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quinta-feira, 30 de abril de 2015

O 1º de Maio de 1974 em Lisboa nas fotografias de Gerard Bloncourt


Gerard Bloncout é um dos mais conhecidos fotógrafos franceses.

Nasceu no Haiti em 4 de Novembro de 1926, filho de mãe francesa, exilando-se em Paris, onde vive, por ocasião da chegada ao poder do ditados Duvalier.

É um dos mais conceituados pintores haitianos e, por esse seu trabalho, foi nomeado cidadão honorário da cidade de Nova Orleães.

Mas na Europa é mais conhecido pela sua actividade como fotojornalista.

Entre os seus muitos trabalhos destaca-se a forma como acompanhou as grandes manifestações que ocorreram em Lisboa, após o 25 de Abril, e que culminaram no primeiro 1º de Maio comemorado em liberdade, trabalho que, em parte, reproduzimos em baixo, e que pode ser visto quase na íntegra clicando aqui, no blogue oficial de  Gerard Bloncourt, (clicar no nome). 

Outras informações e outros trabalhos de Bloncourt pode ser cistos no seu site oficial AQUI.































quarta-feira, 29 de abril de 2015

O SOM DO DIA _ 781 - Rose Windows The Wanton Song


Os "Rose Windows" são uma banda de Seattle, nos Estados Unidos, fundada em 2010, com um único albúm publicado em 2013, "The Sun Dogs", anunciando-se a edição do seu segundo trabalho para este ano.

Recentemente participaram num albúm de cover´s dos Led Zepellin, evocativo do lançamento em CD do histórico "Physical Graffiti Redrawn".

Podem descobrir o som desse grupo, muito marcado pela voz de Chris Cheveyo, nos post que incluimos em baixo:

O SOM DO DIA - 780 - Rose Windows - Native Dreams (Live on KEXP)

O SOM DO DIA - 779 - Rose Windows | Wartime Lovers

terça-feira, 28 de abril de 2015

Thomas Piketty: 'Inexistência de imposto sucessório é uma anomalia em Portugal' - Renascença



Thomas Piketty esteve ontem na Gulbenkian onde falou da sua obra "O Capital no Século XXI" (uma análise crítica de João Constâncio ao seu conteúdo pode ser lida AQUI e outra de Rui Tavares AQUI), obra onde procura explicar a origem da desigualdade económica  e o os mecanismo do desenvolvimento numa "sociedade de Herdeiros".

Duas entrevistas com esse historiador da economia e crítico da austeridade europeia podem ser lida na edição do Público AQUI ou no site da Rádio Renascença em baixo.

Na entrevista ao Público refere que o principal problema da desigualdade da União Europeia: "é um problema de desemprego, em particular o desemprego jovem, e como restaurar a confiança na zona euro. O que é realmente dramático é que transformámos uma crise que nasceu no sector financeiro privado americano numa crise de dívida pública, apesar de, inicialmente, a zona euro não ter mais dívida pública do que os EUA, o Reino Unido ou o Japão. E conseguimos, apenas por causa das nossas más instituições e más decisões macroeconómicas, criar uma crise a partir do nada. A taxa para os super-ricos não é central neste momento para a Europa. Para nós é mais importante um imposto comum sobre as empresas. Muitas das grandes empresas europeias não pagam impostos nenhuns ou pagam muito pouco e menos do que as pequenas empresas. Vimos como no Luxemburgo, Jean-Claude Juncker estava a fazer acordos com multinacionais para ajudar a pagar apenas 1% ou 2% de impostos e depois veio dizer “sabem, tinha de desenvolver uma estratégia de desenvolvimento para o meu país e tive que tornar o meu país num paraíso fiscal”. Não vamos encontrar o nosso futuro na Europa se todos nos tornarmos paraísos fiscais. Sei que em Portugal há esta discussão de baixar o IRC de 21% para 17%, a seguir vai ser de 17% para 10% e depois de 10% para zero. Se continuarem por esse caminho, daqui a 10 ou 20 anos não haverá impostos sobre as empresas na Europa. Precisamos de um imposto sobre as empresas comum".

