Os dias que rolam, numa visão plural, pessoal e parcial de um mundo em rápida mutação. À esquerda, provocador e politicamente incorrecto, mas aberto à diversidade...as Pedras Rolam...
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sexta-feira, 11 de novembro de 2016
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
"Choque e Pavor": os números do “trumpismo”.
Olhando para os padrões eleitorais
que levaram Trump à presidência, as surpresas são muitas.
Usando os critérios que identificam o programa do “trumpismo” e aquilo
que o candidato republicano defendeu em campanha, ficamos a saber que, entre os eleitores norte-americanos:
- 58% dos homens brancos são racistas e intolerantes;
- 49% dos brancos com formação superior assumem-se ignorantes e incivilizados
;
- 42% das mulheres gostam de ser “apalpadas” e ouvir piropos;
- 29% de hispânicos e asiáticos gostam de ser insultados:
Felizmente, apenas 8% de negros gostam de ser humilhado pela cor da
pele.
São esse os números que identificam os apoiantes de Trump.
Contudo, e invertendo esses números, ainda há esperança, porque não o
apoiaram:
- 88% dos negros votantes;
- 65% de hispânicos e asiáticos;
- 55% dos eleitores mais jovens (no escalão dos 18 aos 29 anos)
- 54% de mulheres;
Um outro dado que pode dar alguma esperança é o facto de, pela segunda
vez neste século, e pela 5ª vez desde que há eleições nos Estados Unidos (nunca
tendo acontecido no século XX), um presidente é eleito sem ter a maioria do
voto dos eleitores.
Clinton recebeu mais 250 mil votos que Trump na totalidade de todo o
país.
Não deixa de ser paradoxal que Trump, que tanto se queixou do “sistema” tenha beneficiado do mesmo “sistema” para
vencer umas eleições com menos de 50% de votos (uma percentagem que desceria
ainda mais se contássemos com os votos noutros candidatos).
Se o “sistema” colocou Trump no poder, a maior parte dos
norte-americanos não o apoiam e manifestaram-no nas eleições, retirando legitimidade democrática às suas
acções futuras.
É a única boa notícia destas eleições.
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quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Estamos “Trumpados” ….”God Save America”…e o Mundo também!!!
Percebo agora o que muitos alemães e cidadãos europeus sentiram, na
década de 30, quando Hitler chegou ao poder, também por via democrática.
A ignorância, a intolerância e a arrogância venceram mais uma vez por
via democrática e, desta vez, num país que pode influenciar a vida de todos os
cidadãos do mundo.
Venceu uma explosiva mistura de Nicolas Maduro com Rodrigo Duterte e
umas pinceladas de Vladimir Putin .
A vitória eleitoral de Trump vai incentivar todos os populistas e
xenófobos que ganham terreno por essa Europa e pelo mundo fora, a começar já em
França por Sarkozy e LePen.
O mais grave de tudo, e que vai ter efeitos dramáticos à escala global,
é a posição do novo presidente em relação às alterações climatéricas. Se levar
adiante o que promete, é melhor começarmo-nos todos a prepara para um cenário
parecido com o do filme “O Dia Depois de Amanhã”.
Depois, e não menos grave, se o novo presidente for coerente com a sua
agressiva retórica eleitoral, vamos ter um agravamento das tensões militares e
da corrida armamentista à escala global, não se podendo por de lado que
assistamos, pela primeira vez após a Segunda Guerra, a um ataque nuclear a um
qualquer país que irrite o novo presidente da América.
Nos Estados Unidos, o efeito principal, no imediato, vai ser um enorme
retrocesso social, que vai começar pela destruição do “ObamaCare”, pelo aumento
de ataques racistas, homofóbicos e xonófobos, gerando um aumento generalizado da
insegurança, da violência e de medo, que alimentará a retórica do “novo”
partido Republicano e do presidente eleito, que resvalará cada vez mais para um
Estado proto-fascista, apoiado pelo complexo militar norte americano e pelo
grande poder financeiro.
O lobbie do armamento vai sair reforçado, com consequências cada vez
mais dramáticas.
No fim, e se não se envolverem numa guerra com alguém, que disfarce a
crise social que se vai agravar, os Estados Unidos vão sair de tudo muito mais
enfraquecidos e isolados, levando consigo todo o mundo ocidental.
