Pesquisar neste blogue

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Paris - Agosto de 2007





Não nos deixemos iludir

A ministra não recuou, apenas procurou adiar um problema, atirando areia para os olhos da opinião pública.
Não é estranho que, até ontem, para a ministra, não havia um único problema com este modelo de avaliação e, de repente, existam tantos problemas a resolver? Só agora é que a senhora ministra descobriu esses problemas?
Mas atenção, a sr.ª ministra pretende apenas ganhar espaço de manobra com este aparente recuo. Em primeiro lugar, as mudanças que agora anuncia , só poderão ter carácter efectivo mudando a lei, senão não passam de um adiar dos problemas deste modelo de avaliação.
Aliás, nas entrelinhas, na entrevista que deu à jornalista Judite de Sousa, ela acabou por confessar que tudo voltaria à mesma, assim que "houvesse condições nas escolas". Depois ameaçou veladamente responsabilizar os presidentes dos conselho executivos pela suspensão da avaliação nas escolas.
Vamos ser claros: os professores querem ser avaliados, mas não por este modelo, que é o mais complicado da Europa, como a srª ministra também acabou hoje por reconhecer na entrevista, dando uma desculpa esfarrapada para o justificar.
Mas os problemas na escola não passam apenas por este modelo de avaliação. Os problemas começaram logo quando esta ministra, no início deste processo, afirmou, sem se engasgar ou sem pedir desculpas a ninguém, que "podia perder os professores, mas ganhava a população". Esta frase é bem o símbolo de toda a política seguida por este ministério e, é bom recordá-lo, com o aval entusiástico do primeiro-ministro.
A partir daí toda a sua acção visou denegrir a imagem dos professores, fazendo destes "bodes expiatórios" de todos o males do país, sendo nisso ajudada por um núcleo duro de jornalistas, comentadores e economistas, jogando com manipulações estatísticas.
Hoje a ministra pode vir numa de "falinhas mansas", mas nenhum professor pode acreditar na sua boa-fé.
Algumas das ideias que estiveram na base das suas políticas até podiam ser interessantes : aulas de substituição; escola a tempo inteiro; maior responsabilização dos professores no trabalho da escola; aulas de apoio; aposta no ensino da matemática e do português; uma avaliação mais justa dos professores. Mas nenhuma destas medidas podia ter sido tomada à custa da dignidade dos professores, à custa de uma sobrecarga de trabalho ou sem ouvir os professores.
O estilo desta ministra e dos respectivos secretário de estado vai contribuir para, a prazo, o que vai acabar por acontecer é deitar-se fora a água do banho com a criança lá dentro.
Se alguém quiser salvar alguma coisa, não é com esta equipa, e terá de ouvir e contar com os professores

COIMBRA Novembro de 2008 - 4






COIMBRA Novembro de 2008 - 3





COIMBRA Novembro de 2008 - 2






COIMBRA Novembro de 2008 - 1





quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O Melga volta a atacar

O Melga é a alcunha, cá por casa, daquele senhor que passa a vida a errar nas previsões económicas sem que nada lhe aconteça.
O Melga é o tal que passa a vida a falar contra os irrisórios aumentos salariais de quem trabalha, apesar de ganhar o dobro do seu homologo norte-americano e presidir a uma administração que escolhe os seus salários, pagos pelo contribuinte, e que beneficia de escandalosas reformas quando algum dos seus membros abandona o cargo, ao fim de meia dúzia de anos de (mau) trabalho.
O Melga é o mesmo que foi fintado pelos aldrabões da alta finança, apesar de ter a seu cargo 1700 dos funcionários mais bem pagos deste país, cujo trabalho principal devia ser evitar essas situações.
Pois agora o Melga perdeu toda a vergonha que ainda lhe restava ao permitir que o boletim do banco que dirige venha afirmar que o desemprego de longa duração em Portugal se deve à "generosidade" do Estado português.
Chega de tanta ofensa e irresponsabilidade.
Que saudades do velho DUM-DUM.

