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quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Crise (...e o PEC?) - "O Maior Roubo Organizado da História".

Quem o afirmou foi Carvalho da Silva, ontem em Faro, numa conferência organizada pela Faculdade de Economia.

Referindo-se à responsabilidade do sector financeiro pela crise e às medidas preconizadas pelos governos para a resolverem , classificou-as como " o maior roubo organizado da História. O dinheiro mobilizado pelos governos em menos de um ano para tapar buracos é 58 vezes o orçamento das Nações Unidas para o combate à pobreza".

As palavras de Carvalho da Silva, um dos mais lúcidos líderes sindicais deste país, desmontam, em poucas linhas, a estafada argumentação de governos, sectores financeiros e comentadores em defesa do PEC e outras medidas de “contenção” preconizadas para ultrapassar a crise e os seus reflexos nos orçamentos.

De facto, se por um lado as mais “altas” instâncias económicas e financeiras andaram a apelar aos governos para ajudarem o sector financeiro em dificuldades, com recurso ao orçamento dos Estados, isto é, ao dinheiro dos contribuintes, são esses mesmos sectores que agora vêm exigir uma redução do deficit, que aumentou em grande parte por causa dessas ajudas, à custa dos salários e dos contribuintes da classe média.

Entretanto, numa atitude vergonhosa e escandalosa, esses mesmos sectores continuam a conceder chorudos ordenados e ainda mais escandalosos prémios de desempenho a muitos dos gestores responsáveis pela crise mundial, enquanto chantageiam a maior parte dos seus assalariados com o espectro do desemprego.

Contudo, se olharmos para os lucros do sector financeiro e das grandes empresas, muitas delas responsáveis pelo drástico aumento de desemprego, as mesmas que pagam essas benesse aos seus gestores, esses lucros, em muitos casos, bateram, no último ano, e nalguns casos já no primeiro trimestre deste ano, todos os recordes conhecidos.

Afinal em que ficamos? Quem conhece minimamente o que foram as grandes crise mundiais há, de facto, algo que não bate certo. Como é possível que só uma parte da sociedade, aqueles que trabalham e produzam, sintam na pele os seus efeitos, enquanto as grandes empresas e o sector financeiro, responsáveis pela crise, continuem a exibir lucros fabulosos e a pagar escandalosos salários e prémios aos seus gestores?.

E já agora, um exercício simples sobre a “crise”: quem se der ao trabalho de observar á sua volta, talvez já tenha reparado que, aí uns 90% dos automóveis com matriculas de 2009 e 2010 são carros topo de gama, inacessíveis, por exemplo, aos “salários privilegiados” dos professores no topo da careira. Essa situação prova que, ou anda muita gente a fugir ao fisco ou os ricos continuam a enriquecer cada vez mais.

Historicamente uma crise caracteriza-se pelo desemprego generalizado, provocada pela falência em cadeia de grandes bancos e grandes empresas, atingindo financeiramente todos os grupos sociais.

Esta crise parece de facto um grande embuste, a servir de desculpa para despedir a eito, desvalorizando rapidamente o factor trabalho, talvez como forma de se obter uma nova acumulação de capital à custa de cortes salariais e sociais. Se hoje não é politicamente correcto o recurso à pirataria, ao saque colonial ou à escravatura, que foram as formas tradicionais de acumular capital, o que se está a passar parece de facto “o maior roubo organizado da história”.

Leia-se AQUI toda a reportagem sobre a conferência de Carvalho da Silva.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A iconografia de Alice no País das Maravilhas


A obra de Lewis Carroll “Alice no País das Maravilhas” tem-se prestado às mais variadas criações iconográficas, sendo as mais famosas as do primeiro ilustrador John Tenniel, na primeira edição da obra em 1865, e as utilizadas por Walt Disney no famoso filme de 1951.

A recente incursão de Tim Burton por essa obra veio reavivar o interesse por essa história e pelos seus personagens, recriando a iconografia ligada a essa obra.

