quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

2018 e ...uma “breve história” dos anos terminados em “8”…


De há cem anos a esta parte que os anos terminados em 8 parecem fadados para marcar a história que vivemos.´

Embora não seja dado a “adivinhações” ou a “previsões” astrológicas, não possuindo qualquer dom premonitório, dei por mim a reflectir sobre a importância dos anos terminados em 8, como aquele que agora se inicia.

Recuando apenas ao principio do Século  XX, 1908 foi marcado por um acontecimento fulcral para o  futuro de Portugal , o regicídio  de Fevereiro que acelerou a decadência inevitável da monarquia, que recebeu a estocada final dois anos depois.
À distância dos nossos valores de hoje esse acto condenável foi, na época, para muitos, um sinal de esperança por um tempo novo, o da República, que acabaria por se revelar menos promissor do que alguns julgavam. Isso não impediu que, por exemplo, poucos dias após o regicídio, ainda com os corpos “quentes” do rei e príncipe herdeiro , Torres Vedras assistisse ao primeiro grande Carnaval de rua, vivido com entusiasmo, muito por iniciativa das elites republicanas locais.

Dez anos depois, outro ano fulcral, o de 1918, encerrou a mais violenta guerra que a Europa até então tinha conhecido, terminando com a vã esperança que aquela fosse a última de todas as guerras, acabando com os grandes Impérios europeus e anunciando um “radioso” futuro “socialista”.

Mais dez anos volvidos e o ano de 1928 seria marcado por cá com a “eleição” de Carmona para presidente de Portugal, em 25 de Março, terminando com as esperanças dos Republicanos de que o 28 de Maio de 1926 fosse um mero interregno regenerador do regime republicano. Com a eleição de Carmona, no ano em que o fascismo italiano já levava 6 anos de vida, afirmou-se o novo regime como uma ditadura militar que rompia definitivamente com a “desordem” e a instabilidade da 1ª República e conduziria o país ao Estado Novo salazarista…

Mais negro ainda se perfilava o horizonte de 1938, com a afirmação plena de Hitler, sombra negra  a pairar sobre uma Europa amedrontada, com os nazis a anexar a Áustria, conseguindo encostar os “aliados” à parede levando-os a abdicar de tudo nos acordos de Munique, sentindo-se à vontade para iniciar a perseguição aos judeus, que teve com tiro de partida a ignóbil “Noite de Cristal” de 9 de Novembro, ao mesmo tempo que o nazi-fascismo se mostrava em toda a sua força em Espanha, onde os Republicanos sofriam uma estocada final na Batalha do Ebro e com o inicio do cerco a Barcelona em 23 de Dezembro.

Depois de uma Guerra sangrenta de 6 anos, chegava-se a 1948, novamente em clima de guerra, a pairar no horizonte quando com o bloqueio a Berlim, iniciado por Estaline em Junho desse ano, dava  início formal à “Guerra Fria”, ano igualmente marcado pela fundação de duas novas nações que, 70 anos depois, continuam hoje a provocar instabilidade e imprevisibilidade no inicio deste 2018: Israel, independente em 14 de Maio de 1948, e a Coreia do Norte, fundada em 9 de Setembro desse mesmo ano.

1958 marca novamente o destino português, quando um general sem medo, Humberto Delgado, com o apoio de toda a oposição, abala o regime salazarista que inicia aí o seu caminho de decadência e instabilidade, que se agravará pouco depois com o inicio da Guerra Colonial.

Essa decadência encontra um aliado numa cadeira que se partiu em 3 de Agosto de 1968, arrastando o ditador para uns delirantes dois anos, que foram de ténue esperança com Marcelo Caetano, mas onde o medo da recuperação de Salazar levou os seus ministro a tratarem com ele com se ainda mandasse.
Esse foi também o ano do auge da guerra do Vietname, nuns Estados Unidos em ebulição, com os assassinatos de Luther King e Robert Kennedy a ensombrarem a eleição de Nixon como presidente, enquanto na Europa os estudantes se revoltavam num Maio que fez abalar as estruturas conservadoras e as verdades feitas de “trinta gloriosos”, onde a juventude se afirmou como uma força a ter em conta. E embora a maior parte dos lideres dessa geração tenham acabado engravatados a gerir negociatas e a defender o neoliberalismo, o mundo ocidental nunca mais foi o mesmo. Foram também os estudantes que na Checoslováquia, em Agosto, iniciaram um movimento que, apesar de calado pela força das armas, abalou em definitivo as estruturas de um “socialismo real” cada vez mais repressivo e anquilosado.
Ainda nesse extraordinário 1968, na noite de Natal, pela primeira vez uma nave tripulada, a Apolo 8,  faz a circum-navegação da Lua, preparando o caminho para a chegada do homem ao nosso planeta irmão no ano seguinte.

Em 1978, enquanto por cá a Revolução dos Cravos ia arrefecendo, a Igreja conhecia um ano delirante, conhecendo três papas em três meses: Paulo VI morre em 6 de Agosto, João Paulo I sucede-lhe e governa um mês e dois dias, morrendo em circunstância mal esclarecidas e o papado foge ao controle da Igreja italiana dando o lugar, pela primeira vez, a um bispo vindo do leste comunista, o polaco João Paulo II.

Gorbachev, em 1988, no seu terceiro ano de poder, abandona neste ano a “doutrina de soberania limitada” a que estavam sujeitos os países do leste, abrindo caminho para a revolução democrática nesses países, que terá o seu auge no ano seguinte com o derrubar do muro de Berlim. Também por iniciativa do homem da perestroika, a União Soviética inicia em 15 de Maio a sua retirada do Afeganistão, abrindo caminho ao fim de uma guerra sangrenta que tinha provocado o declínio soviético, mas também à ascensão de um então ilustre desconhecido, de seu nome…Bin Laden…

Em 1998 já a União Soviética tinha desaparecido e vivia-se a anunciada euforia do “fim da história” que ia marcar o “cantado” novo século que se aproximava, euforia que em Portugal foi marcado pela realização da Expo 98. Parecia que Portugal entrava finalmente no mundo dos ricos e dos países desenvolvidos, com dinheiro a jorros de fundos europeus, fomentando as negociatas e a euforia consumista. A cobrança veio depois.

Em 2008 iniciava-se a crise financeira que terminou com o “sonho” de um caminho glorioso para o capitalismo neoliberal e iniciou o declínio de uma Europa cada vez menos solidária e refém do crescimento da xenofobia e do populismo de extrema-direita.

E chegamos a 2018, no meio de 40 conflitos militares sangrentos, de uma instabilidade global em termos económicos, sociais a políticos e, apesar de Guterres à frente das Nações Unidas ou de um papa chamado Francisco, com o Mundo liderado pela  mais incompetente, ignorante e perigosa geração de políticos, onde se destacam nomes como Trump, Putin, Erdogan, Assad, Duterte, Netanyahu, Orban, Poroshenko, Rajoy, Maduro, Kim Jong-Un, e tantos outros, cada um a concorrer para ver quem é mais perigoso ou incompetente….

2018, tal como todos os anos terminados em “8” promete não cair no esquecimento da história, e, embora tudo pareça indicar que o vai ser pelas piores razões…pode ser que nos surpreenda!

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