A única recomendação que dou aos Americanos de bem, progressistas e
inovadores, é que, enquanto é tempo e se puderem …fujam para o México [Canadá e Europa] enquanto
não se constrói o Muro!!!
A única coisa positiva, no meio desta catástrofe, é o facto de, com a
vitória de Trump, não se atirar apenas fora o “bébé”, mas atira-se também fora
a “àgua do banho”, isto é, a globalização neoliberal, que nos conduziu a esta
catástrofe, e a cegueira do politburo de Bruxelas, descredibilizado com tudo isto,
mais o seu malfadado TTIP.
A única esperança é que tudo não tenha passado de retórica eleitoral,
mas, a ser assim, é o próprio candidato que vê comprometido o seu futuro
político.
Como dizem nos Estado Unidos, que “Deus salve a América”, e o Mundo
também!
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terça-feira, 8 de novembro de 2016
SAUDADES DE OBAMA
Recordo-me, desde criança, de seguir, em casa dos meus pais, com
atenção e entusiasmo, as eleições norte-americanas, tomando-se partido sempre
pelos democratas, embora nem sempre pelo candidato oficial.
Era a forma permitida de viver, virtualmente, como hoje se diria, a
democracia, num país governado por um ditador, no seio de uma família da
oposição.
Recordo-me até de, no liceu, durante os intervalos, ingenuamente, nos
envolvermos em disputada gritaria pró ou contra candidatos dos longínquos e
míticos Estados Unidos, por ocasião das eleições norte-americanas.
Lembro-me, especialmente, da campanha de 1972, em que os “betinhos” do
Liceu gritavam por Nixon e nós, os “rebeldes” gritávamos, ingenuamente, pelo
candidato democrata, McGovern.
Reconheço que a cultura americana esteve sempre presente na minha
formação, através da banda desenhada (nos suplementos dominicais do Primeiro de
Janeiro, primeiro, nas revistas da Disney que o meu avó me dava, depois, e,
mais tarde, na irreverência da série Peanuts seguida nas páginas do Diário de
Lisboa), do entusiasmo como se seguia a conquista do espaço ( ver a chegada do
homem à Lua, em directo, em 1969, é uma das recordações que me acompanhará
ao longo da vida), da descoberta do mundo através do cinema de Hollywood (outra
noite sagrada era a da transmissão, em diferido, da entrega dos óscares), ou da
descoberta da rebeldia do rock and roll (com os intervenientes de Woodstock de
1969 a dominarem) .
Mas o entusiasmo por esse lado da cultura norte-americana era
contrabalançada pela crescente consciência da existência de um lado obscuro dessa grande nação, como o
assassinato dos irmão Kennedy e de
Luther King, a segregação racial, a politica internacional de apoio a ditadores
(como os ibéricos) e de intervenções militares violentas, com aconteceu no
Vietname, ou o reacionarismo de largos sectores das elites políticas norte-americanas.
Vem-me tudo isto à memória no dia em que se disputam umas das mais
decisivas eleições presidenciais da história norte-americana, em que se
confrontam dois candidatos que não oferecem grandes garantias de estabilidade
num mundo cada vez mais violento e agressivo, dominado por um poder financeiro sem
freio e por populismos antidemocráticos.
Ao contrário do que aconteceu com a eleição de Obama, o primeiro
presidente negro eleito naquele país, o que só por si já foi uma grande
vitória, que representou uma lufada de
ar fresco, uma ruptura importante na
atitude dos Estados Unidos face ao mundo, um presidente dialogante, que
procurou internamente alargar a justiça social, apesar da forte oposição da
geração mais retrógrada e reacionária que domina o partido republicano, que domina o Senado e o
Congresso, a escolha de hoje é entre o regresso ao tradicional establishement democrata, arrogante e corrupto, representado
por Hillary, ou um presidente proto-fascista, retrógado, incompetente,
internacionalmente perigoso, representado por Trump.
A escolha não é pela esperança de mudança ou melhoria, mas pelo mal menor.
O mal menor é Hillary Clinton, que, apesar de tudo, esperemos que seja
o próximo presidente dos Estados Unidos.
