quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Vale a pena Votar nos Países da Zona Euro?


Os países da zona Euro estão sujeitos a uma ditadura financeira, que impõe um modelo de austeridade permanente, cujas receitas são decididas por instituições não democráticas (BCE, Eurogrupo, Conselho Europeu), e executadas em cada país por governos eleitos, mas  que, em vez de representarem quem os elegeu, se comportam como meros capatazes ao serviço daquelas instituições.

Por sua vez, essas mesmas instituições estão ao serviço de um poderoso e corrupto sistema financeiro, sem rosto, mas que está por detrás do financiamento aos grandes partidos do poder, à grande comunicação social, com o seu exércitos de comentadores e fazedores de opinião, às principais universidade de economia , com o seu exército de professores domesticados no pensamento único neoliberal.

Como se viu recentemente na Grécia, essa gente não respeita a vontade democrática das populações dos países da zona euro e impõe o seu modelo de sociedade, humilhando os que procuram fazer-lhes frente ou questioná-los.

Valores que são propagandeados como estando associados ao projecto europeu, como a democracia, a igualdade, a solidariedade, a subsidiariedade, a qualidade de vida, a segurança social, estão a ser todos os dias postos em causa pela acção  (ou falta de acção) daquelas instituições e pelas decisões ( ou falta de decisões) que elas impõem aos governos desses países.

Perante este triste panorama, interrogo-me às vezes, cada vez mais neste últimos tempos, se ainda vale a pena votar, se o acto eleitoral não é cada vez mais uma grande farsa, se ainda há espaço para inverter as políticas anti-sociais e antidemocráticas, aplicadas por governos subservientes, compostos por políticos que apenas agem de acordo com a sua agenda de promoção pessoal.

Penso que, apesar de tudo, ainda vale a pena votar, se usarmos o voto como acção de protesto, se deixarmos de votar apenas para “mudar as moscas” , ou para escolher entre o “polícia mau” e o “polícia bom”, mas para eleger e reforçar aqueles que, mesmo em minoria, ainda podem, no mínimo, controlar as malfeitorias dos serviçais locais das instituições europeias e denunciar publicamente as políticas corruptas e antidemocráticas impostas aos governos eleitos pelas instituições europeias.

Se não houvesse, apesar de tudo, algum controle democrático, por parte das oposições à esquerda, sobre este governo que se vangloriava de “ir além da troika”, a situação teria ainda sido pior. 

Se não tivesse havido denuncias constantes ao carácter anticonstitucional de algumas dessas medidas, o Tribunal Constitucional não teria tido força nem legitimidade para as travar. 

Se as minorias parlamentares nãos exercessem constantemente a sua pressão sobre a opinião pública, muitas das graves situações em que o país vive não seriam conhecidas, e seriam ainda piores, pois teriam deixado o caminho aberto à poderosa máquina de propaganda que domina a comunicação social.

E, como se costuma dizer, água mole em pedra dura tanto dá até que fura. Como se vê, mesmo aquelas poderosas instituições antidemocráticas que controlam a zona euro, têm vindo a mudar ligeiramente de discurso, apercebendo-se do crescente descontentamento dos cidadãos europeus, atenuando, ainda que de forma pouco perceptível, a forma de aplicar a austeridade.

Ainda uma última nota: a abstenção, o voto em branco ou o voto nulo apenas servem para reforçar a representatividade parlamentar dos partidos mais votados, aumentando-lhe artificialmente a legitimidade “democrática” para continuarem as suas políticas austeritárias.

A abstenção ou um voto em branco, ou nulo, é assim um cheque em branco nos partidos da austeridade, aumentando artificialmente a representatividade do partido ou coligação  vencedor.

Felizmente existem muitas opções de voto nestas eleições, da extrema-esquerda à extrema direita, dos partidos com projectos ideológicos marcantes, aos movimentos de causas e de cidadania. Não há, por isso, a desculpa da falta opções.


A minha escolha é cada vez mais numa perspectiva de contra-poder e cada vez menos de escolher quem o vai exercer, já que, seja quem for que o exerça na zona euro, vai ser um mero executante das politicas impostas pelas instituições europeias antidemocráticas, a não ser que revela coragem de as enfrentar, e eu não a vislumbro nos partidos do "arco do poder", sabendo que o risco é passar por aquilo que os gregos estão a passar.

Sobre a nossa escolha, isso fica para uma próxima crónica.

Um Festival aberto à participação de jovens autores de Banda Desenhada.