Com tanta gente informada a mostrar que o actual caminho austeritário seguido pela União Europeia, e tão diligentemente posto em prática pelo actual governo português, nos conduz todos para o abismo, é caso para nos interrogarmos se os actuais líderes políticos da União Europeia são meros executantes das ordens do corrupto grande capital financeiro, do qual pensam tirar proveitos pessoais e para os amigos, ou são mesmo ignorantes e estúpidos...ou um pouco de tudo isso!!!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Torres Vedras e as primeiras eleições livres - 25 de Abril de 1975

(resultados provisórios das eleições de 1975 no concelho de T. Vedras. Fonte: Jornal Badaladas. Este quadro não inclui os votos em branco nem os nulos)

Passam agora 40 anos sobre a realização das primeiras eleições livres em Portugal, que ocorreram em 25 de Abril de 1975.

Foram então eleitos os deputados para a Assembleia Constituinte da qual resultou a constituição democrática de 1976.

Em Torres Vedras, tal como aconteceu por todo o país, essas eleições foram um êxito, com uma abstenção inferior a ...10%!

Torres Vedras tinha um corpo eleitoral com mais de 44 mil eleitores em condições de votarem e a corrida às urnas foi idêntica ao que aconteceu em todo o país.

Concorriam ao círculo eleitoral de Lisboa 11 partidos políticos.

O Partido Socialista venceu a nível nacional, distrital e concelhio.

Em Torres Vedras o PS só não foi o partido mais votado em A-Dos-Cunhados, Campelos, Freiria, Silveira e S. Mamede da Ventosa, freguesias onde o então PPD foi o partido mais votado.

O PCP teve os seus melhores resultados nas freguesias de Dois Portos, Monte Redondo, Stª Maria (vila) e Runa, onde foi a segunda força política mais votada, as mesmas freguesias onde o PPD teve o seu pior resultado.

O pior resultado do PCP, que foi a terceira força política mais votada nas restantes freguesias, foi em Campelos, sendo ultrapassado pelo CDS, que nessa freguesia obteve o seu melhor resultado relativo.

Se a maior parte dos partidos obteve a maior parte dos votos expressos na freguesia urbana de S. Pedro, tal não aconteceu,  curiosamente com o LCI (partido trotskista que esteve na origem do Bloco de Esquerda) que teve mais votos em A-Dos-Cunhados e com a UDP ( que elegeu dois deputados pelo círculo de Lisboa e que esteve também na origem do BE) que teve mais votos em 4 freguesias rurais do que nas freguesias urbanas, nomeadamente na Silveira, S. Mamede da Ventosa, A-Dos-Cunhados e S. Pedro da Cadeira.

Dois deputados de Torres Vedras foram eleitos para a Assembleia Constituinte, Alberto Avelino pelo PS e Afonso de Moura Guedes pelo PSD.Estes são os dois nomes de Torres Vedras que são referidos no site da Assembleia da República.

Contudo esta informação carece de correcção, que nos foi dada por José Damas Antunes, autor de duas obras infelizmente pouco divulgadas, uma sobre a história do PSD na região Oeste e outra sobre o PSD em Torres Vedras.

Tendo investigado mais a fundo o tema, José Damas Antunes enviou-nos a seguinte informação:

"Moura Guedes não foi eleito directamente, o PPD só elegeu 9 deputados por Lisboa, o Afonso ía em 10º, entrou logo mas a substituir Magalhães Mota, que estava no governo. Há outro Deputado de Torres Vedras, o Furtado Fernandes, eleito por Santarém, e outros que morava em Torres Vedras, o Bento Gonçalves, eleito pelo Porto".

Agradeço a valiosa correcção de Damas Antunes.


Aqui ficam alguns documentos para recordar esse momento (podem clicar sobre os documentos para os verem em tamanho grande):

(lista das mesas de voto no concelho, formadas para as eleições de 1975. Fonte: jornal Badaladas)

(colagem de cartazes do PCP - Fonte : Ezequiel Santos)


(comício do PCP em Abril de 1975, com   a presença de Álvaro Cunhal. Fonte: Ezequiel Santos)

(Manifestação de apoio ao MFA, em Abril de 1975, com representantes do PCP, PS e MDP. São visíveis nas paredes cartazes de propaganda eleitoral do PCP, PPD e CDS. Fonte: Ezequiel Santos).

(comunicado do PS com os resultados eleitorais no concelho e uma "saudação socialista" pela eleição de Alberto Avelino para a Assembleia Constituinte)



quarta-feira, 22 de abril de 2015

Mais um exemplo do "êxito" das medidas de austeridade: Portugal foi o país com maior aumento da taxa de risco de pobreza em 2014 .