A sua postura arrogante, o seu militarismo, a sua cedência aos lobbies
financeiros e ao governo intolerante de Israel, representam sem dúvida o regresso a um poder
norte-americano que se pensava ultrapassado com Obama, mas, por ser o que
conhecemos, é preferível ao aventureirismo reacionário, antidemocrático e xenófobo de um ridículo, incompetente e
perigoso Trump.
Apesar de tudo,a vitória de Hillary pode trazer um aspecto novo, a eleição
de uma mulher, o que representa uma novidade, um acontecimento que, naquele
país é mais difícil do que eleger um
negro. E essa novidade pode abrir as portas, a prazo, a outra novidade, esta
sim realmente entusiasmante, que é a de vermos um dia Michelle Obama na
presidência.
Apesar de desejar, para bem da humanidade, a vitória de
Hillary, já começo a ter saudades de Obama.
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segunda-feira, 7 de novembro de 2016
WEB SUMMIT : Navegando entre provincianos e criativos
A forma como certa comunicação social
e alguns comentadores alardeiam a iniciativa que vai marcar a vida lisboeta a
partir de hoje, é bem reflexo de uma certa forma de encarar a rápida evolução
tecnológica dos últimos anos, que varia entre o mais ridículo provincianismo e
as reais capacidade criativas fomentadas pela actual revolução tecnológica.
A atitude de basbaques provincianos
assumida por alguns comentadores perante aquele evento, como se a tecnologia,
só por si, fosse o paraíso na terra, é oportunisticamente assumidas por outros
com a defesa boçal da “uberização” do trabalho, procurando colar aquela
iniciativa à “necessária” precarização do trabalho sem direitos.
Ora, a tecnologia não é “boa” ou “má”
só por si, dependendo do uso que dela pode ser feito.
Por sua vez, a evolução tecnológica,
ao contrário daquilo que aqueles defendem, não justifica o aumento da
precaridade profissional, a perda de direitos sociais ou a desvalorização do
factor trabalho.
Pelo contrário, e isso é o verdadeiro
apanágio da maior parte das empresas que participam nesse evento, a inovação
tecnológica só será importante se melhorar a qualidade de vida da humanidade .
É exactamente graças à inovação
tecnológica dos últimos anos que, nos nossos dias, não se pode continuar a justifica
o aumento de desigualdades, o aumento de injustiça social ou a desvalorização
do factor trabalho à custa da qualidade
de vida.
Por isso, a inovação tecnológica é,
só por si, o estertor da mentalidade provinciana e socialmente oportunista dos
comentadores neoliberais que tentam colar a iniciativa aos seus ataques
descabelados ao estado social.
Por seu lado, iniciativas como esta,
para além da importância económica, social e cultural que podem ter para o país
, interessam, em primeiro lugar, às empresas aí inscritas que pretendem
valorizar o seu “produto” e, em segundo
lugar, à generalidade de empresas e cidadãos que podem ficar a conhecer as
novidades tecnológicas que possam contribuir para melhorar, qualitativamente,
as suas condições de produção e trabalho.
Tudo o resto é conversa de basbaque
oportunista e provinciano.
Nas sociedades actuais há lugar para
a tecnologia, mas só se ela servir, antes demais, para a humanização dessas
mesmas sociedades.
Uma última nota ainda para a
ignorância de alguns comentadores que vêem nessa iniciativa uma prova exclusiva
da dinâmica das empresas privada em desfavor da “inércia” do Estado, dos
serviços públicos e da esquerda em geral : “esqueceram”-se que houve um grande investimento público, quer
na divulgação, quer na organização desse evento, por parte do Estado e de um
governo de esquerda apoiado pela esquerda!!!!???
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sábado, 5 de novembro de 2016
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
O AMADORA BD termina este fim-de-semana:
BêDêZine: Uma vista ao O AMADORA BD que termina este fim-de-semana...: Fórum Luís de Camões (ver fotos, clicando)
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Web Summit versus provincianismo, preconceito e jornalismo de sarjeta
Iniciativas como a Web Summit são iniciativas louváveis e prestigiantes
para Portugal.
Infelizmente, a pretexto dessa relevante iniciativa, escrevem-se as
maiores alarvidades, assentando, quer no preconceito ideológico, quer na
desinformação, quer no mais primário provincianismo.