Na internet existe uma versão traduzida da obra de Carroll, que pode ser consultada AQUI, mas a sugestão mais inovadora parte do jornal EL Mundo on-line de hoje, que sugere um passeio pela forma como Alice no País das Maravilhas tem sido ilustrada na Banda Desenhada, e que podem consultar AQUI.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Respigo da Semana - Pacheco Pereira, as Minas de Neves Corvo e um país "irreal"

(Foto: Lusa)

"DESLAÇAMENTO

Por PACHECO PEREIRA

"Quando, há já umas semanas, ouvi um deputado do PCP, José Soeiro, subir à tribuna para falar da luta dos mineiros de Neves Corvo, em Castro Verde, senti uma forte sensação de irrealidade, uma espécie de distância imensa entre tudo e tudo, o deslaçamento enorme que Portugal atravessa, sem direcção nem destino. A pergunta que se me atravessou - e atravessou é o termo mais exacto - era: mas quem é que quer saber dos mineiros de Neves Corvo para alguma coisa? Mas a pergunta atravessada era na realidade outra: mas quem é que aqui, nesta sala, quer saber dos mineiros de Neves Corvo para alguma coisa?

"Podia-se dizer que os comunistas querem, mas mesmo nesse sentido seria possível desvalorizar esse "querer". No fundo, o que se passava era a mais estandardizada das situações. Um deputado comunista alentejano, a falar de trabalhadores alentejanos, que são na sua maioria seus eleitores, e a enunciar uma clássica reivindicação sindical defendida por um sindicato que é também constituído na sua maioria por comunistas. Estava a fazer o que é normal, o que se espera, o mesmo que fazem os deputados algarvios que querem que se consumam mais laranjas do Algarve, ou os de Viseu que não querem encerrar um posto de saúde. Era política "local", aquela que os americanos dizem ser "toda a política". E era uma função clássica de representação do "seu" eleitorado: os comunistas falam para o "seu" Alentejo, como os deputados da Madeira e dos Açores falam para os madeirenses ou os açorianos.

"Mas não era só isso. Havia uma diferença. E de novo a pergunta atravessada passou para outra expressão, muito mais atravessada, essa sim também muito mais complicada porque já caminhava para fora da pergunta, para uma resposta: por que razão nós falhamos a estes homens, nós falhamos aos portugueses como os mineiros de Neves Corvo, que mais do que quaisquer outros precisam de bom governo, porque são os mais frágeis, os primeiros a pagar os custos das asneiras que são cometidas lá longe, em Lisboa, num outro mundo tão distante do Alentejo como a Lua. O pano de fundo das perguntas atravessadas é a, para mim, clara e evidente percepção da enorme, gigantesca indiferença com que olhamos para estes homens, os mineiros de Neves Corvo. Eles não são mais do que uma longínqua perturbação noticiosa na sua greve (entretanto suspensa), a que na Assembleia reagimos com total desatenção. É quando muito uma coisa para os comunistas (verdade seja que Cavaco Silva, que não renega as suas origens sociais, os recebeu), ou uma excrescência anacrónica de "neo-realismo", que não merece nem um parágrafo no mundo modernaço dos gadgets em que se entretém o primeiro-ministro, nem os interesses dos blogues finos da direita e dos blogues fracturantes da esquerda. Este não é o Portugal deles, esta é a face póstuma de um Portugal que eles desconhecem e abominam, que vota politicamente errado (embora votem nos únicos que dão voz aos seus interesses, tão irracionais economicamente como todos os outros interesses, como dos professores, por exemplo, ou os dos gestores), que não é fashionable, não tem "marca" nem griffe, nem aparece no Time Out dos urbanos da moda, nem tem graça para ser gozado em qualquer programa menor de humor, como os que proliferam hoje por todo o lado. Se aparecem nos jornais é como arqueologia industrial, arcaísmo, anacronismo, ou, pior ainda, folclore local, que é visto com a distanciação de uma bactéria exótica.