O tão apregoado "êxito" das medidas de austeridade são mais uma vez desmascarados pela realidade.

Desta vez é a Cáritas Europeia a denunciar o resultado das medidas de austeridade aplicadas em vários países da União Europeia, por imposição do FMI, do BCE, da Comissão Europeia e do corrupto sistema financeiro que está por detrás das decisões dessas instituições.

Num relatório que vai ser hoje apresentado, aquela organização humanitária revela que Portugal foi, entre os sete países mais atingidos pela crise, o que registou o maior aumento da taxa de risco de pobreza e exclusão social

A taxa de pobreza infantil em Portugal atingiu em 24,4%, taxa que cresceu, num só ano, 2,6 pontos percentuais.

Portugal regista ainda um valor de pobreza entre assalariados de 10,7%, valor que continua a subir (ainda hoje foi anunciado que, em Portugal, uma grande parte dos licenciados recebem menos de 600 euros de vencimento...).

Apesar de grande parte das medidas de austeridade serem justificadas pelo governo e pelas instituições europeia pela necessidade de equilibra as contas do país, tais medidas não impediram, ainda de acordo com o dito relatório, que Portugal seja o segundo país, a seguir à Grécia, a representar a pior dívida pública, 128% do PIB.


terça-feira, 21 de abril de 2015

Breve evocação a Mariano Gago

Faleceu no final da semana passada o professor Mariano Gago.

Mariano Gago é uma daquelas raras figuras que, passando por vários governo, fez obra útil para o país e que tinha um projecto que levou a bom porto, que foi apostar no desenvolvimento da investigação científico e tecnológica em Portugal.

Muitos do êxito de que se houve falar todos os dias obtidos por jovens cientistas portugueses um pouco por todo o mundo é em grande parte fruto do seu trabalho sério nessa àrea, apesar do ataques e do descalabro de que a investigação científica tem sido alvo nos últimos tempos por parte do actual governo e das políticas dirigidas pelo actual ministro da educação.

Em qualquer circunstância seria trágica a morte de uma personalidade como Mariano Gago, mas ela foi-o ainda mais trágica por acontecer num momento em que vivemos um período em que a sua obra é diligentemente destruida e espezinhada.

O incómodo da obra de Mariano Gago para a propaganda do actual governo ficou bem visível no modo desastrado como Passos Coelho se referiu ao acontecimento.

Mas a memória e o trabalho de Mariano Gago vai persistir muito para lá do actual lixo político.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Mais uma herança do "comissário" Barroso: Histórias de horror à partida, intolerância à chegada

Chegou a hora de os governos europeus  “enfrentarem as suas responsabilidades”. Foi neste termos que Jonh Dalhiusen, responsável da Aministia Internacional na Europa e na Ásia Central, se referiu à tragédia que mais uma vez aconteceu no Mediterrâneo.

A “Europa” e grande parte dos seus governos tem  graves responsabilidades na situação que resulta do aumento de insegurança, nas guerras incontroláveis e no caos económico e social em que o Norte de África, a África central e o Médio Oriente estão envolvidos.

Foi a “Europa”, nomeadamente através daquele que foi o seu líder máximo nos últimos dez anos, Durão Barroso, que apoiou a guerra do Iraque que conduziu à actual situação no Médio Oriente e disseminou as sangrentas guerras religiosas que se espalharam por aquelas regiões.

Foi a “Europa” que, desrespeitando a ONU, destruiu os equilíbrios no Norte de África, por via da forma irresponsável como apoiou a acção da NATO contra o ditador Kadhaffy, deixando populações inteiras entregues ao caos e à mais absoluta miséria.

Foi a “Europa” que, mercê das suas políticas de austeridade, resolveu retirar o apoio financeiro ao programa de resgate e salvamento “Mare Nostrum”, aplicado em 2013 e abandonado passados poucos meses, porque os parceiros europeus da Itália se recusaram a partilhar os gastos dessa operação.

Uma das razões das tragédias diárias no Mediterrâneo prende-se com o facto de “navios mercantes mal equipados” estarem a ser “enviados para cumprir funções, para as quais não foram preparados”, como afirmou um repórter do jornal Times of Malta, exactamente porque países como a Itália e Malta, ameaçados financeiramente pelas políticas de austeridade impostas pela União Europeia, sem apoio para operações e meios de equipamento caros, têm estado práticamente sozinhos a actuar em acções de salvamento e resgate.

