O EURO DÁ AS “ÚLTIMAS”
Já não há esperança para o euro.
Mesmo os mais optimistas já o admitem.
A dúvida está em saber QUANDO e COMO?
Amigos meus têm apostado comigo que daqui a um ano Portugal já não está no euro. Eu até estava optimista, e quando me referia ao fim do euro era mais em tom de provocação. No fundo, no fundo, ingenuidade minha, acreditava numa reviravolta de última hora.
Agora a minha aposta com esses amigos já não é que os ache pessimistas. Para mim, e perante as últimas notícias do mundo financeiro, económico e político, começo a ter dúvidas se haverá euro…daqui a um mês.
Neste momento, mais do que saber quando saímos do euro, ou quando é que ele acaba, ou se fica uma moeda restrita da Alemanha e dalguns satélites seus do norte e do leste, é saber como é que se acaba com ele.
Tenho por mim, já que se anda a pedir tantos sacrifícios aos portugueses, sem se apontar um objectivo que não seja o de salvar o euro, que já não é possível salvar, e “acalmar” os “mercados”, que, como se tem visto, não se “acalmam” com os sacrifícios, porque já perceberam que o euro é “lixo”, talvez fosse melhor aproveitar a “onda” e, em vez de sacrifícios em vão, estes fossem canalizados para uma nova realidade sem euro.
Uma primeira pergunta que faço aos meus amigos e a todos os portugueses em geral, excluindo os que vivem de “expedientes”, da especulação e da fuga aos impostos, o que é que ganharam com a adopção do euro, nos últimos dez anos?
Os salários pouco subiram, o custo de vida aumentou imenso (o que custava 50 escudos, passou a custar 50 cêntimos, o que custava 100 escudos passou a custar 1 euro, ou, seja, o dobro…), as restrições orçamentais exigidas, sem contrapartidas nem a prometida solidariedade aos países mais pobres, levaram à destruição da economia , em nome do equilíbrio orçamental e das “políticas comuns” (para favorecer a França e a Alemanha, destruímos a agricultura, a industria, o comércio local e as pescas…).Desbaratámos as poucas vantagens económicas da adesão ao euro na construção de auto-estradas que nos incentivaram a usar o automóvel (de preferência de marca francesa ou alemã), com graves custos na nossa balança comercial (o automóvel e o petróleo são bens importados e de grandes custos) e a desprezar o transporte público, quando não fizemos ainda pior, endividando-nos na construção de estádios de futebol e no crédito “barato” (que nos saiu caro), oferecido pelos bancos e que garante a estes, ainda hoje, lucros fabulosos.
Ou seja, tirando a facilidade em viajar em países com a mesma moeda, os poucos anos que vivemos com o euro não deixam saudades à maior parte dos portugueses ( e o pior ainda está para vir).
Resta-nos então virar as costas ao euro e, talvez, à Europa. Já que vamos sofrer sacrifícios tão pesados, que estes sejam para uma “boa causa”.
Sair do euro começa a ser, como se diz, um “imperativo nacional”.
Em primeiro lugar devemos deixar de privilegiar a União Europeia como parceiro quase exclusivo. Devemos reforçar as nossas relações como o norte de África, o Brasil e os países da CPLP. Devemos ainda aproveitar as nossas boas relações históricas com a Índia, a China e o Japão. Devemos reforçar os nossos laços com a Espanha e a Comunidade latino americana.
Não nos podemos esquecer das nossas comunidades de emigrantes, nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa.
Em nome da recuperação do país e da necessidade do nosso equilíbrio comercial e financeiro, devemos romper com todos os tratados europeus que nos impeçam de desenvolver os sectores agrícola, industrial e o das pescas.
Por enquanto, antes de sairmos do euro, devíamos criar uma moeda padrão virtual (assim como foi o ECU para a União Europeia, antes do desastre da criação do euro), que servisse de referência, em primeiro lugar, à moedas dos países da lusofonia, mas à qual podiam aderir outros países com quem tivéssemos boas relações culturais e económicas.
Quando saíssemos definitivamente do euro, essa moeda tornar-se-ia real, e estava almofadada na adesão à mesma desses países.
Por último devimos começar a criar já medidas para desincentivar a importação de produtos da França e da Alemanha, substituindo-os por produtos de outras regiões, em condições mais favoráveis para o nosso mercado, medidas que seriam extensíveis aos países que mantivessem o euro depois da nossa saída.
Até lá, aconselho a quem tiver reservas em euros que as troque por outra moeda, como a libra ou o dólar. Pode ser a salvação para os poucos que conseguiram acumular alguns euros.