"Os problemas sociais são para muita gente uma maçada. Melhor: as diferenças sociais e a conflitualidade que daí surge são para muita gente uma maçada. O mundo deles é constituído por uma pirâmide social que começa nos abusadores do rendimento mínimo, passa para a "classe média baixa", para a "classe média" propriamente dita, a abstracção de muitas políticas, e sobe depois para os arrivistas com dinheiro, que o Independente tratava como o "novo dinheiro", os que vêm no jet set das revistas populares, para terminar na aristocracia do "velho dinheiro", o jet set invisível da verdadeira alta. Com esta pirâmide social, tão fictícia como os Morangos sem Açúcar, não há lugar para portugueses como os mineiros de Neves Corvo.

"Mas os mineiros de Neves Corvo existem, estão lá, à superfície e no fundo, vivem nas suas aldeias e vilas, com famílias, presas num Portugal tão profundo como o das minas onde trabalham. Não são muitos, não são novos, não fizeram as Novas Oportunidades e se saíram do Alentejo ou foi porque emigraram, ou porque vão nas excursões nos autocarros da autarquia. Os seus slogans, o penhor que pagam à hegemonia da comunicação, nem sequer são muito eficazes fora do mundo das minas. Tinham duas reivindicações: o aumento do "subsídio de fundo" e a "comparticipação de Santa Bárbara", expostas em duas palavras de ordem - "aumento do subsídio de fundo, não é nada do outro mundo", "Sta. Bárbara padroeira, comparticipação inteira".



O "fundo" era o "fundo" das minas, um lugar que dificilmente imaginamos na sua dureza, mesmo que as minas já não sejam como as do Germinal. Mesmo assim, quanto vale trabalhar nestas condições? Como é que calculamos com justiça o valor de um trabalho duríssimo e perigoso? Não sei. Só sei que não pode ser calculado apenas em termos de pura "racionalidade económica" como agora se diz. E, imaginem, eu sou um liberal... E o dia de Santa Bárbara, 4 de Dezembro, padroeira dos mineiros, a noiva à força da Bitínia, convertida ao cristianismo e que viu a terra abrir-se para a esconder, querem nesse dia os mineiros a "comparticipação inteira". A Santa que uma antiga oração que apela a outras suas virtudes milagreiras, contra os trovões e os relâmpagos, talvez os ajude, a "enfrentar de fronte erguida e rosto sereno todas as tempestades e batalhas da vida".

"Pois é. Isto é o Portugal que falhamos, o Portugal que ignoramos, o Portugal que deixamos deslaçar, fragmentar, perder-se numa deriva para a obscuridade que as luzes do espectáculo fátuo em que vivemos não alumiam. E no entanto, há muito desse Portugal lá fora: mineiros, pescadores, agricultores, operários, trabalhadores da construção civil, empregadas da limpeza, marinheiros, gente que faz os trabalhos menos qualificados nos hospitais, nas escolas, nas autarquias, numa deriva para a pobreza, para o desemprego, para o fim da breve esperança de um Portugal melhor e mais justo. Claro que há outro Portugal, mais jovem, mais culto, mais dinâmico, apesar de tudo com mais expectativas realizáveis e menos peso de más condições de vida ancestrais. Mas, mesmo esse, está em crise, mesmo esse prepara-se para emigrar, prepara-se para se soltar na esperança da mobilidade social. Mas o nosso drama é o deslaçamento entre os dois mundos, a perda de contacto entre as realidades sociais diferentes, o afastamento de portugueses dos portugueses e a ignorância, quando não a indiferença, que os afasta uns dos outros.

"É por isso que não queremos saber para nada dos mineiros de Neves Corvo e da sua arcaica greve. Na verdade, nunca houve muito cimento entre os portugueses, mas agora há menos e tudo trabalha para que ainda haja menos".