As guerras, que se acentuaram pela desagregação e descritibilidade da ONU, levada a cabo por George Bush jr no principio do século, com  o apoio de Durão Barroso, Tony Blair e Aznar, levam populações inteiras a terem de se deslocar à procura de melhores condições de vida e, essencialmente, de um futuro e de paz.

Ainda no último Sábado o representante da Agência da ONU para os refugiados em Itália culpava a “retórica extremista e irresponsável” contra a imigração pelas falhas nas operações de resgate, acrescentando que, neste “momento, em muitos países europeus, o diálogo político e a retórica são bastante extremistas e irresponsáveis” devido ao medo de perderem eleições que estão calendarizadas para os próximos tempos, como é o caso britânico, o país que tem sido o principal responsável por se andar a adiar o apoio eficiente aos países que têm de enfrentar o drama.

A União Europeia é também responsável por ter feito do Mediterrâneo a principal via da imigração clandestina, ao apoiar e fomentar autêntico muros fronteiriços nas fronteiras terrestres de Espanha, Grécia e Bulgária.

A afirmação do presidente da Câmara da ilha grega de Kos é o exemplo máximo da mentalidade com que muitos políticos europeus encaram a situação ao afirmar, na semana passada, que “não dava nem uma garrafa de água aos refugiados que chegam à ilha, porque estes afastam os turistas” (!!!!).

De uma União Europeia refém do poder financeiro, poder este construído através da miséria de povos inteiros, através dos negócios de armamento e onde circula o dinheiro dos traficantes que estão por detrás da organização das vagas de imigrantes que são lançados no Mediterrâneo a caminho da Europa, não será de esperar qualquer resolução série a permanente para o problema,                 quanto muito algumas afirmações de circunstância e medidas avulso.

Procurem os responsáveis pela miséria africana, pela desintegração do Iraque, do Afeganistão, do Paquistão, da Líbia e da Síria e encontrarão os verdadeiros responsáveis , pela fuga em massa de populações inteiras que se afogam depois no Mediterrâneo…mas isso não interessa aos políticos europeus nem ao sistema financeiro que eles representam, nem à comunicação social por eles controlada.

A tão apregoada globalização só é defendida para a circulação de capitais e para a deslocalização de grandes empresas. Os povos, esses estão condenados a viver na miséria, sem poderem fugir, ou arriscando a vida em travessias mortais.

Histórias de horror à partida, intolerância à chegada (clicar para ler).

A imigração clandestina para Europa explicada em mapa (Le Monde)

BêDêZine:Cartoon´s denunciam a hipocrisia das políticas de emigração da União Europeia:

("ao menos desencorajamos os analfabetos!...)

BêDêZine: Quando a força dos cartoon´s é maior que todos os ...(clicar para ver mais)

Morreu a escritora, feminista e católica Ana Vicente

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Como descreditar uma Universidade: Durão Barroso recebe hoje em Madrid um doutoramento "honoris Causa


Segundo notícia hoje divulgada, Durão Barroso vai receber hoje  um doutoramento 'honoris causa' pela Universidade Europeia de Madrid. "Considerado um dos principais políticos da história recente, Durão Barroso trabalhou a favor da cidadania no processo de integração europeia e exerceu um importante papel mediador a favor da paz e da conciliação dos povos", indicou a instituição numa nota de imprensa

E assim se presta um valioso contributo para desacreditar um instituição universitária do país vizinho.

Como é que se pode afirmar que o homem "trabalhou a favor da cidadania no processo de integração europeia"? Estamos a falar da mesma pessoa que contribuiu para destruir a solidariedade europeia, que contribui para tornar as instituições europeias meras serviçais dos obscuros interesses do sistema financeiro,  que governou contra a vontade e os direitos dos cidadãos europeus que, em democracia, sempre se manifestaram contra a austeridade que ele tão bem defendeu enquanto representante da Comissão Europeia e que tanto contribuiu para desarticular um dos pilares da União Europeia, o Estado Social com tanto esforço construído pelos seus antecessores no seu cargo? .

