Os dias que rolam, numa visão plural, pessoal e parcial de um mundo em rápida mutação. À esquerda, provocador e politicamente incorrecto, mas aberto à diversidade...as Pedras Rolam...
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terça-feira, 28 de janeiro de 2020
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
No 75º aniversário da libertação de Auschwitz
(Foto publicada pelo Spiegel, de um conjunto inédito de um "álbum de fotografias das SS", que pode ser visto AQUI)
Passam hoje 75 anos sobre a libertação do campo de concentração da
Auschwitz por parte do Exército Vermelho.
O Holocausto foi o maior crime praticado por “humanos”.
Não existe nenhum outro crime que lhe seja comparável, pela frieza,
pela organização, pela pura desumanidade.
Comparar o Holocausto com qualquer outro crime contra a humanidade é vulgariza-lo.
Claro que, só nos últimos 100 anos, foram cometidos os mais hediondos e
terríveis crimes contra gente indefesa, do Gulag soviético, aos massacres
norte-americanos no Vietname, dos crimes de Pinochet e de outras ditaduras latino-americanas,
aos crimes do governo sionista contra os palestinianos, dos crimes do Uganda
aos crimes da guerra civil angolana, dos crimes do Apartheid aos crimes
racistas nos Estados Unidos, dos crimes dos maoistas na China aos crimes dos
japoneses na primeira metade do século XX , dos crimes
do colonialismo aos crimes do terrorismo islâmico.
A lista é interminável, mas, mesmo assim, qualquer desses terríveis
crimes fica muito aquém do Holocausto, não apenas pelo número e pela
concentração temporal dos crimes, mas pela frieza, violência, desumanidade,
calculismo, organização e
imprevisibilidade deste último.
Muitos dos crimes acima referidos tiveram, “apesar de tudo”, a sua “lógica”
ou foram perpetrados “no calor do momento”, por "excesso de zelo" ou "descontrole", e , ao contrário dos organizadores do
Holocausto, os seus criminosos autores não se vangloriavam publicamente dos
seus actos.
Sem que nada disto sirva para desvalorizar ou desculpar esses crimes, as vítimas daqueles crimes sabiam, muitas vezes, porque eram as
vítimas: adversários políticos, combatentes, resistentes, populações em cenário
de guerra…
Pelo contrário, no Holocausto, a maior parte das vítimas nunca tinham
esboçado um acto de resistência, não tinham ideologia política, eram pessoas
vulgares, nem percebiam muitas vezes a razão da sua detenção.
“Apenas” não pertenciam à “raça superior”, eram judeus (muitos não professavam),
eram ciganos ou eram eslavos ( e, se os nazis vencessem, a lista estender-se-ia
a latinos e africanos…).
Pior ainda, muitas das vítimas do Holocausto, nem sabiam ao que iam e,
para evitar incontroláveis cenas de pânico, os nazis orquestravam a chegada aos
campos, para disfarçar o destino dos prisioneiros.
Toda a organização dos campos obedecia à frieza de uma “simples”
organização administrativa, com registos, “metas” de “produtividade”, e toda
uma burocracia do horror.
Se a negação do Holocausto é crime, a sua evocação não pode ser
vulgarizada com comparações ou, ainda menos, com o abjecto aproveitamento
político por parte do sionismo.
A intolerância, o desrespeito pelos “adversários”, o fanatismo
ideológico e religioso, a xenofobia foram as sementes desse grande crime, e são
as sementes de outros crimes contra a humanidade.
Numa época em que essa intolerância, desrespeito pelos “adversários”,
fanatismo ideológico e religioso e xenofobia estão em crescendo, mesmo nas
sociedades mais estáveis e democráticas, mesmo em circunstâncias diferentes, será
importante manter viva a memória desse crime ignóbil.
Holocaustos, nunca mais!
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
A Terra é Plana ??!!!
Parece que a evolução tecnológica, que permite o acesso democrático à
internet, tornou possível ampliar, até ao absurdo, as ideias do mais mesquinho
ignorante.