(in Público de 10 de Abril de 2010.)

domingo, 11 de abril de 2010

11 de Abril, dia do Holocausto

Comemoram-se hoje os 65 anos da libertação do campo de concentração de Buchenwalt.

Coube ao escritor Jorge Semprún recordar esse dia que encerrou uma das páginas mais trágicas da história da humanidade.

Por sua vez é amanhã inaugurada em Jerusalém a exposição “Virtudes da Memória” em Yad Vashem, uma instituição que procura recordar as vítimas do Holocausto.

Obra de Boris Taslitzky incluida na exposição "Virtudes da Memória"

O Principio do fim de Sócrates.

(foto: Tiago Petinga/Lusa)


Começou o principio do fim da “era socrática”.

Ao conseguir transmitir para o exterior a ideia de unidade no interior do PSD, Pedro Passos Coelho iniciou hoje a sua caminhada para o poder.

Se essa caminhada vai ser longa ou breve, apenas a forma como Sócrates conseguir prolongar ou não a sua agonia política o dirá.

Se a táctica de Sócrates ao longo do seu poder foi o de ocupar o espaço político do PSD, esvaziando-o ideologicamente, a corda já foi demasiado esticada à sua esquerda e não poderá responder ao extremismo neo-liberal de Passos Coelho sem romper definitivamente com o eleitorado de esquerda do PS.

Sócrates ainda o tentou com a defesa de um projecto de privatizações, integrado no PEC, sem qualquer estratégia económica credível que não fosse o de “vender os anéis e os dedos” para responder cobardemente à chantagem das agências de rating.

Curiosamente o neo-liberal Passos Coelho não caiu na esparrela e conseguiu dar a volta por cima, (quase que diria, pela “esquerda”) a essa tentativa de Sócrates lhe retirar a argumentação política em defesa da diminuição do poder do Estado na economia.

Para o PS as privatizações têm funcionado como um modo de “criar empregos” para a sua clientela política.

Para Passos Coelho a defesa das privatizações deve obedecer a uma estratégia económica bem delimitada, em defesa de uma separação daquilo que devem ser as funções do Estado dos interesses privados.

O novo líder do PSD tem pelo menos um mérito que é de pôr os portugueses a discutir onde devem começar e onde devem acabar os poderes do Estado.

A sua visão neo-liberal não lhe permitiu, contudo, ir mais além nessa discussão, sendo incapaz de distinguir, de modo claro, aquilo que devem ser as funções sociais do Estado daquilo que é o verdadeiro “excesso de Estado” na sociedade portuguesa: o modo como este dá emprego à clientela política do centrão, através das nomeações políticas para as várias administrações por si controladas, ou da engorda com essa mesma clientela, dos gabinetes ministeriais; os financiamento a obscuros institutos e fundações ; as contratação de gabinetes de advogados onde proliferam conhecidas figuras da vida politica.

Ora, quanto a mim, é neste pé que a “esquerda”, que não se deve alhear dessa discussão, deve colocar a questão das funções do Estado.

A “esquerda” não deve abdicar das obrigações do Estado na educação, na saúde e nas funções sociais. Deve também defender a posição do Estado numa política de transportes públicos, de apoio às energias renováveis, na defesa do ambiente e do património cultural e no apoio às actividades de criação artística não rentáveis .

Além dessas, penso que é pacífico, à “esquerda” e à “direita”, que o Estado deve ser responsável pelas funções de soberania , de segurança e de justiça.

Tudo o resto, quanto a mim, está em aberto.

Passos Coelho inverteu a situação, posicionando-se no terreno de Sócrates. Este, na ânsia de governar para agradar a “empresários” e “economistas” neo-liberais, não tem grande credibilidade se fizer uma tentativa de se demarcar do dirigente do PSD.

Por isso Passos Coelho passa a representar uma real alternativa de mudança política, colocando Sócrates, de há muito desacreditado à “esquerda” e agora a perder terreno entre a sua clientela neo-liberal, na defensiva política, o que, a prazo, representará o fim da sua invencibilidade.

