segunda-feira, 7 de maio de 2012

Em França, na Grécia e na Europa, a escolha é : os cidadãos ou os "mercados"?


Ontem, em vários países da Europa, os cidadãos manifestaram o seu descontentamento em relação ao rumo que a Europa estava a tomar.

Hoje, os “mercados” respondem a essa preocupação com a mensagem do medo e da chantagem…e isto é apenas o início.

A “luta de classes” dos tempos actuais é cada vez mais entre, por um lado, os cidadãos, os trabalhadores,  os contribuintes e os empresários  produtores e, por outro lado, os “mercados”, isto é, os especuladores financeiros e os seus aliados nos governos, na Comissão Europeia e na maior parte da “imprensa de referência” por essa Europa fora.

Como se comprova pela sua reacção de hoje, os “mercados” não gostam da democracia, principalmente se esta der resultados que contrariam a sua estratégia, e muito menos de qualquer coisa que lhes “cheire” a “esquerda”.

O rosto dessa luta dos “mercados” contra os cidadãos tem sido a chanceler alemã Angela Merkel, que ontem sofreu uma derrota em toda a linha: 

- em primeiro lugar em França, saindo derrotado o seu principal aliado em relação à sua estratégia de austeridade autoritária;

- em segundo lugar foi derrotada na Grécia, onde os partidos que aplicavam no terreno a sua receita sofreram um pesado revês:  a Nova Democracia, apesar de ter sido o partido mais votado, perdeu quase metade dos seus eleitores (de 33,4% em 2009, ficou-se agora pelos 18,88%, beneficiando do facto de o sistema eleitoral grego “oferecer” 50 deputados ao partido mais votado, ou seja mais do dobro do que aqueles que teria eleito se o voto fosse proporcional), e o Pasok a passar de primeira força política para a terceira (dos 43,9% devotos que obteve em 2009 apenas conseguiu uma percentagem de 13,2% nas eleições de ontem); 

- em terceiro lugar na própria Alemanha, nas eleições regionais em Schleswig-Holstein,  onde a coligação CDU/FDP, apoiada por Merkel, sofreu um forte revês, obtendo o pior resultado se sempre naquele estado desde 1950: os Social-democratas (SD), os verdes e os partidos regionais ficaram em maioria, apesar dos democratas-cristãos ainda terem ficado em primeiro lugar ( a pouca distância dos SD: resultado final: CDU -  30,9%, SD- 30,2, Verdes- 13,2, FDP – 8,2%).

Ainda se desconhece o resultado da primeira volta das eleições municipais em Itália, mas regista-se uma tendência para um abstenção que ultrapassou os 50% e uma vitória das listas cívicas sobre os partidos tradicionais que são responsáveis pela grave situação italiana.

Podemos juntar a tudo isto a recente vitória do Partido Trabalhista nas eleições municipais britânicas.

Sem dúvida que o que se passou em  França foi o mais importante desse conjunto de actos eleitorais do dia 6.

Veremos agora se François Hollande consegue resistir às pressões dos “mercados”, da srª Merkel e da Comissão Europeia para iniciar uma mudança de rumo no projecto Europeu, ou se vamos assistir, mais uma vez, á “traição” dos social-democratas às legitimas aspirações da sua base social de apoio, os trabalhadores, as classes médias, os empresários produtivoss, os  cidadãos em geral , "rendendo-se” aos “mercados” financeiros e à lógica da austeridade sobre os primeiros para "salvar" os segundos...

Veremos também se Hollande será o último representante dessa famigerada “Terceira Via” ou representará de facto o início de uma nova esperança para a esquerda democrática.

Esta é a última oportunidade da esquerda socialista e social-democrata para se redimir da traição da “terceira via”. Se voltarem a desiludir vão abrir a porta à extrema-direita. Se se colocarem ao lado dos cidadãos contra os “mercados” podem iniciar a recuperação da credibilidade do projecto socialista e democrático na Europa.

A situação Grega também é um bom indicador do desejo de mudança e, ao mesmo tempo, uma última oportunidade para credibilizar a democracia e a esquerda.

Em primeiro  lugar, ao contrário do que os comentadores destas bandas vão “ vendendo” por aí, os partido defensores da Europa ainda mantêm uma maioria sólida: Nova democracia (18, 88%) + Syriza (16,76%) + Pasok (13,2%) + Gregos Independentes, uma cisão da Nova Democracia (10,6%) e Esquerda Democrática (6,1%), perfazem 65,6%. Todos estes partidos defendem o projecto europeu. O que existe é uma interpretação diferente para esse projecto.

Infelizmente para muitos comentadores aqui em Portugal, qualquer crítica ao modelo de austeridade imposto pelos alemães é rapidamente conotado como ideologia “extremista”. É assim por exemplo que têm vindo a ser tratados o Syriza (uma espécie de Bloco de Esquerda, um pouco mais liberal) e a Esquerda Democrática (à esquerda do Pasok).

O facto mais preocupante das eleições gregas foi a entrada para o parlamento do partido nazi da Grécia, com 6,7% dos votos e 21 deputados eleitos. É  também um forte aviso, juntando-se à subida da extrema-direita em França,  para os que defendem a democracia e o projecto Europeu. 

Se a srª Merkel e a Comissão Europeia ignorarem os sinais destas eleições e  continuarem  no mesmo discurso e prática da austeridade sobre os cidadãos para proteger os especuladores dos “mercados”, se os socialistas  e social-democratas não se puserem ao lado dos trabalhadores e dos cidadãos contra os “mercados”,  não tenham dúvidas que a extrema-direita vai começar a subir por toda a Europa.

Esta é a última oportunidade para o projecto Europeu e, a prazo, para a Esquerda, para a Democracia, para a Paz e para a Prosperidade na Europa.

1 comentário:

trufas disse...

ótimo blog, parabéns...