Foi o que aconteceu com a última crónica do “jornalista” Manuel
Carvalho, no jornal Público, intitulada, significativamente, “Este país não épara novos”, na edição de 2 de Novembro de 2016.
O título já é, só por si, um tratado ideológico de desonestidade
intelectual, potenciando a idéia de que a inovação e a criatividade é dos “jovens”
e o tradicionalismo e o imobilismo é dos “velhos”, dando seguimento a uma idéia
de que os “velhos”, impondo a “sua” “cartilha dos direitos” sociais, estão a
mais na sociedade, impedindo a sua “modernização” (ouvimos muito disso a
propósito do Brexit), como se a modernidade, a inovação tecnológica e a
criatividade só se pudessem expandir contra os direitos sociais defendidos
pelas “redes clientelares dos sindicatos ou o ensimesmamento da função pública”.
Os sindicatos, a esquerda, ( e alguma direita “rançosa”), o Estado de Direito,
a Função Pública são os alvos principais da crónica, escrita a (des)propósito
da louvável iniciativa do Web Summit.
Nalguns pontos o seu rancor contra o “público” revela-se até
contraditório, quando fala numa “geração que fala inglês” [já não toca piano
nem fala francês!!!] “e recebeu NAS UNIVERSIDADE PÚBLICAS [sublinhado nosso] um
nível de formação mundial” ( e já agora, não a terá recebido também no ensino
público, no básico e no secundário, para aí chegar tão bem preparada???).
Misturando preconceitos ideológicos que, de modo “freudiano”, o “jornalista”
defende como uma “visão” que “será sempre facilmente torpedeada com os anátemas
do neoliberalismo”, com uma visão provinciana
da inovação tecnológica, no fim do artigo pouco ficamos a saber sobre aquela
importante iniciativa e essa, quanto
nós, devia ser a missão do “jornalista”.
Ao opor os “direitos” e os “sindicatos” ao significado daquela
iniciativa, o articulista parece querer colar às empresa tecnológicas a imagem,
para ele positiva, mas quanto a nós injusta em muitos casos, e em especial
entre as empresas representadas naquela iniciativa, segundo a qual a inovação e a criatividade implicam e confundem-se com a precariedade no
emprego, os salários baixos, o trabalho sem horários e o torpedeamento de direitos socias.
O título e o pretexto da crónica do “jornalista” é também revelador de
um certo provincianismo no modo como alguns encaram as novas tecnologias, como
se substituir uma velha máquina registadora por um computador ou um balcão de
comércio por uma plataforma digital
fosse, só por si, um sinal de mudança e inovação. Como se a tecnologia não
fosse um simples meio ao serviço da inovação e da criatividade e a “bondade”
dessa tecnologia não dependesse do seu
uso.
Não nos surpreende essa opinião, vinda de quem vem, pois já escreveu e
disse coisas do género noutras crónicas e intervenções no comentário televisivo,
mas desta vez foi longe demais, misturando alhos com bugalhos, servindo-se de
modo ideologicamente oportunista de uma iniciativa louvável para lançar todo o seu
rancor contra os “direitos”, os sindicatos, a Função Pública, a “esquerda” e os
“velhos”, prestando um mau “serviço público” que devia ser a preocupação
central de um jornalismo livre e independente.
Esperamos que esta infeliz crónica não seja um sinal de algum descalabro
e desorientação que se tem notado nos últimos tempos no seio do jornal Publico desde
a chegada de David Dinis à direcção do jornal (ainda hoje, na sua primeira página, se publica um título
apressado e mal informado sobre a ADSE,
entretanto desmontado pelo bom jornalismo que, cada vez mais, se faz na Antena
1).
…e esperamos também que apareçam notícias, feitas com rigor jornalístico,
realmente esclarecedoras sobre a feliz iniciativa do Web Summit…
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quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Before the Flood, um documentário da National Geographic, sobre o estado do ambiente na Terra.
"Before The Flood" teve estreia mundial no passado fim-de-semana e foi apresentado em Portugal na RTP1.
Realizado por Fisher Stevens, e produzido pela National Geographic, o Documentário é apresentado por Leonardo DiCaprio e alerta-nos para a situação grave do planeta em termos ambientais.
É um documentário fundamental e que deve ser visto pro toda a gente, por isso damos o nosso pequeno contributo reproduzindo-o neste post.