BêDêZine: Um Festival aberto à participação de jovens autore...: No FUNCHAL :  10.ª edição do '24 horas de BD' acontece nos dias 3 e 4 de Outubro | DNOTICIAS.PT  (clicar para ver Notícia).

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Governo deu indicações para esconder prejuízos do BPN



A Antena 1 divulgou hoje  (clicar para ouvir e ler a notícia) o resultado de uma investigação que pode ser a verdadeira "Bomba Atómica" desta campanha eleitoral.

Segundo essa investigação, o governo, via Maria Luís Albuquerque, que era na altura secretária de estado, deu indicações à Parvalorem para esconder prejuizos do BPN com o objectivo de reduzir artificialmente o défit orçamental de 2012 (leia-se, enganar a troika e os portugueses) em mais de 100 milhões de euros.

Segundo  o desenvolvimento dessa notícia na página on-line do Diário de Notícias ( e que pode ser lida integralmente clicando em baixo) num documento enviado à tutela, "a Parvalorem anunciou que "após o trabalho cirúrgico conseguimos reduzir o valor das imparidades de 577 milhões de euros para 420 milhões de euros".


No mesmo dia, "a empresa recebeu um agradecimento de Maria Luís Albuquerque, referindo que queria uma redução ainda superior, mas a admitir que talvez "não fosse possível melhor".

Se depois disto as próximas sondagens continuarem a dar uma vitória folgada à coligação de direita ou, pior do que isso, se essa vitória se confirmar no Domingo, algo vai muito mal neste país.

Pior que isso, depois do escândalo dos Swaps, à ministra Albuquerque só restará a demissão, seja qual for o desfecho eleitoral.

Governo deu indicações para esconder prejuízos do BPN - Economia - DN

BêDêZine: A COMICCON PORTUGAL VOLTA ESTE ANO À EXPONOR

BêDêZine: A COMICCON PORTUGAL VOLTA ESTE ANO À EXPONOR DE 4 ...: A Comiccon vai voltar a realizar-se este ano na Exponor, entre os dias 4 e 6 de Dezembro. (clicar para ler mais)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

'Mistério' revelado. Há água salgada em Marte.

Uma notícia mesmo sensacional:

A Armadilha das Sondagens.


Não duvido da qualidade técnica das sondagens, nem da importância da análise dos seus dados.

O problema é quando as sondagens, que deviam ser um instrumento de trabalho, se tornam num instrumento de manipulação política e jornalística.

Esta campanha eleitoral tem sido marcada por um novo tipo de sondagens, feitas “diariamente” e tendo por base um número muitos mais reduzido de inquéritos do que aqueles que costumam ser usados nas sondagens “tradicionais”.

Ora acontece que este novo método de sondagem eleitoral, ainda numa fase experimental, tem dado resultados algo surpreendentes para aquilo que se pensava que acontece na realidade política nacional, e algo diferentes das “sondagens tradicionais”.

Aquilo que as sondagens “tradicionais” e a dura realidade dos últimos quatro anos parecia confirmar, era uma vitória segura do PS e uma derrota da coligação governamental, apesar de não dar qualquer maioria absoluta ao partido vencedor.

Aliás, o que motivou a ascensão ao poder de António Costa ao PS e ao afastamento de Seguro tinha sido o facto de este, apesar de ganhar todas as eleições do PS na complicada  era pós-sócrates, não a ganhar “por mais”.

Acontece que, a não ser no início, as sondagens sérias davam o PS em queda acentuada, embora sempre à frente da coligação governamental. O caso Sócrates, as indecisões de António Costa sobre as políticas de austeridade, bem com o desenvolvimento da situação política grega, terão contribuído para essa queda.

Para surpresa ainda maior, o novo tipo de sondagens agora divulgada, colocou desde o principio a coligação como vencedora e o PS sempre a afastar-se de uma vitória que era previsível.

Não nos podemos esquecer, contudo, que nos últimos tempos, um pouco por toda a Europa, as sondagens têm errado em toda a linha.

Ora, o que é para mim mais surpreendente é que o PS se tenha deixado cair na armadilha das sondagens e tivesse passado a fazer campanha a reboque das sondagens, ziguezagueando na sua mensagem, revelando cada vez mais desespero quanto mais desfavoráveis essas sondagens se revelavam.

Se as sondagens não passassem de um mero exercício de probabilidades, tanto mais afastada da realidade, quanto menor é o número de inquéritos validados e quanto maior o número de indecisos  e dos que não respondem, então não se faziam eleições , limitando-se o país a fazer uma encomenda a uma agência de sondagens que decidiria da composição do parlamento.