Nas redes sociais, que se substituem cada vez mais aos jornais, aos
livros e às aulas universitárias como fonte de informação e formação, colocam-se,
ao mesmo nível, as informações de um cientista e as do “maluquinho de aldeia”,
distinguindo-se apenas pelo número de likes que cada um obtém no seu post.
Assim, até ideias absurdas, mesmo aquelas em que qualquer homem
da Idade Média já não acreditava, tornam-se hoje palco de absurdas divulgações e reverências, como, entre muitas outras, a
crença, que até tem adeptos entre políticos “respeitáveis”, segundo a qual a
Terra , afinal, "pode ser plana".
Se, aqui, estamos ainda ao nível do absurdo, apesar dos seguidores,
outras, ainda “credíveis”, até com alguma pseudocientificidade pelo meio, como a negação
das alterações climáticas, vão fazendo o seu caminho de forma mais consistente
e “séria”, entre comentadores, políticos e até gente com alguma formação.
No futuro, essa gente, que continua a achar que as evidentes alterações climáticas não se devem ao tipo de
desenvolvimento económico dominante (sim, cama-se capitalismo financeiro e neoliberal), e à acção humana, mas a uma conspiração de
“esquerdistas”, vai ficar para história
ao nível das crendices “medievais” e da ignorância mais abjecta que se revelou
ao longo da história humana (das curas “milagrosas”, à superioridade racial,
entre outras) .
O problema é, se essa gente vencer hoje, elegendo ignorantes como eles
para nos governarem, como já acontece nos Estados Unidos, no Brasil e na
Austrália, não haverá futuro para os julgar e, todos, incluindo os próprios,
seremos vitimas da "democratização da ignorância", alimentada pelas redes sociais,
sofrendo na pele as consequências ambientais dessa ignorância.
Ao ler por aí a convicção com que essa gente manifesta a sua
ignorância, até eu, por vezes, me começo a questionar, se afinal … a Terra não
será mesmo plana!!!! (A cabeça deles é, de certeza...).
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terça-feira, 21 de janeiro de 2020
Isabel dos Santos; de ponta do "iceberg" da actuação do sistema financeiro neoliberal, a “peão” sacrificado pela "máfia" financeira de Davos.
Não deixa de ser curioso aparecer por aí tanta gente que só agora
descobriu que a fortuna de Isabel dos Santos foi construída na corrupção e à
custa da miséria da população angolana.
Ainda não há muito tempo a dita senhora era endeusada pelo jornalismo
económico, pelo sector económico e por grande parte da classe política do
centrão.
Sobre o que está em causa, leia-se AQUI a reportagem do Diário de Notícias.
Quando, no tempo de Sócrates e da “troika”, muitas empresas precisaram
do seu dinheiro para se salvarem, nunca perguntaram a origem desse dinheiro.
Quando muitos políticos desempregados arranjaram emprego à custa de
empresas financiadas por Isabel dos Santos, também nenhum se interrogou sobre o
financiamento das ditas empresas.
O caso mais emblemático é o caso do Banco Eurobic. Fundado tendo por
base a nacionalização e posterior privatização de um outro banco falido, o ministro
que tomou a decisão, Teixeira dos Santos, é hoje o presidente desse banco “criado”
com capitais de Isabel dos Santos. Nas origens do banco esteve outro tubarão da
política financeira do centrão, Mira Amaral (leia-se, a propósito, o seguinte artigo, escrito AQUI já há dois anos).
Já agora, para memória futura, registem-se aqui algumas empresas, uma
já extintas, outras não, que estiveram na base ou beneficiaram (ou contribuíram
para) da fortuna e da influência política de Isabel dos Santos:
- Sonangol ;
- Santoro;
- GALP;
- Banco BIC, hoje EuroBic;
- Angola Diamond Corporation;
- Terra Verde (agropecuária);
- IDUKA, agência imobiliária em Braga;
- Unicer;
- etc, etc, etc,……
Detém ainda uma parte do jornal “Sol”.
(Fonte: Diário de Notícias)
Convém ainda recordar que o investimento de Isabel dos Santos e das “suas”
empresas em Portugal, iniciado com Durão Baroso, mas que conheceu um boom na
era Sócrates, contou com a “colaboração” de empresas como a corticeira Amorim,
a Amorim Energia, o extinto Banco Espírito
Santo, a rex-PT, a NOS, a Mota-Engil, a CGD , a Galp, o BCP, o Santander, a Sonae, a Efacec…
Entre os “quadros” que em Portugal beneficiaram ou ajudaram a
influência política e financeira de Isabel dos Santos, encontram-se nomes,
alguns entretanto “reformados”, como o ex-ministro do PSD Mira Amaral, António Monteiro, Tavares Moreira, outra
figura do PSD, ou António Pires de Lima, figura de destaque no CDS e nos tempos
da “Troika”.
Leia-se, a propósito, este artigo sobre "os laços de Isabel dos Santos com a elite económica portuguesa".
Caída em desgraça, muitos dos mafiosos, que beneficiaram e promovem as
mesmas práticas de fuga a impostos, lavagem de dinheiro e compadrio político-financeiro,
como os vampiros de Davos, vieram agora,
apressadamente, tirar-lhe o tapete.
Um dos casos mais significativos foi a da consultadoria PWC que,
durante anos andou a legitimar os negócios de Isabel dos Santos e que agora se
apressa a cortar relações com ela. Se eu fosse investidor, apressava-me a
riscar essa empresa nas decisões dos “meus” negócios, pois, ou essa empresa foi
conivente com a corrupção da empresária angolana ou, se não sabia de nada, é
incompetente na sua área de negócio.
Muitos que agora batem com a porta nunca se preocuparam com a origem de
tanta riqueza, apesar de tantos avisos ao longo do tempo.
No fundo, toda essa gente sabe que essa riqueza e o seu tipo de
negócios só se constrói fugindo ao fisco, roubando populações inteiras,
destruindo o ambiente, colocando dinheiro em off shores, traficando influências
entre o mundo da política e da alta finança.
Enquanto tudo corre bem, gentalha como a Isabel dos Santos anda nas
boas graças, até porque também deu dinheiro a muitos dos seus actuais
detractores.
Mas a procissão ainda vai no adro.
Isabel dos Santos não roubou sozinha e, se ela cair, vai ser uma razia
na banca portuguesa, nalgumas esferas políticas do centrão, em conhecidos
escritórios de advogados, e em grandes empresas onde pontificam GEO’s de
renome, muitos colocados nesses cargos pelos favores políticos que fizeram à
dita senhora.
Também o Banco de Portugal e o Ministério Público vão sair chamuscados
de toda esta situação, porque, ao longo do tempo, ignoraram o alerta de
jornalistas, de alguns políticos, e muita gente.
Desconfia-se mesmo da conivência do Banco de Portugal e do Ministério
Público, bem como de uma grande parte do sector financeiro em Portugal e na
Europa, com a situação agora publicamente denunciada.
Ainda hoje ouvi uma comentadora de economia a "justificar" Isabel dos Santos com a desculpa de que ela fez o que é normal fazer-se no sector financeiro
por essa Europa fora, só sendo escandaloso porque envolve um país africano
pobre.
A atitude dos mafiosos do Forum de Davos dá razão a essa jornalista.
De facto, o tipo de actuação de Isabel dos Santos é igual ao tipo de
actuação do sector financeiro do sistema neoliberal: fugir ao controle e à regulamentação
através do recurso a paraísos fiscais, envolver a classe política dos seus
negócios, de modo a influenciarem as políticas financeiras, económicas, sociais e
fiscais dos governos, e explorar e delapidar os recursos naturais do planeta,
apesar dos custos sociais e ambientais.
Tal como a máfia, o poder financeiro mundial, representado no Forúm de
Davos, tem de “eliminar” aqueles que, no seu meio, caiam em desgraças, para
desviarem as atenções das suas malfeitorias e não caírem com eles.
Vai ser divertido ouvir e ler por aí alguns comentários de jornalistas
e comentadores da área económica e financeira que sempre legitimaram os métodos
de actuação que foram seguidos por Isabel dos Santos .
Aguardam-se cenas dos próximos capítulos.
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
Charlie Hebdo – Caricatura – Modo de usar
BêDêZine: Charlie Hebdo – Caricatura – Modo de usar: Está à venda em França uma edição especial de “Charlie Hebdo”, uma reflexão sobre a caricatura e o desenho satírico. (clicar para saber mais).
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
Os Títulos manipulados do Jornal "Público"
Tal como acontece desde há muito, noutro jornal dito de "referência", o "Expresso", nos últimos tempos, outro jornal de "referência", o "Público", usa e abusa da manipulação de títulos de primeira página, com nítida má fé, e meias verdades, apenas com o intuito de provocar reacções de tipo populista.
É o que se chama "descer ao nível do "Correio da Manhã"!
É o que se chama "descer ao nível do "Correio da Manhã"!
Na edição de hoje do Público, o alvo, mais uma vez, diga-se de passagem, é a classe dos professores.
Não admira que um dos jornais que mais apoiou a acção da antiga ministra Maria de Lurdes Rodrigues contra os professores e endeusou os malfadados e tendenciosos rakings , continue a usar e abusar da má fé.
O título que acima reproduzimos é um abusivo uso de uma meia verdade.
A intenção é dar a ideia que os professores forma beneficiados com uma subida de escalão apenas num ano, alimentando todo o tipo de reacções populistas que tanto têm contribuído para desprestigiar uma classe fundamental para o futuro do país.
Aliás, já se começa a ver o resultado desse tipo de campanhas, alimentadas por comentadores e políticos vários, como o dramático envelhecimento de um grupo profissional e a recusa dos mais novos em abraçar tão nobre actividade.
A escolha de um título manipulador e de má fé como aquele esquece que esse escalão foi criado há cerca de dez anos, sem que, ao longo de quase outros dez anos, nenhum professor tivesse beneficiado de uma subido de escalão, apesar de ter de se submeter a avaliação interna e frequentar regularmente acções de formação obrigatórias.
Para ser correcto, o título devia dizer que "ao fim de quase dez anos, finalmente alguns professores, com mais experiência e depois de frequentarem dezenas de hora de formação, paga do seu bolso e frequentada nas suas horas livres, começaram a aceder ao escalão a que têm direito"!.
Mas a intenção de grande parte do jornalismo dito de referência não é informar, mas fazer politica faccioso, servindo os interesses económicos e financeiros que os sustentam.
Depois admiram-se de serem "batidos" pelas redes sociais!
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
Entre Rio e Montenegro…venha “o diabo”…e escolha Rio!
Tudo o que se passa no interior dos partidos do centrão, aqueles que
nos governam desde que temos democracia, não pode passar indiferente ao cidadão
comum.
É que, umas vezes em maioria, outras em coligação, são esses dois
partidos que lideram o rumo da democracia portuguesa e não se vislumbra uma
alteração a essa situação na próxima década.
A disputa pela liderança desses partidos, mesmo que não nos
identifiquemos com eles, como é o meu caso, é assunto que deve preocupar todos,
até porque, mesmo quem não vote neles, sofrerá as consequências das decisões
dessas lideranças.
É assim que, sem me identificar com o PSD, partido que, apesar de tudo,
é fundamental para o funcionamento do regime democrático português, me preocupa
a situação interna nesse partido.
No PSD sempre existiram várias tendências, uma mais de centro-esquerda,
muito minoritária, outra mais de centro-direita e, com Cavaco, Durão e Passos
Coelho, outra de direita radical, neoliberal, intolerante e populista que tem
sido dominante nos últimos tempos, mas que perdeu a liderança para Rui Rio,
que, tal como o presidente de República ( e, no passado, Sá Carneiro),
representa uma tendência mais “centrista” (mais liberal, dialogante,
democrática e com preocupações sociais).
Sabendo-se que o PS se vai desgastando no poder, é credível que o
vencedor das eleições internas do PSD possa vir a tornar-se, na próxima década,
o novo primeiro-ministro, por isso não pode ser indiferente, ao cidadão comum,
quem vai liderar o partido nos próximos tempos, até porque, desta vez, existe uma diferença assinalável,
quer do ponto de vista ideológico, quer do ponto de vista de estilos, entre os
candidatos.
Por isso, como cidadão que já sofreu na pele as consequências das
lideranças do PSD, é óbvio que torço para que seja Rio a vencer a segunda
volta.
Sem me identificar com a ideologia do PSD e de Rui Rio, parece-me que,
apesar de tudo, ele será um líder mais tolerante e dialogante, com preocupações
sociais, mais “centrista” e mais próximo de uma democracia aberta e
constitucional.
Pelo contrário, Montenegro representa tudo o que de pior existe naquele
partido, que, um dia no governo, vai voltar a repor as malfadadas “reformas
estruturais” (leia-se, cortes salariais e nas pensões, destruição de direitos
sociais, privatização maciça de serviços públicos, destruindo o pouco que resta
do nosso fraco Estado Social) do cavaquismo e do passos-coelhismo.
Para além disso, Montenegro representa o lado mais negro da política, o
das negociatas de bastidores, submissão ao pior dos interesses financeiros, sem
esquecer a submissão aos interesses obscuros das maçonarias, Opus-Dai e Grupo
de Bildberg.
Por isso, como cidadão, que sofreu na pele (e bem) as políticas do “ir
além da troika” que estão por detrás da candidatura de Montenegro, só posso
dizer que…entre Rio e Montenegro venha “o diabo”…mas escolha Rio!
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
Recordar os "Jafumega"
O falecimento de Eugénio Barreiros, um dos três irmãos Barreiros, leva-nos a recordar um dos grupos mais marcantes da minha geração, os Jafumega, por ele fundado em 1980.
Os irmãos Barreiros (Eugénio, Pedro e Mário) iniciaram-se no mundo da musica quando, ainda no início da adolescência, fundaram o grupo Mini Pop, aquilo que hoje se designaria por uma Boy Band, que obteve algum êxito no início da década de 1970, tendo participado no festival RTP da Canção de 1973.
Mas foi com a formação do grupo Jafumega que marcaram a história do pop-rock português.
Lançando o seu primeiro álbum, cantado em inglês, em 1980, foi com o seu segundo trabalho, o homónimo "Jafumega", editado em 1982, e depois de se converteram a cantar na língua materna num single editado em 1980, com o famoso tema "Ribeira", que se tornaram conhecidos, muito graças ao excelente lote de músicos que se juntaram a eles, como José Nogueira, Álvaro Marques, Carlos Veléz, sem se esquecer a voz emblemática de Luís Portugal .
Entre os temas desse álbum, existem alguns que a gente da minha geração pasa a vida a trautear, como "Kasbah", "Latin'America" ou "Nó Cego", onde se revelaram as qualidades de letrista de Carlos Tê, responsável pelo êxito, no mesmo período, de Rui Veloso.
Aqui vos deixamos com alguns desses temas :
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terça-feira, 14 de janeiro de 2020
Do jogo de futebol em Setúbal à memória de Paulo Gonçalves : o fair play no desporto e…a falta dele!
(Fonte: "A BOLA")
Em Portugal, Desporto é sinónimo de…futebol!
Tudo bem se, do futebol, viessem bons exemplos para a sociedade, para a
formação dos jovens, se fosse tudo claro no seu financiamento e houvesse
resultados dignos de nota.
Nas televisões, os programas desportivos deviam chamar-se antes
programas de futebol, assim como o espaço dedicado ao “desporto” no (exagerado)
espaço que lhe é dedicado.
Tenho visto televisões noutros países, em especial na nossa vizinha
Espanha, e, na comunicação social “normal” desses países, existe, sim, um
espaço desportivo, mas não se abrem noticiários ou alertas de “última hora”
com resultados de jogos triviais, transferências de jogadores ou boçalidades
dos vários protagonistas do futebol.
Aí, o espaço dedicado ao desporto inclui todos os desportos em
destaque, onde cabe também, obviamente, o futebol, mas é sempre um espaço
curto, remetendo os debates e reportagens
alargadas para canais ou espaços próprios.
Por cá, o tempo que, diariamente, as televisões dedicam ao futebol
chega a enjoar até ao bocejo e ao vómito.
A pluralidade de canais televisivos, que devia garantir a diversidade,
transforma-se rapidamente numa informação totalitária, ao nível de uma Coreia
do Norte, quando se trata de futebol.
Se corrermos todos os canais em certos dias e em certas horas, somos
capazes de estar a seguir a mesma conferência de imprensa de um treinador ou de
um dirigente desportivo em mais de 10 canais!!!
Depois há o costume de, cada vez que se fala num dos “grandes”
(Benfica, Sporting ou Porto), ter de correr as “capelinhas” todas, situação agora agravada pela necessidade de acompanhar todos os resultados de clubes internacionais onde jogam ou treinam portugueses.
Há também uma grande deferência para com qualquer declaração ou
polémica, eivada de todo o tipo de boçalidades e ofensas, que venha do mais
obscuro dirigente de um clube de futebol.
Contudo, o mundo do futebol é um meio pouco edificante e os resultados
são, em média, medíocres.
Qualquer actividade desportiva em Portugal (já para não falar em
actividade cultural ou científica), pode exibir uma quantidade de troféus
internacionais ( a nível europeu ou mundial) muito acima dos parcos resultados
do futebol (temos umas, cada vez mais raras, vitórias europeias por equipas,
uma única de selecções e, a nível mundial, apenas dois troféus, um por equipas,
do Porto, já com décadas, e outro na secundária Liga das Nações…).
Por outro lado, sendo o futebol uma das actividades mais bem
financiadas, nunca se viu um grande interesse entre o poder político e entre o
meio jornalístico em investigar, a fundo, a origem de tanto dinheiro, mais que
suspeito.
Por último, a postura da maior parte dos dirigentes do grandes clubes,
e não só, é a de meros arruaceiros, revelando uma grande falta de fair play, como
se revelou, de forma gritante, no último fim-de-semana com o “caso” do jogo
entre o Sporting e o Setúbal.
Com os jogadores deste clube quase todos doentes, e apesar de haver
abertura entre os jogadores e os treinadores de ambos os clubes para adiar a
partida, os dirigentes leoninos mostraram uma grande falta de fair play,
insistindo em manter um jogo, só porque tinham possibilidade de ganhar facilmente,
talvez para disfarçar os maus resultados da época.
Não deixa de ser irónico que tenhamos assistido à trágica morte de um
motociclista português, Paulo Gonçalves, no “Dakar”, um dia depois daquela lamentável
situação no futebol caseiro, para ficarmos a conhecer um desportista que era o
exemplo do contrário de tudo o que se passa no meio futebolístico.
Paulo Gonçalves, campeão do mundo de motocross, com um invejável
palmarés no seu desporto, era praticamente um desconhecido, a não ser no meio
do motociclismo.
Não se conhecem muitas entrevistas com ele na comunicação social e,
mesmo a actual temporada do “Dakar”, pouca atenção tinha merecido, até esse
trágico acidente, nas televisões nacionais.
Para além disso, a sua morte trouxe ao conhecimento público as muitas
ocasiões em que o piloto, muitas vezes em prejuízo próprio, prestou ajuda e assistência
a outros concorrentes nas mais variadas provas em que participou.
Também, ao contrário do infeliz hábito de jogadores e treinadores de
futebol, não se apressava a insultar os árbitros quando as coisas não lhe
corriam de feição. Arregaçava as mangas, tentava emendar os erros e punha-se a
caminho, atitude que, aliás, acabou por lhe custar a vida.
É bom que se saiba que, também os havendo no futebol, existem muitos excelentes
desportistas nas mais variadas competições, com melhores resultados até, e com
o fair play, que, faltando cada vez mais no mundo do futebol, devia ser
apanágio e exemplo dos verdadeiro desportista.
Obrigado Paulo Gonçalves por nos lembrares que existem bons valores no
mundo do Desporto!
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020
LIVRE…DESCALABRO!
Confesso que me identifico com muito do que escreve e defende Rui
Tavares, responsável pela criação do LIVRE.
Nas últimas eleições até torci para que esse partido conseguisse
representação no Parlamento.
Penso, até, que, em termos programáticos e ideológicos, me identifico
mais com o Livre do que com os outros partidos da esquerda.
Só não votei Livre nas últimas eleições por recear que o meu voto
ficasse perdido e por isso votei “útil” na CDU.
Infelizmente a representação desse partido no Parlamento têm-se
revelado uma autêntica desilusão.
O último episódio é a actual desorientação sobre o sentido de voto no
Parlamento.
Há dois dias, depois de confirmada a abstenção da CDU e do PAN, faltava
apenas um voto para garantir a aprovação do Orçamento.
Tinha sido a altura ideal para o LIVRE indicar o seu sentido de voto,
surgindo então como partido imprescindível.
Infelizmente deixou-se ultrapassar pelo BE e pelo PEV que, no dia
seguinte, ao indicarem o seu sentido de voto, tornaram o LIVRE irrelevante.
…Ainda agora não se percebe qual vai ser o sentido de voto desse
partido.
Mais uma desilusão à esquerda!
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terça-feira, 7 de janeiro de 2020
2020 : O “primeiro da década” ou o “primeiro do fim do mundo”?
O Ano começou com uma daquelas discussões de “sexo dos anjos”: 1920 é o
primeiro ano da década de 20 ou o último da década de 10?.
Cientificamente, 2020 é de facto o último ano da década de 10, a
segunda do século XXI, um século que começou de facto em 2001.
Claro que tudo não passa de uma convenção.
Não deixa de ser curioso é ver o tipo de argumentos usados por “comentadeiros”,
de Miguel Sousa Tavares a João Miguel Tavares que, em vez de, humildemente,
reconhecerem que se enganaram, na pressa em arranjar tema para comentar, se
apressaram “rosnar” uma série de ameaçadoras diatribes contra aqueles que
defendem o rigor dos conceitos, logo eles que se apresentam como verdeiros
justiceiros do “rigor”.
Mas, se 2020 não é, em rigor, o primeiro de uma nova década, o ano
surgiu logo ameaçador, com dois acontecimentos que nos alertam para vulnerabilidade
da espécie humana: a tragédia dos incêndios na Austrália e o aumentar da tensão
o Médio Oriente, um verdadeiro barril de pólvora para a paz mundial.
As coisas não deixam de estar ligadas: a dimensão dos incêndios
australianos é uma prova da evidência científica das consequências das
alterações climatéricas, provocadas pelo consumo humano; o conflito entre
norte-americanos e o Irão tem na sua origem os interesses que andam à volta do
petróleo, produto cujo uso é um dos principais responsáveis pelas dramáticas
alterações climatéricas.
Não deixa de ser significativo que no meio dos dois debates, o das alterações
climatéricas e o da instabilidade militar no Médio Oriente , esteja uma mesma
figura, Donald Trump!
Voltando à situação na Austrália, ficámos a conhecer um outro criminoso
ambiental, pela forma como boicotou a Cimeira de Madrid, que se pode juntar a
Putin, Trump ou Bolsonaro. Referimos-nos ao primeiro-ministro australiano, Scott
Morrison.
Quando soube que a Austrália tinha sido um dos países a boicotar a
Cimeira do Clima em Madrid, confesso que fiquei surpreendido, tanto mais que,
já nessa altura, a Austrália estava a enfrentar a grave situação dos incêndios,
drama que se tem vindo a acentuar nos últimos anos, atingindo uma dimensão
muito mais grave do que aquela que se viveu no ano que findou na Amazónia.
Ao conhecer essa figura, percebi a atitude do governo australiano. Mais
um idiota ignorante e perigoso, a juntar
a um Trump ou a um Bolsonaro.
É caso para dizer que o ano começa mal.
Aceitemos ou não 2020 como o último de uma década, esperamos que este
não seja o primeiro do “fim do mundo”!
Apesar das ameaças, daqui desejamos um Bom Ano para os nosso leitores.
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