domingo, 16 de novembro de 2008

BD - 30 anos do Rei Minimus







Foi nos idos de 70 do século passado, mais concretamente entre os finais de 1975 e o início de 1976, ainda no rescaldo do PREC, que tive oportunidade de publicar uma série de Banda Desenhada, nas páginas do jornal local de Torres Vedras "Oeste Democrático", que durou cerca de 30 semanas.
Recentemente tive oportunidade de digitalzar essa série da minha autoria, pois, entretanto, perdi os originais.
Mais tarde, na segunda metade da década de 80, desenhei mais um conjunto de tiras dessa mesma série para figurarem numa exposição de BD, cuja publicação se mantem inédita.
O que mais me surpreendeu, passados quase 35 anos, é actualidade desse cartoon, muito influenciado pela série norte-aamericana do Feiticeiro de Id, de J. Hart.

Inicio hoje a divulgação de alguns desses cartoons.
Venerando Aspra de Matos

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

domingo, 9 de novembro de 2008

BASTA !



Foi com algum sacrifício pessoal que fiz questão de ontem, pela segunda vez, me deslocar a Lisboa para participar na manifestação de professores.
Confesso que, quando da convocatória para esta segunda manifestação, receei pelo fracasso da mesma, comparativamente com a de 8 de Março, por três razões: algum desânimo perante a forma como os sindicatos se apressaram a negociar com o governo; o facto de existirem convocatórias para duas manifestações em dias diferentes, revelando alguma divisão na classe; a dificuldade que seria voltar a juntar tantos professores, como no dia 8 de Março, por ser uma classe historicamente dividida e que raramente encontra pontos de união.
Estava enganado.
Esta manifestação foi ainda maior que a anterior, houve um clima muito mais combativo e determinado nos seus objectivos.
Foi arrepiante aquele minuto de silêncio pelo ensino em Portugal e a forma como se cantou a “portuguesa”.
Mas ainda mais arrepiante foi a forma com a Snrª Ministra reagiu a este acontecimento, mostrando a razão daqueles que gritaram pela sua demissão.
O seu autismo, perante o descontentamento da classe, os seus argumentos anti-democráticos contra esta manifestação e a tentativa de virar os professores uns como os outros, revela uma personalidade arrogante, autoritária e intolerante, tudo o contrário dos valores que, na educação, devem ser transmitidos, situação tanto mais grave pelo facto do ministério por si titulado ser o da Educação.
Já agora pergunto: será que 120.000 professores, dando de barato que os outros 20.000 que faltaram à manifestação apoiam a Srª Ministra, o que não é verdade, estão todos enganados, estão ao serviço de inconfessados interesses político-partidários e vivem manipulados pelos sindicatos?
Será que aqueles que estão diariamente no terreno, enfrentando os abusos emanados do seu gabinete, decifrando uma abusiva bateria de legislação, muitas vezes incongruente, afogados em papelada burocrática, perdendo tempo em intermináveis reuniões para descodificar tudo isso, têm menos razão que a srª ministra?
A bem do ensino é tempo de pedir ao sr. Primeiro Ministro que ponha cobro à forma abusiva como este ministério tem tratado os professores deste país.