A gravidade da situação exige medida rápidas e drásticas, que tardam em ser tomadas e que colocam em risco a vida do planeta , tal como a conhecemos.
Este é um daqueles problema que só pode ser resolvido de forma global, que não escolhe países, que tanto afecta ricos como pobres e não é uma questão de "esquerda" ou de "direita", mas uma questão de sobrevivência da vida no planeta.
Infelizmente, a ignorância de muitos e a ganância de alguns continuam a atrasar as decisões urgentes que é preciso tomar para inverter a grave situação e promover soluções.
Daí a importância em divulgar, por todos os meios, o alerta deste documentário:
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segunda-feira, 31 de outubro de 2016
sábado, 29 de outubro de 2016
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Morreu Jaime Fernandes, uma das grandes vozes da nossa rádio.
JAIME FERNANDES foi uma das grandes referências da rádio portuguesa, e a sua voz faz parte da história desse meio de comunicação, de um tempo em que era através da rádio que todos seguíamos as últimas notícias e os acontecimento mais palpitantes.
Com 69 anos, Jaime Fernandes continuava em actividade, agora na RTP, com provedor do telespectador.
Morreu Jaime Fernandes, provedor do telespetador da RTP(clicar para ler).
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A Noite de Polly Jean
PJ Harvey, regressa esta noite a Portugal para apresentar o seu mais recente trabalho, The Hope Six Demolition Project.
A artista britânica, nascida numa zona rural do sul da Inglaterra, inspirou-se para este álbum nas viagens que fez entre 2011 e 2014 ao Afeganistão e ao Kosovo, na companhia do fotojornalista irlandês Seamus Murphy,(clicar para ver trabalho do fotógrafo) viagem que terminou em Washington, local onde se tomaram as decisões que decidiram a situação de guerra vivida por aqueles dois países.
Desta viagem, para além no novo albúm de Polly Jean, resultou também o primeiro livro de poesia da cantora, The Hollow of the Hands, editado no ano passado, com a colaboração fotográfica de Seamus.
Harvey, além de musica de grande mérito criativo, também se dedica às artes plásticas, actividade que muito a inspira nas suas performances musicais.
Esta noite promete ser mais um memorável momento no Coliseu de Lisboa.
Em baixo transcrevemos o texto de Mário Lopes, hoje editado no jornal Público, sobre este evento:
“PJ Harvey tem coisas muito importantes para dizer – outra vez
Por Mário Lopes In Público de 27/10/2016
“The Hope Six Demolition Project resultou de viagens ao Afeganistão, ao Kosovo e a Washington. É um álbum negro, habitado pelos fantasmas bem vivos deste nosso tempo. Agora chega ao Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
“Não será um concerto de blues endiabrado e guitarra em punho a corroer o rock’n’roll. Não. Isso já foi há muito tempo e, neste tempo, não é isso que PJ Harvey persegue. Ou melhor, será um concerto de blues, mas blues arrancado às entranhas, blues enquanto retrato e denúncia. Sabemos porque vimos o que aconteceu dia 10 Junho no Nos Primavera Sound, no Porto, quando PJ Harvey assinou o concerto mais relevante, o mais negro e emocionalmente intenso do dia, com entrada directa para a história do festival. Quem o viu, ou quem ouviu os relatos do que se passou, não pode não estar ansioso pelo reencontro esta quinta-feira no Coliseu dos Recreios, em Lisboa (21h, bilhetes a 40 euros).
“Cinco anos antes víramos a primeira parte desta história, quando PJ Harvey apresentou Let England Shake em duas datas esgotadas na Aula Magna, em Lisboa. Era um álbum inspirado em leituras sobre a Primeira Guerra Mundial e sobre a poesia que brotou daquele cenário. Um álbum habitado por fantasmas dolorosos e permanentes, os da guerra que tudo ceifa, das trincheiras que sufocam, da impotência do homem soldado que não passa de peão de uma máquina que não controla. Cantou-o vestindo de negro, plumas caindo-lhe sobre o rosto. “What is the glorious fruit of our land?”, perguntou em The glorious land, “Its fruit is deformed children”.