Não navegando nas águas políticas do PSD, devo reconhecer a Passos Coelho o mérito de representar, pela primeira vez nos últimos anos, uma alternativa política credível ao “socratismo”

Como homem de esquerda, só posso lamentar que essa alternativa apareça representada pelo líder mais à “direita” que até hoje foi escolhido para dirigir o PSD.

Quando o Grafite se tornou Arte

House of Soul ( Ver mais AQUI)

sábado, 10 de abril de 2010

Polónia em estado de choque...

A Polónia acordou hoje em estado de choque com a morte do presidente polaco Lech Kaczynsky, num acidente de avião esta madrugada, na Russia, juntamente com a sua esposa e vários membros do parlamento, chefias militares e outros políticos desse país.
Estas são algumas das fotografias que chegaram ao longo do dia, dando conta dessa consternação:
















...Continuem a acreditar neles!

Segundo a edição de hoje do Público, os “funcionários públicos portugueses estão entre os que mais perderam poder de compra nos últimos anos. Entre 2004 e 2008, os trabalhadores do Estado viram os seus salários encolher perto de 0,7 por cento face à evolução do custo de vida. Em pior situação só se encontravam os funcionários públicos da Eslovénia e do Chipre, enquanto na União Europeia os salários tiveram, em média, um ganho real de 3,1 por cento”.

A notícia não é novidade nenhuma para quem trabalha para o Estado. A importância da sua divulgação está no facto de desmentir o discurso dos nossos governantes ou ex-governantes, economistas e alguns comentadores, que, de há vários anos a esta parte, têm por hábito justificar a miséria económica e social em que o país se tem enredado nos últimos anos com os “privilégios” dos funcionários públicos (entre os quais se incluem médicos e professores).

O estudo agora revelado pelo Público vem deitar por terra essa argumentação.

Não deixa de ser igualmente curioso que muitos desses mesmos governantes ou ex-governantes, economistas e comentadores tenham vindo em defesa dos vergonhosos ordenados e prémios de gestores públicos, com o argumento de tais críticas serem demagógicas ou da necessidade de honrar os compromissos assumidos com tais gestores.

Desonrar compromissos tem sido uma constante no relacionamento do Estado com os seus funcionários nesta última década: para além do congelamento salarial, da estagnação das carreiras e dos baixos salários, uma forma de espezinhar compromissos assumidos com os funcionários públicos passa pela instabilidade dos últimos anos em termos legislativos, no que respeita às condições das reformas e da evolução das carreiras, numa constante mudança das regras do jogo, desacreditando a boa fé de quem nos governa

Alguns desses governantes ou ex-governantes, economistas e comentadores, têm sido, aliás, dos primeiros a beneficiar de um sistema paralelo de salários, reformas e prémios que escapam à generalidade das carreiras da função pública, não sendo por isso de admirar o modo como se apressam em vir defender publicamente os seus pares.

Infelizmente o “povo” continua distraído com os “futebóis”, as “telenovelas” e a “baixa política”, passando-lhe ao lado essas notícias e continuando a engolir as patranhas que essa gente debita nas televisões e nos jornais, lançando o fel da inveja social dos que vivem "miseravelmente" contra os que vivem “remediados”.

Desse modo podem garantir o sistema desigual em que vivemos, do qual muitos beneficiam, “roubando” à “classe média” para garantir os seus privilégios e distribuindo as migalhas do saque pelos “pobrezinhos” que, com o seu voto, lhes garantem o poder.

Uma Fotografia para este Fim-de-semana - A Galáxia Assimétrica

Nesta espectacular fotografia hoje divulgada pela NASA, obtida pelo telescópio Hubble, da "Galáxia Assimétrica", está contida toda a dimensão de um mundo que escapa à pequenez dos nossos dias.
O mesmo homem, capaz de desenvolver a ciência capaz de captar imagens como esta, é o mesmo que alimenta guerras infinitas, ditaduras rancorosas ou desigualdades gritantes.

sábado, 3 de abril de 2010

Cerimónias da Semana Santa no mundo

Paraguai

Jerusalem - Israel

Málaga - Espanha

México.