Ao enredar-se na teia das sondagens, com a ajuda, quer da forma como a comunicação social valoriza estupidamente as sondagens em detrimento do devido esclarecimento sobre a realidade política nacional, quer da oleada máquina de propaganda do governo que procura encontra nas sondagens a “confiança do vencedor”, tão importante psicologicamente para conquistar os indecisos e medrosos da “maioria silenciosa” que tudo decidem em Portugal, o PS corre o risco de contribuir para tornar realidade aquilo que é um tipo de sondagem ainda pouco credível (é feita com base da validação de cerca de 500 inquéritos, num total de mil, dos quais quase 50% não revelam ou ainda não decidiram onde vão votar).

Apesar da grave situação do país, da grande encruzilhada em que vive o país, esta campanha eleitoral quase se tem resumido a agir ou ser comentada de acordo com o que umas sondagens, usando um método ainda experimental, dizem, de forma parcial e facilmente manipulável, sobre  a “vontade” dos eleitores.

Se o PS e a esquerda não mudarem rapidamente de estratégia, corremos o risco de ver a mentira” das sondagens tornar-se uma trágica realidade.

(Uma outra "escolha" que os portugueses vão "fazer" no dia 4 de Outubro é sobre qual dos dois métodos de sondagem sairá "vencedor", se o "tradicional" se o "novo").



O NOVO CHOUPAL DE TORRES VEDRAS

VEDROGRAFIAS: O NOVO CHOUPAL(clicar para ler).

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O que ( e “como”) não está a ser discutido nesta campanha eleitoral


Uma campanha eleitoral devia ser uma oportunidade para esclarecer convenientemente os cidadãos sobre as alternativas que os partidos e os candidatos propõem para o país.

São raras as verdadeiras “sessões de esclarecimento” e a campanha vive muito das picardias entre candidatos, das promessas apressadas, das discutíveis previsões de sondagens, das “arruadas” folclóricas.

De vez em quando lá se fala num tema que interessa, mas sempre pela rama, de forma apressada, com muita retórica e pouco esclarecimento.

Embora alguns dos temas que abaixo refiro, como sendo aqueles sobre os quais gostaria de ser esclarecido,  venham às vezes à baila, raramente são tratados com a seriedade que mereciam.

Vamos então a eles:

AUSTERIDADE

Não sou um fundamentalista contra a austeridade. Penso que, à luz dos desvarios da última década, ela até se pode justificar, com conta, peso e medida, para garantir um Estado saudável e o futuro das nossas gerações.

Parece-me que é necessário controlar as contas públicas e pagar as dívidas.

Contudo penso que não é através de cortes cegos nas funções sociais do Estado, nos salários e nas pensões que se conseguem bons resultados.

A austeridade devia ser exercida através de uma gestão racional dos recursos, que deviam passar por cortar nas verdadeiras gorduras do Estado.

E quais são, quanto a mim, as “gorduras do Estado” : as assessorias governamentais,  a maior parte das ajudas de custo a gestores públicos e políticos , o recurso à “colaboração” de gabinetes de advogados, a má gestão de PPP´s e dos “Swaps”, o financiamento das comitivas governamentais, os apoios e benefícios  a certas empresas privadas, grande parte dos regulares perdões fiscais, o financiamento de institutos e fundações de duvidosa utilidade, alguns privilégios fiscais, os “vistos dourados”, as obras públicas desnecessárias (algumas auto-estradas, edifícios públicos, estádios de futebol...), o apoia ao sector financeiro, a criação de empregos para os “boys” partidários, etc, etc, etc…

Um levantamento exaustivo das situações acima descritas podia perfeitamente substituir muitos dos cortes nas funções essenciais do Estado, nos salários e nas pensões.

A escolha dos cortes é uma questão ideológica.

FUNÇÕES DO ESTADO

Um debate que se faz de forma enviesada é o de esclarecer sobre aquilo que cada partido pensa do que devem ser as funções do Estado.

Para mim essas funções são aquelas que garantam o bem-estar generalizado das populações, isto é, o acesso à Educação, à Justiça , à Saúde e à Segurança, nas suas diversas vertentes , sem esquecer uma intervenção activa para garantir a Habitação, o Transporte, o Emprego e a Pensão.

Também acho que o Estado, em colaboração transparente com o sector privado, deve garantir algumas obras públicas, como a modernização do caminho-de-ferro, a construção de uma linha de TGV (ou Portugal fica em definitivo afastado dos grandes centros de decisão), entre Lisboa e Badajoz, a manutenção de portos, a recuperação urbana e do património histórico e melhorar as condições de habitabilidade de alguns edifícios públicos (hospitais, escolas, tribunais…).

Não sou fundamentalista quanto à forma de exercer essas garantias. O sector privado pode e deve ter um papel activo na garantia desses direitos, mas de forma transparente e de acordo com a lei.

Não sou contra  a privatização de alguns serviços, mas existem alguns serviços que, podendo ser exercidos por privados, devem  funcionar como concessão e não devem ser privatizados ( como, por exemplo, parte do sector dos transportes, da energia e da àgua ).

Além disso o Estado deve exercer um controle rigoroso sobre o sector financeiro e garantir alguns serviços públicos em funções exercidas pelo sector privado , e que devem obedecer a normas rigorosas, como o direito à informação, à cultura e a um ambiente saudável.

IMPOSTOS

Sou daqueles que acham que os impostos devem ser altos, mas proporcionais, tendo como objectivo principal garantir que todos os cidadãos tenham acesso às principais funções que quanto a mim, e de acordo com o que referi anteriormente, devem ser as funções do Estado.

Pelo contrário, os impostos não devem servir para salvar os desvarios do sector financeiros ou de certos empresários privados.

O combate à fraude e à evasão fiscal deve ser uma das prioridades, nomeadamente penalizando as empresas que recorrem sistematicamente aos paraísos fiscais para fugirem à suas obrigações (como acontece com 19 da 20 empresas do PSI20!!), mas deve ser exercido com conta, peso e medida. Perde-se muito tempo a perseguir o pequeno infractor, como por exemplo o pequeno vendedor ambulante ou de mercado de rua. Este, pelo contrário, devia ser despenalizado, já que muitas vezes é um recurso  de combate à pobreza .

Igualmente as empresas que pagam ordenados de luxo aos seus gestores, muito acima daquilo que o Estado paga para funções idênticas, não devia poder recorrer a apoios estatais ou a outros benefícios.

O Capital especulativo devia ser fortemente taxado, pelo menos ao mesmo nível, para os mesmos valores, do IRS.

Por último, as isenções fiscais e os escalões de IRS  e IRC deviam ser totalmente revistos.

PENSÕES

A sustentabilidade das pensões tem-se vindo a agravar ultimamente, muito por via das erradas medidas de austeridade tomadas nos últimos governos.

Quando cerca de 500 mil trabalhadores, a maior parte jovens qualificados, saíram do país nos últimos 4 anos, é obvio que o problema se agrava, pois são menos 500 mil pessoas a descontar para a segurança social em Portugal.

Quando o desemprego atinge, directa ou indirectamente, quase um milhão de portugueses, não só temos menos de um milhão a descontar para a segurança social, como temos vários milhares de pessoas que vão necessitar de ser apoiados pela segurança social.

Quando temos dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza, muitos deles trabalhadores precários ou com salários baixo, temos mais um problema.

Por sua vez, aqueles três problemas agravam a grave situação demográfica do país, já que  são um forte desincentivo para inverter a trágica taxa de natalidade.

Por último, o Estado não pode pagar pensões de luxo a políticos, gestores públicos e banqueiros, muitos deles com pensões que foram valorizada à luz de leis excepcionais, diferentes daquelas  que são aplicadas para calcular as pensões de todos os outros que descontaram toda a vida.

EURO

A escolha para Portugal está, nos próximos 20 ou 30 anos, entre continuar no euro, com austeridade permanente e cega, ou começar a pensar numa alternativa ao euro, que implicaria a mesma austeridade e agravamento conjuntural do nível de vida, mas, se bem pensada e negociada, podia dar aos portugueses alguma esperança de futuro “já” daqui a uns dez anos.

Seria bom olhar para a Europa e reparar que os países do euro (tirando a Alemanha, a Holanda e a Finlândia) estão todos pior, em todos os índices de desenvolvimento e bem-estar humano, do que os países ocidentais que não estão no euro.

Alguns deles, se passaram por situações de crise, saíram rapidamente dela porque tinham moeda própria.

Países como a Dinamarca, a Suécia, a Noruega e a Islândia, (estes dois últimos nem pertencem à União Europeia) são um bom exemplo do que afirmamos.

Por isso não é sério prometer acabar com a austeridade e continuar a defender a manutenção no euro.

CONCLUINDO

Estas eram pois algumas das questões que gostávamos de ver aprofundadas nesta campanha eleitoral.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

4 anos de austeridade não serviram para nada, a não ser para salvar o corrupto sector financeiro


Ficou-se ontem a saber que o deficit de 2014 ascendeu aos 7,2.

Em 2011, a troika entrou em Portugal, por pressão do Presidente da República, do PPD/PSD , que fez questão de ir “além da troika”, do Governador do Banco de Portugal, dos banqueiros , da generalidade dos comentadores de economia, das agências de rating, de alguns ministros de Sócrates (Teixeira dos Santos  e Luís Amado),porque o país tinha atingido o deficit de ….7,4%.

A justificação para as medidas de austeridade visavam, segundo os seus defensores e as instituições europeias, reduzir o deficit e a dívida externa.

Recorde-se que, em 2011, a nossa dívida externa era de 84,7%...

Em 2014 estava, segundo dados provisórios, nos 102,5%, com tendência a aumentar.

Ou seja, austeridade e a troika falharam em toda a linha, agravando o que pretendiam combater e só não obteve resultados piores por obra e graça do Tribunal Constitucional que evitou que se tomassem medidas que agravassem ainda mas a situação.

Não é de admirar que agora as instituições europeias, fugindo à sua responsabilidade, venham tentar desvalorizar a revisão em alta do défici de 2014.

Este ano as instituições europeias e as agências de rating pouco têm pressionado Portugal para continuar a austeridade, pois estão em campanha para ajudar coligação a vencer estas eleições.

Mas não tenham dúvidas que voltarão à carga no próximo ano, se conseguirem ajudar à recondução do “governo amigo” de Passo Coelho.

Ajudar a banca e o sector financeiro, à custa do bem estar dos cidadãos, essa é a prática dos que defendem a austeridade, cá dentro e lá fora.

Os resultados dessa política estão à vista se olharmos para alguns dados estatísticos que comparem o ano de 2011 com o de 2014, o último para o qual existem dados.

A Taxa de Desemprego era alta em 2011, 12,7%, mas é ainda mais alta em 2014, 13,9%, mas a realidade é ainda pior, como se pode ver por outros dados.

O desemprego jovem (menores de 25 anos) era de 30% em 2011, e estava  quase em 35% em 2014.

Por exemplo, a taxa de actividade (activos com mais de 15 anos por 100 pessoas) era de 60, 5 em 2011 e desceu para 58, 7% em 2014.

A taxa de emprego (emprego por cada 100 indivíduos com mais de 15 anos) desceu de 52, 8 para 50, 6%.

Ou seja, quase 50 % da população em idade de trabalhar não o faz.

Também o mito governamental da criação de emprego através da criação de empresas cai por terra à luz dos dados estatísticos:

- em 2011 foram constituídas 31 986 sociedades, tendo sido dissolvidas 32 473 sociedade, com um saldo negativo de  menos 487 empresas ;

- Por outro lado, em 2014 tinham sido constituídas 31 898 sociedades (quase menos 100 que em 2011) e foram dissolvidas 35 413, quase mais….3 mil que em 2011. O saldo negativo também aumentou para …menos 3940 empresas.

Ou seja, o mito de um governo “amigo” das empresas, pelo menos das pequenas e médias, também cai por terra.

Temos de juntar a tudo isto o aumento do trabalho precário e mal pago e a quebra generalizada (empobrecimento) dos portugueses, que viram o seu PIB per capita baixar de 16 686 euros para 16 175 euros, quase uma média de 500 euros de redução do rendimento per capita…

Não podemos esquecer também que, entre 2011 e 2014 emigraram quase 500 mil portugueses, a maior parte jovens qualificados...

E tudo isto para quê? Para reduzir o déficit de 7,4…para 7,2!!!!?

Para aumentar a dívida  externa de 84, 7% para 102,5% ??

As políticas de austeridade falharam em toda a linha, prejudicando o país.

Convém também que agora, em época eleitoral, os portugueses penalizem quem aplicou, com entusiasmo e para “além da troika” , essas medidas , sem esquecer que, ao penalizar os “amigos da troika”, penalizam também as instituições europeias que impuseram essa “receita”.

 (Fonte: Prodata)

"montras" de Praga























quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Mais uma vez a União Europeia deu uma triste imagem de si própria.


A desunião e a falta de solidariedade, bem como a cobardia política da maioria dos líderes políticos europeus, ficou mais uma vez evidente na última cimeira de ministros europeus para debater a situação dos refugiados.