E como é que se pode afirmar que "exerceu um importante papel  mediador a favor da paz e da conciliação dos povos"? Estamos a falar do mesmo homem que tão diligentemente se prestou a apoiar Bush na invasão do Iraque, acção que teve os resultados hoje visíveis no Médio Oriente, e que, por esse serviço, abandonou o governo do seu país para receber como prémio a liderança da Comissão europeia?

Não havia melhor maneira de desacreditar os valores que são ensinados na Universidade Europeia de Madrid!!!


Mas de Espanha não vêem só más notícias. Em baixo podem ler uma notícia que é um importante contributo para desmascarar a acção de Durão Barroso:



Céus de Torres Vedras :

Ontem, por volta das oito da noite, era este o céu que avistava da minha casa, do lado nascente de Torres Vedras:



terça-feira, 14 de abril de 2015

O "estranho" "caso" da corrida às presidenciais

(in Facetoon, por Antero Valério)

Não se percebe muito bem o actual frenesim à volta das eleições presidenciais.

Em primeiro lugar porque, venha quem vier, vai fazer um brilharete, comparativamente àquilo que foi a presidência de Cavaco Silva, só comparável à do último presidente do Estado Novo, Américo Thomáz (…e mesmo assim este tomou uma atitude histórica marcante e corajosa, para a época, que foi a de nomear Marcello Caetano para substituir Salazar…o que se seguiu é já outra história…). Comparativamente com Cavaco, qualquer das minhas duas cadelas dava um “bom nome presidenciável” (já agora chamam-se Conchita e Romã, caso haja aí alguém que queira promover a sua candidatura, embora pense que elas não vão aceitar…).

Em segundo lugar, o cargo de Presidente da República é irrelevante, os seus poderes são reduzidos, não passa de um berloque na estrutura democrática, embora, no mínimo, fosse útil que soubesse fazer um discurso perceptível e com algum conteúdo, isto é, que visse um pouco mais longe do que o seu umbigo.

Em terceiro lugar, só uma pequena chamada de atenção (desculpem lá o incómodo) não sei se já olharam para o calendário: antes das eleições presidenciais realizam-se eleições legislativas!!!!

Em quarto lugar, mais importante do que promover o “melhor sabonete” a vender pela comunicação social, seria útil que se discutissem os reais problemas da nação, aqueles que afligem o cidadãos comum, como a forma de melhorar a sua miserável existência, a forma de travar o desemprego e a destruição do tecido social e económico, a forma de dar a volta à divida e ao deficit, a forma de salvar e aprofundar o nosso já de si rudimentar Estado Social, a forma de enfrentar os burocratas da União Europeia, a forma de aprofundar a democracia e tanto outros temas “chatos” como esse e que até obrigam a pensar…


…ah!!! Consultei a Conchita e a Romã…elas não estão interessadas ….é uma decisão…irrevogável… 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Morreu Günter Grass


Foi hoje anunciado o falecimento do escritor alemão, prémio Nobel da literatura, Günter Grass.

Era um dos mais lúcidos intelectuais alemães e ainda há pouco tempo, em Fevereiro passado, numa das suas últimas entrevistas, dadas a um jornal alemão, alertava para a  falta de liderança da Europa, criticando a postura de Angela Merkel e avisando que já vivíamos na IIIª Guerra Mundial, uma guerra de caractaristicas diferentes, que se desenrolava nos bastidores do poder financeiro e usando o poder da internet: 


Günter Grass teve fortes ligações com Portugal, como o recorda o jornal Público AQUI.

Uma faceta menos conhecida do escritor é o seu trabalho como desenhador. Aliás, a sua formação inicial foi na àrea da escultura e do desenho. 

Podem Aqui ver alguns dos seus trabalhos.

Alguns dados sobre a sus biografia estão bem sintetizados no artigo hoje publicado pelo diário espanhol El País que pode ser lido AQUI.

Em sua homenagem aqui deixamos a tradução espanhola de um dos seus últimos e mais controversos poemas, publicado em 2012:  

Lo que hay que decir
Por qué guardo silencio, demasiado tiempo,
sobre lo que es manifiesto y se utilizaba
en juegos de guerra a cuyo final, supervivientes,
solo acabamos como notas a pie de página.

Es el supuesto derecho a un ataque preventivo
el que podría exterminar al pueblo iraní,
subyugado y conducido al júbilo organizado
por un fanfarrón,
porque en su jurisdicción se sospecha
la fabricación de una bomba atómica.