Venerando Aspra de Matos

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ódio de estimação

Amanhã, os professores portugueses vão ter uma das suas últimas oportunidades para manifestar o seu descontentamento em relação à forma como têm sido tratados por este governo..
Antecipando-me desde já as bocas que se esperam, por estes dias, de gente como o Emídio Rangel ou o Miguel Sousa Tavares, transcrevo um texto que escrevi há pouco mais de um ano (30 de Setembro de 2007) num blogue, entretanto extinto, intitulado, exactamente, "Ódio de Estimação":
Desde há dois anos que ganhei um ódio de estimação ao Miguel Sousa Tavares [MST].
Até então era leitor assíduo e entusiasta da sua coluna de 6ª Feira no PÚBLICO, tendo sido anteriormente um entusiasta leitor da Grande Reportagem por ele dirigida.
Tudo mudou quando MST se deixou cair de amores pela Ministra da Educação do governo Sócrates e passou a aproveitar o espaço que dispunha, na imprensa de referência e na televisão, para descarregar todo o seu fel contra os professores e a sua profissão.
Desconheço as razões pessoais para tal campanha, mas desgostou-me o método usado, recorrendo à meia-verdade, a generalizações abusivas e mesmo a mentiras, reveladoras de uma grande dose de ignorância sobre o assunto.
MST, que foi em tempos um dos nossos jornalistas de referência, tornou-se relaxado, preguiçoso, irritante e descuidado, vivendo à sombra de louros passados.
Sobre os professores, já disse que eles trabalhavam poucos dias por ano, fazendo apenas contas aos horários lectivos e às interrupções lectivas, esquecendo-se que o trabalho que conta não é apenas o que é feito na sala de aula.
Seria o mesmo que comparar o trabalho jornalístico de MST com base no tempo que se leva a ler uma crónica sua, se bem que, ultimamente, o seu trabalho se revele cada vez mais descuidado e irreflectido, com recurso ao mero senso comum.
Assim não custa muito ganhar a vida [e já não me refiro ao "trabalho" das terças-feiras na TVI !!!].
Recorrendo às habilidosas manipulações estatísticas de alguns "economistas de referência", tão do agrado da Snrª Ministra da Educação, o sr. MST também já disse que os professores eram os mais bem pagos da Europa [!!!], para justificar as duras medidas de contenção da Srª Ministra.
O jornalista MST devia, para não desvirtuar o seu passado profissional, informar-se mais, não se deixando levar por tão grosseiras manipulações estatísticas. Só fica mal à sua reconhecida inteligência.
Mas não se fica por aqui a ofensiva de MST contra os professores.
Há mais de um ano, naquela que foi talvez a mais infeliz das suas crónicas, iniciava a sua colaboração no Expresso com um conjunto de vergonhosas mentiras e manipulações, generalizando uma situação pontual sucedida com um dos seus filhos para exagerar as razões das faltas dos professores.
Neste caso até conseguiu ir mais longe do que a bem oleada central de propaganda do governo que, ao descer à realidade, não conseguiu provar estatisticamente que o absentismo docente era pior que o absentismo da maior parte das profissões.
Ainda por cima MST aproveitou-se da situação pessoal dramática de um professor do seu filho para tentar levar a água ao seu moinho.
Ainda no mesmo artigo, lançou uma das mais descaradas e desmascaráveis mentiras ao afirmar, referindo-se aos professores do ensino secundário, que estes não aceitavam as novas condições de reforma propostas pelo governo porque não se queriam reformar com mais de 35 anos (sic) de trabalho. MENTIRA ! De facto, antes das actuais mudanças nas reformas, um professor desse nível de ensino só se podia reformar-se com... 36 anos de trabalho. Com as novas medidas a idade da reforma só se concretizará, para a maior parte dos professores, com 40 ou mais anos de trabalho.
Muitas outras mentiras e meias verdades foram exploradas nesse vergonhoso artigo.
Ainda sobre este tema, anteriormente, ainda no Público, MST mostrava-se indignado com as condições anteriores da reforma dos professores, perguntando o que é que estes eram mais do que os mineiros que não tinham as mesmas condições de reforma. Mais uma vez o cada vez menos jornalista MST estava mal informado ou a mentir descaradamente. Os mineiros já gozavam, merecidamente, de um sistema de reforma especial, e recentemente discutia-se se, nas novas condições da reforma, esses profissionais manteriam ou não essas condições.
Desde algum tempo a esta parte MST deixou de falar tanto nos professores, mas todas as ocasiões servem para umas alfinetadas de um ou dois parágrafos, como daquela vez em que afirmava, provavelmente com base nos grandes estudos do Ministério da Educação e do Medina Carreira, que os bons professores eram os que não estavam sindicalizados e todos os sindicalizados eram maus professores.
Que conhecimentos tão profundos possui o especialista de quase tudo em que se tornou o jornalista MST ...!Mais recentemente, no Expresso de 29 de Setembro de 2007, volta a namorar a Srª Ministra, defendendo o sistema de avaliação dos professores, ainda em processo de negociação, baseado em critérios tão pouco objectivos como o resultado dos alunos e o abandono escolar.
Só quem não conhece a realidade escolar é que acredita na "justiça" de tais critérios.
Tanta ignorância, má-fé e mentira por parte de MST, abona muito pouco a favor do seu profissionalismo.
Que pena os responsáveis do Expresso ou da TVI não adoptarem os mesmos critérios de avaliação que ele defende para os professores.
Provavelmente seria despedido com justa causa.
Venerando Aspra de Matos