Mais uma vez ficou provado também que a adesão dos países do leste à União Europeia foi feita de forma apressada e irresponsável, a mesma irresponsabilidade que já ficou provada em relação à criação da moeda única.

De irresponsabilidade em irresponsabilidade, de cobardia em cobardia, de falta de solidariedade em falta de solidariedade, se vai destruindo o mítico “espírito europeu” que esteve na origem da criação da União Europeia.

E já agora convém mais uma vez destruir alguns mitos que se têm vindo a afirmar no seio dos burocratas da europa, de alguma comunicação social e até entre muitos cidadãos, sobre a questão dos refugiados.

Não, os refugiados não são terroristas. Pelo contrário eles são as primeiras vítimas do terrorismo do chamado Estado Islâmico e do terrorismo de muitos “estados” do Norte de África e do Médio Oriente. A esmagadora maioria dos terroristas que têm atacado o ocidente viviam e tinham passaporte de países europeus, nem vêem para a europa em botes a afundarem-se ou sujeitos a caminhadas indignas. Claro que pode haver excepção e infiltrados, mas para os identificar existem os serviços secretos dos países ocidentais.

Não, os refugiados não são invasores nem obedecem a qualquer esquema maquiavélico para ocuparem a Europa. O número de refugiados é uma gota de àgua na população europeia e a esmagadora maioria vive refugiada no seu próprio país e em países vizinhos: cerca de 4 milhões de refugiados no seu próprio país, a Síria, outros tantos nos países vizinhos, Jordânia, Libano, Turquia e Egipto. Se Portugal absorveu num ano mais de 500 mil refugiados na década de 70, numa altura de grande instabilidade política e social e de grande crise económica, porque é que a Europa, a região mais rica do mundo, com 500 milhões de habitantes, não será capaz de absorver as centenas de milhares de refugiados que chegam ao continente?

Não, os refugiados não vão desequilibrar os “valores” culturais e religiosos da Europa. Mesmo que todos os refugiados fossem muçulmanos, e muito não o são, representariam um acréscimo de menos de  1% na população muçulmana a viver na Europa, ou seja, esta passava de 4 para 5%...

Por último, não, a Europa não pode ser desresponsabilizada pela situação que provocou esta vaga de imigrantes, ou seja, as guerras no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e na Síria, Basta ler a posição de muitos dos líderes políticos europeus quando se tratou de desencadear aqueles conflitos, para se perceber a grande (ir)responsabilidade  do ocidente na situação. Aliás, está ainda por esclarecer a responsabilidade do ocidente no financiamento e armamento do Estado Islâmico e de outros grupos terroristas. É bom recordar que a Arábia Saudita, o grande aliado do ocidente na região, é o grande apoiante dos grupos terroristas sunitas, e continua a impedir o acolhimento de refugiados provocados pelas guerras que eles apoiam, com armamento fornecido à Arábia Saudita …pelo ocidente.




Histórias do submundo de caciques que elegem os líderes dos partidos.


Um trabalho de investigação, bem actual, que desmonta o modo como os partidos do "centrão" controlam o poder em Portugal:

Compreender a situação na Síria em 5 minutos (Le Monde)

BêDêZine: Balanço da 12ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada e Animação de Luanda

BêDêZine: Balanço da 12ª edição do Festival Internacional de...: Reproduzimos em baixo a notícia vinculada pela “Voz da América”, datada de 20 de Setembro último, onde se faz um balanço da 12ª edição do festival de BD e Animação de Luanda, que decorreu em Agosto.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Fascismo na União Europeia :Hungria autoriza exército a disparar contra migrantes .


Sr. Juncker, srª Merkel, sr.Tusk...são gente de bem e com coragem? Expulsem imediatamente a Hungria da União Europeia!

Passam hoje 10 anos sobre a Morte de Afonso de Moura Guedes


De um tempo em que existiam Social-Democratas no PSD:

BêDêZine: "Manga Now - Three Generations" - no Museu Britânico.

BêDêZine: "Manga Now - Three Generations" - O Museu Britâni...: Foi inaugurada no início de Setembro, no British Museum, e vai poder ser visitada até 15 de Novembro, uma exposição sobre três autores que representam três gerações da Manga japonesa.

Explicando a crise dos refugiados na Europa em 6 minutos

A semana que hoje se inicia vai ser decisiva em relação à forma como a União Europeia vai lidar com a crise dos refugiados.

O pequeno filme animado que reproduzimos em baixo alerta-nos para a situação dos refugiado, recordando-nos a origem do problema e denunciando igualmente a hipócrisia das lideranças políticas da Europa: