terça-feira, 21 de setembro de 2021

Autárquicas- O Tabuleiro Torriense


Há muitos anos que não se assistia, em Torres Vedras, a umas eleições autárquicas, tão disputadas.

Logo no início marcada pela tragédia, a morte dramática do ex-presidente Carlos Bernardes, que já tinha sido apresentado como recandidato e cabeça de lista do PS a estas eleições, assistiu-se também ao aparecimento de uma candidatura “independente” bastante forte, capaz, pela primeira vez desde os tempo da liderança de Ana Maria Bastos nas listas do PSD, de se bater de igual por igual com o PS, que lidera a Câmara de Torres Vedras desde 1976.

O PS viu-se obrigado, por força da trágica circunstância do falecimento de Carlos Bernardes, a alterar a sua candidatura à Câmara, liderada, pela primeira vez, nesse partido, por uma mulher, Laura Rodrigues, a qual, devido à situação, e seja qual for o resultado final, tornou-se a primeira mulher presidente desta Câmara.

Inicialmente a situação do PS parecia muito periclitante, devido ao desgaste dos anos e do próprio Carlos Bernardes, embora tenha recuperado alguma credibilidade na forma como enfrentou a crise provocada pelo Covid.

Com a renovação forçada da sua lista, beneficiando eventualmente do efeito dramático da situação vivida, a candidatura do PS, liderada por Laura Rodrigues, parece ter recuperado a iniciativa e, agora, o máximo que os seus opositores talvez consigam, pode ser retirar a maioria absoluta a esse partido, situação um pouco mais complicada na Assembleia Municipal, devido ao peso numérico da representação dos Presidentes de Freguesia, onde se espera que o PS mantenha a maioria.

Dizemos “talvez”, porque é uma incógnita o resultado nas urnas da dinâmica crescente da candidatura independente “Unidos por Torres Vedras”, a única capaz de se bater por uma vitória eleitoral . Pode até acontecer que consiga derrotar o PS na Câmara, mas muito dificilmente baterá esse partido na Assembleia Municipal, devido às circunstâncias, acima mencionadas.

Recorde-se que, não sendo a primeira vez que temos uma candidatura independente, esta ter surgido de uma importante cisão no sei do partido dominante na autarquia, mas alargando a sua influência à esquerda (PCP) e à direita (PSD). Esta abertura, a razão da força desta candidatura, pode ser, a prazo, a sua própria fraqueza, pois, quando se tiverem de tomar posições mais estruturais e mais politicas no futuro, virão ao de cima as divergências na visão do mundo de algumas das suas principais figuras. Mas esse não é o problema do momento e, de facto, esta é, pela primeira vez, em muitos anos, uma candidatura que pode unir o voto “útil” anti-PS ou dos eleitores cansados e descontentes com um tão longo domínio de um único partido no concelho.

Não deixa também de ser significativo, mais uma característica original deste acto eleitoral, que o PSD, pela primeira vez, não conte como alternativa de peso ao PS. Além de ter dado um “tiro no pé” ao apresentar, pela primeira vez na sua história, um candidato estranho à vivência e à realidade torriense, é um dos partidos que vais sair mais desgastado no seu eleitorado pela grande quantidade de novas alternativas ao centro e à direita. A única novidade pode ser a recuperação da freguesia de Campelos, onde se candidata aquela que podia ser a figura mais forte, e a mais natural, para uma candidatura camarária

Além de perder eleitores devido à opção que tomou na escolha do seu candidato, vai perder muitos votos para o “Unidos Por Torres Vedras”, mas também para uma candidatura bastante forte da direita, embora com apoio mais abrangente, a candidatura do Aliança, liderada por Paulo Bento, um dissidente do PSD, uma das figuras mais respeitadas e mais experientes dessa área, e aquele que, nas suas intervenções públicas durante esta campanha, se tem revelado mais consistente, mais bem preparado, mais original nas suas propostas, mostrando um grande conhecimento das realidades do concelho. O resultado da Aliança pode revelar-se, assim, outra grande surpresa nestas eleições.

Um outro partido que pode retirar votos à aliança PSD-CDS é o Chega, embora apresente uma candidatura muito fraca, com pouco conhecimento da realidade torriense, procurando apenas repetir o êxito que o seu líder André Ventura obteve nas presidências, como o segundo mais votado neste concelho. Contudo, a história hoje é outra e, pensamos, o Chega vai ter um mau resultado no concelho, embora possa contribuir para o previsível decréscimo eleitoral da candidatura “Afirmar Torres Vedras” (PSD-CDS-PPM).

À esquerda, a grande novidade vem da candidatura à presidência do Bloco de Esquerda, um bem preparado Jorge Humberto, uma das candidaturas mais credíveis das que se apresentam nestas eleições e neste concelho. Uma grande vitória seria conseguir que esse partido elegesse, pela primeira vez em Torres Vedras, um vereador.

Já a CDU não apresenta grandes novidades. Apesar de ter sondado vários candidatos, que pudessem reforçar a sua influência, acabou por apostar na continuidade. Curiosamente, onde a CDU apresenta candidatos mais fortes, e onde pode ser uma surpresa, é a nível de algumas freguesias, como a possibilidade de recuperar a Carvoeira, de obter um bom resultado em Runa, no Ramalhal e em A-Dos-Cunhados.

Perante este quadro, aqui revelamos a nossa opção eleitoral: Para a Câmara votamos no candidato do BE; para a Assembleia Municipal votamos no candidato da CDU; para a Assembleia de Freguesia, ainda estamos indecisos (entre CDU, BE e a candidata do Unidos por Torres Vedras).

Como previsão, pensamos que Laura Rodrigues vais ser a primeira mulher eleita para presidente, embora sem maioria absoluta, mantendo o PS a maioria absoluta na Assembleia Municipal.

Nas freguesias, vamos assistir a algumas mudanças, a favor do PS na Freira e na Ponte do Rol, do PSD em Campelos, e da CDU na Carvoeira, sendo uma grande incógnita o que se vai passar na grande freguesia urbana, disputada entre o PS e o Unidos Por Torres Vedras.

Gostávamos que a Câmara fosse mais diversificada, com vereadores eleitos de entre  o BE, a CDU, a Aliança e Unidos por Torres Vedras.

1 comentário:

Rui Prudêncio disse...

Olá Venerando.
Gostei da tua análise.
Aguardo com espetativa os resultados eleitorais.
Abraço.
Rui Prudêncio