Pero ¿por qué me prohíbo nombrar
a ese otro país en el que
desde hace años –aunque mantenido en secreto–
se dispone de un creciente potencial nuclear,
fuera de control, ya que
es inaccesible a toda inspección?

El silencio general sobre ese hecho,
al que se ha sometido mi propio silencio,
lo siento como gravosa mentira
y coacción que amenaza castigar
en cuanto no se respeta;
“antisemitismo” se llama la condena.

Ahora, sin embargo, porque mi país,
alcanzado y llamado a capítulo una y otra vez
por crímenes muy propios
sin parangón alguno,
de nuevo y de forma rutinaria, aunque
enseguida calificada de reparación,
va a entregar a Israel otro submarino cuya especialidad
es dirigir ojivas aniquiladoras
hacia donde no se ha probado
la existencia de una sola bomba,
aunque se quiera aportar como prueba el temor...
digo lo que hay que decir.

¿Por qué he callado hasta ahora?
Porque creía que mi origen,
marcado por un estigma imborrable,
me prohibía atribuir ese hecho, como evidente,
al país de Israel, al que estoy unido
y quiero seguir estándolo.

¿Por qué solo ahora lo digo,
envejecido y con mi última tinta:
Israel, potencia nuclear, pone en peligro
una paz mundial ya de por sí quebradiza?

Porque hay que decir
lo que mañana podría ser demasiado tarde,
y porque –suficientemente incriminados como alemanes–
podríamos ser cómplices de un crimen
que es previsible, por lo que nuestra parte de culpa
no podría extinguirse
con ninguna de las excusas habituales.

Lo admito: no sigo callando
porque estoy harto
de la hipocresía de Occidente; cabe esperar además
que muchos se liberen del silencio, exijan
al causante de ese peligro visible que renuncie
al uso de la fuerza e insistan también
en que los gobiernos de ambos países permitan
el control permanente y sin trabas
por una instancia internacional
del potencial nuclear israelí
y de las instalaciones nucleares iraníes.

Sólo así podremos ayudar a todos, israelíes y palestinos,
más aún, a todos los seres humanos que en esa región
ocupada por la demencia
viven enemistados codo con codo,
odiándose mutuamente,
y en definitiva también ayudarnos.

Fonte: El País, 4 de abril de 2012
Tradução de Miguel Sáenz

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Freitas do Amaral quer relatório sobre programa da Troika


Freitas do Amaral deu ontem uma esclarecedora entrevista à TVI 24, onde abordou a actual situação política na Europa e em Portugal.

Alertou para as malfeitorias do neoliberalismo, dominante nas instituições europeias, contra a democracia e a cidadania, criticou a atitude da Alemanha na Europa como responsável por destruir o projecto europeu e denunciou a forma como a troika e o governo português contribuiram para agravar a situação social em Portugal.

A sua posição só pode espantar quem não tem acompanhado a evolução das suas atitudes políticas recentes, mas não deixa de ser motivador que, juntando-se a outras vozes oriundas da direita, como Bagão Félix ou Pacheco Pereira, sejam cada vez mais aqueles que, para além das divergências ideológicas, se apercebem do perigo que a actual deriva neoliberal, que está por detrás das actuais políticas de austeridade e da acção das troikas, está a por em perigo, não só o projecto europeu, como a própria democracia.

Uma das idéias mais originais dessa entrevista, e que devia ser um exigência das oposições ao actual desgoverno, quer em Portugal, quer na União Europeia, é a idéia de se elaborar um relatório independente sobre a aplicação do programa da troika. Freitas do Amaral, aliás, explica bem porque é que, quer este governo, quer a troika, nunca se exigiram a si próprios a elaboração de um tal relatório.

Uma entrevista a ouvir com a atenção que merece: 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Breve Homenagem a José da Silva Lopes


Foi hoje a sepultar um dos mais prestigiados economistas portugueses, José da Silva Lopes.

Ao contrário da maior parte dos economistas e antigos ministros das finanças, transformados em comentadores políticos, Silvas Lopes, mesmo quando não se concordava com ele, e no nosso caso discordávamos muitas vezes, manifestava as suas  opiniões de forma credível, assentando num vasto conhecimento económico, numa experiência pessoal muito rica e diversificada e numa sensibilidade cultural e social  sinceras.

Silva Lopes não se limitou a “fazer opinião”, teve um papel activo e determinante em períodos históricos difíceis da vida portuguesa ao longo das últimas décadas, agindo com pragmatismo e equilíbrio.

Ainda antes do 25 de Abril teve um papel determinante junto do Ministério da Economia do Estado Novo,  negociando a adesão de Portugal à EFTA,  em 1959, contribuindo para a transformação económica do país que levaria, paradoxalmente, a tornar o regime salazarista obsoleto, incapaz de acompanhar  essa transformações e gerando as contradições interna que levaram ao seu derrube.

Ligado à oposição moderada no final do regime, preconizada na SEDES, foi nomeado secretário de Estado das Finanças do 1º governo provisório saído do 25 de Abril, acendendo a Ministro das Finanças nos dois primeiros governos provisórios, o 2º e o 3ª, presididos por Vasco Gonçalves. Nestas funções foi o responsável pela criação do salário mínimo e do subsidio de Natal. Conduziu ainda o processo de nacionalizações que se seguiu ao 11 de Março de 1975.

Apesar das dificuldades e de remar muitas vezes contra a maré, o seu papel à frente daquele ministério, em período tão conturbado, pautou-se pelo bom senso, evitando situações financeiras dramáticas.

Fez ainda parte do IV governo provisório, como ministro do Comércio Externo, a pedido de Vasco Gonçalves, que procurava manter algum equilíbrio nesse governo, mas acabaria por se demitir, acompanhando a saída do PS do governo.

Com a estabilização democrática nos finais de 1975, foi nomeado para dirigir o Banco de Portugal.

Ao longo da sua vida continuou activo no mundo da banca, mantendo-se uma das vozes mais ouvidas pela comunicação social.

Fazia parte do grupo de economistas e ex-ministros das finanças que defendiam as actuais medidas de austeridade, mas de forma pragmática, sem o fanatismo de outros, e criticando por vezes os excessos do actual governo na aplicação dessas medidas.

Deixou obra escrita, destacando-se uma excelente síntese de história económica, “A Economia Portuguesa desde 1960”, onde se conjuga a sua experiência pessoal com a mais profunda investigação sobre a época.

Era um espírito independente e lúcido, qualidade cada vez mais rara entre os seus pares e aqui lhe prestamos a nossa sentida homenagem.


terça-feira, 7 de abril de 2015

Centenário de Billie Holiday- 6 - Billie Holiday Story

Um excelente documentário sobre a vida a a obra de Billie Holiday, com a qualidade do Canal Four da BBC: 

Centenário de Billie Holiday - 5 - cover de Jeff Buckley - Strange Fruit (Not Sin-é)

Centenário de Billie Holiday - 4 - cover dos Cocteau Twins - Strange Fruit

Centenário de Billie Holiday - 3 - cover de Annie Lennox - Strange Fruit

Centenário de Billie Holiday - 2 - Strange Fruit

Centenário de Billie Holiday - 1- : My Man

Centenário de Billie Holiday - 7 -


Há cem anos, no dia 7 de Abril de 1915, nascia Eleanora Fagan que ficou conhecida como Billie Holiday, um das cantoras de jazz mais conhecidas e influentes.

Para recordar aqui deixamos um conjunto de post onde recordamos a sua vida e a sua obra, incluindo algumas das melhores cover´s feita sobre a sua obra.

Um interessante texto sobre o seu centenário pode ser lido hoje nas páginas do Jornal Público ou AQUI.

Também se aconselha uma visita ao site oficial de Billie Holiday (clicar).

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Homenagem a Manuel de Oliveira - 3 - Perdidos & Achados (SIC) 1ª Filme de Manoel de Oliveira(Aniki-Bóbó)

Homenagem a Manoel de Oliveira - 2 - A Caça (1964)

Homenagem a Manuel de Oliveira - 1

Anos 60.

O movimento cineclubista prestava então especial atenção à obra de Manuel de Oliveira.

Aqui reproduzimos três "capas" de outros tantos boletins do Cineclube do Porto dedicas a sessões de homenagem a Manuel de Oliveira.

Os cineclubes, em especial o Cine Clube do Porto, tiveram um importante papel na divulgação da obra do cineasta, contribuindo para que a sua obra escapasse à censura e não caísse no esquecimento.

Esta é uma maneira de recordar essa faceta da obra de Manuel de Oliveira e de o homenagearmos: