra de um banco. Mais. O actual presidente do veículo
estatal Parparticipadas, que vendeu o Efisa à Pivot SGPS, chama-se Francisco
Nogueira Leite. O mesmo Francisco Nogueira Leite que trabalhou com Pedro Passos
Coelho na administração da Tecnoforma. A mesma Tecnoforma que em 2004 usou e
abusou de fundos comunitários geridos pelo então secretário de Estado da
Administração Local Miguel Relvas.
“E o não-assunto não fica por aqui. Miguel Relvas já havia trabalhado
para o Efisa em 2007, prestando consultadoria ao banco no Brasil, numa altura
em que era deputado do PSD e líder da Comissão das Obras Públicas. Tudo legal,
claro. Até porque, em 2011, Relvas garantiu ao PÚBLICO que nunca recebeu “um
cêntimo da Efisa”. Claro que não recebeu. Ele apenas recebeu da empresa
Kapakonsult, da qual era administrador, e que na sua curta existência teve um
único cliente: o banco de negócios do BPN, Efisa. Vamos então resumir. Relvas
trabalhou para um banco que faliu. Trabalhou para o governo que geriu a
falência desse banco. E agora recupera o banco devidamente recapitalizado pelo
governo de que fez parte – não se está mesmo a ver que isto é um “não-assunto”?
“Uma achega final. Há quem recorde o papel de Dias Loureiro no BPN e
garanta haver mãozinha sua neste negócio. A mim parece-me mera insinuação,
fruto de más línguas. Estou certo que desde que o então ministro Miguel Relvas
passou o réveillon de 2012 para 2013 no Copacabana Palace na companhia de José
Luís Arnaut e Manuel Dias Loureiro, eles nunca mais voltaram a ver-se.
Portanto, só resta à autoridade de supervisão apressar-se a conceder a
idoneidade a Miguel Relvas, para que possa exercer com o garbo e a competência
reconhecidas a profissão de banqueiro. Depois, é só enviar essa informação para
Bruxelas, devidamente assinada por Carlos Costa, Governador do Banco da
República das Bananas Anteriormente Conhecida como Portugal”.
Etiquetas:
Anti-Passos Coelho,
Banca,
corrupção ética,
Efisa,
indignação,
João Miguel Tavares,
Miguel Relvas
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
O Respigo da Semana : O neoliberalismo das instituições europeias faz mal à saúde
"Impostos e gordura
por ISABEL DO CARMO in Público de
"O neoliberalismo tem-se relacionado com o aumento da obesidade. O neoliberalismo faz mal à saúde. Isto anda mesmo tudo ligado.
- "Tanto o Estado Social como o Estado Austeritário baseiam a sua estrutura económico-financeira sobre os impostos. O que se tem que analisar é de quem tiram e para onde tiram. E em qual dos conceitos é que se baseia o poder instalado em Bruxelas e nos “mercados”, quando tomam a nova solução governamental portuguesa como um inimigo a perseguir, tanto mais quanto pode ser um mau exemplo.
- "O fundamento do Estado Social estabelecido na Europa depois da II Guerra Mundial, pelo qual lutaram trabalhadores e o Partido Trabalhista na Grã-Bretanha e os Partidos Socialistas e Sociais-Democratas do Norte europeu, consiste numa forma de redistribuição do rendimento em que se vai buscar impostos a um lado, para tornar possível um Orçamento de Estado disponível para uma estrutura social com saúde e ensino universais e gratuitos e uma segurança social assegurada. É uma estrutura da sociedade que não é revolucionária, nem socialista, nem aspira ao comunismo. É uma forma de compensar as desigualdades de nascimento, de família, de habitação, que são de base no sistema capitalista em que vivemos. É esta coincidência de propósito dos programas dos quatros partidos em acordo parlamentar, embora com modos e tempos muito diferentes, que julgo estar na base da governação possível. Mas a ordem mundial não está para Estados Sociais. Após as turbulências dos anos sessenta e setenta do século XX, Margaret Thatcher em 1979 e Ronald Reagan em 1980 iniciaram o contraciclo que se mantém triunfante. Não é preciso detalhes para descrever os efeitos do reino da Wall Street e da City, dos “mercados”, da concorrência, do individualismo, para a vida quotidiana, o desemprego, a pobreza, a ansiedade das pessoas. Triunfou o aprofundamento das desigualdades, no mundo e em cada país. A realidade está aí. A União Europeia, que era um sonho do pós-guerra que não foi cumprido, teve a mesma evolução. As suas estruturas e actores de topo estão lá como guardiães de um mundo, que não vive para os seres humanos, mas sim para as mercadorias, sendo que a mercadoria-dinheiro já não tem presença física, é virtual. Mas é poder. Somos portanto governados à distância. Com o governo austeritário, os impostos passaram a ter um grande peso sobre o rendimento do trabalho, as pensões, as reformas, os funcionários públicos. Os cortes foram feitos nos serviços de Saúde e na Educação. E serviram para pagar os juros da “dívida”, para diminuir o “défice” (calculados como e quando?). Isto é, o circuito fez-se ao contrário do da redistribuição social – tirou-se aos pobres e “remediados”, que passaram a pobres. E deu-se a um poder mundial sem rosto.