Filipinas

Bilbao - Espanha.

Brasil

Guatemala

Guatemala.

Málaga - Espanha.

Filipinas.

Cuenca - Espanha

Zamora - Espanha

Caracas - Venezuela.

Equador

Roma.

Santiago de Compostela - Espanha.

Sevilha - Espanha.

Sevilha - Espanha.

Guatemala

Zamora - Espanha

Zamora - Espanha

Zamora - Espanha

(Fonte: The Guardian ( a maior parte)  e Irish Times)

Votos de uma Páscoa Feliz

Para todos os meus amigos, seguidores e leitores, os desejos de uma Boa Páscoa e... até já!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O regresso do nuclear?

O diário “i” noticiou na sua edição de 31 de Março mais um manifesto da “sociedade civil”, assinado por 33 personalidades, a maioria das quais antigos ministros do centrão, maioritariamente da área do PSD, contestando a aposta de José Sócrates nas energias renováveis.

Nas entrelinhas esse manifesto pretende “reabrir” o debate sobre o nuclear, tendo entre os subscritores muitos dos defensores de sempre desse tipo de energia.

Ultimamente, de tempos a tempos, grupos de “notáveis”, individualmente ou em grupo, retomam o tema do nuclear, coma desculpa da poupança energética que essa opção, segundo eles, permitirá.

Uma das falácias dessa gente é a de que não tem existido debate sobre essa opção ou que existirá uma espécie de “complot” que silencia os defensores do nuclear.

Contudo, nenhuma das situações que travaram essa opção energética para Portugal foram alteradas nestes últimos vinte ou trinta anos, a saber, os seus custos (de construção e manutenção), o perigo que representa para as populações vizinhas de uma central nuclear e, principalmente, a produção de resíduos tóxicos radioactivos, sem solução razoável para o seu armazenamento em segurança.

Por isso também não existe nada de novo no debate sobre o nuclear.

Claro que, se um dia se vier a descobrir uma forma “limpa” de produzir esse tipo de energia, então será possível retomar o debate sobre o seu uso.

Sabe-se que Bill Gates está a financiar uma importante investigação para se conseguir a produção de energia nuclear limpa e sem produção de resíduos, estudando-se mesmo a hipótese desses resíduos serem reciclados para produzir mais energia.

Também o êxito recente da histórica experiência do CERN pode dar, a prazo, novas esperanças na utilização limpa desse tipo de energia.

Mas não é nada disto que os defensores cá da terra do nuclear preconizam. O que eles defendem é a instalação das velhas centrais nucleares, obedecendo a obscuros interesses que estão por detrás de tão “desinteressadas” opiniões.

Provavelmente já existe muita gente esfregando as mãos de contentamento pelo êxito dos defensores do nuclear junto da nossa ignorante e temerosa classe política, prontos a vender a obsoleta tecnologia que têm em stock, um pouco à maneira da história dos submarinos…

Ao que parece, contudo, a defesa pura e dura daquela opção energética ainda não conseguiu convencer um número suficiente de decisores económicos e políticos.

Sendo assim mudaram de estratégia.

E a estratégia é desacreditar a opção pelas energias renováveis, sem defenderem directamente a alternativa nuclear, para depois, e se conseguirem convencer uma nova classe política, principalmente ligada a Passos Coelho, que quer parecer original e “inovadora” e usar a contestação a tudo o que “cheire” a José Sócrates, apresentarem como única opção alternativa às “desacreditadas” energias limpas a sua tão “querida” energia nuclear.

Será que Passos Coelho, na ânsia de obter apoios políticos para a sua caminhada em direcção ao poder , vai deixar-se cair no engodo?

A ver vamos, em cenas dos próximos capítulos.