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Mais fotos de Moscovo - 1991











RUa Arbat - Moscovo, Agosto de 1991





Fotografias tiradas em Agosto de 1991, poucos dias antes do malogrado golpe de Estado conservador que deu início à derrocada da União Soviética.
Foram tiradas numa velha analógica da marca "Kiev" e mais tarde digitalizadas.
Venerando Aspra de Mtos


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vencedores e Vencidos

Obama venceu.
Ouvindo os comentadores do costume, seguindo alguns noticiários e jornais, até parece que toda a gente venceu estas eleições, mesmo os políticos e jornalistas que passaram a vida a justificar ou colaborar com as políticas de Bush.
De facto, nestas eleições, houve vencidos e vencedores, mesmo que alguns vencidos pareçam agora vencedores.
Vencedor, antes de mais, e mesmo antes de o ser, o próprio Obama. Conseguiu chegar onde chegou num país onde a cor da pele ainda conta (vejam os resultados nos Estados do Sul !), lutando inicialmente contra o próprio aparelho do partido, e mobilizando milhões de pessoas que nunca se tinham interessado pela política.
Vencedora a própria América, que se livrou da imagem anti-democrática criada nas anteriores trapalhadas eleitorais e nos fraudulentos processos eleitorais que levaram Bush ao poder, recuperando a sua imagem de líder político do mundo ocidental.
Vencedores os cidadãos do mundo, que não podendo eleger o presidente dos Estados Unidos, puderam viver com entusiasmo a chegada ao poder de alguém com carisma para impor uma nova era de paz, prosperidade e justiça.
Venceu, apesar de parecer derrotado, o presidente Sarkozy, que ganha um novo aliado para a reforma pragmática do capitalismo selvagem que nos dominou nos últimos 20 anos.
Venceu, apesar de derrotado, MacCain, que mostrou grande dignidade na derrota e que ainda existem republicanos decentes.
Venceu o presidente Lula da Silva que encontra um aliado na esquerda moderada para se impor como exemplo para a América Latina.
Venceu Zapatero, que luta contra a última vingança de Bush, que quer impedir a Espanha de ter o papel internacional que merece e lhe é devido
Venceram os Europeus, os Africanos e os Sul Americanos (talvez não tanto os Asiáticos), que encontram finalmente um interlocutor válido para enfrentar a instabilidade político-económica em que vivemos.
Venceram judeus e palestinianos, que podem começar a ver uma luz no fundo do túnel, no caminho da reconciliação que só será possível com a colaboração norte-americana.
Venceu a esquerda mundial, ao ganhar um novo ídolo, capaz de a mobilizar na verdadeira mudança.
Mas também houve vencidos.
Antes de mais o presidente Bush, que saí directamente da Casa Branca para o caixote do lixo da história.
Vencido, embora dando-se ares de vencedores e de que estão ao lado da onda de Obama, todos aqueles que ao longo dos anos andaram de mãos dadas com Bush: Durão Barroso, Aznar, Tony Blair, Berluconi...
E por cá os vencidos são: José Sócrates, representante máximo local das políticas neo-liberais que agora começam a ser enterradas, apesar de procurar disfarçar, com a habilidade que lhe é conhecida; uma seita de comentadores políticos que passaram a vida a defender a política de Bush e as políticas locais do Sócrates.
Mas tudo isto pode ser apenas uma ilusão, e a América voltar ao que era antes, por força dos lobbies poderosos do armamento, do petróleo e das finanças.