“The Hope Six Demolition Project foi o passo seguinte, o segundo tomo de um díptico (afirmamo-lo com margem para erro, dado desconhecermos se terá continuidade) que começou em terras distantes, o das trincheiras de 1914/1918, e que, depois, inspirada pelo trabalho do fotojornalista Seamus Murphy, levou PJ Harvey a perseguir a morte, a turbulência, a iniquidade das desigualdades e a impunidade de quem decide no Afeganistão, no Kosovo e em Washington – o título do álbum é uma referência a um programa federal americano de revitalização de bairros sociais problemáticos.
“No Nos Primavera Sound vimos um palco onde o negro imperava, onde a luz era trabalhada para que se destacassem mais as sombras dos músicos do que os seus corpos. As vozes graves uniam-se como um coro gospel, ou como um coro de tragédia grega, acentuando a sensação de que o presente cantado tinha raízes fundas no tempo. PJ Harvey não pegou na guitarra uma única vez, substituindo-a pelo saxofone que dardejava notas sobre as melodias e sobre as tarolas rufadas como marcha assombrada, acentuando o ambiente fantasmagórico vivido durante todo o concerto. The Hope Six Demolition Project foi, como não podia deixar de ser, o centro de tudo. PJ Harvey só se afastou dele para recuperar os longínquos To bring you my love e Down by the water ou The words that maketh murder, do antecessor Let England Shake.
“A julgar pelo alinhamento dos últimos concertos da digressão, em Itália, essa estrutura manter-se-á razoavelmente inalterada na apresentação portuguesa, em nome próprio, de The Hope Six Demolition Project. Não se espere, portanto, uma celebração de carreira, uma visita guiada ao percurso iniciado por PJ Harvey em 1992, com Dry. Polly Jean tem coisas muito importantes a dizer e quer mostrá-las sem distracções. A julgar pelo extraordinário concerto de Junho, onde surgiu acompanhada, por exemplo, pelos habituais cúmplices Mick Harvey ou John Parish, resta-nos ouvi-la muito atentamente”.
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quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Artista gráfico conta como sobreviveu aos atentados no Btaclan, em França
BêDêZine: Artista gráfico conta como sobreviveu aos atentados do Bataclan...: Segundo o Diário de Notícias on line (21 de Outubro 2016) Frede Dewilde acaba de lançar uma novela gráfica sobre a sua experiência (clicar para ler mais).
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Mais uma pesada herança de Crato.
Segundo se revela numa notícia de hoje no jornal Público, os resultados do
mais recente inquérito sobre o Potencial Científico e Tecnológico Nacional
revelam que o ano de 2015 foi o 6ª ano consecutivo em que o investimento na
ciência cresceu menos que a riqueza do país.
O resultado é ainda herança do anterior ministro da educação e ciência,
Nuno Crato.
Nuno Crato, que apareceu como um homem "preocupado" com as questões do
ensino, critico do chamado “eduquês”, grande defensor do primado das chamadas
disciplinas “científicas” e “exactas” em detrimento das disciplinas ditas “sociais”
e “humanas”, revelou-se um grande bluff e um autêntico desastre para o ensino e
para a investigação científica em Portugal, situação agora mais uma vez confirmada
por um relatório científico.
O desastre começou quando, no governo anterior, se aceitou que o ensino
e a investigação eram áreas a cortar prioritariamente, assim como ter-se acabado
com o Ministério da Ciência e Tecnologia, um dos que mais resultados tinha dado
sob a orientação anterior de Marino Gago.
Que Nuno Crato, que vinha com a imagem, agora degradada e desmascarada (penso
que em definitivo) de homem da ciência e preocupado com a educação, se tenha
prestado ao “servicinho” de destruir uma área na qual Portugal tinha obtido
bons resultados, percebe-se agora, é o normal em qualquer carreirista.
Já que, em Portugal, muito por responsabilidade de uma comunicação
social indigente, provinciana e inculta, se criem mitos a partir de qualquer figurão
bem falante (ou escrevente, como é o caso), é de lamentar e continua a ter custos para o país.
Felizmente, o tempo encarrega-se de desmascarar os mitos com pés de barro.
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terça-feira, 25 de outubro de 2016
Torres Vedras Há 55 Anos , em Outubro de 1961
VEDROGRAFIAS: Torres Vedras Há 55 Anos , em Outubro de 1961 (clicar para ler).
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