- "E é esta a ordem das coisas em Bruxelas, mesmo que haja contradições e alguns executores sejam “socialistas”. Para a população, os impostos e os cobradores de impostos passaram a ser o inimigo e desconfia cada vez mais do Estado, grande parte não percebendo que a Saúde, a Educação e os seus agentes também são Estado.
- "Com esta lógica, as propostas da nova governação à esquerda só podem ser combatidas pelo poder centrado em Bruxelas. Este Orçamento repõe os salários dos funcionários públicos e alivia reformados e pensionistas. Aumenta o salário mínimo nacional. Dá um pouco mais para a investigação em Ciência e Tecnologia e para o Ensino Superior, após os grandes cortes anteriores. Em contrapartida taxa mais a banca e os Fundos Imobiliários, que estavam muito aliviados de impostos. E taxa um pouco as transacções financeiras, as tais que custam tanto quanto carregar num botão. Aumenta as taxas sobre os automóveis e os combustíveis (que beneficiam da descida do preço do petróleo) que são taxas ecológicas e sobre o álcool e o tabaco que são impostos a favor da saúde. É pena não terem logo metido a taxação sobre as bebidas açucaradas, medida que já foi tomada em vários países, com reflexos sobre o seu consumo e sobre a prevenção da obesidade infanto-juvenil. Neste caso, como no do tabaco e no código da estrada, não se vai lá com “educação”. Vai-se com legislação. Este Orçamento de facto aumentou alguns impostos, mas tirou de um lado para pôr no outro, ou seja do lado do trabalho e dos mais desprotegidos. Tentou fazer o circuito de redistribuição ao contrário do Governo anterior. Por isso sofre a perseguição de Bruxelas e Schäuble e Dombrovskis têm a lata de falar publica e autoritariamente contra o orçamento português, eles também “como donos disto tudo”. E quanto a alguma comunicação social portuguesa, particularmente alguns canais de televisão, age como inimiga declarada do governo, como delegada da ordem das coisas dominante. Faz parte também desta perseguição que os “mercados” tenham subido os juros, só para assustar.
- "E quanto a “gorduras do Estado” cada um fala das que quer e tenhamos esperança que a actual Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa tosquie a burocracia e a compra de assessorias externas que são a grande gordura intra-abdominal, a que faz mal à saúde.
- "E a propósito de gordura: cada vez há mais investigação relacionando a economia com a epidemia de obesidade nos países desenvolvidos. O neoliberalismo tem-se relacionado com o aumento da obesidade. Na Grã-Bretanha a obesidade passou para o dobro em 20 anos. Nos Estados Unidos tem crescido como se sabe. Para esta análise o National Bureau of Economic Research nos EUA construiu um modelo de cálculo com 27 variáveis sociais e concluiu que elas explicam 37 por cento do aumento do Índice de Massa Corporal, 42% da obesidade total e 59 por cento dos seus Graus II e III. O neoliberalismo faz mal à saúde. Isto anda mesmo tudo ligado".
- Médica, Professora da Faculdade de Medicina de Lisboa
Etiquetas:
Cartoon,
indignação,
Isabel do Carmo,
Neoliberalismo,
Respigo da Semana
Umberto Eco e o mundo da Banda Desenhada
BêDêZine: Morreu Umberto Eco, um "companheiro de estrada" da BD...: Falecido no passado fim-de-semana, Umberto Eco, conhecido pensador contemporâneo e romancista, teve o mérito de ter levado a Banda Desenhada para a Universidade...
Etiquetas:
Banda Desenhada,
BêDêZine (blogue),
Umberto Eco
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
"Cenas" nocturnas de um Carnaval
VEDROGRAFIAS: "Cenas" nocturnas de um Carnaval (clicar para ver).
Etiquetas:
Carnaval,
Carnaval de Torres,
Fotografia
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
A "geringonça" afinal funciona e vale a pena bater o pé a Bruxelas: Orçamento para 2016 aprovado por Bruxelas
A "guerra" não está ganha, mas Portugal e os portugueses venceram uma importante batalha.
Afinal vale a pena fazer valer os interesses de Portugal junto dos burocratas de Bruxelas.
Afinal a "geringonça" funciona.
Afinal é possivel termos um governo que nos defende em vez de fazer o papel de capataz e carrasco.
Gostava de ver a cara dos comentadores de serviço e dos homens do "PAF"...
Orçamento para 2016 aprovado por Bruxelas(clicar para ler)
Afinal vale a pena fazer valer os interesses de Portugal junto dos burocratas de Bruxelas.
Afinal a "geringonça" funciona.
Afinal é possivel termos um governo que nos defende em vez de fazer o papel de capataz e carrasco.
Gostava de ver a cara dos comentadores de serviço e dos homens do "PAF"...
Orçamento para 2016 aprovado por Bruxelas(clicar para ler)
Etiquetas:
Anti-Passos Coelho,
anti-Paulo Portas,
António Costa,
orçamento,
União Europeia
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Pagar a "fragilidade" da Banca fragilizando trabalhadores e pensionistas?
Para grande espanto meu (ou talvez não!!!?) ouvi esta manhã uma conhecida comentadora residente da comunicação social de "referência", jornalista destacada num jornal económico financiado pela banca e pelo sector financeiro, defender esta mesma banca da intenção do governo, através do orçamento de Estado, em fazer o sector pagar parte da austeridade exigida pelos burocratas de Bruxelas (a mesma "Bruxelas", que impôs a negociata do Banif, em benefício do Santander sem se preocupar com o facto de os contribuintes portugueses terem de pagar mais de dois mil milhões pela negociata, mas está muito preocupada com a diferença de 500 milhões no orçamento.....!!!!).
O principal argumento dessa conhecida comentadora, defensora da austeridade, em defesa da banca é o de que esta está"fragilizada"!!!!
Até hoje, que me lembre, nunca ouvi essa comentadora, ou outros da sua corrente, preocupar-se com a fragilidade daqueles que viram os seus salários ou pensões cortados, com aqueles que perderam o seu posto de trabalho, ou o viram reduzido à precaridade mal paga ou com aqueles que empobreceram drásticamente, tudo em nome do modelo "austeritário", por ela regularmente defendido, que foi aplicado para "salvar" o seu querido sector bancário.
Falar da "fragilidade" do sector bancário parece-me algo exagerado. Apesar da "crise" (uma crise inventada para destruir direitos sociais e reduzir o rendimento do trabalho), a banca tem continuado a ser dos poucos sectores que regista lucros fabulosos, que garante aos seus accionistas rendimentos especulativos fabulosos, paga salários escandalosamente altos aos seus gestores de topo e garante as maiores reformas, que conseguiu recentemente que passassem a ser pagas pelo Estado ( a maior parte destes reformados de luxo engrossam o grupo de 7 mil e quinhentos pensionistas que recebem mais de 5 mil euros mensais, custando, na sua totalidade, mais de 500 milhões de euros anuais ao Estado, a mesma quantia que Bruxelas exige que seja garantido no orçamento deste ano à custa de mais austeridade...!!!!).
E quando de facto algo corre mal à banca, como aconteceu com o BPN, BPP, BES e BANIF, cá estão os contribuintes e o "Estado" ( que eles tanto abominam) para pagar a factura das suas "fragilidades", mesmo que para isso se tenha de fragilizar ainda mais a vida dos cidadãos à custa do recurso a mais austeridade.
Ou seja, para essa comentadora, para não se "penalizar" ainda mais o "frágil" sector bancário, a alternativa passará, provavelmente, por mais cortes nos salários, nas pensões e nos direitos sociais.
Neste caso já não lhe interessa nem preocupa a "fragilidade" dos cidadãos face às criminosas medidas de austeridade impostas por "Bruxelas"!!!
Etiquetas:
Banca,
Cartoon,
corrupção ética,
Crise Financeira,
Finanças,
indignação,
poder financeiro,
sacanas sem lei,
União Europeia
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
A Comissão Europeia não aprende com os erros e continua a destruir o projecto europeu.
No passado dia 26 de Janeiro foi divulgado publicamente um relatório do
Tribunal de Contas Europeu que denuncia a Comissão Europeia, acusando-a de
falhar em resgates a países como Portugal.
Afirma-se nesse relatório que “a intervenção da Comissão Europeia na
ajuda a países como Portugal ou a Irlanda foi “fraca” e ajudou ao crescimento
de partidos anti-sistema.
“O Tribunal de Contas Europeu considera que a Comissão Europeia não
estava preparada para os primeiros pedidos de assistência no quadro da crise
financeira de 2008 e aponta várias falhas na sua gestão dos
"resgates" a países como Portugal.
“(…) O documento da entidade sediada no Luxemburgo refere que, "a
Comissão estipulou por vezes prazos irrealistas para reformas de grande
amplitude". E diz que a crise e a resposta que foi dada transformou a
Europa, contribuindo para o crescimento de partidos anti-sistema como o Syriza
grego, o Podemos espanhol, a Frente Nacional francesa e a Alternativa para a
Alemanha (Diário Económico on-line de 26 de Janeiro de 2016).
Nesse relatório onde analisa a "assistência financeira prestada a
países em dificuldades", o Tribunal de Contas Europeu (TCE) analisa a
gestão, por parte da Comissão, da assistência financeira prestada a cinco
países – Hungria, Letónia, Roménia, Irlanda e Portugal -, concluindo que a
mesma foi "globalmente fraca" e pode ser melhorada caso surja a
necessidade de novos "resgates", embora julgue que os programas cumpriram
os seus objectivos”.
Segundo a notícia divulgada pela agência LUSA e que tem passado quase
despercebida, entre “as falhas apontadas ao executivo comunitário – e a
auditoria deixou de fora análises às decisões tomadas no plano político da UE
-, o TCE considera que, no plano de supervisão, "alguns sinais de
alerta" relativamente a crescentes desequilíbrios macroeconómicos no
início da crise "passaram despercebidos", e, na gestão dos programas
de assistência, houve diferenças de tratamento aos países, controlo de
qualidade limitado, fraca monitorização da aplicação dos memorandos e
insuficiente documentação.
“Numa síntese sobre os antecedentes portugueses que levaram ao programa
de resgate, o documento indica: "O período que antecedeu o pedido de
assistência financeira foi marcado por uma evolução desfavorável das finanças
públicas e por um agravamento das perspectivas económicas. Houve, assim, uma
quebra de confiança e surgiram pressões de mercado crescentes sobre a dívida
portuguesa, acentuadas pelos desenvolvimentos negativos nos mercados de
obrigações soberanas da área do euro."
“Assim, perante um acesso limitado aos mercados, o governo passou cada
vez mais a recorrer a emissões de títulos de dívida com prazos mais curtos e a
outros tipos de financiamento (tais como aplicações privadas, emissões
sindicadas e um considerável financiamento a curto prazo proveniente de bancos
nacionais)".
“Desta forma, "no início de Maio de 2011, o diferencial da dívida
portuguesa a 10 anos em relação aos títulos de dívida pública alemã
("Bunds") aumentou para 650 pontos de base. Devido às consecutivas
descidas da notação das suas obrigações soberanas por parte das agências de
notação, Portugal deixou de poder refinanciar-se a taxas compatíveis com a
sustentabilidade orçamental a longo prazo".
“Apontando que "os Estados-membros cumpriram a maioria das
condições estabelecidas nos respectivos programas, apesar de alguns atrasos
provocados essencialmente por factores que escapam ao controlo da
Comissão", o TCE refere que, "no entanto, a Comissão estipulou por
vezes prazos irrealistas para reformas de grande amplitude".
"Um elevado nível de cumprimento não significa que todas as
condições importantes tenham sido cumpridas. Além disso constatou-se que os
Estados-membros tendiam a adiar para a fase final da vigência do programa o
cumprimento das condições importantes", sustenta o relatório.
Continuando a transcrever a notícia da Lusa e revelada na edição
on-line do Diário Económico no passado dia 26 de Janeiro, “Além disso, o
Tribunal aponta que muitas vezes os países sob programa, incluindo Portugal,
recorreram a medidas extraordinárias para cumprir as metas de défice com que se
tinham comprometido, e observa que "medidas orçamentais temporárias não
levam a uma melhoria sustentável do défice", aliviando apenas a pressão a
curto prazo.
“O TCE reconhece todavia que as reformas do Pacto de Estabilidade e
Crescimento, em 2011, 2013 e 2014, procuraram dar resposta às insuficiências do
período anterior à crise, introduzindo uma maior supervisão macroeconómica, e a
Comissão, que teve que reagir numa primeira fase sob pressão a um contexto de
crise, ganhou experiência das suas "novas funções de gestão dos
programas".
“Ainda assim, o relatório deixa uma série de recomendações,
considerando que "a Comissão deve estabelecer um quadro aplicável a toda a
instituição para permitir uma rápida mobilização dos seus recursos humanos e
conhecimentos especializados caso surja a necessidade de um programa de
assistência financeira".
“De acordo com o TCE, "o processo de elaboração de previsões
(económicas) deve ser objecto de controlos de qualidade mais adequados", a
Comissão deve "reforçar a manutenção de registos", “tentar formalizar
a cooperação inter-institucional com os outros parceiros nos programas" e
"deve analisar mais aprofundadamente os principais aspectos do ajustamento
dos países".
“O Tribunal recomenda ainda ao executivo comunitário que se centre
"nas reformas verdadeiramente importantes".
“Numa resposta incluída no relatório, a Comissão Europeia aceitou
algumas das conclusões, embora lembrasse que o documento não terá levado em
conta "o facto de as acções da Comissão não terem sido adoptadas no vazio
e sim enquadradas numa grande complexidade de indicações institucionais".
Para grande admiração e espanto não vi esta noticia merecer o destaque
merecido na comunicação social, entre os comentadores do costume ou entre os
políticos defensores das medidas de austeridade.
E como se vê agora pela chantagem que a Comissão Europeia está a fazer
sobre o orçamento de Portugal, com a ajuda dos seus lacaios locais e dos
"miguéís de vasconcelos" do extinto PAF, especialmente o antigo
vice-primeiro ministro Paulo Portas que até se deu ao trabalho de se deslocar a
Bruxelas para "fazer queixinhas", essa gente não só mandou esse
relatório às urtigas como continua a insistir nos mesmos erros, ignorando mais
um relatório que se junta a tantos outros onde se revela as malfeitorias que
essa gente continua a apostada em fazer para salvar o corrupto sistema financeiro europeu
à custa dos cidadãos.
Esses criminosos, espécie de ladrões de casaca e gravata que rouba aos
pobres e remediados para salvar os ricos, continuam no seu afã, preocupados em
discutir décimas, enquanto agravam a situação social e económica das sociedades
europeias e fecham os olhos às barbaridade feita no seio da União Europeia aos
refugidos e aos mais necessitados.
Quem pára a cegueira desses burocratas?
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
O Respigo da Semana : O reino da Dinamarca está podre. O resto da Europa também
O reino da Dinamarca está podre. O resto da Europa também
Por JOSÉ VÍTOR MALHEIROS , im Público, 2/02/2016
“Uma Europa indiferente ao sofrimento não é o lugar da cultura mas o
lugar da barbárie.
“No fundo, sabemos há muito que é assim, mas tentámos - nós, os
europeístas do coração e da cabeça, os que sempre nos sentimos herdeiros e
cidadãos de uma Europa plural e sem fronteiras, os que sonhámos uma Europa
humanista de justiça, de cultura e progresso - encontrar razões para acreditar
numa alternativa, numa reviravolta, numa crise de consciência, num
renascimento. Mas a crise das dívidas soberanas primeiro e a crise dos
refugiados depois tornou tudo mais claro, mais brutal, mais simples, e apagou
qualquer réstea que pudesse haver de esperança.
“A União Europeia (podia dizer, como digo muitas vezes, “esta” União
Europeia, mas não vale a pena continuar a alimentar a ilusão de que “esta”
União Europeia se pode transformar em “outra” União Europeia, pela simples
razão de que não existe nenhuma liderança política que assuma claramente e com
coragem que defende uma agenda radicalmente diferente para a UE) não representa
a Europa dos valores e dos direitos humanos que sonhámos, nem a Europa do
bem-estar para todos que ambicionámos. Nem para nós, portugueses, nem para os
gregos, nem para os milhões de desgraçados que a ela tentam aceder para fugir
da guerra, das violações, da tortura, da fome, da miséria. E, se a União
Europeia não serve nem as necessidades do espírito nem as do corpo, se em vez
de se ser uma referência de humanidade e um contributo para a paz volta a ser,
como foi durante o século XX, o exemplo da desumanidade, o facho da hipocrisia
e da desigualdade, se volta a fechar os olhos aos crimes que se cometem à
frente dos seus olhos, não merece sobreviver, não deve sobreviver.
“Independentemente do número de bibliotecas, de universidades e de orquestras
que possa possuir, uma Europa indiferente ao sofrimento não é o lugar da
cultura mas o lugar da barbárie. Uma Europa egoísta e classista, uma Europa de
castas e de privilégios não é a Europa das Luzes nem da democracia. É uma
Europa de mercadores e de mercenários que deve ser recusada e combatida.
“Uma União Europeia que, perante um gigantesco problema humanitário,
causado por guerras que ela própria patrocinou por subserviência cega às forças
mais reaccionárias dos Estados Unidos, sem saber bem no que se estava a meter
ou apenas para que as suas empresas de armamento pudessem aumentar a
facturação, decide fechar as portas da cidade e aumentar o volume da música
para não ouvir os gritos do outro lado das muralhas é uma Europa que nos
avilta.
“Como classificar a decisão da Dinamarca de confiscar bens aos
refugiados que perderam tudo menos a vida? Que palavras se podem usar para
classificar esta infâmia? Como o permitiria a UE se tivesse uma réstia de
dignidade? Como classificar a prática de uma empresa de segurança britânica de
pintar de vermelho as portas das casas onde vivem refugiados? Ou as múltiplas
medidas e declarações xenófobas de políticos europeus que não são apenas
oriundos da extrema-direita?
“A União Europeia, como sempre faz, começou por enterrar a cabeça na
areia para ver se o problema desaparecia por magia. E, quando o problema se
intensificou, não só foi absolutamente incapaz de definir uma estratégia
continental para o resolver - que não poderia passar apenas pelo acolhimento
dos que fogem mas deveria incluir também uma estratégia internacional para
solucionar o problema na sua origem - como decidiu responsabilizar os países
situados na fronteira europeia. A Grécia foi acusada de ser a causa do
problema, de não controlar as suas fronteiras, de deixar entrar demasiados
refugiados, de não ser a guardiã de Schengen que os tratados exigem.
“A posição de Bruxelas em relação à Grécia é simples e clara: a Grécia
deve evitar a entrada de mais refugiados usando todos os meios possíveis.
Todos? Disparar sobre os refugiados, bombardear os seus barcos, afogar todas as
crianças? Bruxelas não o diz com esta clareza mas os eufemismos da burocracia
não deixam margem para dúvidas. Bruxelas quer uma solução final para o problema
dos refugiados.
“E nós, cidadãos desta União Europeia? O que dizemos? Vamos continuar a
tolerar o totalitarismo e a desumanidade da União Europeia?
“Foi intolerável olhar o corpo de Alan Kurdi, a criança curda afogada
no ano passado numa praia da Turquia. A União Europeia também chorou, mas todos
os dias é cumplice da morte de dezenas de crianças, mães e pais que procuram
uma terra sem guerra. A União Europeia nem sequer tenta ou finge tentar
encontrar uma solução. Espera apenas que nos habituemos, que o medo dos
refugiados cresça, que acabemos por pedir que fechem todas as portas e afoguem
todas as crianças. Acabaremos a aceitar isso? A pedir isso? Acabaremos como os
habitantes de Weimar, essa capital da cultura e da civilização, que preferia
ignorar o que se passava em Buchenwald? Estamos longe disso? Estamos cada vez
mais perto. Hoje, vão morrer afogadas, sufocadas, soterradas, mortas a tiro,
dezenas de crianças iguais a Alan Kurdi, que a União Europeia teria podido
salvar”.
Etiquetas:
Cartoon,
indignação,
José Vitor Malheiros,
Respigo da Semana,
sacanas sem lei,
União Europeia
Subscrever:
Mensagens (Atom)

























